O Mundo Experimental de Usamaru Furuya (Parte 2)

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Finalmente, aqui esta a parte 2 do post tão aguardado sobre as obras desse cara insanamente genial, que me fez curtir um manga Yaoi e me mostrou que historias com merda são realmente uma merda.

Se não entendeu, de uma passada na parte 1 do post, clicando aqui.

Bem, agora vamos ao que interessa. Nessa segunda parte estarei falando de 4 obras fantásticas. Nelas Furuya nos mostra seu sofrimento quando adolescente, faz uma reinterpretação de um filme famoso, mostra como seria um terremoto em grande escala e termina se auto afirmando como gênio, com o que e considerados por muitos sua obra prima.

Infelizmente, retirei o manga Short Cuts da lista de leitura por se tratar de um 4koma sobre Ko-Gal, um tipo de moda entre garotas adolescentes do Japão. Como não sei nada a respeito do tema, acredito que fiz a melhor escolha.

Agora, fiquem com o post ^^

Como havia dito no final do ultimo post, resolvi escolher um manga pela capa. Nisso escolhi Genkaku Picasso, cuja a capa simula um caderno escolar e o titulo e feito com materiais de artes. Me surpreendi com a obra.

Genkaku Picasso

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Ano: 2008

Gêneros: Drama

Genkaku Picasso conta a historia de Hikari, um jovem de aspecto sombrio que vive isolado das outras pessoas da classe e passa as horas vagas desenhando, pois esta e a sua verdadeira vocação. Por causa disso, passou a ser chamado de Picasso.

Picasso foi o nome dado a ele por Chiaki, sua melhor amiga, e admiradora de seu talento fantástico Ela nunca sai do lado de Picasso, mesmo após a sua morte.

Se você achou que esta era uma simples historia escolar com um pouco de romance se enganou. Logo no primeiro capitulo um helicóptero se choca na beira de um rio, onde Picasso e Chiaki se encontravam todos os dias, assim levando ambos a morte.

Porem, Picasso voltou a vida graças ao pedido que chiaki fez em seus últimos momentos, para que deus poupasse a vida de seu amigo. Nisso, chiaki se transformou em um pequeno anjo e passou a ajudar Picasso em sua nova missão. Desenhar o coração das pessoas.

Mas porque desenhar justo o coração, que e algo que Picasso nunca conseguiu compreender? Ele deve fazer isso para mudar o destino das pessoas de aura negra, e ao mesmo tempo salvar a si mesmo da morte.

Se Picasso parar de ajudar os outros, seu corpo ira entrar em decomposição, assim apodrecendo aos poucos, como um verdadeiro cadáver, ate que não reste nada, exceto pedaços de carne apodrecida.

Como disse anteriormente, ele deve salvar as pessoas de aura negra. As vezes essa aura e visível a olho nu, quando o problema e muito grave, porém em outras e necessário ter contato físico com a pessoa ou algo de valor para a mesma.

Ao enxergar a terrível aura Picasso entra em um estado de transe e desenha obras com significados ocultos. Para desvendá-las e necessário que Picasso e Chiaki mergulhem na tela, indo de encontro com mundos inimagináveis e bizarros.

A essa altura nem preciso dizer que Genkaku Picasso não fala de arte, apesar de citar uma coisa ou outra, mas sim das pessoas, tanto no modo de agir como no subconsciente

Mas o manga não vive só de momentos de tensão, pois a muita comedia para aliviar. Na verdade diria ate que esta e a obra mais leve do autor, provavelmente por ter sido escrita em uma revista com publico alvo mais jovem.

A acada mergulho notamos que Picasso enfrenta um pouco de si mesmo, assim como o autor. O próprio autor descreve as situações do manga como barreiras pelas quais teve de passar na adolescência.

Tal fator faz com que a obra seja extremamente inidentificável e tenha um grande apelo por  parte dos leitores. Eu mesmo me incluo neste grupo, pois adorei Genkaku Picasso.

Depois de Genkaku Picasso resolvi ler Jisatsu Circle por indicação do meu amigo Riordan. Eu achei que era troll dele, mas parece que ele realmente adora esse manga. Então…desculpa ^^”

Jisatsu Circle

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Ano: 2002

Gêneros: Drama

Logo no inicio, já nos vemos em choque, ao nos deparar com a cena devastadora com a qual se inicia a obra. 50 garotas chegam ao metro fazendo uma corrente ao darem as mãos, e então, todas se jogam na frente de um trem.

Depois disso, a obra me prendeu por completo, e por mais previsível que fossem certas partes, eu continuei a leitura.

Após o acidente, apenas Saya sobrevive. Ela é uma garota com uma vibração dark ao seu redor, porém, dia após dia, mais pessoas começam a se juntar embaixo de sua sombra.

Nisso, sua melhor amiga Kyoko, resolve seguir os passos da amiga e descobrir o que esta acontecendo. Antes Saya nunca saia de perto dela, e vivia alegre, até entrar para um clube escolar, do qual ninguém fazia ideia das atividades.

Como já falei antes, eu achei a obra previsível, e por isso não pude aproveitá-la ao máximo Mas de longe este manga é ruim, diria que no minimo, mediano.

Apos me decepcionar com Jisatsu Circle (as vezes eu hipei d+, vai saber) peguei para ler a obra mais loga que achei do autor. Não que eu tivesse muito escolha, só faltava duas obras na lista, e Marie com certeza deixo para o final.

Kanojo o Mamoru 51 no Houhou

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Ano: 2006

Gêneros: Drama

O manga começa mostrando um dia como qualquer outro. Jin estava saindo de uma importante entrevista de trabalho e Nanako se dirigia para mais um show de Rock.

Por obra do destino, Jin a reconhece e acaba ajudando ela a se livrar de um grupo de garotas que a importunava. Os dois eram antigos colegas de escola, agora ambos tentando se firmar na vida adulta.

Porém, esse encontro que poderia ser passageiro se torna a salvação de ambos. No momento em que estavam a conversar, um forte tremor sísmico começou a balançar a ponte. Quando se deram conta, ela estava destruída, da mesma forma que estava a grande silhueta distorcida que se destaca ao horizonte, chamada Tokio.

Seguindo sempre em frente, com um apoiando o outro eles passam por uma tragédia que mostra a verdadeira face do ser humano, e nos faz pensar o que seria um verdadeiro apocalipse.

Passando por temas polêmicos e chocantes como estupro e seitas religiosas, o manga consegue ser mais genial e tenso a medida que avança rumo ao final.

No decorrer da história temos 2 personagens que se juntam a Jin e Okano. Uma garota de aparência forte e decidida chamada Rika e uma pequena e inocente garota que se perdeu no incidente. (Esqueci o nome dela, me desculpem)

A primeira vista este é um manga que qualquer um conseguiria ler, mas o autor mostra que não está de brincadeira ao apresentar os horrores de um terremoto em grande escala. Tais horrores que parecem ter saído de um livro de ficção cientifica, mas que com explicações exaustivamente detalhadas nos faz comprar a ideia, e o pior, é que tudo que é mostrado pode realmente vir a acontecer.

Ao terminar a leitura, o primeiro pensamento que me veio à cabeça e que eu tenho sorte de morar no Brasil, em uma região aonde não preciso nem pensar em tragédias como essa.

Por outro lado, muitas das coisas apresentadas ocorrem no dia a dia, e passamos por elas despercebidos, simplesmente sem ligar, pois queremos proteger apenas nossos entes queridos.

Jin mostra que uma ajuda extra pode realmente fazer a diferença, mas que por outro lado, as vezes devemos nos focar apenas no que está a nossa frente, para não nos sobrecarregarmos e botarmos tudo a perder por causa de um impulso impensado.

Realmente, este e um dos melhores mangas que eu já tive o prazer de ler, e não me arrependo nem um pouco de dizer isso.

O que posso dizer? Após ler algo tão fantástico minhas expectativas quanto a Marie subiram até a estratosfera. Espero somente não estar hipando demais a obra, e acabar afundando em um poço sem fim de lamentação…

The Music of Marie

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Ano: 2000

Gêneros: Drama, Romance, Ficção Cientifica, Fantasia

Marie conta a historia de um romance em um mundo fantástico, com diversas ilhas, cada uma com um propósito, e uma deusa guardiã que sobrevoa os céus. Os protagonistas deste romance são Pipi, uma bela jovem que está sempre de auto astral, e seu melhor amigo Kai, um jovem misterioso que veio da região das minas.

Kai despertou aos seus 10 anos uma misteriosa habilidade que o permite escutar os sons da natureza que ninguém e capas de ouvir e possui misteriosas marcas de nascença em sua mão, além de uma grande adoração pela deusa Marie.

O mundo em que eles vivem, mais precisamente a ilha, e um lugar fantástico repleto de maquinas incríveis criadas pelos mais diversos artesãos, no melhor estilo steampunk. Além disso o lugar é pacifico e nunca ocorre situação ruim que não possam ser resolvidas de imediato.

Além do romance entre os principais e o maravilhoso dia-a-dia apresentado ao mostrar essa ilha fantástica, algo digno de um filme dos Estúdios Ghibli, temos a religião como um dos temas chaves da trama.

Ao contrário da nossa religião, os deuses são representado como maquinas, e para se provar diante de deus e necessário sempre estar a evoluir, até alcançar o limite da raça humana.

Mas, infelizmente, nem tudo e como parece ser nessa obra. Com o fim do volume 1 o clima começa a pesar, uma característica comum nas obras do Furuya, e vemos a fantasia e a ficção se misturando cada vez mais, e um emaranhado de dissertações filosóficas sobre a humanidade.

A arte do manga parece e muito bela e delicada, e isso ameniza bastante certos pontos da obra, para depois o autor alterar o traço e mostrar o peso que uma mudança brusca pode acarretar.

Eu não sei se posso falar mais do que isso sobre a obra, preferia manter o resto como uma grande surpresa, capas de nos fazer refletir bastante sobre o mundo, o nosso destino, a religião escolhida, as correntes da sociedade e a tal dita, sempre de maneira poética, liberdade.

Tudo isso visto de pontos únicos, que fazem desta obra uma leitura obrigatória a todos, apesar de seus temas controversos e clima pesado com difícil interpretação. Ou talvez eu deva dizer que e uma obra de fácil interpretação, mas que os pontos vistos levam a uma conclusão diferente para cada leitor. Não sei ao certo…

Talvez, a única coisa que eu tenha certeza de que eu posso afirmar, está e sem dúvida uma obra prima, não só deste autor, como do mundo da literatura.

Com isso concluímos está resenha em massa sobre um dos autores que mais gostei de ler até então.

Inicialmente eu estava achando que a ideia de ler obras de um único autor poderia ser algo ruim, mas Furuya consegue inovar e apresentar um estilo diferente a cada obra que produz.

Obviamente certos pontos se mantem na maioria das obras, assim afirmando uma característica forte do autor, como o muitas vezes citado clima pesado e a reflexão sobre o ser humano e a sociedade.

Como podem ter notado no primeiro post, eu desaprovei imensamente o humor dele mesmo sendo um grande fã do tão falado humor negro, mas eram suas obras de estreia que iam por esse caminho, e logo ele se voltou para o drama, conseguindo brilhar como um gênio neste gênero.

Mas não é só ao escrever que ele demonstra suas habilidades. Sua arte e bastante diversificada e bela, mesmo nas cenas mais grotescas, este nos mostra como e ser um bom desenhista. Tanto que este foi um dos fatores deu ter o escolhido como o primeiro autor a ser falado nesta coluna.

Com isso, devo dizer que Usamaru Furuya evoluiu e se adaptou a cada nova obra, sempre demonstrando boas ideias, assim se afirmando não só como um dos grandes nomes dos mangas, mas como um grande artista.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 17/05/2013, em O Fascinante Mundo dos Mangas, Resenha em Massa e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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