Resenha em Massa: Franquia Deep Love [NSFW]

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Assim que criei o “Resenha em Massa” eu fui elogiado, algo que simplesmente não imaginei acontecer, mas realmente as pessoas curtiram a ideia de se fazer textos sobre um apunhado de one-shots.

Infelizmente, essa mesma “inovação” é o que gerou a morte precoce da coluna. Apesar de coletâneas desse tipo serem algo comum é muito difícil separar algum material de qualidade e pior ainda dissecar historias tão curtas em busca de algo relevante.

Anos se passaram desde o último texto é so agora resolvi reviver esse estilo de matéria, porem com mudanças em sua abrangência. A coluna não se concentrara exclusivamente nesses enredos microscópicos, assim eliminando em parte a dificuldade de ser produzida.

A partir de agora os textos serão uma indicação literal do nome “Resenha em Massa”. Basicamente, toda e qualquer obra pode entrar aqui em uma lista com temática especifica, seja coletâneas, tops ou franquia. Não importa.

Tendo isso dito, para a noite de reinauguração escolhi a série Deep Love, de autoria de Yuu Yoshi. São no total cinco mangas adaptados de romances de celular de mesmo nome, todos publicados pela Kodansha e escritos pelo mesmo autor.

Gostaria muito de compará-los com as obras originais, pioneiras dentre os livros para dispositivos moveis, mas infelizmente isso não será possível visto que não achei as mesmas em inglês. Agora sem mais delongas, iniciemos com o primeiro título, Ayu no Monogatari.

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Você leria uma obra que começa com a frase “que tal um boquete?”. Por sorte não tenho problemas com coisas desse tipo e pude apreciar um dos melhores, e talvez mais pesados, shoujos que já tive a oportunidade de ler.

Falo de Ayu no Monogatari, ou “A História de Ayu”. Um slice of life dramático que nos apresenta o cotidiano de uma garota sem planos ou esperanças para o futuro, mas que continua a viver, mesmo sem ter um motivo para isso.

Possuidora de uma beleza avassaladora apenas os olhos de Ayu realmente entregam como a jovem realmente se sente. Um casulo vazio, sem esperança, sem futuro, que vende seu corpo para se sentir útil e não acredita que exista felicidade nesse mundo.

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Ao que parece ela vive sozinha, tendo como único lugar para voltar a casa de um gigolô, que lhe concede morada em troca de sexo, muitas vezes abusando da coitada e se embriagando com narcóticos.

Ainda assim, é apenas nesse quarto que ela parece recobrar algum sentido e demonstra ser humana. Diria que, bem no fundo, apesar de tudo, ela se sente atraída, se não apaixonada, por essa fera indomável.

Mas que vida para uma adolescente de 17 anos, não? Sim, ela ainda e de menor, e deve ter começado a se prostituir muito antes, visto a gama de clientes que possui, incluindo alguns que voltam com frequência. Uma triste realidade que assombra meninas ao redor do mundo.

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Apesar de tudo ela frequenta uma escola, ou devo dizer, aparece em sala quando bem entende. O motivo das faltas é obvio, pois lá ela sofre bulling, infligido por garotas que dizem estar fazendo o correto mas que claramente se movem apenas pela inveja.

Se tem um único motivo para Ayu ainda frequentar este local essa e Reina. A protagonista da última história da franquia possui um papel secundário muito importante, servindo como amiga fiel e sempre tentando levar a citação de maneira otimista.

Por fim, temos os dois grandes responsáveis por uma mudança de cenário, a qual fara a protagonista passar por diversos obstáculos à medida que descobre o quão grande e seu próprio coração.

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Falo da dupla de fofos formada pelo cãozinho Pao e por uma senhora muito gentil a qual, infelizmente, não possui um nome na história, mesmo exercendo um papel tão marcante. Sem eles ficaríamos eternamente presos nesse loop de miséria.

Mas essa é apenas a primeira metade do enredo. Após várias reviravoltas, tombos desastrosos e muito força de vontade chegamos ao encontro predestinado entre Ayu e Yoshiyuki, o qual transforma por completo o clima.

Dessa vez entramos em um belo romance juvenil no melhor estilo Romeo e Julieta (um dos meus livros favoritos, diga-se de passagem). Apesar de existir um certo conflito entre famílias, o maior motivo para afastamento do casal é uma doença.

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O jovem tem de ficar trancado, podendo sair apenas uma hora por dia, devido a sua imunodeficiência (ou assim deixa a entender) causada por uma doença de coração em estado avançado, quase terminal. (Sim, não faz muito sentido)

Ainda assim, Ayu junta toda força que adquiriu em seu último ano e tenta a todo custo ficar junto de seu amado, o que gera um final espetacular, digno de ser lembrado. Uma obra dramática e pesada, mas que aquece nossos corações e deixa um grande alerta sobre como devemos encarar a vida.

Vamos seguindo a ordem cronológica, assim tentando evitar possíveis spoilers pois as obras provavelmente são interligadas. Sendo assim, a próxima leitura fica entre Host e Pao no Monogatari.

Apesar deu adorar o cãozinho vou dar preferência a história de Yoshiyuki por ser algo mais curto. Vejamos se esta foi uma sabia decisão ou grande arrependimento. (sabem como sou com spoiler né? XD)

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Assim como em seu antecessor, Ayu no Monogatari, Host pega um jovem sem esperança é conta seu dia a dia no mundo da prostituição. O problema é que Yoshiyuki, personagem também principal no título anterior, não entra muito bem no papel.

Aquele garoto alegre e esperançoso que conhecíamos cresceu e virou um homem completamente sem alma. Ele é literalmente o personagem mais sem graças da obra, so perdendo para os milhares de secundários sem importância.

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A primeira metade conta como é a vida de um Host, que se me permite dizer parece apenas um trabalho como qualquer outro devido à falta de importância dada aos detalhes. Sabemos que existe relações sexuais entre cliente e funcionário, rolos com a máfia, entre outros, porem tudo jogado a seco em cenas rápidas.

No restante do tempo temos quadros sem nexo e historias episódicas sem um pingo de inspiração, geralmente previsíveis, cujo o foco parece ser apenas mostrar homens bonitos para atrair o público feminino.

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Apenas no segundo volume que parece surgir algo dentro de contexto, quando Ayu, filha de Reina, aparece perante Yoshiyuki não apenas o lembrando do passado como o recriando e roubando a trama para si.

Gostaria de dizer que tudo vale a pena por esse final, mas sinceramente, ninguém deveria arrastar tanto uma leitura por uma meia dúzia de páginas bem escritas. Minha dica e que leia o início de forma dinâmica e se concentre somente na criança, poupa um bom tempo.

Quem diria, apesar deu ter falado brincando a decepção reinou de forma absoluta durante os incontáveis dias que levei para acabar Host. Meu hype foi esmigalhado, é agora passei a enxergar até mesmo o pequeno Pao com maus olhos…

Pelo menos tem algo bom nisso tudo, não é possível copiar uma terceira vez a mesma história, ou será que é?
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Quem não adora filmes infantis com animais falantes? Vamos, mesmo que diga que odeia esse “sub-genero” no mínimo gostou de algo, provavelmente um O Rei Leão ou 101 Dálmatas da vida. Mas qual é a formula de sucesso desses blockbusters?

Ignorando visual e personagens carismáticos a resposta se encontra no enredo que envolve temáticas bem trabalhadas e consideradas adultas, como o exílio e a fabricação de roupas de pele, mas que são apresentadas com um tom mais ameno para cair no gosto da criançada.

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Pao no Monogatari tem certa relação com esses dois filmes, porem seria mais correto compará-lo a Watership Down e The Plague Dogs, obras menos conhecidas que não distorcem a temática apresentada em nenhum momento.

Durante sua jornada pela sobrevivência o filhote passa pelo abandono, mal trato, entre outros eventos característicos desse tipo de historia. O diferencial está em como o tudo e apresentado ao leitor.

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Ainda existe certa censura, colocando decepação e outros atos de violência extrema em off-screen, porem em nenhum momento existe negação do que realmente está acontecendo, pelo contrário, o texto e as expressões faciais deixam um teor mais dramático no ar.

Eu particularmente fiquei agoniado com o capítulo da câmara de gás, a qual mostra todo o processo de “extermínio” dos cães que foram recolhidos das ruas mas não tiveram a sorte de serem adotados.

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Como podem ver, o autor continua utilizando da mesma formula, capítulos longos com reviravoltas e uma boa pitada de drama. Porém Pao se mostra superior, tanto no enredo como na arte, se comparado aos títulos anteriores. Isso é, se ficarmos falando apenas do volume 1.

A segunda parte da história e um spin-off de Ayu no Monogatari que reconta a vida da jovem pelos olhos do cãozinho. O material e bem interessante, para quem já é fã, e arruma diversos erros do primeiro manga, além de acrescentar cenas inéditas.

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Única coisa que não gostei foi o final. Eu realmente me emocionei com ele, mas foi a mesma coisa do primeiro HQ, e não falo isso apontando “semelhanças”. Foi literalmente o mesmo final, mas com a visão de outro personagem.

Eu realmente esperava um capítulo ou dois mostrando o que ocorre após o Natal, mas não podemos ter sempre o que desejamos, não é? Deixando isso de lado recomendo que deem uma lida, não é sempre que vemos mangas nesse estilo.

Apesar de Host eu estou bem otimista quanto a esse último manga, pois assim como Pao, Reina e uma personagem alegre e consequentemente devemos ter uma história mais animada e com o protagonista sendo carismático. Vejamos.

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Uma vida feliz parece ser algo bem estranho nessa série, apesar de certos momentos de ternura, então nada mais correto do que estranhar o começo de “O Destino de Reina”.

A jovem continua com seu característico sorriso e leva uma boa vida com sua família e com o novo namorado. O que, obviamente, não dura muito. Seguindo o passo dos protagonistas anteriores ela se entrega ao mundo da prostituição e acaba destruindo a própria vida.

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Dessa vez são abordados estabelecimentos onde se escolhe uma garota através de um catalogo, com o porem de que não pode ocorrer intercurso sexual. Isso infelizmente não proíbe outros tipos de atos sexuais, o que é exemplificado na obra através do Sadomasoquismo.

Não posso falar mais do enredo visto que este título em especifico trata de acontecimentos ocorridos nas obras anteriores, com exceção de Pao no Monogatari. Sendo assim, vou finalizar a parte SAFE da resenha e comentar um pouco mais a fundo, estejam avisados.

Terá spoilers de toda a franquia nos próximos parágrafos.

Ok, se você chegou até aqui já leu os mangas, curte spoilers (péssimo habito) ou teve muito saco em aturar essa matéria gigantesca. De qualquer forma, obrigado por gastar o seu tempo nesse blog.

A primeira coisa a ser notada na história de Reina e a sua relação com Akira, o novo namorado e antigo estuprador. Sim, esse cara que parece um santo, todo perfeito e que combina tanto com a garota cometeu um ato imperdoável contra a mesma.

Eu fiquei durante esses três últimos capítulos lutando contra dois sentimentos. De um lado eu queria que ele contasse a verdade só para depois receber um fora ainda mais escroto. Não vou citar a polícia aqui, pois o autor parece não saber que isso existe.

Caso contrário o final não seria aquele plano imbecil de invadir uma casa da máfia e vencer no deus ex machina. Mas vamos falar disso mais para a frente, agora deixe-me descrever meu outro sentimento.

Apesar deu odiar do fundo da minha alma esse tipo de meliante, parte de mim queria perdoar o mesmo e torcia, bem no fundo, para um final feliz onde os dois criassem a jovem Ayu. Felizmente, ou infelizmente, a obra correspondeu com o primeiro.

Akira acaba morrendo baleado após finalmente recuperar o amor de Reina, poucos quadros depois, em uma atitude imbecil de tentar bancar o herói, onde claramente a polícia que deveria ser chamada.

Esse conflito interno que eu senti foi algo inesperado, e acabei olhando aquela cena sem saber como encarrar. Era algo previsível, clichê, desnecessário, e ainda assim bem trabalhado. Não fosse o desenvolvimento do enredo teríamos em mãos outro Host.

Falando nisso, chegou a hora de comentar sobre Ayu e Yoshiyuki. A parte mais legal do primeiro capítulo e sem dúvida a interação entre mãe e filha, algo de dar inveja. Queria eu ter tido uma relação assim com meus pais.

Como o mundo de Deep Love e movido por catástrofes a jovem Ayu (filha de Reina, não confundir) acaba caindo da escada e termina ficando cega após uma cirurgia mal executada. Essa parte da história e contada no volume 2 de Host.

Os custos para manter um deficiente físico são altos, logo foi isso que levou Reina a trilhar o caminho de sua antiga amiga, o que achei um tanto quanto exagerado. Ela tinha uma vida ótima e resolveu desistir dos estudos muito cedo, em minha opinião.

Deixe-me falar um pouco de minha família. Meu pai é drogado, alcoólatra, e resolveu nos abandonar deixando para traz apenas dividas, as quais tive de pagar com a herança de minha avó. Minha mãe ganha pouco, é obesa e está se preparando para uma cirurgia de risco.

Isso e apenas uma parcela mínima das coisas ruins pelas quais minha família passou ou vem passando. Eu mesmo estou desempregado e não tenho experiência ou faculdade, assim como Reina, e mesmo nessa situação não passa pela minha mente me sujeitar a medidas extremas.

Tais medidas as quais fizeram ela se humilhar, perder a filha, o namorado e finalmente a levou a loucura. Se ela estivesse presente como mãe nada disso teria acontecido e não seria preciso uma aparição de Yoshiyuki.

Dado como morto em off-screen no final de Host, o bishonen volta no último capítulo junto de outros 2 personagens que deveriam compartilhar do mesmo destino. O trio invade o casarão do “chefe” e resgata Reina um tanto quanto tarde.

O pior disso tudo e como o vilão é derrotado, ou devo dizer, borra as calças. Bastou uma levantada e uma encarrada para render o desgraçado. É vocês ai reclamando de Fairy Tail, tsc tsc.

Enfim chegamos à conclusão. Yoshiuki e Reina passam a viver juntos e em um belo momento no cemitério as memorias se sobrepõem ao trauma é vemos o verdadeiro significado de “amor profundo”, ao menos na visão do autor. Um final digno.

Deep Love se mostrou franquia interessante, que apesar de algumas falhas graves ainda consegue entreter e passar a mensagem que pretendia, com exceção do volume 1 de Host, o qual se mostra até certo ponto descartável, mesmo possuindo uma visão mais realista de um kyabakura.

Para finalizar segue uma ordem de leitura a qual eu acredito se encaixar melhor.

  • Pao no Monogatari (Volume 01)
  • Ayu no Monogatari
  • Pao no Monogatari (Volume 02)
  • Host (volume 1)
  • Reina no Unmei (Volumes 01 e 02)
  • Host (Volume 2)
  • Reina no Unmei (Volume 03)

Se gostaram do post não deixem de curtir o mesmo, escrever aquele comentário esperto e compartilhar nas redes sociais. Um grande abraço e até a próxima!

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 28/03/2015, em Resenha em Massa e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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