Resenha: Na Prisão

Na Prisão

Você já ouviu falar do mangaká Kazuichi Hanawa? Apesar de ser um dos autores mais reverenciados, e infames, do Japão, você provavelmente nunca escutou seu nome. Suas obras controversas, reminiscentes do período Heian, possuíam um tom erótico e macabro muito pesado para a época das publicação, e provavelmente para os dias atuais.

Em 1994 Hanawa foi preso em Sapporo, capital da província de Hokkaido, sobe a acusação de porte ilegal de armas devido a posses em sua coleção de antiguidades. Isso se deve ao fato que no século XV foi implementada uma lei que proíbe a posse por civis. Atualmente ela exclui praticantes de tiro, como mostrado no excelente I‘m a Hero.

Inicialmente o autor foi colocado em uma cela individual onde teve de esperar por seu julgamento por alguns meses. Dada a sentença, de três anos, ele foi transferido para outra penitenciaria onde passou seu período em uma cela comunitária. Algo bem diferente do mostrado em Orange is the New Black.

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Então você deve estar se perguntando “como sabe disso?”. Eu certamente poderia ter feito uma pesquisa a respeito de como funcionava o sistema japonês da época, porem apenas coloquei no papel o descrito pelo autor.

Não, não se trata de uma entrevista ou similar, mas sim do mangá Na Prisão. Durante sua estadia no xilindró Hanakawa conseguiu, devido ao bom comportamento, permissão para usar lápis e papel. Um anos após sua soltura, em 2000, a obra foi publicada na revista AX, da extinta Seirinkogeisha.

Foi apenas em 2005 que tivemos um deslumbre do cotidiano das prisões japonesas com a edição de luxo do Conrad. Apesar de não existir reimpressão ainda e possível achar o HQ com certa facilidade. Na mesma época o manga recebeu uma edição americana e outra inglesa, ambas com o título Doing Time.

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Mas afinal, como ele retratou a vida na prisão? Munido de grafite e uma atenção absurdas aos detalhes Hanakawa descreve um local rígido, mas não violento, que usa um sistema de punição e recompensa através de bens materiais.

A cada nova infração, das muitas “leis” do cárcere, o detento tem algum privilegio removido. O oposto também é valido. Se o prisioneiro demonstrar bom comportamento ele recebe “agrados”. Quando em uma cela comunitário isso pode afetar o grupo por inteiro.

Existem também punições mais graves, as quais podem encaminhar o preso a solitária, porém pela visão do autor isso não se enquadra muito bem como castigo. A cela individual para esses casos possui uma estrutura melhor, caindo em seu olhar como uma estadia de luxo.

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Parece estranho pensar em luxo após infringir a lei, mas até mesmo eu achei as condições do local agradáveis, seja na solitária ou não. Em cada cela existe mesa, cadeira, locais para armazenamento, entre outros.

Durando o período de cárcere se tem direito a leitura de três livros ou revistas, incluindo de mangás, variando entre edições antigas e novas. Para a aquisição de outros bens é possível gastar dinheiro, sendo esse de posses antigas, dos familiares ou do salário recebido após o trabalho na prisão.

Mas o que achei realmente incrível foram as TVs e a comida. Existe uma televisão para cada uma das celas, o que me parece um tanto quanto surreal. Mas eles se recusam a assistir muita coisa, por lembrar do mundo exterior. Já as refeições são bastante variadas, podendo envolver até mesmo camarões e outros itens que jamais pensaríamos em servir a um preso.

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Se tem curiosidade de saber como funciona o cárcere japonês, desde detalhadas explicações sobre os uniformes até ilustrações de um cardápio anual, sem deixar de lado as conversas dos detentos, esse é um quadrinho para você.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 08/06/2015, em Resenha e marcado como , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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