Resenha: Endless

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A alguns dias fui abordado por Jayson Santos, um jovem quadrinista de São Paulo que vem exercendo a profissão a cerca de 8 anos e me atribuiu a missão de criar uma resenha para a obra Endless.

Este título tupiniquim foi criado em meados de 2013 com um objetivo fixo em mente, participar do concurso da Shounen Jump. Sim, falo daquela competição onde diversos one-shots são publicados simultaneamente e os melhores avaliados ganham uma chance, apesar de pequena, de alcançar o sucesso nas páginas da revista mais popular do Japão.

Porém, existe uma etapa anterior onde os editores devem escolher os participantes e por um lance do destino Endless acabou sendo arremessado para fora da liga. Ainda assim devemos lembrar que isso não exclui a capacidade do autor. A cada derrota devemos olhar para trás, aceitar nossos erros e seguir em frente, sempre buscando melhorar.

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O importante foi que Jayson Santos resolveu dar a cara a tapa e mostrou culhões maiores do que os de muitos autores. Em respeito a isso decidi realizar essa crítica, a princípio construtiva, levantado os pontos que se destacam na obra.

Como sempre vamos iniciar pelo enredo. O autor inicia a história mostrando como uma relação desmorona devido ao egoísmo, medo e fascínio. Tudo ia bem na vida amorosa de Yoru e Midori, mas uma paixão doentia pelo oculto acabou alterando para sempre suas vidas. Certa noite nosso protagonista acorda acorrentado no centro de um círculo de magia com sua amada lhe encarando com punhal em mão.

As intermináveis horas de pesquisa deram fruto, pois Midori achara o segredo da imortalidade. Para se tornar uma vampira a praticante das trevas deve sacrificar a pessoa que mais ama, e nisso ela crava a lamina no peito de seu namorado, sem pudor.

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Momentos depois Yoru acorda envolto em escuridão com uma única figura a vista. Ele estava de frente para o imperador do inferno, Lúcifer. A alma já lhe pertencia mas por algum motivo ele se viu no dever de oferecer um último desejo ao reles humano, assim concedendo poder, imortalidade e uma eterna sede de vingança. Nesse momento fica um pouco confuso se o personagem realmente desejou isso ou se foi manipulado.

Enfim, já temos o plot central. Dois jovens alcançam a imortalidade na mesma noite, porem um vira o caçador e a outra a caça. Não consigo enxergar uma história desse tipo se prolongando muito sem acabar se tornando repetitiva, isso é, se não tivesse uma pequena seguencia onde mostra eles percorrendo cidades famosas.

Isso nos leva com uma deixa para algo similar ao clássico Carmen Sandiego, mas com um pequeno problema, os 50 anos de diferença entre cada reencarnação. Se a história se inicia nos tempos modernos isso a deixa com um rumo inserto, voltado para o futuro. Temos um arco, garota morre, time skip de 50 anos, outro arco. De 2015 iria direto para 2065, e para 2115, 2165, 2215… são períodos muito distantes e teria de cada vez adaptar mais. Quase o mesmo que dizer que o autor seria um futurista do próprio futuro proposto.

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Esse caminho, porém, não garante que entremos em um futuro carregado de Sci-Fi, tal como o de Cobra e tantos outros. E possível que a humanidade entre em risco de extinção, ou seja extinta, de diversas maneiras entrando em um cenário pós-apocalíptico. Nesse ponto os vampiros, demônios, ou outros seres dominariam criando uma era sobrenatural ou a humanidade retrocederia, como já visto em certos pontos da história.

Caso fosse alterar o enredo daria como sugestão colocar Midori no papel principal, com um novo início e uma diferente reencarnação. Um vampiro, como descrito em várias obras, tem o lado sedento por sangue mas ainda guarda um resquício de humanidade. Imagine uma jovem, talvez doente, buscando uma forma de continuar viva. Ela resultaria a meios não ortodoxos e acabaria sacrificando o próprio namorado, mas por acidente. Algo similar a Fullmetal Alchemisth.

Nisso ela alcançaria seu objetivo, mas seria amaldiçoada com uma sede insaciável, se tornando uma vampira. Seu amado vagaria por um tempo no reino das trevas sobe o domínio de um lord, mostraria seu valor e fúria e posteriormente conquistaria o poder para se vingar. Enquanto não chega nesse ponto vemos a garota lutando contra seu novo eu, aprendendo, sofrendo.

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Teríamos tanto o lado violento, já apresentado na obra, quanto um lado mais dramático, talvez até embarcando no slice of life. As opções, ao meu ver, seriam maiores e o personagem teria uma melhor construção. Por fim, a reencarnação. Acho inútil fixar que existe um período de tempo. Jogue isso fora para ter mais liberdade e, quem sabe, faça tudo começar em um período histórico antigo, puxando para o lado de Vampiro Americano ou Spirit Circle. Mudar de corpo a cada encarnação também seria interessante, é incluo homens nisso.

O problema desse meu raciocino e a revista e o fato de ser um one-shot. Seria bem complicado apresentar tal ideia, visto que existi um espaço limitado. Por isso, apesar de um comentário ou outro acredito que o formato apresentado foi o ideal. Mostra-se início, meio, clímax e fim, sem deixar de lado as explicações e apresentações necessárias.

O que pode ter pesado de fato e a parte final, um tanto quanto confusa, o enredo que soa genérico (desculpe), e um certo detalhe nas ilustrações. (O que pode ser muito bem frescura minha) Os personagens são muito finos, ao ponto de me fizer ir até o autor e perguntar se o leitor online não havia alterado a resolução das páginas. São chars altos e magros com faces achatas e vez ou outra contendo olhos em posição irregular.

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Deixando isso de lado o traço de Jayson e firme e detalhado, tanto nos personagens quanto no cenário. O destaque fica para as roupas, cabelos e armas. As vestimentas são um tanto exóticas e não faria sentido andar sem camisa caso queira passar despercebido, mas note a bainha presa entre fivelas cruzadas e as costuras na roupa do lorde vampiro.

Talvez se o material fosse enviado para outra editora vingasse, afinal o editor responsável sempre vai alterar os detalhes e pode muito bem ignorar certos pontos que achei negativos, nunca se sabe. O importante, como disse no início, é que Jayson não se intimida e busca constantemente melhorar, sempre investindo em novos projetos.

Caso queira ler o título segue o link abaixo juntamente com o do quadrinho CRUEL, obra de Allan Ruy que conta com participação de Jayson Santos nas ilustrações. Vale a pena ver a evolução do traço.

Endless
http://www.instintomangaka.com/oneshots/endless/

CRUEL
http://www.universoadrenalina.com/#!edicoes/c164h

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 22/07/2015, em Resenha e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Perfeita esta resenha! Sou a prova de como Jayson evoluiu nos seus traços. Sou muito fã dos seus trabalhos. E sou feliz por poder trabalhar com ele. Abraço!!!

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