Tudo é um

tudo

Poucas são as coisas que me ocorrem durante a semana, por isso luto, penso, busco e matuto sobre o que falarei aqui; é um desafio digno. A maioria dos cronistas, ou pelo menos os famosos, velhos que, acho eu, não tinham pudor mentindo em seus textos, possuíam bagagem o suficiente para escreverem o que quisessem. Já eu, como não tenho nenhuma anedota para narrar, falarei de um assunto que ultimamente vem me despertando interesse: magia.

Iniciei a leitura doutra não-ficção, chama-se “A História Secreta do Mundo”. Ainda estou no começo, é um livro de umas quatrocentas páginas e só a introdução leva não sei quantas! O autor, Jonathan Black, expõe e explica como eventos importantes para a história do mundo foram influenciados — e podem ser justificados — por conhecimentos e alegorias místicas de uma filosofia secreta, que remonta até o Egito Antigo e outras civilizações primevas. Segundo ele, essa escola de Mistérios oculta, ou perdida no decorrer do tempo, faz uma dicotomia entre a explicação científica do surgimento do universo e a explicação, digamos, mística, de uma essência mais profunda. Em vez de indagar como o universo veio a existir, ela questiona por que o universo veio a existir.

A abordagem dos impulsos mentais arrancou meu ceticismo. Ele exemplifica como a realidade e os objetos físicos são afetados por ideias, impulsos cerebrais: se ergui meu braço, ou teclo exatamente estas letras, é porque intencionei formar esta frase; toda essa indústria maluca que há dentro de nossa cabeça fabricou este produto (a ideia) e enviou para o resto do meu corpo, a parte física, transformando o que antes era pensamento em movimento. Black alude isso a origem do universo, tal como se alguém, ou algo, pensara na existência do mesmo e por isso passou a existir.

Hoje em dia sou cético, mas já fui de comprar ideias de conspiração. Atualmente as pessoas acham tolice, chamam de ingênuos aqueles que aderem às teorias da conspiração, mas, tenho por mim que todo ser humano maravilha-se pelo que é intrigante, complexo. Por outro lado, imaginar que algo aconteceu justamente porque tinha de acontecer e nada mais do que as leis da realidade é que estavam em jogo, é algo tão sublime e fascinante de se pensar quanto. Para nós que estamos dentro da caixa pode ser simples, caótico, ou seja lá o que você concebe, no entanto, e quando digo isso é numa crença bem pessoal minha, se pudéssemos olhar o todo da existência, enxergar tudo o que compõe a realidade desde o princípio até o fim dos tempos, fora desta caixa, veríamos como tudo é muito lógico, bonitinho e arrumadinho até demais para o nosso gosto. Mas eu ainda nem considerei a existência de dimensões paralelas…

Duas palavras, ou conceitos, que estão aí desde que a filosofia tenta explicar o mundo e ninguém sabe o que eles realmente são, ou se existem, acredito que seja destino e magia. Destino porque as coisas são do jeito que são sem precisarmos saber exatamente por que elas são; magia porque existe uma linha que conecta tudo na vida, tudo o que se imagina. Nem me refiro ao sobrenatural, mas algo que está na realidade porém invisível e, naturalmente, não podemos controlar. Independente de serem verdade ou falseabilidade, não importa. Uma das ideias mais bonitas que já tive lendo essas loucuras é a de que todas as coisas se conectam nalguma escala mágica — tudo é um.

Em geral, gosto desses devaneios de que o ser humano é uma criatura riquíssima em complexidade. Deuses, conspirações atravessando o tempo, guerras causadas por ideias, seres místicos, incorpóreos e vida extraterrena — tudo isto saiu de nossa mente para tentar explicar a realidade, a vida, ou, pelo menos, tornar mais leve o peso de existir. Por isso os mitos, o registro da história, a produção de ficção, o mistério dos sonhos, a busca pela imortalidade biológica, a existência de algo depois da morte, etc.

Imagine que existisse de fato algo oculto por toda a história da humanidade, seja este algo de natureza sobrenatural, seja de natureza extraterrena, mas que pudesse explicar todas as coincidências que aconteceram no mundo e com você. Como isso mudaria seu jeito de encarar a vida?

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Sobre Sancarmo

Todas essas coisas, por enquanto só amadoramente: tradutor, escritor, roteirista e crítico.

Publicado em 03/10/2015, em Crônica e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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