O mundo na juventude

juventude
Há muito tempo quando era jovem e ainda hoje isto costuma acontecer: pessoas mais velhas, até com diferença de três anos ou menos, acreditam que têm certa autoridade sobre mim e direito de desmerecerem minha opinião sobre algo justamente por ser jovem, ou que, na palavra deles, tenho uma visão de mundo estreita. “Você é jovem ainda, por isso não entende”, dizem. De fato, há muitas coisas que não entendo. Mas isto independe da idade. Lembrai que o conceito de juventude e adolescência que há na sociedade atual só concebeu e estabeleceu-se no início do século XX.

Uma criança pode se aproximar e lhe dizer algo de suma importância para você e para ela como humanos, a fim de te causar impressão. Confesso que já fiz muito isso na época de escola, principalmente nas aulas de estudo das humanidades. Buscava impressionar os professores com meu conhecimento geral que adquirira em noites ociosas lendo artigos da wikipédia, visto que era a única coisa que um nerd e tímido poderia se orgulhar. Tentava me fazer importante, me fazer especial por meio do dizer de coisas importantes, especiais. Se não tinha valor intrínseco, talvez passasse a ter, fazendo e dizendo coisas com valores intrínseco.

Hoje em dia, paralelamente, se enxerga essa tentativa de se fazer ter valor ou pelo menos soar profundo em discussões de redes sociais, predominantemente de pessoas jovens que ainda estão conhecendo o mundo e seu sistema, posando de intelectuais, estetas de todo o tipo, cientistas políticos ou pseudomísticos. É um cenário tragicômico: triste quando não é engraçado, engraçado quando não é triste. No meu caso, tento ser profundo nas poucas ficções que produzo. Nessa profundidade ilusória tento abraçar todo o mundo atual, mas como Robert Mckee, professor americano de roteiros de cinema, disse em certa entrevista, “O mundo contemporâneo está caótico demais, e exige um tipo de filósofo que nunca existiu antes”. Não é à toa que pouquíssimas das histórias que se fazem hoje em dia, em todas as mídias, é difícil encontrar exploração de temáticas que simpatizam com o nosso tempo. É mais fácil pegar os problemas do passado e aplicá-los na nossa época. Dar novas roupas a um conceito já antigo e negligenciar os conceitos novos, mais complexos, aleatórios e turbulentos que este tempo apresenta.

Confesso ainda que, da parte da política nacional e internacional, não sei é de nada. Mas eu optei por isso. Tenho um princípio de que tudo o que não posso afetar não vou me meter, e discutir política somente por discutir é uma dessas coisas. E há quem me condene por isso!

Ainda sobre os jovens, por mais que suas tentativas de serem importantes, valorosos e profundos sejam vãs, as tentativas por si têm valor. Existe uma visão de mundo dessa época que será perdida e nunca poderá ser recuperada posteriormente. Pode ser uma visão errônea, mas é singular — e nisto ela tem valor.

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Sobre Sancarmo

Todas essas coisas, por enquanto só amadoramente: tradutor, escritor, roteirista e crítico.

Publicado em 07/11/2015, em Crônica e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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