Resenha: Tokyo Ghoul

Tokyo Ghoul

Hoje vamos falar da modinha – Aqui “modinha” sendo empregada como obra extremamente popular – chamada Tokyo Ghoul. Um mangá shounen disfarçado de seinen e com diversas falhas, mas que ainda assim consegue surpreender.

A obra trata de Ghouls, seres de aparência humana similares a zumbis, se tratando da fome incessante e canibalismo, e que tem como origem a mitologia árabe, onde por vez são ditos como mortos-vivos que habitam o subterrâneo e podem alterar de forma. Muitas vezes essas criaturas são associadas aos vampiros, sejam como servos, crias imperfeitas ou seres constituídos a base de magia.

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Em Tokyo Ghoul a origem não chega a ser explicada, muito menos a data de aparição. Se levarmos em conta o spin-off JACK, protagonizado por Kishou Arima, podemos ver que os humanos estão pouco familiarizados com a ameaça, dando a entender que durante a adolescência de Arima o governo não divulgava alertas ou os ataques eram em menor escala, possivelmente indicando uma data próxima ao começo de todo o caos que veio a seguir.

Quanto as características, os Ghouls são tratados como uma raça, diferenciando da origem árabe, e não podem consumir nada exceto a carne de humanos e outros Ghouls, está última causando benefícios e malefícios ao predador, e alguns tipos de bebidas. A mudança de forma também sofre alteração, com o lado humano sendo a aparência fixa, assim entrando mais fundo no Uncanny Valley.

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O lado monstruoso se manifesta apenas sobe grande ameaça, irritabilidade ou dano corporal, podendo este ser controlada pelo demônio – Aqui sendo o significado do nome da criatura. Quando atingido esse estado a esclera assume uma coloração preta, enquanto a íris se torna vermelha, e o Ghoul pode manifestar a Kagune, um membro extra predatório, a partir do glúteo, lombo, dorso ou ombros. A região e determinante para saber o tipo de Kagune, estas podendo variar em peso, tamanho, distancia, flexibilidade, entre outros. Em raros casos está se apresenta num estado de carapaça e/ou com número anormal de membros.

O último detalhe baseado na origem é o subterrâneo. Apesar de muitos ghouls viverem na superfície e dito, próximo ao final da série, que a grande maioria se esconde embaixo da cidade, no chamado setor 24. Infelizmente pouco mais e mencionado, com o restante dos tuneis sendo usados apenas para movimentação.

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Fora os olhos e a Kagune os Ghouls podem ser detectados através da náusea, esta causada ao se ingerir comida humana. Tudo isso faz com que a vida deles seja algo extremamente difícil, mas não impede que muitos tentem se socializar com humanos, seja para manipula-los, aprender trejeitos, firmar amizades ou por pura curiosidade. Em certo ponto e inclusive dito que um deve observar os humanos pois Ghouls não possuem emoções, algo que a medida em que se prossegue na obra é desmentido inúmeras vezes.

Kaneke, o protagonista, parece seguir o caminho inverso. Inicialmente humano, após um acidente, este recebe o órgão de um Ghoul, o transformando num híbrido. Isto faz com que ele tenha de mudar drasticamente sua maneira de viver e ao mesmo tempo conciliar esse seu novo eu com a vida que levava antes. Ele é fraco, medroso, tímido, e acima de tudo mantem os princípios humanos, algo nada apropriado para um Ghoul. Diria que um dos piores tipos de protagonistas para uma trama de tal escala, se não fossem as mudanças no meio da obra.

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O mundo de Tokyo Ghoul e todo apresentado através dos olhos de Kaneke, com apenas o essencial sendo apresentado, e em meio a jornada temos um conflito externo e interno, entre humanos e Ghouls. Facções de canibais enfrentando os agentes da CCP, órgão encarregado do extermínio das criaturas, e apenas algo trivial que já fazia parte desse mundo, mas que so depois da cirurgia passou a ser notado pelo jovem. Esse e o conflito externo, a luta pela sobrevivência.

Já com interno me refiro a psique do personagem, o eterno conflito de quem ele é e o que ele deve fazer, sempre levando em conta o mundo e seus colegas. Ele chora, esperneia, e após metade da obra tudo muda com a vinda da insanidade. Um novo Kaneke surge, mais forte, determinado, perdido e enraizado no mundo dos demônios. Com isso a narração também se altera, dando mais espaço para outros personagens e se mostrando mais madura, algo mais próximo de um seinen de verdade.

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So digo que a obra está mais para o Shounen pois ela apresenta muitas características relacionadas a este, como a maneira que são dadas as lutas, a interação inicial entre personagens e o terrível clichê do vilão que se torna companheiro, chegando ao cumulo de se ressuscitar os mortos. Nesse ponto o autor e muito medroso, ou esperto, pois apenas os personagens de fundo são chacinados.

Ele carrega os principais, os secundários e os secundários que achávamos serem principais, durante a obra inteira como preciosas peças de xadrez que se juntam, se movem, comem outras peças, so para no momento crítico jogar a tensão no ar. Poucos movimentos para o cheque mate, a rainha e sacrificada, porem todos são a rainha e todos são o rei. Não existe vitória, apenas a realidade, o mundo é cruel e não a o que se possa fazer.

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Tokyo Ghoul é sem dúvida character driven. O mundo e pouco exposto, a história clichê, o conflito interessante, mas o que brilha e o trabalho feito em cima dos personagens. E difícil fugir desse carisma. Você vai aprendendo aos poucos sobre cada um, se envolvendo, tomando os conflitos para si, e no fim termina dividido, pois ambos os lados parecem certos, as vezes um mais que o outro, mas a balança se move constantemente e não a destino certo.

Infelizmente com a chegada do clímax veio merda. Sim, não tem palavra que descreva melhor os acontecimentos se não está. O hype e uma força poderosa, digna de ser reconhecida, capais de nos fazer desviar o olhar da inconsistência. A obra, por melhor que seja, e incompleta, com furos imensos capazes de afundar um galeão. Nada e realmente finalizado, e enquanto muitos vão achar isso fantástico, por reforçar o já mencionado mundo cruel, eu fico aqui triste pelo tempo perdido. Quando você recebe um final assim para algo que gostou bastante… doi.

Ainda assim vale lembrar que o mangá continua, apesar de que com diversas mudanças, em Tokyo Ghoul:RE. Ou seja, ainda há esperança de que a obra volte a ser foda como antes e termine com um clímax, ai sim, digno de um título de tamanho peso.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 18/02/2016, em Resenha e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Não podemos esquecer que Tokyo Ghoul tem a continuação Tokyo Ghoul :re, que está explicando muito bem os vários furos de roteiro.

    Curtido por 1 pessoa

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