Resenha em Massa – Franquia Coraline

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De livro para quadrinho, de quadrinho para o cinema. Adaptação. Uma palavra que gera medo no coração de todos os nerds. Adorada por uns, odiada por outros, mas ainda assim temida, pois mesmo aqueles que tomam a notícia por algo bom sabem as chances que isso tem de dar errado.

Porem meus caros, apesar disso ser o verdadeiro sinônimo de horror, estamos aqui não para discutir possíveis falhas, mas para prestigiar uma, ou melhor, várias, adaptações de um único título, sem obviamente dispensar seu original.

“Mas meu deus, você está insano! Já ouvi de adaptações boas, mas apenas quando esta ofusca sua origem.” Sim, eu entendo esse argumento, e até dou um exemplo citando Homens de Preto, os quais poucos sabem se tratar da adaptação de um HQ para o cinema.

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E não discordo, pois se não é algo fazendo mais sucesso que seu ponto de partida é algo que distorce por completo o significado de “adaptação”, assim entregando um produto com um nível de fidelidade absurdo, apesar de raro, ou com roteiro completamente único.

Coraline, obra do famoso escritor e quadrinista britânico Neil Gaiman, se encaixa perfeitamente neste segundo, “produto com um nível de fidelidade absurdo”, onde todos os acontecimentos e narrativa são levados para a nova produção, porem adaptados para a mídia abordada e reformulados apenas na interpretação do roteirista.

“Como assim?” Você pergunta. Quando adaptada do livro para quadrinho ou filme os personagens e acontecimentos se mantem numa certa ordem e respeitando o estilo de Gaiman, porem o visual, principalmente, é reinterpretado, assim fazendo do HQ algo mais aventuresco e da animação algo mais fantasioso, com o lado sombrio predominando no original.

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Ainda assim qualquer uma das obras possui aventura, fantasia e terror, mudando apenas a intensidade e maneira como elas são apresentadas. Parte disso se dá devido a demografia, ou em outros termos faixa etária. Idade para a qual a venda da obra é indicada, porém sem relação com censura, sendo apenas uma estratégia de marketing.

Nesse ponto podemos fazer uma comparação com Alice no País das Maravilhas, obra de Lewis Carroll, impossível de não associar com Coraline por se tratar de uma inspiração direta e que teve, assim como tal, adaptações mil.

Não vou entrar em coisas como Pandora Hearts, e tantos outros que apenas beberam da fonte, e focaremos aqui apenas nas reais adaptações. Logo, Disney entra inevitavelmente em foco.

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A obra original de Lewis Carroll está para o original de Neil Gaiman assim como a animação clássica da Disney está para a da Laika e o recente live-action para o HQ.

Começando por este último a adaptação em quadrinhos de Coraline, escrita e ilustrada por Craig Russel, se trata de uma graphic novel. “Ok, mas é daí?” Daí que o termo, originalmente criado por Will Eisner, visa classificar obras focadas no público adulto, ao mesmo tempo que um remake em live-action de uma animação é nada mais que uma tentativa de amadurecer o tema e levar ele para um público mais maduro.

Ambas são adaptações de obras focadas em crianças, sobre crianças, mas vendidas para um público mais velho, pois querendo ou não são livros com linguajar complexo e paginas demais, ao menos para os mais novos.

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Assim sobra como opção para estes as animações. Mundos mais apelativos, coloridos, divertidos, sem tanto sofrimento, apesar de manter as características marcantes do original. Ou seja, são sombrios, mas esse lado trevoso é interpretado e apresentado de maneira diferente, original.

Logo apesar dos três terem um público alvo distinto essa essência que se mantem nas obras ultrapassa a idade e faz com que qualquer um possa facilmente associar uma obra a outra e gostar delas pelos mesmos motivos, tendo apenas como barreira a mídia.

Coraline, não Caroline, e muito menos Carolina, conta a história de uma garota que se mudou para uma casa no subúrbio e que não podia fazer nada pois seus pais não tinha tempo para ela, não estavam presentes ou chovia agulhas quando está podia sair.

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Assim tentando vencer o tedio ela contou as janelas, as quinas da parede e todas as portas, até que uma não se abria e ela foi em missão atrás da chave, a qual não existia até ela desejar e achar o que havia sido entregue.

A frente do trancafiado portal havia um túnel e em sua extremidade uma casa, um mundo, a casa de Coraline, um mundo do contra, com pais do contra, comida do contra e jardim do contra. Adultos atenciosos, petiscos e brincadeiras mil. Um desejo de ficar, e um de manter…

A semelhança com Alice, como já bem citado, fica obvia pelo mundo novo, porem também podemos traçar um paralelo com outras obras, como As Crônicas de Narnia ou até mesmo A Fantástica Fábrica de Chocolate, devido ao lugar apresentado ser o sonho de qualquer criança, porem repleto de perigos ocultos.

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Por ser o mais acessível, e ter animação em stop motion, algo que me maravilha como uma criança de 10 anos, eu recomendo fortemente o filme, sendo que aqui faço uma indicação voltada mais para o lado pessoal.

Tudo isso que citei de demografia, entre outros, é minha forma de tentar ajudar você a escolher qual mídia buscar, pois como falei são todas obras excelentes e eu fortemente recomendo que siga suas preferências.

E assim terminamos a quarta postagem do especial de Halloween, com uma interessante discussão sobre o medo de uma adaptação, comparação de obras e indicação de um conto juvenil de terror. Não consegue enxergar o lado sombrio de Coraline? Então é porque já costuramos botões em seus olhos. Muwahahaha!

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 28/10/2016, em Resenha em Massa e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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