Indie-A-tom: That Dragon, Cancer – O Maior de Todos os Vilões

Minha memória mais antiga de quando pequeno sou eu brincando com meu avô de “upa, cavalinho”. Ele era uma pessoa muito importante pra mim e para a minha família, que gostava de desenhos e quadrinhos apesar da idade.

Toda tarde ele ia pro escritório dele e fechava a porta para descansar. Lembro dele assistindo Hanna Barbera e outros do tipo. E eu sempre esperava, até as 3, para poder bater na porta. “Vovô, já pode brincar comigo?”

Já outra de minhas memorias de infância sou eu escondido em baixo da mesa, triste, sem entender a situação após gritar pois pessoas desconhecidas estavam a levar meu avô, e isso bem antes do horário que ele podia sair do quarto.

Jorge, meu querido avô, que so pude conhecer brevemente na infância, tinha falecido devido a um câncer. Eu nunca tive a chance de criar mais memorias com ele, e hoje em dia quadrinhos antigos como Flash Gordon e Tarzan são alguns dos meus bens mais preciosos so por terem um dia pertencido a esse grande homem.

E se isso foi duro para mim e minha família, imagine como foi para Ryan Green e Amy Green, parte do time que criou That Dragon, Cancer. Mais do que desenvolvedores, pais de Joel Evan Green, uma das muitas crianças derrotadas por esse terrível Dragão.

Nesse jogo vemos o sofrimento dessa dupla, e do próprio Joel, percorrendo diversos momentos da vida deles em um ambiente fantasioso, feito de sonhos e pesadelos. Algo forte, que me colocou a chorar principalmente no corredor de cartas.

Papeis pendurados com mensagens de diversas pessoas que passaram por essa doença, como parentes e como pacientes. Algo que se mantem no restante da obra, porem passando por certas mudanças, e obviamente tomando menos ênfase do que a vida da família Green.

Tudo isso ganha mais poder graças aos dubladores, os quais incluem novamente os Greens, a trilha sonora fantástica e algumas das decisões de design. Muitas vezes me pequei movendo a câmera e do nada o ambiente se transformou, quase que com timing perfeito, porem existem partes que ficam desconexas, muito subjetivas, e que podem atrapalhar a experiência.

Outros fatores que não contribuem são o uso abundante da religião cristã e a ordem dos diálogos. O primeiro é sem dúvida importante por fazer parte da vida deles, mas pode deixar quem não segue esse caminho meio desconexo. O mesmo ocorre com os diálogos que podem ser vistos fora de ordem cronológica. Pontos que tornam o game ainda mais de nicho do que deveria ser.

E então entra a questão. Você deveria ir atrás de That Dragon, Cancer? Pela minha opinião pessoal o jogo é fantástico, muito bem trabalho, apesar de possuir pontos baixos, o final é perfeito, e apesar dos pontos tristes ele acaba sendo uma homenagem a Joel e todos aqueles que morreram ou sofrem por conta da doença.

Por outro lado é necessário se avaliar antes de seguir jornada. Para quem está nesse momento com câncer, possui um parente ou conhecido nessa situação, ou já passou por uma crise o jogo pode servir tanto como uma fonte de esperança como causar angustia, e o mesmo vale para pessoas com outras enfermidades ou de emocional frágil.

Logo eu recomendo o jogo apenas se você tem curiosidade sobre a jornada de Joel e quer contribuir monetariamente com a família como um gesto de solidariedade para cobrir despesas de desenvolvimento.

Se essa opção lhe agradar então o jogo está disponível para Windows e Mac por 20 reais, e para IOS por 17.

Como alternativa, caso curta a ideia mas não queira encarar o enredo, é possível fazer uma doação direto no site do jogo, apesar que nesse caso eu acredito que seja mais vantajoso contribuir com alguma instituição que combata o câncer.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 02/01/2017, em Indie-A-tom e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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