Indie-A-tom: Darkarta – O Melhor IHOG já feito!

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Você já ouviu falar de Hidden Object Game? Existem chances de você já ter dado de cara com um ou outro jogo deste gênero, mas conhece-lo a fundo é para poucos, pois é algo voltado a um nicho bem casual.

Basicamente Hidden Object Game nasceu como um sub-gênero dos jogos de quebra-cabeça, onde como o próprio nome diz o foco e o de se encontrar objetos escondidos em um cenário. Algo que se assemelha em parte com a premissa de um point-and-click, porem retirando a utilização futura de itens encontrados, tornando estes apenas elementos de um puzzle.

Uma boa maneira de se entender o que digo e imaginar a clássica serie de livro-jogos Onde Está Wally? Você deve encontrar diversos personagens ou objetos se utilizando da lista presente ao final do livro, mas para qual proposito? Apenas achá-los. Sendo este ponto a diversão do título.

Com o tempo os HOGs, como muitos gostam de abreviar, acabaram sendo instintos ou foram incorporados em outros gêneros de maneira quase irrelevante, assim removendo o real status de subgênero e decaindo para um simples elemento.

Posteriormente vieram os Interactive Hidden Object Games e os Frangmented Hidden Object Games, os quais vou chamar aqui de IHOG e FROG para facilitar a pronuncia. E acredite, essas são abreviações oficiais.

Lembram que falei da semelhança com point-and-clicks lá no começo? Então, se podemos dizer que HOGs são subgêneros de quebra-cabeça o mesmo pode ser dito de IHOG e FROG serem subgêneros de point-and-click.

Se em um HOG os objetos não têm proposito o mesmo não pode ser dito de um IHOG. Como o próprio nome diz a interatividade foi incluída a formula, assim adicionando enredo, exploração, e outros tipos de quebra-cabeça, os quais em sua maioria devem ser resolvidos com objetos obtidos por meio de HOG, aqui me referindo ao elemento e não ao subgênero.

Basicamente você entra no modo “procurando wally”. Vai encontrando objetos que aos poucos são removidos do cenário e acaba colocando um destes, normalmente o último, no inventario, para uso futuro. Um bom exemplo seria obter um machado para destruir uma porta de madeira ou um cano que falta para que se possa interagir com outro puzzle que não seja HOG.

Já FROG vai um pouco mais além, porem bem pouco mesmo, sendo está uma nomenclatura utilizada apenas para informar que o jogo possui objetos que podem ser unidos. Ou seja, juntar 3 partes de um vazo para torná-lo inteiro ou combinar uma corda com um imã para que assim possa puxar uma chave de um buraco.

Entendeu? HOG, IHOG, FROG. Sério, quem inventa esses nomes? Enfim, foi necessária essa explicação para apresentar melhor o jogo Darkarta: A Broken Heart’s Quest, sendo que isso é basicamente o gameplay, salve alguns pontos adicionais, logo vamos ao enredo.

A história começa com uma premissa simples, diria que até genérica. Um casal recebe uma carta informando-os de uma herança e assim eles viajam para a India junto da adorável Sophia, a qual é sequestrada por Darkarta.

Porém Darkarta é o espirito de um guerreiro amaldiçoado e sequestra a garota para assim poder quebrar o feitiço com um sacrifício, matando uma pessoa de descendência daquela que o encantou, sendo Mary, a mãe de Sofia, a reencarnação da amante do vilão.

Como podem ver as coisas são mais complicadas do que parecem, e com isso partimos numa jornada guiando Mary e desvendando segredos do passado, não apenas dela, como de sua família, de clãs milenares e do próprio Darkarta, assim criando uma fantástica jornada por cenários estonteantes, que cada vez se tornam mais fantasiosos e míticos a medida em que prosseguimos, adentrando num reino fortemente inspirado pela cultura hindu.

O restante da trama, a qual possui diversas reviravoltas, vou deixar para que você descubra caso tenha interesse no título. Porem saiba que está fala de reencarnação, traição, romance, além de vários outros temas, mas principalmente maternidade. Algo pouco abordado em jogos, e que talvez afaste alguns, mas que no fim cai como uma luva e não se torna algo maçante devido a mescla com outros elementos e por este ser um jogo razoavelmente bem escrito.

Reforçando esse ponto da maternidade temos as memorias. Um local aparte que conta com objetos que lembram momentos felizes partilhados por Mary e Sophie, assim criando um vínculo delas com o jogador e servindo como colecionável.

Além deste o jogador pode buscar estatuas que alteram forma e quebra-cabeças secundários, sendo que quanto mais se progride e quanto mais destes colecionáveis encontramos extras são liberados, tais como arte conceitual e música.

Porem para mim os extras mais interessantes são o arquivamento de cutscenes e quebra-cabeças, aqui facilitando na hora de lembrar o enredo e permitindo que você jogue novamente os desafios sem ter de reiniciar o game. Sem contar duas histórias extras liberadas ao termino do jogo, uma sendo um preludio em quadrinho e a outra um jogo prologo no mesmo estilo, mas com outro protagonista.

E já que mencionamos as cutscenes, estas dão um certo charme ao jogo, fazendo ele aparentar ser um título clássico. Um fenômeno que não sei se foi proposital, mas que me fez ter de ir ao desenvolvedor perguntar se era um remake, ou algo similar, de um jogo antigo. Um ponto reforçado por ter Collector’s Edition em seu título, mas nenhuma outra versão no Steam.

Acontece que Darkarta é um projeto original, o qual levou 5 anos para ser concluído e que teve esse sufixo, digamos, acrescentado ao nome devido a quantidade absurda de extras aqui presentes, e com certa razão. O game é tão completo que fica até difícil classificá-lo como indie, não fosse a utilização de um gênero pouco convencional.

O cenário é deslumbrante, o HUD magnífico, e até mesmo os menus tem animação e estética impecáveis. O tutorial é perfeito e todos os diálogos são dublados excepcionalmente. Logo quando o dev vira e fala que esse e o projeto dos sonhos dele você apenas balança a cabeça e concorda.

Eu mesmo detesto a maioria dos HOGs, mesmo eu amando point-and-click, enquanto este aqui supera alguns dos meus jogos favoritos, e isso é insano. Mas o que mais me surpreende e que eu não vi uma viva alma falando desse jogo, e olha que ele saiu agora em 2017 e já tem 6 prêmios nas costas.

Ok, sei que premiação não garante nada, mas acredite quando eu digo que este é um game imperdível. O único defeito que consigo ver aqui talvez seja este ser longo, levando em média 6 horas para ser finalizado. Nisso os puzzles acabam se tornando repetitivos, mesmo existindo a possibilidade de trocar o estilo deste, mas nada que uma pausa não resolva.

O principal empecilho deste ser um game longo, ao menos para o seu gênero, é a frustração causada caso você perca o save, o que infelizmente é possível aqui, apesar de não ser tão grave quanto parece.

Darkarta não salva em nuvem, ou seja, caso você resolva deletar o jogo do seu HD, seja para liberar espaço ou simplesmente voltar a instalar ele outro dia para então retomar de onde parou, sinto muito, você perdeu tudo. Enredo e extras vão pro saco. Logo fica o aviso.

Sendo assim, se você curte HOGs, point-and-click ou simplesmente é um aficionado por histórias, eu recomendo esse jogo a preço de lançamento. Para o restante, vale uma conferida, mas busquem um desconto pois existe um motivo para este ser de nicho.

Darkarta: A Broken Heart’s Quest Collector’s Edition se encontra disponível para PC por 13,99, possivelmente sendo a edição de colecionador mais barata da história.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 14/05/2017, em Indie-A-tom, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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