Vitrine: Seedtown – Conheça o Diesel Punk BR

seedtown

Falar de projetos ainda não publicados é um tanto quanto difícil. Você precisa realmente ter bastante informação sobre o autor, a obra e as vezes até fazer um certo estudo para entender melhor a proposta. Tanto que por isso eu evito falar de notícias aqui no blog, pois acho meio tedioso ler um texto apenas com “autor x lança obra y no local z, feita com materiais A, B e C.”

E ainda assim aqui estou divulgando um projeto do Catarse, pois acredito ter um futuro em cima do pouco que me foi mostrado, e gostaria de dissertar em cima disso. O mangá em questão é Seedtown, de Felipe Fox, um mineiro ainda novato no ramo de HQs, mas que demonstra um talento incrível e tem um background para se apoiar, como podemos ver na afirmação “produção que envolve técnicas tradicionais de desenho, como arte-final com pena e nanquim, e construção de imagens utilizando modelagem 3D”.

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Talvez não o melhor ponto para afirmar que ele estudou o que afirma, pois um pode muito bem mentir nos dados informados. Porem minha experiência com ilustração, e principalmente modelagem 3D, a qual sou formado e especializado, me entregam de cara que não se trata de ladainha, e sim experiência.

Muitas vezes pegamos projetos de novatos e nos damos de cara com erros básicos, como desproporção no corpo e, ou, face, coreografia de combate, enquadramento, entre outros. E apesar de eu me incomodar com as sobrancelhas e olhos sobrepondo, ou se deixando transparecer sobe, o cabelo, não posso realmente por essa característica da obra como falha, e sim estilo preferido pelo autor.

Um mangá já consagrado no qual podemos ver isso é o clássico Rurouni Kenshin, onde o protagonista Kenshin Himura exibe esse detalhe em seu traçado. Porem se formos analisar a arte num aspecto mais geral, diria que Seedtown pega mais de Eden: It’s na Endless World, o que podemos notar em seus personagens.

Ainda assim o que mais chama atenção sem dúvida é uma única página, com um robô, ou mecha se preferir, estourando cabeças em meio a um diálogo um pouco destoante do ocorrido, talvez pela serenidade, mas que apresenta bem uma face da personagem em meio a pensamentos deturpados. Um diálogo semi-poético de repulsa e um design fantástico, fácil de se notar o auxílio do 3D, completado por uma excelente coreografia e enquadramento. Algo que para mim exala o profissionalismo que mencionei antes, e que para você leitor… é FODA, né não?

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Agora que deixamos a arte de fora e que você certamente está empolgado – ao menos eu estou – chegou o momento de falarmos do enredo, sendo este não apenas Sci-fi como Diesel Punk, o que comentarei um pouco mais a frente. Por agora vejamos como seria a jornada de Aiko, nossa protagonista.

Aomori, Japão, 2198. A humanidade ainda se arrasta sobre o planeta. Tempestades solares fuzilaram a eletricidade e o consumo desesperado do homem acabou por esgotar a flora e a fauna que, junto a radiação inserida pelos eventos solares, inutilizaram a terra. Não há mais plantações. Não há mais alimentos naturais. A tecnologia é atemporal e movida a KBNNO radioativo, um mineral sintético produzido pelas Industrias Perovski, capaz de produzir energia elétrica. Nesse cenário, Aiko parte em uma jornada rumo à Seedtown, a última terra fértil do mundo localizada no interior do Brasil, para plantar as últimas sementes de arroz cultivadas pelo seu falecido avô, além de enfrentar desconhecidos perigos desse mundo em falência, imoral e desregrado. Porém, alianças inusitadas entre Aiko e personagens curiosos desse novo mundo a ajudarão em sua viagem rumo à manutenção da vida e do que resta da honra e dos valores familiares.”

Como podem ver é uma road trip, ou viagem com um destino distante, que se inicia no Japão rumo ao nosso querido, ou odiado, Brasil. Levanto essa questão de o Brasil ser mal visto por muitos brasileiros como um fator importante, pois já vi projetos caírem simplesmente por existir essa relação com o pais, porem de forma mais enraizada, normalmente se focando em folclore ou regiões muito especificas. A mídia adora isso, o leitor nem tanto. É um ponto inclusive batido tentar se focar tanto em nossa cultura, e por conta disso afirmo que Seedtown segue o caminho certo, desviando desse empecilho, investindo na parte que da notoriedade, mas deixando o pais apenas como o ápice, o momento final, e dando destaque de que o enredo começa no oriente, assim caindo nas graças do público alvo otaku.

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O resto do enredo deixa bem claro se tratar de sci-fi, introduzindo alguns detalhes que so serão melhor explicados dentro do contexto do volume fechado, como no caso das Industrias Perovski. Mas o destaque mesmo fica por conta da ideia de o mundo não possuir mais plantas, ou serem extremamente raras, ao ponto de ter de ser feita uma viagem para plantar um simples arroz.

Quem é das antigas ou está acostumado com sci-fi já deve ter se deparado com diversas obras de premissa similar, possivelmente sendo Mad Max a mais famosa, o que nos faz voltar ao Diesel Punk que mencionei lá em cima. Um subgênero de ficção cientifica, similar ao Cyberpunk, Steam Punk, Solar Punk, entre outros. É, daqui a pouco dá para formar uma banda… 🎵na mesma praça, no mesmo banco🎵

Enfim, o que esses gêneros têm em comum é um certo avanço tecnológico seguido de algum empecilho na evolução. Cyberpunk seria uma era bem avançada, mas ainda mantendo diversas semelhanças a época atual. Steam Punk seria um futuro onde maquinas a vapor se mostram superiores ao restante, ou um passado onde a tecnologia a vapor evoluiu muito rápido, mas apenas ela, deixando o restante parado no tempo. Já Solar Punk seria focado em energias renováveis e que danifiquem pouco a natureza, novamente tendo essa interação entre passado e, ou, futuro e, ou, presente.

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Diesel Punk então é o inverso de Solar Punk, e se aproxima mais ao Steam Punk. Ao contrário do que o nome possa sugerir, uma era Diesel Punk não possui apenas diesel como principal forma de energia, mas esse é importante por ser uma ficção muito focada em veículos de época e maquinas pesadas. Assim o Diesel Punk tem todo o esplendor do maquinário sujo de um Steam Punk, porem em um mundo normalmente devastado pelo uso excessivo desse combustível, e, portanto, diferindo do visto em um Solar Punk.

Se quisermos ir mais além na explicação, valeria mencionar como tudo isso faz parte do movimento Punk Punk, dentro da ficção especulativa, e que sci-fi na verdade faz parte deste último que mencionei. Mas por mais que eu goste de me aprofundar nesses elementos, me contentarei dando exemplos de cada um dos “Punks” mencionados para um melhor entendimento.

Cyberpunk – Ghost in the Shell

Steam Punk –  Steamboy

Solar Punk –  Anno 2070

Diesel Punk – Fallout

Logo como podem ver Seedtown tem uma arte fantástica, um enredo aparentemente bem construído, que tenta criar um mundo sobe uma trope pouco utilizada, mas de muito sucesso, além de deixar clara as ligações com o oriente, com a terra natal do autor e de que se trata de um road trip cheio de acontecimentos, mistério e ação. Um prato cheio para quem curte sci-fi, e algo que vale o investimento.

Digo isso pois nesse exato momento o projeto se encontra aberto no Catarse, como mencionei no começo do texto. Uma plataforma de financiamento coletivo, similar ao gringo Kickstarter. E ele so vai sair do papel e se tornar realidade com o seu apoio.

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Funciona assim. Você clica aqui, vai abrir uma nova aba no seu navegador, e lá você pode apertar em “Apoiar este projeto” e então selecionar uma quantia, sendo a mínima de 10 reais e com determinados valores contendo premiações pelo apoio, que variam desde o volume impresso até você podendo se tornar um personagem dentro do mangá.

O livro tem 160 páginas no formato 13,5 x 20,5 cm em papel Polen Soft 80 g/m2 em PeB e capa em Cartão Supremo DuoDesign com cores 4 x 0 e lombada Quadrada, e precisa juntar 5.000 reais dentro do prazo estipulado para ser publicado, tendo como meta estendida uma sobrecapa com arte exclusiva em papel Couché Brilho 90 g/m2 se passar em 500 do valor estipulado, e o ArtBook – Marginal Work, de aproximadamente 40 páginas, se passar 3000 reais do valor estipulado. Sendo que essas “extensões” serão enviadas a todos os contribuintes se atingidas as metas.

Para entender melhor, sugiro acessar a própria página do projeto, a qual explica e ilustra detalhadamente cada parte, afinal o investimento é seu. Mas acima de tudo saiba que está contribuindo para o crescimento profissional de um individuou e de quebra adquirindo um mangá de primeira.

Quanto a você quadrinista, ilustrador, designer, ou outro profissional do ramo que possa vir a estar lendo esse texto, fica a pergunta, gostou? Quer promover o seu produto ou serviço da mesma forma? Então entre em contato pelo e-mail blogmangatom@gmail.com para agendar o serviço.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 07/07/2017, em Uncategorized, Vitrine e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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