Atom 5: Os Melhores Metroidvanias

 

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

É, eu sei, um pouco atrasado, mas aqui está o TOP 5 Metroidvanias. Lembrando que antes de começarmos vamos destrinchar rapidamente o gênero, falando de sua origem e características principais, para assim adentrarmos numa rápida conversa do porque eu gosto tanto dos títulos apresentados.

Lembrando que se trata de uma lista apenas com games indie, e que se o seu favorito não estiver presente basta comentar aí embaixo. Mas ainda assim se veio atrás de algo mais mainstream… recomendo Zero Mission, Fusion, Symphony of the Night e Aria of Sorrow.

Agora vamos ao que realmente interessa.

Em 1985 a Enix, empresa que mais tarde viria a se juntar com a Square Soft para criar a mais famosa desenvolvedora de RPGs de todos os tempos, trouxe para o desconhecido Sharp-X 1 o game Brain Breaker. Um platform shooter não linear que começava a exibir características bem interessante para a época, sendo um dos precursores do Metroidvania.

Porem a formula ainda estava muito escondida, pouco aprofundada, fazendo com que brain Breaker no fim aparente ser apenas mais do mesmo, porem com uma navegação confusa.

O título que realmente iniciou a popularização do gênero entre as desenvolvedoras foi Dragon Slayer, da Nihon Falcom. Uma franquia importantíssima para a história dos games que além de remover o conceito de Turn-Based deu aos RPGs um estilo mais Hack and slash, assim instituindo o Action RPG, e posteriormente em seu segundo título, Xanadu, criando o que veria a ser chamado de Metroidvania. Apenas 2 meses após o lançamento de Brain Braker e saindo um ano antes do icônico Metroid.

Alguns meses depois da icônica caçadora espacial dar as caras surgiu o primeiro Castlevania, para o Famicon Disk System. Uma extensão do NES que se utilizava de disquetes. Porem assim como a maioria dos títulos da Konami, se tratava ainda de um jogo de plataforma e ação com side scroll.

Os jogos seguintes, Vampire Killer, que saiu apenas no Japão e Europa ainda em 86, e Simon’s Quest, de 87, eram de fato Metrodvanias. Porem nenhum dos dois conseguiu se sair bem no mercado, e até hoje muitos encaram Simon’s Quest como um dos piores, se não o pior título da franquia Castlevania.

Tanto que apenas em 97 que é retomada a não linearidade, característica clássica do gênero, com o popular Symphony of the Night, do Playstation. É assim essa e outras características, como elementos de RPG, level design, exploração, segredos, backtracking e necessidade de se obter poderes ou itens para progredir, se tornam uma marca em futuros títulos 2D.

O que leva a uma inevitável comparação com o clássico Super Metroid, do SNES, que por fim resulta na criação do termo Metroidvania. Uma amálgama, ou junção de palavras, nesse caso Metroid e Castlevania, que resulta no que anteriormente seria considerado neologismo, mas que agora se tornou termo decorrente. Metroidvania.

Gênero que, a partir de agora, vocês conferem nosso top 5, começando por algo mais clássico. Unepic. Um game que esbanja carisma, graças ao seu apego ao gênero RPG e cultura nerd. Logo esperem sim um Metroidvania, com tudo que mencionei anteriormente, mas que se foca muito nos RPGs, desde clássicos de mesa a mecânicas de videogame.

Sendo assim o que mais chama atenção neste título é a quantidade de itens equipáveis, tanto armas como armaduras e itens que aumentam status, além de poções, scrolls, pets e lojas variadas, sendo que algumas tem itens destoantes, como naves e light sabers, assim parodiando series famosas, tal qual as diversas piadas que surgem ao decorrer do gameplay.

Ainda assim o que mais me agrada pessoalmente é a interação entre os dois personagens principais, a possibilidade de fazer anotações no mapa e a variedade apresentada. Você pode simplesmente fazer de tudo, dentro dos gêneros, e ainda permanecer focado, sem se distrair demais com sidequests ou se perder explorando.

Logo como viram, fica fácil afirmar o porquê esse é um dos meus games favoritos. E olha que não é so do fav do gênero de metroidvania não, em?

Mas enfim, na sequencia temos Dust: An Elysian Tail, outro Metroidvania 2D, agora com furries… e é, eu sei que existe muito preconceito com relação a isso, mas convenhamos. Ter animais antropomórficos não transforma a obra num fetiche gigante, se não a maioria dos filmes infantis seria hentai.

Ao invés de ficarmos reclamando seria melhor apreciar a arte e a animação, que além de muito bem-feitas e fluidas foram criadas por apenas uma pessoa, Dean Dodrill, o qual também serviu de programador para o jogo e trabalhou anteriormente em Jazz Jackrabbit 2, um dos meus games favoritos de todos os tempos.

Voltando a Dust, o jogo também é inteiramente dublado e possui um enredo razoável, além de trazer todas as características básicas de um metroidvania, se diferenciando pelo mapa que possibilita fast travel e pelas lutas, as quais aqui se assemelham mais ao ritmo frenético visto em um Hack and Slash.

Talvez o único ponto negativo seja a voz de Fidget, sua ajudante, a qual irrita em alguns seguimentos, e o último chefe, que infelizmente tem de ser enfrentando com um certo lag. Tirando isso, um título solido que recomendo a qualquer fã do gênero.

É agora sim entramos no inusitado, com VVVVVV.

Não bastasse o título, esse metroidvania não tem ação, substituindo o elemento por seguimentos de plataforma e puzzles frenéticos, os quais sem dúvida exigem muita dedicação do jogador. Sendo talvez essa dificuldade que enquadre o game próximo do esperado pelos fãs do gênero.

Tirando isso, não existem poderes ou habilidades, apenas maneiras diferentes de se prosseguir por um mesmo caminho, assim se utilizando bem da mecânica de alternância de gravidade, a qual substitui o pulo, e criando um level design mais labiríntico do que se vê à primeira vista.

Completando o quadro de estranhezas, o visual é extremamente minimalista, com algumas partes bem psicodélicas e diversos obstáculos inusitados. Um conjunto de elementos que talvez afaste alguns, mas que provavelmente foi o que me atraiu tanto ao título.

VVVVVV é diferente, inovador, experimental. Um metroidvania com os elementos certos, diversas mudanças, e um resultado sem igual. Aquele típico game que vai ser cult, mas que eu sinceramente não me importo, pois para mim é excelente, merece mais destaque, e ainda acho que você deveria o estar jogando.

Ainda assim entendo quem não queira ir atrás e busque algo mais chamativo, como por exemplo The Swapper. Outro metroidvania de plataforma e puzzle, que eu pessoalmente considero inferior a V, mas que não estaria na lista se não fosse realmente bom.

Substitua gravidade por clonagem, pixel art por um mundo escuro e atmosférico, e mantenha de certa forma a estranheza. Você controla um astronauta sem memória, num ambiente inóspito, vazio. So existe você, e você, e você e quanto clones quiser criar, além das vozes que habitam sua cabeça.

Dark & Edge é pouco para descrever esse game. Ele é cruel. Os puzzles chegam a ser diabólicos, o clima incomoda, o enredo demora a fazer sentido e explorar muitas vezes parece apenas um passeio sem fim.

Porem se juntarmos tudo e analisarmos bem a jornada, The Swapper não so vale a pena como é um dos melhores produtos criados dentro dos gêneros ao qual pertence, tendo um foco muito grande nos puzzles, so perdendo para o próximo game. Antichamber.

Quem diria em? Sei que muitos vão ficar bravos e até me xingar, não sei, pois esse jogo é de puzzle… 3D… e eu to colocando como o melhor Metroidvania de todos, ao menos dentro dos indies.

Então, bora desfazer essa confusão? Primeiro que ele não é o melhor, apenas o último da lista, pois o top não tem ordem. E segundo que ser 3D não influencia, pois um game pode ter todas as características de um metroidvania independente do visual.

Ainda assim sei que tem aqueles que vão querer mais detalhes, então bora lá. Antichamber possui um mundo não linear, cheio de puzzles que podem ser feitos em qualquer ordem, tirando aqueles que antes de serem começados necessitam de uma arma especifica. Logo juntando isso ao level design temos um game que exige muita exploração, backtracking e que possui diversos segredos.

Apenas os elementos de RPG não estão presentes, mas um pode argumentar que não são realmente necessários ao metroidvania, tanto que os deixei de mencionar nas duas últimas analises, para exemplificar aqui o impacto mínimo que tem no gênero.

Mas voltando a Antichamber, o que me chamou mais atenção no jogo e o quanto os puzzles são intuitivos se observados pelo ângulo certo, e o game faz questão de te instruir de forma perfeita, não intrusiva, de como encarar esse mundo Escher-Like. Sendo esse último termo uma referência a como o jogo se assemelha as obras do artista gráfico M. C. Escher.

Portanto, como já devem ter concluído, Antichamber e a obra mais experimental aqui, e sem dúvida um metroidvania de peso, único, que faz o jogador pensar fora da área de conforto, é que acaba se posicionando como imperdível dentro de seu gênero.

 

E com isso chegamos ao fim de mais um Atom 5. Como podem ver Metroidvania não é apenas ação e RPG, mas um gênero que pode se encaixar bem em diversos seguimentos, trazendo sempre consigo variedade, exploração, muitos segredos e um level design excepcional.

Dito isso, deixem ai em baixo suas opiniões sobre o top. Esqueci algum jogo? Discorda de algo? Tem ideia pra outro Atom 5? Enfim, fala ai que feedback é importante e eu adoraria ver a opinião de todos vocês. E é isso. Fui.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 13/07/2017, em Indie-A-tom, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Adorei a análise, games incríveis!

    Curtido por 1 pessoa

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