On the Nanquim: A Saga do Tio Patinhas

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Sei que é estranho fazer um review de A Saga do Tio Patinhas em pleno 2017. Afinal, todo mundo conhece o personagem. Dentre os nerds metade sabe que o quão importante é a história de Don Rosa e a prestigia. Já a outra metade também conhece a obra, porem a evita sobe aquele velho pretexto de que “Disney é infantil”, em certos casos chegando ao cumulo de afirmar que “Disney só tem merda”. Algo absurdo nos dias de hoje, mas que infelizmente existe.

Eu particularmente sou daqueles que pensa “a opinião é sua” e acabo ignorando os comentários. Fora que existe uma certa lógica se formos atrás do público alvo o qual a obra é destinada. Porem demografia não passa de algo que a empresa determina para otimizar as vendas. Não se trata realmente de uma indicação de que adultos deveriam passar longe, até porque classificação etária é destinada aos mais novos.

Pegue Death Note como exemplo. No Japão a obra saiu na revista Shounen Jump, da editora Shueisha. Sendo que lá se classifica a obra primeiramente entre os sexos, e depois que isso é definido, entre Shounen e Seinen ou Shoujo e Josei. Não vou entrar nos dois últimos, mas pegando os primeiros, que se destinam aos garotos, se classifica como Shounen obras voltadas para pessoas de até 17 anos, enquanto Seinen engloba a faixa etária entre 18 a 40.

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Se já leu Death Note sabe que o clima passado é mais adulto, porem como o próprio nome da revista diz ele foi publicado como Shounen. Mesmo assim a obra ganhou fama entre os mais velhos, gerando muita confusão sobre qual seria sua classificação. Ao sair em outros países alguns inclusive a colocaram como um título para maiores de 18 anos. Algo que mostra bem que um HQ ou Mangá, independente do conteúdo, salve exceções mais gráficas, pode muito bem ser apreciado por pessoas de qualquer idade.

E aí voltamos aquele meu pensamento inicial. “A opinião é sua” é a forma como apreendi a lidar com esses casos sem me estressar, pois no fundo eu discordo de que HQs ou Mangás são exclusivos do público jovem, e isso inclui obviamente títulos Disney, como a já mencionada A Saga do Tio Patinhas. Ou seja, meu objetivo com esse review é mostrar que mesmo uma obra voltada a um público mais novo pode ser apreciada pelos mais velhos, e quem sabe tirar essa visão antiquada da mente de alguns.

Escolhi justo A Saga do Tio Patinhas não por esta ser a mais famosa e bem criticada obra Disney em quadrinhos, até porque eu não sei se realmente é verdade. Não tenho dados para isso. Mas já afirmo que está é sim muito boa. Minha decisão veio de algo mais simples. Quando pequeno A Saga foi uma das primeiras coisas que li e me maravilhou, e agora depois de adulto, com quase 30 anos nas costas, comprei novamente o exemplar e me vi apaixonado mais uma vez, porém por outra ótica. Um ponto que acho bom apontar aqui.

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Quando menor eu já tinha lido historias Disney, algumas inclusive em Patópolis. Conhecia Donald, Huguinho, Zezinho, Luizinho e até mesmo Pardal, Lampadinha e os Metralhas. Mas de alguma forma eu consegui me desviar daquelas que tinham o Tio Patinhas. Não sei qual o ano exato, mas eu tinha no máximo 10 anos, acredito eu, quando peguei a obra de Don Rosa.

Ler aquilo para mim foi uma aventura. Primeiro que tinha algo novo, que nunca vi antes! Era uma história de origem, de um personagem que era quase um super-herói. Patinhas, o escocês. Lembro que ele começar como criança e depois ser igual o Donald foram alguns detalhes que me fisgaram. Ai depois veio cada viagem. Uma jornada cheia de ação pela América, mas que para mim parecia ser uma volta ao mundo.

Virou instantaneamente um dos meus personagens favoritos. Ok, quase… pois demorei mais de um mês para ler. Não lembro se por eu ser novo e não estar acostumado com leitura ou se peguei em formatinho. Muito dessa época e meio vago para mim, infelizmente. Só sei que eu tive 2 “encadernados” – leia-se edições grandes – e um bando de quadrinho Disney e da Turma da Monica, além de uns Asterix e Wally. E Hulk: Futuro Imperfeito, que eu roubei de um cesto de HQs. Não contem para minha mãe!

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Enfim. Agora em 2017 tive a chance de readquirir a obra graças a uma promoção. Edição capa dura, com verniz, folhas de qualidade, boa impressão. Aquela edição que dá orgulho de ter na estante, ainda mais para um fã de longa data. Quando olho me parece que tenho uma preciosidade. É um pedaço da minha história como leitor de HQs que se encontra guardado ali.

Mas agora vamos ao que interessa. Depois de todos esses anos, ainda presta? Oh, e como. Eu continuo com o sentimento de que leio uma grande aventura, porem ciente de que está ocorre em sua maior parte na América do Norte, com um ou outro pedaço na América do Sul, África e, lógico, Escócia, onde tudo começou, na pequena cidade de Glasgow.

Ok, se trata de um lugar enorme na realidade, porem as páginas dão a impressão de um local mais simples. Algo característico em toda a obra. Seja Patópolis ou Yukon, não importa. São ambientes bem detalhados, mas desprovidos desse sentimento de grandiosidade, talvez para representar melhor a época onde ocorre as histórias, pois ainda não existia um progresso tão grande como o visto hoje em dia.

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Basicamente temos ambientes muito abertos, de imóveis baixos, que passa uma sensação de vazio, inferior, não muito avançado ou intocado pelo homem. Parte disso pelas viagens a pontos inóspitos, característica clássica do personagem, e em parte para retratar a dureza de se viver naquela época nas localidades mostradas.

Se ainda não sabe A Saga do Tio Patinhas conta como tudo começou, igual mencionei mais cedo. Vai desde de ele pequeno, protegendo o legado da família e ganhando a Número Um, sua moeda predileta, até o primeiro encontro com Donald e sobrinhos. Passando por aventuras marítimas, velho oeste, rotas de comercio, corrida do ouro, entre outros, até ele virar quaquilionário e abrir a caixa forte mais famosa de todas.

Mas não foi só minha percepção de escala que mudou. Percebi o quão triste e dura foi a vida de patinhas. Recebi uma grande lição de que se deve dar o máximo de si para alcançar seus objetivos, por mais difícil que seja a situação, e independente do tempo decorrido. Não existe idade para se ir atrás de sonhos. Também apreendi a importância de relações, tanto amorosas, como família, e até mesmo amigos. Prestei mais atenção nos diálogos e notei trechos voltados aos adultos, tal qual vemos nas tiras de Calvin e Haroldo. Ou seja, eu destrinchei mais o apresentado e pude apreciar o título sobe outras camadas, talvez mais profundas.

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Tirando isso consegui identificar os momentos históricos pelos quais ele passou e que figuras importantes ele conheceu. Me apeguei mais a suas irmãs, Hortência e Matilda, e conheci antepassados dos Metralhas e do Pardal, além de ver o primeiro encontro entre Patinhas e Mac Mônei. São so detalhes, mas que quando menor me passaram totalmente despercebidos, e que agora são fanservices que me agradam bastante.

Porém, ao contrário de como me ocorreu quando pequeno, a leitura me deixou com um vazio. Existiam muitos furos no roteiro, sobre lugares e eventos mencionados, mas principalmente com respeito a Dora Cintilante. Ela foi uma figura que deixou presença, mas que pouco fora mencionado.

Ainda bem que existem os extras. Nessa nova versão, diferente da que li anos atrás, ah uma série de histórias ao final da edição. E meu deus, como elas são fantásticas! Maga Patológica triunfando, algumas aventuras de tirar o folego, o maior fracasso comercial do Patinhas e sim, Dora Cintilante em dois enormes capítulos para ninguém por defeito dando continuação direta ao arco da pepita de ouro!

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Amigo, vou te dizer. Podem ser “entre arcos”, mas olha, aí tem emoção. Não quero dar spoilers, mas a parte da Dora me surpreendeu muito e me deixo com o coração na mão. Essas histórias são o desfecho perfeito para um encadernado desse. Como diria um amigo meu, A Saga transcendeu. E olha que nem digo pelo meme. Eu realmente estou afirmando que considero essa história algo próximo da perfeição. Uma das minhas favoritas!

Quando menor descobri um personagem e todo um mundo novo, cheio de aventuras e diversão. Quando velho me reencontrei com um “ente querido”, redescobri seus companheiros e pude ler um drama sem igual, feito para todas as idades. A maior e mais imponente de todas as sagas!

Então amigo, se digo que HQs e mangás podem agradar a qualquer idade, e porque eu tenho uma bagagem para comprovar isso. E olha que essa é apenas a minha história com o Patinhas. Eu poderia falar sobre amigos, meu próprio avô, algumas personalidades do meio ou histórias que escutei por aí, mas preferi deixar por escrito algo que vem mesmo do fundo do meu coração. Não é apenas uma reclamação de como as pessoas pensam, e sim uma amostra de uma longa e duradoura paixão por quadrinhos.

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E agora eu quero saber de vocês. Já teve um HQ que você tenha lido quando pequeno, aí comprou quando mais velho e achou tão incrível quanto? Mudou sua maneira de pensar? E quanto a obras de outras mídias? Sério, quero mesmo escutar de vocês aí nos comentários, e quem sabe bater um papo nostálgico. ^^

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 09/08/2017, em On the Nanquim, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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