Indie-A-tom: Figment – Uma aventura pela mente humana

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Existem certos momentos da vida em que você se depara com algo único, ou no mínimo diferente das experiências que teve até então. E videogames não é exceção. Sempre vai ter aquele jogo que marcou e que você não consegue encontrar nada igual no mercado, seja para o bem ou para o mal.

Eu tive esse momento várias vezes ao decorrer da minha vida gamer. Chrono Trigger, Rogue Galaxy, Mark of the Ninja, só para nomear alguns. E uma das experiências mais legais que tive foi jogando Bastion. Um dos indies mais populares que conta com narrativa arrojada, personagens carismáticos e um excelente gameplay.

Ainda assim o que mais me marcou foi a trilha sonora que contava com vocais nas músicas, o que se repete, talvez com maior intensidade, em Transistor, e o cenário bem detalhado e imersivo de Bastion, cujo os pátios surgiam do nada a medida em que se prosseguia.

Fiquei anos esperando algo que no mínimo lembrasse o sentimento que tive ao desfrutar esse clássico pela primeira vez, e então eis que surge Figment. Não uma mera cópia. Um jogo único, completamente diferente, mas que ainda assim conseguiu trazer à tona algo que não me vinha a eras.

Logo de cara na abertura escutamos elementos do cenário completando a música ambiente, e então assim que ganhamos o controle do personagem principal passamos a explorar um mundo incrivelmente detalhado, com pontos de imersão desnecessários quando se trata de tempo de produção, mas que no fim geram um conforto maior ao jogador e se mostram fundamentais para o enredo do game. Ainda assim, uma escada de lápis surgindo do nada com cada degrau se movimentando ao passar não deixa de ser um momento impressionante.

Outro ponto que logo chama atenção é a dublagem. Tanto Dusty, o principal, como Pipper, a ave que lhe acompanha, tem vozes bem cativantes que ganham um brilho ainda maior graças aos diálogos bem trabalhados que fazem eles parecerem vivos e ainda de quebra inclui piadas bem encaixadas e inteligentes que so aumentam o fator diversão.

E se isso não bastasse os vilões não só tem vozes e personalidades fantásticas, como também cantam em diversas aparições, principalmente quando em combate, fazendo dos chefes um dos momentos mais memoráveis de todo o jogo. Sem contar que a letra das canções combina com o perfil do monstro e ainda revela partes do enredo, dando a sensação de se estar num musical.

E como já devem ter visto pelo vídeo, parte do gameplay se resolve ao redor de um sistema de combate estilo Zelda, porém mais precário, se utilizando apenas de golpes simples de espada e o famoso giro carregado. Algo que se mostraria negativo, não fosse o grande foco nos quebra-cabeças, os quais dessa vez nada se assemelham a Zelda.

Diria que os quebra-cabeças ficam num misto entre Point and Click e desafios de logica tradicionais, pois aqui você deve constantemente obter objetos como válvulas ou baterias e então usá-los para manusear um puzzle ainda maior.

Combinando esses dois estilos de gameplay temos então um jogo de dificuldade mediana, porem satisfatória, cujo tais elementos se destacam ainda mais no embate final com cada um dos chefes. Assim exigindo sempre reflexos rápidos e pensamento lógicos.

Toda essa aventura ocorre dentro da mente de uma pessoa, a qual não sabemos ao certo quem é, mas que acabou de sofrer um grave acidente, como mostrado na introdução. Logo cada um dos cenários representa um lado do cérebro e um tanto de mundo dos sonhos, tornando ainda mais fantástica a interpretação dada pelos desenvolvedores ao se criar o visual do game.

Até mesmo os vilões fazem parte desse enredo. Eles são pesadelos e traumas, que visam causar o caos e destruir a mente do acidentado. E cabe a você, Dusty, o avatar da coragem, sair da aposentadoria e ir atrás de soluções para esse conflito. Criando assim uma jornada do herói onde um personagem experiente, porem “enferrujado” digamos, acaba emergindo de um estado de autodepreciarão para o seu eu anterior. Forte, vigoroso e cheio de coragem para acabar com todo e qualquer mal.

E o enredo se resume basicamente a isso. Outros detalhes da vida do acidentado podem ser obtidos ao se coletar memorias. Esferas rosadas que estão guardadas atrás de desafios extremamente elaborados. Algo feito para suprir o desejo de colecionáveis de uns e criar um desafio a altura para outros, mas que no fim é passável e que não aprofunda tanto na história.

Figment e um game mais world driven. Daqueles jogos que se focam no mundo apresentado e colocam o enredo meio de lado. Aquele típico cenário que deixa até os personagens nas sombras, mesmo existindo aqui um foco muito grande neles. Ou seja, jogue e aprecie cada detalhe, cada embate, cada dialogo, mas não espere muito da história do acidentado.

Ainda assim, o ultimo mundo, o qual não vou mostrar para que possam aproveita-lo melhor, é totalmente centrado na questão do trauma do acidente. E nesse ponto tanto a construção fantástica do cenário, como a narrativa e enredo se unem para trazer um gran finale espetacular.

Um momento épico em que você simplesmente para, reflete e chega à conclusão de que este é um game de tempo ideal. Daqueles que vão direto ao ponto, mas sem ser muito rápido, ou muito lento. Não existem sidequests maçantes, mas também não é linear ao ponto de ser chato. Você abraça a ventura e ela te guia. Você se torna um com o jogo. E quando chega o final, bem… so podemos encara-lo como perfeito.

Lembrando que quando falo isso me refiro a experiência. O jogo possui sim suas falhas. A primeira e que achei os desafios das memorias um tanto quanto injustos. Por exemplo, chegar no local do desafio e este necessitar de 2 baterias a ponto de você ter de refazer uma área inteira é algo inconcebível. Eu nem me atrevi a perder tempo nisso.

Sem contar que me deparei com alguns bugs durante o meu gameplay. Alguns críticos e outros no mínimo irritantes. Todos relacionados com as animações. Por exemplo, no início do game se você sair antes de fazer o tutorial o game trava da maneira mais bizarra possível. Em outros momentos caso você resolva sair de uma área antes de uma animação ser tocada o jogo simplesmente vai mostrar uma cena sem movimentos, apenas diálogos extremamente rápidos.

Por sorte isso não impede a compra do jogo, pois eu reportei esses e outros bugs menores e a desenvolvedora me garantiu que está ciente deles e que tomara medidas. E como o contato ocorreu no início do mês, bem antes do lançamento, a essa altura é possível que tudo já tenha sido resolvido.

Figment acabou de ser lançado, dia 22 de setembro, e eu o recomendo a preço de lançamento para todos que curtem aventuras imersivas, de visual impecável e com uma excelente trilha sonora. O game se encontra disponível para PC por 36,99 e promete chegar no inverno para os consoles PS4, Xbox One e Switch.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 23/09/2017, em Indie-A-tom, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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