Indie-A-tom: The Cat Lady – Gatos, Suicídio e escolhas difíceis + Sorteio de key

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Jogos de Point and Click, ou aventura se preferir, são normalmente bem coloridos, muitas vezes cartunescos e repletos de comedia. Até mesmo aqueles de temática um pouco mais séria, como Primordia, tendem para esse lado light ao menos no enredo.

São games com um foco muito grande no que está a ser contado, e pouco nas mecânicas, sendo a maior parte do gameplay focado em resolver desafios de logica. Mesmo que esta seja uma lógica exclusiva do gênero, como por exemplo usar uma galinha de borracha para fazer rapel em um desfiladeiro.

Mas por sorte de tempos em tempos surge algo mais maduro, como é o caso de The Cat Lady. Um point and click de terror, com um imaginário macabro, paleta de cores sombria, diálogos sobre coisas como depressão e suicídio e o bom e velho gore. Sem um jump scare, apenas uma atmosfera pesada e efeitos sonoros aterrorizantes. Sério, apenas escuta esse trecho.

[Mulher dos espelhos]

Borrou as calças? Se não ficou no mínimo perturbado. E isso é ótimo, pois quer dizer que o jogo se utiliza muito bem dos efeitos sonoros para criar o clima. Tanto que apenas olhando o gameplay, sem nenhum som de fundo, tudo que vem e um estranhamento. Você observa aquilo e se sente desconfortável devido ao que chamamos de vale da estranheza, mas não necessariamente assustado.

Aqui o som ambiente do game, o qual coloquei para vocês ouvirem, e bem suave, melancólico, com alguns pontos divergentes como grunhidos e outros barulhos que reforçam o vale da estranheza que acabei de mencionar. Os sustos mesmo dentro do jogo são poucos, mas o clima de desconforto e constante e com o tempo sua mente irá lhe pregar peças.

Um bom exemplo disso é o capítulo 3, onde você faz tarefas diárias, corriqueiras, e ainda assim a tensão não para. Você imagina que algo pior está por vir. Um sentimento reforçado por 2 medidores, um de sanidade e outro de relaxamento. Qual vai subir primeiro? Que ações vão influenciar cada um? O que ocorre se o vermelho encher? E assim ficamos em agonia constante.

E o engraçado é que isso está presente apenas no capítulo 3, mas os demais reforçam esse sentimento de que o mal está à espreita e pode vir à tona em qualquer momento. Sem contar que todo ser maligno é humano, ao mesmo tempo que estamos cientes de que existe um mundo sobrenatural de morte desde o começo do game. Sem contar que sempre suspeitamos da sanidade da principal e se o que ocorre não é apenas uma grande alucinação.

The Cat Lady começa com Suzan, uma melancólica enfermeira e amante de gatos dando adeus ao mundo dos vivos e se suicidando com uma dose letal de medicamentos, para então acordar numa clareira que seria o mundo dos mortos. Nesse ponto vem um breve tutorial, macabro como todo o jogo, e nos deparamos com a protagonista morta, de novo e de novo. So para então descobrirmos que a Rainha das Larvas, ou Queen of Maggots, a tornou imortal e tem uma missão para ela.

Suzan foi escolhida a dedo para retornar ao mundo dos vivos e dar cabo de 5 parasitas. Humanos perversos que so sabem causar sofrimento. Assassinos, sequestradores, estupradores e coisas ainda piores surgidas do imaginário do autor. Pois acreditem, isso não é um zumbi.

[Enfermeira ensanguentada]

Voltando ao enredo, o jogo seque um padrão episódico. Tudo tem a ver com Suzan e mostra o amadurecimento dela no decorrer do jogo, porem cada capítulo tem como foco central um personagem diferente, normalmente os assassinos. Se não Mitzi, uma coadjuvante muito importante a qual aparece no decorrer de quase todo o game. E ao menos se tratando dela o ponto alto e ver ela e suzan interagindo, seja por conta da diferença de idade, ideais ou modo de se viver.

[Mitzi e Suzan conversando]

E como já deu para notar a dublagem desse game não fica atrás dos efeitos sonoros e completa de forma magnifica o enredo. Mesmo as conversas mais banais completam o clima e apresentam a lore ao jogador, se não indicam mudanças que ocorrem com a personagem principal.

Para deixar tudo ainda mais interessante as escolhas importam. Não necessariamente para abrir rotas diferentes, mas sim para se escolher um determinado final para um acontecimento ou capitulo. Sim, cada um dos episódios possui mais de um final, porém o enredo não se altera. Assim desviando da formula tradicional de um point and click, e entrando mais para algo extremamente Story Driven. Não diria que uma Visual Novel, mas sem dúvida algo próximo de Life is Strange.

Vale relembrar que no início mencionei que Suzan se tornou imortal, logo também não existem escolhas que deem game over. Na verdade, a protagonista dificilmente morre por conta de algo feito ou dito pelo jogador, e se morre o capítulo não reinicia. Você volta numa espécie de ponto de re-spawn com todo o progresso anterior salvo. Algo que se assemelha ao presente em Beneath a Steel Sky, um dos clássicos do gênero.

Portanto o gameplay de The Cat Lady consiste em longos e inspirados diálogos, diálogos secundários e observações. Sem contar aquela ocasional escolha difícil. E entre uma conversa e outra o jogador deve coletar objetos e utilizá-los no local correto para prosseguir e ler ainda mais sobre a história, o mundo e seus personagens.

A parte que diz respeito ao gameplay mais tradicional, o point and click, e muito básica. Não existe combinação de itens, com exceção de uma ao final do capítulo 2, e tudo que você faz no jogo é muito direto ao ponto e intuitivo. Existe sim alguns desafios mais cabeça, mas no geral tudo pode ser resolvido em poucos minutos.

Sendo assim este é um game que deve agradar mais aqueles que buscam um jogo sério, aterrorizante e com uma história muito boa. Porem devo reforçar novamente que The Cat Lady é um jogo extremamente melancólico que foca muito em depressão, suicídio, agonia, entre outros. Ou seja, são assuntos que podem vir a lhe deixar muito pra baixo ou pior, mesmo o jogo deixando claro que aborda tais temas para tentar evitar situações drásticas, como o já mencionado suicídio. A intenção e boa, mas certamente não é game para todos.

Dito isso, se tem certeza que o enredo não lhe fara mal e que busca exatamente o que mencionei, cara, tá esperando o que? The Cat Lady é um dos melhores point and clicks já feitos, e eu o recomendo a preço de lançamento. Ou melhor, eu dou o jogo pra você. Isso é, se quiser participar de um pequeno sorteio de Halloween.

Para concorrer a The Cat Lady basta ser inscrito no canal e responder nos comentários a seguinte pergunta: “Se você fizesse um jogo de terror com gatos, como seria?”. O vencedor será revelado na terça da próxima semana, quando analisaremos Downfall, outro jogo da trilogia Devil Came Through Here.

Caso o sorteio já tenha acabado ou prefira adquirir o game hoje mesmo, The Cat Lady se encontra disponível para PC por 16,99.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 30/11/2017, em Indie-A-tom, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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