On the Nanquim: O Canto das Ondas

O Canto das Ondas

No início de 2018 começamos a resenhar as obras da editora Shockdom. Mais precisamente os títulos que iniciam a linha Timed. Um universo de histórias cuja as temáticas giram em torno de poderes fantásticos que alteraram o mundo como conhecemos, assim gerando uma quase distopia, do subgênero de ficção cientifica de história alternativa. Algo que comentei ao analisar Rio 2031 em fevereiro. Um HQ que também explica muito bem os poderes “mutantes” e a redução do tempo de vida atribuído a esses “novos seres”.

LEIA NOSSA RESENHA DE RIO 2031:
https://mangatom.wordpress.com/2018/02/21/on-the-nanquim-rio-2031/

Já em abril foi a vez de analisar Vidas de Papel. Um quadrinho que leva o tema para um rumo completamente diferente, mostrando o quão grandioso e terrível pode ser o destino de um Timed. Assim saindo de ação e ficção para algo quase sobrenatural, envolto em muito drama e complementado por uma arte alternativa de cair o queixo.

LEIA NOSSA RESENHA DE VIDAS DE PAPEL:
https://mangatom.wordpress.com/2018/04/10/vidas-de-papel/

Agora no começo de agosto, marcando o retorno das atividades no blog, lhes apresento a análise da última obra dessa “trilogia” de abertura da linha Timed no Brasil, com a resenha de O Canto das Ondas. Título escrito por Marco Rincioni, também responsável pelo enredo do já mencionado Vidas de Papel. E é exatamente pela história que vamos começar.

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Num viés meio de sinopse eu posso lhe dizer que tudo gira em torno de Cláudia, uma jovem que serve tanto como protagonista como ponto de observação para o narrador. Ou seja, mesmo que os quadros não a mostrem, no fim aquilo so foi apresentado por ter uma ligação com a garota.

E ai você me diz “Mas isso não é sinopse!”, e eu retruco afirmando que talvez algo mais fundo no enredo seja spoiler. A trama apresenta algumas reviravoltas muito bem trabalhadas, mas não é bem isso que classifico aqui como revelação de enredo. Na verdade, entrar em muitos detalhes pode estragar um pouco o ritmo, sendo essa uma obra melhor consumida às cegas, por mais que isso seja um argumento insatisfatório para muitos.

Pensando nisso aqui está o básico, e acredite, isso vai lhe servir. Cláudia escuta vozes e não sabe se por conta disso ela é uma Timed, ou seja, possui poderes e um tempo de vida limitado. Assim fazendo o leitor questionar se o que ela tem é a doença do século, ser uma mutante, ou se não passa de algo mais palpável, como uma doença mental. Algo já explorado por Rincioni em Vidas de Papel com um teor mais pesado, porem que aqui vai sendo apresentado e construído aos poucos, com um ritmo bem leve e diferente, mas que por algum motivo agrava essa nossa dúvida e dá uma aparência de doença ainda maior aos problemas de Cláudia.

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Ao mesmo tempo somos apresentados a uma cidade italiana chamada Trieste por meio de interações com terceiros ou conversas de fundo. Um cenário muito importante, pois, trabalha a visão das pessoas em cima dessa mudança distopica que vem ocorrendo. Mas aqui o autor não se contém, apresentando um contexto muito mais grave e pesado em cima do enredo até então leve e prazeroso.

Mas se existem tantos problemas em cima de Cláudia, da cidade e de seus diversos habitantes, como que a história se mantem com tamanha leveza? Isso se dá por conta das vozes e pôr a protagonista sempre parecer desconexa daquele ambiente. Cláudia é apaixonada por Asburgo, uma das vozes, e por conta disso tudo parece um conto de fadas de certa forma. Um amor proibido em um ambiente parcialmente hostil e cenas de romance aqui e ali.

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O narrador onisciente, que parece ser uma das vozes do oceano, também ajuda a entregar este clima. Ele fala que os acontecimentos que vão decorrer, de maneira a se mostrar estar contando algo no futuro, terão um final trágico, mas se coloca a contar a história de uma maneira bem agradável, a ponto de suavizar os próprios dizeres e entregar a visão de que mesmo que acabe de forma ruim, este “ruim” seria nada demais. Possivelmente um termino ou alguma outra mudança de enredo bem tradicional de algo que se apresenta como romance.

E aí vem um twist bem interessante e um dos pontos altos do HQ para mim. Em determinado momento aquilo que falei no início e meio que contradito. Cláudia some parcialmente do enredo, pois um canto está sendo contado. A história de uma paixão lésbica, com um certo teor sexual, mas cujo foco e apresentar outro casal que pretendia fugir para o oceano. E ao fim desse conto temos o seguinte diálogo.

“É uma história real?”

“Que diferença faz?”

“Uma história é menos real se ela não tiver acontecido?”

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Algo que fortalece a ideia de que talvez a história de Cláudia também seja um conto. Porem essa ideia não se mostra predominante em todos os quadros, aumentando de forma monstruosa os nossos questionamentos e prendendo o leitor de forma sublime, pois existe uma urge de saber que fim a jovem levara. Como esse enredo vai terminar. Qual será o clímax. Um sentimento que permanece vivo do início ao fim da trama e cuja as últimas páginas ainda te fazem duvidar e questionar tudo, mesmo após o termino.

Isso sem contar todos os outros questionamentos que são levantados ao decorrer da obra, como radicalismo e homossexualidade, e que ficam em nossa mente muito tempo depois do fim da leitura. Mostrando assim que O Canto das Ondas parece simples e inofensivo, mas que no fundo é uma obra bem moderna e pertinente. Algo que eu resumiria como um enredo belo, mas ao mesmo tempo ríspido nas pontas.

Tudo isso é completado pelo traço de Loputyn (‎ Jessica Cioffi). Uma ilustradora italiana que se especializa em desenhos que remetem aos antigos contos de fada, sem jamais deixar de apresentar seu estilo como único. Algo que obviamente contribui ao clima da obra e que não deixa a desejar nos momentos mais sérios, mostrando o quanto ela é uma artista diversificada. Ainda assim a peça do HQ que mais me impressionou foi a detalhada capa.

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Eu diria que o único ponto que me incomodou em O Canto das Ondas foi a tradução em trechos isolados que ao meu ver não teve uma adaptação muito boa para o jeito casual de se comunicar dos brasileiros. Mas nada muito grave. É totalmente passável e não vai atrapalhar na imersão. So espere algo mais formal em certos momentos.

E é isso. Esse foi o último HQ que a Shockdom enviou para o Mangatom. E visto que as obras so aumentaram em qualidade à medida em que fui lendo eu so tenho de agradecer a vinda do grupo ao Brasil e a confiança que tiveram em mim por enviar os PDFs.

Já obtive meu exemplar de Vidas de Papel e pretendo adicionar tanto O Canto das Ondas como Rio 2031 a minha estante em breve. E você? Curtiu os HQs da Shockdon? Se sim deixa o seu like, comente e não esqueça de conferir o link abaixo caso queira obter os quadrinhos!

Comprando pelo nosso link da Amazon você ajuda o Mangatom a crescer!

o canto das ondas

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 01/08/2018, em On the Nanquim, Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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