Como escrever um review?

Como escrever um review? Pode parecer uma pergunta besta, onda a maioria das pessoas nem ao menos pensaria nisso e iria direto pôr a mão na massa. Afinal, “é so um texto”. E um review ainda por cima. “É minha opinião”, “estou fazendo para mim mesmo” e “é um hobby”. “Para que eu deveria fazer uma resenha seguindo regras?” E assim vai. Eu poderia passar a tarde listando diversas frases que eu escutei a respeito disso ao longo dos anos, incluindo algumas mais “delicadas”. Mas não é bem assim.

Saber escrever um bom review importa, e muito.

Logico que eu não digo isso me achando e falando que eu tenho “o metodo” dos reviews. Longe disso. O que quero com esse texto é pegar e destrinchar como eu escrevo minhas resenhas, pois eu acredito que eu possa ajudar você a melhorar. Sem verdades aqui. Apenas dicas que eu acredito valerem de algo. Se não com certeza escrever por 6 anos sem parar não me valeu de nada.

Muita gente de fato me pergunta “Como escrever um review?”. E a primeira coisa que você tem de saber é como fazer um texto como qualquer outro, seguindo aquelas regras que aprendeu na escola e que reviu, ou vai rever, na faculdade. E eu não falo aqui da ABNT, pelo amor de deus. Eu falo de início, meio e fim.

Colocando de uma forma mais fácil de explicar, o seu texto deve conter uma introdução, a parte central e a conclusão. Super moleza entender isso. Mas para alguns eu ainda vejo dificuldade de aplicar essa estrutura de uma forma que puxe a atenção do leitor e que faça valer a leitura.

Comecemos pela introdução. Os 3 / 4 primeiros parágrafos desse texto são minha introdução para “Como escrever um review”. Eu apresento a ideia central, a qual vai ser destrinchada melhor no meio da resenha, que seria o ponto onde estamos no momento, e explico um pouco do que me levou a escrever essas linhas.

O problema nessa parte é o que algumas pessoas entendem por introdução. Colocando no viés de um review, muitos iniciam seus textos com uma sinopse, resumo, ou ladainha mesmo. Ninguém quer saber o porquê você se apaixonou por One Piece antes de você explicar ao leitor que vai falar sobre One Piece.

Nesse caso eu digo que seria errado algo como:

Mano, eu to lendo um mangá muito foda de piratas e caramba. Eu to apaixonado por esse troço. Os personagens são d+. Amo a arte. E caralho, o Luffy, o Zoro, O Sanji, que homens! So luta foda.

Ladainha. Eu estou usando One Piece de exemplo por ser um mangá bem conhecido, mas peço que imaginem alguém falando isso de um título que você nunca ouviu falar ou que escutou muito pouco a respeito. Você leria esse texto? A resposta provavelmente é não, a não ser que seja um amigo seu que tenha escrito. Talvez nem assim.

Uma introdução de review, ao meu ver, deve conter a ideia central do texto, o porque você vai falar disso ou como chegou nessa ideia, que são coisas que já mencionei. E além disso informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico. Ainda assim, sem exagerar. Ainda é apenas a introdução.

Um exemplo que dou aqui seria de como eu escreveria a introdução para Devilman Crybaby. Vejamos:

Sempre que eu olho para animes e mangás antigos eu penso “que coisa horrível”. Sim, eu acho o traço feio e datado, e esse certamente é o meu maior empecilho na hora de ler obras clássicas. E acredito que seja assim com a maioria das pessoas.

Os anos 70 mesmo tinham um visual muito único de seu tempo, o qual era copiado quase que a risca por diversos autores. O traço que marcou uma era. Gen Pés Descalços, Ayako, Mars. São todos diferentes quando comparados lado a lado, mas ainda assim muito similares. Não falo do estilo do artista como um todo, mas sim de certos elementos que se repetiam aqui e ali.

E eram esses trejeitos que me mantinham afastado, por mais besta que isso soe. Demorou um tempo para eu remover esse preconceito da minha mente, e um dos mangás que me ajudaram nisso foi Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma, e até o momento uma das melhores obras que li na vida.

Pulando para 2018, a Netflix anuncia mais um projeto de animação original. Dessa vez Devilman Crybaby. Um anime baseado justamente nesse manga que eu gosto tanto e que significa tanto para mim como pessoa. So que dando uma modernizada para cair no gosto da geração atual. Um ponto que me gera um certo medo, mas que ainda assim recebo de braços abertos e me perguntando. Se o anime for bom mesmo, qual seria a melhor porta de entrada para Devilman? Anime ou Mangá? Assistir um anularia a necessidade de ler o outro?

A introdução que você leu é parte de um “protótipo” de texto, que talvez eu ainda venha a publicar, por isso não se atenha muito as informações. Mas é nesse ponto mesmo que ele mostra o que eu disse anteriormente. “Informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico”.

E fundamental fazer pesquisas. Para colocar algo em contexto na introdução, e que vai ser puxado mais à frente. Para falar de assuntos interessantes no meio. Para concluir dando informações pertinentes. Para deixar o texto mais rico por inteiro. Ou ao menos eu crio minhas resenhas dessa forma.

De acordo com o canal Errant Signal, o espectro de um texto focado em jogos fica num gráfico de pirâmide que possui Jornalismo / Review ao lado de Critico Cultural / Literário, que por fez fica ao lado de Design / Formalismo. Mas o que exatamente isso quer dizer?

O apresentador do canal por meio desse gráfico tentou dizer que basicamente existem 3 formas de se falar de um jogo. Jornalismo / Review seria criar um texto com foco no consumidor, como se tentasse vender um produto ou convencer a pessoa de uma ideia. E anotem isso, pois estamos falando de review aqui, e review certamente é isso. O ato de convencer.

Na parte de Critico Cultural / Literário ele fala sobre como o texto pode conter informações relacionadas a cultura. Não é difícil entender esse. Voltando a mangás rapidamente, isso seria o meu paragrafo onde escrevo “…Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma…”. Eu estou informando o leitor, mas não de um nível muito técnico e profundo.

Isso seria a parte do Design / Formalismo. Falar de algo de forma mais técnica. Como quando eu faço um review de um game falando “Esse jogo apresenta elementos de Rogue Like, como leveis de geração procedural.” Nisso eu estou sendo mais técnico. Num quadrinho, so para exemplificar melhor, essa parte seria o escritor falar sobre quadros, tipografia ou técnicas de desenho.

E por fim o Errant Signal coloca que não existe uma pessoa que se utilize de todos esses espectros. Sempre vai existir uma inclinação maior para uma das pontas ou uma combinação de dois desses “estilos”. E vai caber a você descobrir qual destes se encaixa melhor na forma como você escreve.

So que já sabemos que se for um review, a gente sempre vai inclinar exatamente para… review. É meio obvio. Então acaba que nesse seguimento, ao menos pela visão do Errant, so poderíamos ser mais culturais ou técnicos. Se não manter apenas no review. E aí eu já discordo um pouco.

Acho que vender um produto, no caso fazer um review, é apenas um estilo de texto. Assim como existe ensaio, cobertura, etc. Mas não descarto ter aquele ponto mais cultural, tirando a parte de critico que ele coloca e anexando junto algo histórico. E também não removo a ideia de algo mais técnico, deixando a parte formal de lado.

Pile of Various newspapers over white background

Formalidade eu vejo como algo necessário apenas para a plataforma a qual você escreve. Um jornal vai exigir uma linguagem mais formal que um blog, por assim dizer. Eu mesmo no meu trabalho IRL faço um roteiro mais casual para o YouTube e outro mais formal para treinamento. Ainda assim ambos os textos são do espectro técnico.

Mas o que colocar no lugar da parte do review? Eu pessoalmente colocaria ali a emoção. Ai já pensando de forma mais “publicitaria”, sabe. Você já deve ter visto que existem propagandas que pegam muito no emocional de quem assiste. Então porque não usar de emocional no seu texto, já que você tecnicamente está vendendo um produto?

A diferença aqui é que você não está fazendo uma propaganda, e sim um review. Logo o emocional que me refiro, e que pode vir a afetar o leitor, seria o emocional vindo de você. Ou em outros termos, falar como se sentiu após consumir a obra é algo totalmente valido.

Então temos aqui Emocional, Cultural / Histórico e Técnico. Não sei se necessariamente nessa ordem, para criar aquela pirâmide perfeita que diz em quais pontas você se encontra como reviewer, pois eu não saberia como equilibrar isso, nem se realmente teria como. Apenas acho que todos esses são fatores relevantes num texto de review, e que certamente você vai se inclinar para algum destes.

Me auto analisando, eu diria que meus textos sobre mangás pegam cultural e emocional, enquanto meus textos sobre games vão mais para o lado cultural e técnico. Isso pois eu entendo mais da parte técnica de jogos enquanto não manjo tanto dos pormenores de um mangá. E se formos para animação, eu entraria nos 3 espectros, porem me utilizando menos da parte cultural.

Isso apenas quer dizer que suas experiências, obviamente, também influenciam na maneira como você escreve. Tanto que acho valido o argumento que alguns reviewers usam. O famoso “consuma tudo”. No caso, leia obras ruins, jogue games chatos, assista filmes vencedores do oscar, corra atrás dos clássicos. Saiba de tudo um pouco, inclusive da parte bosta.

Assim você adquire um conhecimento mais amplo. Eu mesmo joguei diversos jogos de plataforma, e por isso consigo dizer com maior facilidade qual level design é bom e qual é ruim, enquanto um novato do gênero pode achar que o level design de Super Meat Boy é ruim apenas por conta da dificuldade do jogo.

Colocando isso agora na área dos mangás. Eu leio poucas obras de romance, então se surgir algo de romance que me agrade, eu provavelmente vou idolatrar o título, mesmo que seja medíocre. Pois minha falta de experiência com o gênero me faz enxergar aquele enredo simplório como algo de outro mundo. Tá ai o porquê tanta gente ama o Adam Slanders, ou ao menos gosto de pensar que é por conta de algo assim.

E com isso terminamos a introdução e o meio. E ai você se me diz “Mas como assim, falou nada sobre o meio do texto”. E na boa, nessa parte você pode escrever o que bem entender. Você vai ter de analisar a obra, observando os pontos mais importantes, e então escrever sobre o enredo, personagens, mundo, mecânicas, visual, musica, efeitos especiais, abertura, etc. Vai depender do que estiver sendo criticado e não tem problema algum excluir a menção de um elemento ou outro se achar necessário. Por exemplo, se o som ambiente é quase imperceptível, o que você vai falar em cima disso?

Por fim, a conclusão. Ou quase fim. No caso desse texto, pois ainda tenho mais coisas a falar depois disso. Em fim, falemos do fim. Seja claro. Não enrole. A introdução pode ser um pouco maior do que você imaginou, mas a conclusão continua sendo curta e direta ao ponto. Agora sim algo mais voltado a um resumo do texto.

No geral Hataraku Saibou é um anime com ótimas ideias e ótimos personagens, mas que não soube se utilizar bem de seus próprios recursos, o que por fim resultou numa experiência extremamente maçante ao se ver maratonando. É aquele caso de serie a qual é melhor ver um episódio por semana e aproveitar ao máximo aqueles que se sobressaem.

É bem isso, não tem segredo. No máximo coloque junto informações de onde encontrar a obra, ou caso você esteja fazendo um texto antes do lançamento, quando vai sair, quem é o autor, editora, etc. Lembrando de nesse caso fazer o texto de acordo com o especificado no trato, caso concordado por ambas as partes. E por favor, não se venda como reviewer.

Falando ainda disso, respeite o embargo. Não publique antes do combinado nem vaze informações sem ter permissão. Fazer algo para um grupo e não cumprir te fere muito e pode acabar com o seu projeto.

Por fim, preste atenção no seu público. Não tenha medo de fazer perguntas, ler comentários e principalmente de olhar analytics. Eu por exemplo sei que meu público gosta de obras mais adultas e voltadas para o sobrenatural / terror, além dos insuperáveis shounens de porrada padrão. Ah, e tente manter seu texto em 2 páginas, no máximo 3. Não faça um textão igual esse aqui, e por favor se for colocar algo técnico e cultural, deixe mastigado para que quem não tem conhecimento da matéria consiga entender.

E pelo amor de deus, não seja pessoal demais colocando EU toda hora e falando so da SUA experiência a cada linha. Não existe de fato algo 100% imparcial, mas tente apresentar o texto de forma que não entregue tanto que se trata da sua opinião, por mais que realmente seja sua opinião. Sim, coisa de doido, mas funciona. Faça o leitor querer o produto já pensando que queria ele antes de ler, por mais vago que isso soe.

E não faça parágrafos gigantes com tudo junto e embaralhado. E assim vai. Eu poderia passar horas escrevendo mais e mais aqui. Falando como você deve evitar repetir palavras num mesmo parágrafo, e sim optar por sinônimos. Mas ia ficar chato entende. No final, não existe realmente uma regra absoluta de como fazer um bom review. Falei um pouco do meu processo e dei dicas, que podem vir ou não a lhe ajudar. Crie o seu próprio processo. Veja outros sites e tente entender a maneira como os reviews deles foram construídos. Pode até copiar se achar necessário, mas mescle com outros estilos, evolua, crie o seu próprio. Seja um reviewer.

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Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 30/01/2019, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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