On the Screen: Dragon Quest – Your Story | A adaptação polêmica de Dragon Quest V

Sabe, eu nunca joguei Dragon Quest 5. O game no qual o filme Dragon Quest – Your Story se baseia. Mas eu joguei Dragon Quests, no plural, e tenho ótimas memorias desses jogos, principalmente do 8. Que era onde eu já estava mais ligado no enredo, sem aquela urge de pular os textos. Mas também não quer dizer que eu não tenha criado minhas próprias histórias e me divertido nos demais DQs, até mesmo nos que joguei inteiramente em japonês.

E isso me pareceu o suficiente para ir lá e assistir Your Story. Vi a abertura do filme, toda em pixel art, no estilo antigão mesmo, sem dubladores, apenas textos. Uma homenagem clara. Aí entra o 3D, alguns anos se passam, e o herói Luca parte em sua jornada. E sabe o que eu pensei nesse momento? “Mas que merda eu to assistindo?”

Não se trata de ter de conhecer a história do jogo antes de assistir, apesar que acho que isso ajudaria. É mais a forma como tudo foi orquestrado. Na parte da homenagem dentro de uma homenagem, por mais interessante que seja, eu achei difícil acompanhar os diálogos e cabia ao meu ver uma dublagem.

Já quando começa o 3D em si, eu devo admitir, o visual e de cair o queixo. Mas continua tudo muito confuso, muito rápido. O filme fica fazendo cortes abruptos, alguns quase sem contexto, e a legenda do Netflix não ajuda. São os pais de Luca rei e rainha? Eu ainda não entendi depois de ver o filme inteiro, e isso é péssimo.

O filme melhora mesmo quando começa a viagem de Luca até a cidade de… bem, não lembro. Não importa. A questão é que boa parte do início parece desconexo, até um tanto sem proposito, mas ainda assim o filme faz esses pedaços parecerem necessários.

Num resumo, Luca nasce, a mãe é sequestrada, ele treina com o pai, vai visitar um rei, o príncipe é raptado, o pai e derrotado, ele e o príncipe viram escravos, escapam e aí tem essa parte da jornada para a cidade. E esses pontos são tão rápidos e mal colocados que duram cerca de 17 minutos. Tudo isso, em fucking 17 minutos!

Eu entendo que em um RPG isso pode ser não 17 minutos, mas sim 17hs ou talvez ainda mais. São jogos extremamente longos, mas se tais momentos eram importantes, porque não trabalhar eles melhor? Dar um impacto extra, colocar mais minutos e deixar assim picotado so o fundamental. Pois acreditem, tem uma certa lógica em algumas cenas e o filme explica isso muito bem. Mas não precisava dar essa cara de baixo orçamento a todo o começo né, pelo amor de deus.

Quando a jornada a tal cidade começa ainda tem cortes assim abruptos, mas existe uma diferença tremenda. O herói está fazendo um trajeto longo, agora por partes que não importam tanto na trama geral. Toca o tema de Dragon Quest, quase que literalmente anunciando que so começou ali o filme, e o resto é o Luca derrotando diversos monstros em diversos cenários do game.

Nesse ponto faz sentido encurtar. Pois explorar as dungeons, matar os inimigos, procurar itens e enfrentar eventuais chefes demora pra caramba, e por mais que seja algo super legal e divertido num jogo, não tem vez na hora de adaptar para um filme. Logo eu acho que ai sim a escolha de cortes rápidos caiu como uma luva.

O restante do filme continua num ritmo bem acelerado, porem agora sim tratando de dar ênfase em momentos chaves para causar impacto. E começa na tal cidade. Existe um chefe de jogo ali, chamado Bjørn. E quem derrotar o monstro ganha como premiu a mão da bela Nera.

A luta contra Bjørn em si é muito boa, contando com a ajuda de novos e antigos aliados. Mas o destaque fica para a premiação. Casar. Não é todo filme de animação que toca num momento tão importante da vida adulta, e a maneira como Your Story faz é muito charmosa e comovente. Sendo um momento tão bom na trama que faz você torcer o nariz ainda mais para o início, desejando que ele fosse tão bom quanto.

O ponto ruim de toda essa parte são os encontros. “Nera, a quanto tempo!”, “Se não é minha amiga de infância, Bianca!”, “Que bom reencontra-lo, sr. Briscoletti!” E nessa você fica completamente perdido. “Então eu deveria realmente ter jogado o game?”. Esse é o pensamento. E ai vem um misto de ódio por terem cortado tanta coisa e jogado na tua cara sem menos e um certo que de foda-se.

Ai é onde acho que vai separar quem gostou ou não do filme. Eu me incomodei muito, mas na real nada disso atrapalha na interpretação da trama. Você entende a história e está num momento tão lindo e terno de romance e amadurecimento que ao menos para mim o resto parou de importar tanto. Porém, entendo que vai ser ai que muita gente vai droppar, se não antes.

O que sinceramente é uma pena, pois daí pra frente so melhora, ao ponto de que vou soltar um absurdo aqui. Se o filme tivesse um início melhor eu dava o oscar pra ele. Tão entendendo. Eu gostei tanto que dei foda-se para todos os erros e inconvenientes.

O ritmo rápido cai como uma luva pro restante da trama e os cortes escrotos diminuem em 99%. A ação fica cada vez mais presente. Os personagens crescem e você se importa com eles o mínimo necessário para gerar drama. Mas o melhor de tudo são as reviravoltas. Para quem jogou o 5 talvez não seja nada, mas para mim foi de cair o queixo.

Numa dessas inclusive alguns cortes lá do começo são justificados de maneira fantástica, pois eram elementos que so seriam relevantes naquele ponto. E sim, o filme completa as lacunas. E eu adoraria que ele tivesse feito isso com todo o resto de maneira tão natural, por mais que virasse um filme de 3 horas.

Porém o melhor de tudo é o final. Ele foi dito por muitos como polemico, e analisar ele em si aqui seria o maior spoiler de todos, tanto para quem jogou ou não o quinto jogo da franquia. E daqueles que ou você ama ou odeia. E naquele ponto o meu sangue de gamer e minha formação de designer se juntaram e eu so consegui enxergar algo maravilhoso.

Eu amei o final desse filme, ao ponto de ficar de queixo caído e bater palmas. Saiu até uma lagrima aqui. Pois ele subverte tanta coisa, não so expectativas, que ficou difícil segurar o hype de vir escrever esse texto nem 1 minutos depois deu ter terminado de ver o filme. É bom desse tanto, ao menos para mim.

No geral Dragon Quest – Your Story é um filme estranho. Acho que é a melhor maneira de colocar isso. Vai ter quem ame, quem odeie, e eu so estou aqui para falar que vale assistir e que se deve fazer uma força para ir contra esse começo mal trabalhado. Logo, uma recomendação. Por outro lado, esse filme adapta Dragon Quest 5, o que significa spoiler a rodo do game, e se você prefere aproveitar o original primeiro, o filme é um grande não. Vá atrás do jogo e depois busque ver o filme.

Sobre Zigfrid

Administrador e redator do blog Mangatom. Viciado em games, amante incondicional de quadrinhos e cinéfilo enrustido.

Publicado em 28/02/2020, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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