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O que determina uma Hidden Gem?

O que é uma Hidden Gem? Sabe, essa é uma pergunta extremamente difícil e eu certamente não tenho a resposta. Mas isso também não impede de haver discussões sobre isso, como bem visto nos recentes vídeos do Glass Reflection, os quais inspiraram esse texto.

Eu sei, esse é um início estranho, um tanto anticlimático, mas que faz um certo sentido. Pois tal qual o GR eu estou fazendo este texto com o propósito de pôr ideias para fora e sair de um pseudo branco de escritor. Basicamente consigo escrever qualquer roteiro sobre jogos para o meu canal, mas o site ficou meio que jogado as moscas por um bom tempo.

Logo outro belo motivo para falar de algo polêmico e que eu não tenho a menor autoridade para dissertar sobre. Vai ter reclamações, discussões, sugestões e todo a com til que tu imaginar. Mas quer saber, isso não importa. Pois a única verdade sobre hidden gems é que isso é algo pessoal.

Botei Houseki no Kuni aqui so pra ilustrar “gems”. =P

Veja bem. A parte Gems do termo se refere a algo bom, e o que é bom é definido por nossos gostos pessoais. Enquanto hidden vem de escondido, e algo escondido é nada mais do que algo pouco comentado em nosso grupo social.

Sei que existem algumas exceções para esse último. Os populares. Mas mesmo algo popular pode vir a ser um título escondido se nossos amigos e, principalmente na atualidade, influencers conhecidos não mencionarem a obra.

Ainda nessa questão algo que hoje em dia é popular pode vir a ser menos popular no futuro com o passar do tempo e o inverso também é verdade. Algo popular no passado pode vir a ser desconhecido pelo público mais novo. Sem contar que até mesmo seu país, renda e acessibilidade, dentre outros, podem vir a influenciar nessa questão.

Lupin III. Um clássico que merece ser visto.

Por exemplo, Lupin é uma hiddem gem? O anime é extremamente popular no Japão, e pode até ser conhecido no Brasil, mas não é tão difundido assim se você parar para pensar. E ainda tem a questão das temporadas, principalmente com algo tão longo. A primeira pode ser escondida, mas é quanto à ultima que saiu em 2018? Ou o filme do Miasaki? Ou será que o simples fato de este ser considerado um clássico anula ser hidden gem, por mais que não sejam todos os títulos da franquia possuidores desse status?

O que é um clássico na verdade. Não vou entrar muito nisso, mas ser clássico é igual a ser popular? E ai puxamos também cult, que é escondido, mas ressurge em popularidade, as vezes apenas em nichos, o que por vez não torna tecnicamente popular, mas sim menos desconhecido. Portanto, pode algo clássico ou cult ser hidden gem?

Essas e outras milhares de perguntas surgem feito um turbilhão na minha mente. Por isso ainda prefiro voltar aquele início e simplificar o processo. Hidden Gem é algo desconhecido em um grupo social e que é considerado bom por quem recomendou OU que você achou por acaso, achou bom e nunca viu comentarem. Sim, é quase a mesma coisa essas minhas duas definições toscas, mas é algo que acredito facilitar no processo.

Portanto eu posso considerar Lupin um puta clássico mega popular e você nunca ter ouvido falar do anime. Ou simplesmente ter visto e achado uma merda, e seu direito, sua opinião, e qualquer uma das duas alternativas anula metade do termo.

O anime de Viewtful Joe. Henshin a Go-Go, baby!

Porem mesmo nessa minha definição simplificada ainda entra um problema, que talvez seja mais meu do que qualquer outra coisa. Eu deveria contar a parte do Gem, do bom, com simplesmente tudo que eu gosto ou apenas os melhores? Para mim essa é uma escolha entre Gankutsuou e Viewtiful Joe. Algo que acho quase perfeito e um show que tem muitas falhas, mas que eu gostei. Novamente viajando na onda da subjetividade.

Realmente não sei essa. Como reviewers eu gostaria de recomendar todos, mas pessoalmente eu indicaria apenas os 9 e 10 que raramente atribuo. Mas enquanto tomo essa decisão, por que não listar alguns nomes de animes e mangás que considero hidden gems? Acho que é a forma perfeita de finalizar esse texto. Mostrando o meu gosto.

Lembrando que essas obras nunca foram comentadas no meu grupo social ou até foram, mas ultimamente vejo ninguém falando sobre. Sim, to te lembrando pela milésima vez o que significa escondido. Enfim, bora lá.

ANIMES (series)

Gankutsuou. A adaptação sci-fi de O Conde de Monte Cristo.
  1. Gankutsuou
  2. Gungrave
  3. Wolf’s Rain
  4. Plastic Memories
  5. Hanebado!
  6. Nichijou
  7. Dororon Enma-kun Meeramera
  8. Ergo Proxy
  9. Ima, Soko ni Iru Boku
  10. Kokkoku
  11. Lovely★Complex
  12. Michiko to Hatchin
  13. Noir
  14. Phantom: Requiem for the Phantom
  15. Senjou no Valkyria: Gallian Chronicles
  16. Basilisk: Kouga Ninpouchou
  17. Devil May Cry
  18. Gakkou Gurashi!
  19. Viewtiful Joe
  20. Katanagatari

ANIMES (FILMES / OVAS / ONAS / CURTAS)

Bounen no Xamdou. O anime do PS3.
  1. Bounen no Xamdou
  2. Freedom
  3. Tsumiki no Ie
  4. Dead Leaves
  5. Uchuu Show e Youkoso
  6. 11-nin Iru!
  7. Colorful
  8. Layton Kyouju to Eien no Utahime
  9. Doukyuusei
  10. Highlander: The Search for Vengeance
  11. Jumping
  12. Steamboy
  13. Stranger: Mukoh Hadan
  14. Giant Robo the Animation: Chikyuu ga Seishi Suru Hi
  15. Karas
  16. FLCL
  17. Rain Town
  18. Chainsaw Maid
  19. Higepiyo
  20. A Drifting Life

MANGÁS

Adolf. Uma das masterpieces de Osamu Tezuka.
  1. Adolf ni Tsugu
  2. Ibara no Ou
  3. Sanctuary
  4. Kokou no Hito
  5. Baka to Gogh
  6. Kanojo wo Mamoru 51 no Houhou
  7. Kokuhaku: Confession
  8. Kiss Wood
  9. Kongou Banchou
  10. Black Paradox
  11. Deep Love: Ayu no Monogatari
  12. Shoujo Manga
  13. Doing Time
  14. Dragon Head
  15. Genkaku Picasso
  16. Plastic Girl
  17. Shissou Nikki
  18. DoseI Mansion
  19. Sayonara ga Chikai no de
  20. Chidaruma Kenpou – Onorera ni Tsugu

É isso, essas são minhas hidden gems. As obras que menos vejo falarem sobre. E provavelmente você já pegou alguma dessas ai pra ver ou ler ou escutou sobre e acha que tá nem perto desse status. E sabe, tudo bem. Eu listei tantos nomes exatamente para dar esse efeito. E se não conhece a obra, bem, que tal ir atrás? Vai que não é sua próxima hidden gem.

Mangatom ressurge das cinzas! – Porque fiquei tanto tempo sem escrever?

Então gente, é, eu dei uma sumida boa. Isso aqui chega já está empoeirado. Passei a focar muito no canal, pois querendo ou não lá eu tenho um feedback melhor. Não é somente números de visitas, mas likes, deslikes, inscritos e aquilo que mais dá prazer, comentários.

E se não bastasse isso eu consegui um emprego por conta do canal, depois outro e outro, e hoje posso dizer que trabalho com YouTube e vídeos num geral. Logo existe uma certa urge de ir lá e fazer mais, pois além de ser divertido o processo de criação eu estou me aprimorando na minha função e ainda de quebra serve como um portfólio.

Sem contar que eu recebo apoio de desenvolvedoras e editoras. Não que eu nunca tenha recebido algo aqui no blog. Na verdade, eu devo ter mais de 10 títulos, incluindo edições autografadas de agradecimento e HQ com quote meu atrás.

Eu tenho, ou tinha, feedback aqui. Comentários principalmente em redes sociais, mas ainda assim poucos comentários. Nada disso era regra. A diferença entre o canal e o blog era gigantesca, sendo um projeto novo contra um algo de 10 anos. E muito provavelmente isso se deu por conta dos blogs terem caído no esquecimento e o YouTube ser uma plataforma em continua ascensão.

Tanto que eu tentei ir para o YouTube no meio otaku. Criei o Nanquim Animado, postei lá alguns vídeos que receberam um número absurdo de viés em pouco tempo. Nada de milhares, não, nem perto disso. Mas para algo recém criado passar de 50 views é um tanto surpreendente.

So que canal de anime no YouTube é muito, mas muito merda de se fazer. Você leva flag e strike por absolutamente tudo. Bots fazem isso, tratantes, estúdios e até mesmo detentores dos diretos da obra em outros países, que nem ao menos é Brasil ou Japão.

Mas sabe qual o pior? Você passa horas fazendo o trampo, com pesquisa, roteiro, narração e edição, vai publicar o vídeo e opa, vem o flag. Ai tem um sistema bosta para reivindicar, você pesquisa leis BRs, assiste vídeos sobre o assunto, estuda como é no pais da empresa que lhe atacou, digamos, e chega numa solução. Mas é uma resposta que existe apenas na sua cabeça de algo que deveria dar 100% certo.

So que você envia a mensagem para o YouTube e quem resolve se te libera ou não e quem fez a denúncia. E eles não liberam, mesmo que você esteja certo. Logo 90% dos meus vídeos foram bloqueados de serem exibidos e eu caguei pro canal. Morreu. Fim. Tchau. E eu até poderia contatar diretamente as empresas, so que isso é um processo demorado, difícil e sem garantia de resposta. Sem contar que ainda tem aquelas que bloqueiam qualquer acesso de brasileiros, limando completamente a possibilidade.

Cof Cof Funanimation Cof Cof.

E foi assim no meio dessas aventuras e desventuras que eu fui aos poucos me desvencilhando do blog, mas não completamente. No início até o canal se chamava Mangatom, mas troquei para Indie-A-tom após preferir setar um brand. Continuei escrevendo, mas com canal e emprego juntos o processo começou a ficar complicado.

Sem contar a questão de tempo, eu não estava conseguindo pensar no que escrever ou começava a fazer outra coisa, assim parando na metade simplesmente porque não dava vontade ou não sabia como prosseguir. E em outro meio eu redigia texto após texto de roteiro. O que me volta a pensar que o resultado favorável do canal influenciou nesse bloqueio criativo.

Sabe, eu fico ansioso para fazer o próximo vídeo. Eu realmente adoro de paixão o meu canal, edição, narração, jogos e afins. Já aqui eu so escrevia algo quando entrava num estado de completo hype. Não podia ser algo apenas interessante, eu tinha de falar de algo foda. Que me impressionou num nível acima do normal.

Meu ultimo “hype” – Allegro Non Troppo

A proposta do blog foi sempre tentar focar no que eu gosto, evitando falar mal de obras, a não ser dentro de um determinado espectro da análise. Sim, eu gostei de Tokyo Ghoul, apesar de tantos de vocês odiarem meu review e foi no mínimo interessante analisar Gamma. Logo, ao menos na minha cabeça, isso ainda não é “detonar” a obra. Mas sim mostrar os pontos bons e ruins, pois nada é 100% perfeito.

Tirando esses, teve outros fatores externos que me prejudicaram muito. Os piores foi eu ter perdido o e-mail no qual eu tinha o contato de diversas editoras e deu ter convivido com certas pessoas que menosprezavam o meu trabalho, sempre me colocando para baixo, pois nada era bom o suficiente. Não uma, mas várias. E não estranhos. Amigos e familiares, e isso dói. Ou melhor dizendo, pessoas com as quais agora me afastei.

Mas voltando ao blog em si. Depois de tudo isso eu queria dizer que vou voltar a escrever, para valer dessa vez. Nada de promessa. É uma verdade, afirmação. Se não esse texto aqui nunca teria sido publicado. Eu estou com essa urge de por o que penso no papel e é isso que vou fazer, mas preciso de um pouco de paciência de vocês e talvez uma certa ajuda.

Hora de festejar! UHUL!

Eu não to 100% ainda. Voltar a postar e manter um ritmo consistente são 2 coisas completamente diferentes. Meu maior problema é como fazer isso. Eu quero escrever sobre mangás principalmente, mas mangás são muito longos e me pergunto quanto tempo eu demoraria para ler algo digno de receber analise.

Então a parte da ajuda vem de recomendações. Vocês podem me indicar coisas para ir atrás. É uma mão dupla. Fala algo que quer um review e eu dou uma olhada e possivelmente escrevo sobre. Ou no mínimo vocês podem me ajudar comentando mais, compartilhando ou se for o caso indicando uma nova plataforma, melhor que o wordpress para interação.

É isso, acho que já falei d+. Me desejem forças para fazer esse retorno ser triunfante!

On the Screen: Allegro Non Troppo – A Fantasia italiana que supera o original

Às vezes é interessante ver filmes simplesmente por ver, sem um grande motivo por trás da escolha. Esse foi o caso de Allegro no Troppo, um filme de animação italiano que eu resolvi ver simplesmente por ser italiano e para somar mais um número na minha lista de animações do Letterbox.

E fazer algo assim pode resultar em algo catastrófico, como ver uma bomba daquelas que tem poder de arrasar seu dia de tão ruim. Mas em outras, pode ser que o filme surpreenda e preencha algum tipo de vão que ainda sobrara na sua coleção de memorias. E mais raro ainda, pode este vir a ser um dos filmes da sua vida. Daqueles que dá orgulho de ter assistido.

E eu tenho orgulho de ter visto Allegro no Troppo. Ainda estou indeciso se este realmente é um dos filmes da minha vida ou uma surpresa tão grande que se sobressaiu a toda e qualquer expectativa, ganhando no fim pontos extras pela originalidade.

Um sentimento que vem logo do começo da obra. Não temos animações, mas sim live action. Pessoas atuando ainda em preto e branco, com um micro enredo focado em sarcasmo e críticas sociais. Então, descobrimos ser uma espécie de parodia de Fantasia, o famoso filme daquele que cara com nome que parece Walter Edisley. Uma das primeiras piadas do filme, que seta bem do que se trata toda obra.

Então temos um apresentador ditador que parece muitas vezes falar sozinho em loucura constante, um desenhista escravo perturbado e criativo, um maestro bufão violento e uma orquestra de velhas prisioneiras.

A ideia é ter orquestra e desenho juntos, igual Fantasia, mas com o desenhista fazendo tudo ao vivo, sem edição. Não é o caso, obviamente, mas isso acaba criando ideias únicas, algumas que surpreendem muito por se tratar de um filme dos anos 70 e de um pais pouco conhecido por animações.

Ao entrar nas animações, o desenhista cria mundos então coloridos, destoando completamente da parte mais real, que se focam em contar histórias no ritmo de peças musicais clássicas. O resultado e algo vibrante, com muitos momentos surrealistas e ainda mais críticas a natureza humana. Chegando ao pessimismo, mas ainda assim apresentando tudo de forma bela e agradável.

Com isso o filme vai alternando entre as partes IRL de comedia e os desenhos orquestrados, e nisso acaba superando muito ao meu ver Fantasia, por trazer algo mais adulto, apesar de ainda apresentável a crianças, e principalmente por conta da alternância que gera um intervalo que quebra aquela constante de músicas seguidas de músicas a qual faz Fantasia ser um tanto difícil de acompanhar. Ao menos pra mim aquilo dava sono, e nunca consegui ver o filme da Disney em uma leva.

Já Allegro foi fácil de ver justamente por conta dessa troca de cenário. E a medida que o filme avança, notamos que o que antes parecia ser um micro enredo ganha volume, e muitas das peças animadas complementam a parte com atores, ao ponto de termos inclusive desenhos, ou personagens dos desenhos, ganhando vida e se misturando aos humanos.

E até aqui tudo soa muito fantástico, mas tenho algumas ressalvas similares ao que falaria sobre Fantasia. Primeiro, o estilo de animação é bem único e experimental em algumas peças, se utilizando inclusive de outras técnicas, como rotoscopia e stop motion. Por um lado, acho isso fantástico, mas por outro sei que é um dos pontos que vai afastar muitos espectadores, por ser bizarro demais.

Ao mesmo tempo, nem todos os curtas são de fácil interpretação e a música permanece constante, sem falas, o que pode causar um grande incomodo. Não é um musical padrão, mas sim o que bem disse no começo. Desenhos que acompanham um ritmo. E no mais, caso não goste dos intervalos com pessoas, e inevitável que boa parte do filme vai ser um pé no saco.

Com tudo isso quero dizer que Allegro Non Troppo não é um filme para todos. Talvez você queira ver ele por partes igual eu fiz com fantasia, o que é bem possível, ou simplesmente ver uma ou outra das peças animadas, se se comprometer ao restante do filme. Eu particularmente acho que a melhor e mais enriquecedora forma e ver o filme na integra, assim notando como tudo se encaixa, porem agora vou me ater a descrever as partes animadas para os demais. Dito isso, aqui acabo o meu review de Allegro com um sonoro “vão assistir”.

Agora se realmente quer so ver partes ou busca conhecer cada animação antes de se decidir se verá ou não, ai segue minha descrição de cada uma. Lembrando que terá spoilers, pois é inevitável nesse ponto. E você verá na integra minha interpretação, a qual pode desviar muito da sua. Tenha esses fatos em mente.

ANIMAÇÕES

Ok, o primeiro “curta” segue ao ritmo de Prélude à l’après-midi d’un faune, de Claude Debussy. Nele acompanhamos um velho Sátiro que busca um amor e assim parte a perseguir jovens ninfas, e para isso constantemente tenta alterar sua aparência para algo mais jovial.

A animação segue com um estilo mais erótico e com coloração meio aquarelada e possui um tom constante de comedia, que lembra desenhos mais infantis. Ele trata, obviamente, da obsessão do homem pelo sexo e juventude.

O segundo “curta” vai ao ritmo de Slavonic Dance No. 7, Op. 46, de Antonín Dvořák. E esse pode realmente ganhar o título de curta, sendo possivelmente o menor seguimento do filme, aqui seguindo uma estrutura que lembra muito o sarcasmo de revistas como a MAD.

Na animação um homem começa a se desvencilhar dos outros, criando cada vez mais cenários para se isolar ou se mostrar diferente do rebanho. E uso essa palavra com ênfase, pois sempre que ele cria essas situações os demais seguem à risca. Assim criando algo muito engraçado e que, apesar de ser um desenho dos anos 70, cai muito bem como uma alegoria a certos líderes da atualidade. Mas no filme em si, é uma ofensa direta ao maestro.

Já o terceiro “curta” pega o Boléro de Ravel, de, bem… Maurice Ravel. Sendo esse o seguimento mais famoso, ilustrando pôsteres e capas do filme. E que se inicia com uma transição direta do real para o imaginário, com um maestro arremessando uma garrafa de Coca-cola que cai no meio do nada e desencadeia uma serie constante de evoluções.

De início vemos uma criatura sem forma, saído da ”soda primal”, que se auto remodela constantemente, então passando para segmentação em diversas criaturas que vão de encontro a predação e evolução como meio de escape a predação, assim surgindo a seleção natural e dando início a um constante acasalamento, sempre a cada novo ato segmentando e evoluindo cada vez mais.

Isso por fim culmina em criaturas gigantescas, similares aos dinossauros, partindo numa marcha constante e sendo eliminadas aos poucos por constantes alterações no planeta, com destaque a um indivíduo, um macaco, que sempre se sobressai, de forma abominável, em cada uma das situações.

A animação nesse caso mostra a evolução das espécies, a supremacia humana e como o homem vai aos poucos destruindo cada vez mais a natureza em prol do progresso. No fim, temos o primeiro personagem a transcender do desenho para o real.

Na quarta parte, Valsa triste, de Jean Sibelius. Uma animação bem soturna, que mostra um gato escalando a última parede de um edifício e vivenciando em memoria os tempos áureos de uma vila. Aqui com pessoas de verdade projetadas de forma transparente no desenho para dar sensação de espíritos e reforçar a ideia de memoria.

Esse é outro seguimento bem curto, com um final bem triste. Ainda assim talvez o mais fraco do filme. Vale notar que a parede do edifício em diversos momentos parece uma lapide.

Na sequência, Concerto in C major, RV 559, de Antonio Vivaldi. Aqui fazendo uma mescla de animação clássica com rotoscopia, em algo mais leve e vivido, provavelmente para se sobressair a melancolia do último seguimento.

Enredo simples, de uma abelha querendo jantar e relaxar, mas que não consegue, pois um casal de humanos busca fazer o mesmo, e num ato de romance e tensão sexual acabam destruindo a natureza envolta. Possivelmente querendo mostrar que o mais mínimo de nossos atos gera alguma consequência ao mundo.

Na penúltima sequencia temos The Firebird Suite, de Igor Stravinsky. E se antes tivemos a seleção natural, agora é a vez do mito de criação, assim iniciando a animação com cenas de stop motion que se utiliza da argila para exemplificar a criação do ser humano. No caso, Adão e Eva.

Quando estes são criados eles se encontram nus, no vazio, e logo a serpente da tentação chega com o fruto proibido. So que temos aqui uma brilhante inversão, onde Adão e Eva recusam a fruta e a serpente prova de seu próprio veneno, digamos.

Ao engolir a maçã a serpente e transportada a um mundo quase alucinógeno comandando por demônios, e numa sequência extremamente rápida, quase impossível de se tirar um print em contexto, vemos deslumbres da vida moderna envolta de pecados como ganancia e luxuria. Criticando assim todo o modo de viver do homem, enfatizando como gostamos de coisas inúteis.

E para o grã finale, o epilogo, temos uma espécie de Igor a lá Frankenstein, procurando o final perfeito. Essa peça especifica não fica bem se vista individualmente, mas so para registrar, nela pulamos entre as músicas Hungarian Dance No. 5, de Johannes Brahms, Toccata and Fugue in D minor, de Johann Sebastian Bach, Hungarian Rhapsody No. 2, de Franz Liszt, e novamente Slavonic Dance No. 7, Op. 46, de Antonín Dvořák. Fora outras músicas não listadas.

E é isso, esse é o todo de Allegro Non Troppo, tirando a parte real que basicamente mostra figuras ditatoriais judiando das pessoas e um pobre e apaixonado desenhista. Eu ainda reforço que é melhor ver o filme inteiro, mas a escolha é sua. Só espero que no fim se divirta.

GALERIA

On the Screen: Doukyuusei – Um belo romance

Eu resolvi ver Doukyuusei por conta de um gif. Um beijo daqueles bem-dados, só que com um tom muito sereno e animado de forma fantástica, tornando o momento muito belo. Esse beijo era entre 2 homens, os protagonistas Hikaru Kusakabe e Rihito Sajou. E eu me apaixonei naquele momento pela estética da animação e fiquei deslumbrado com a cena. Sou hétero.

Pode parecer estranho terminar a frase anterior assim, com “Sou hétero”. Mas existe um motivo. Com isso quero afirmar que Doukyuusei é uma obra que transcende a barreira da sexualidade. Você pode ir lá assistir sendo heterossexual, homossexual ou qualquer que seja a sua orientação sexual, que a obra vai ter o mesmo impacto.

Logico que existem outras obras das quais eu poderia falar o mesmo, não se engane. Eu não estou descobrindo esse tipo de romance somente agora. É mais que existem obras mais explícitas voltadas para o público LGBTQ, com cenas mais calientes e muito fanservice, da mesma forma que existe isso aos montes para o público hétero.

Porém é difícil achar algo tão puro, focado e bem-feito como Doukyuusei. Você poderia trocar os personagens por duas garotas, ou um homem e uma mulher, que daria na mesma. Isso faz parte do charme da obra e da facilidade de se consumir o produto. É tudo muito natural. Mas ao mesmo tempo a escolha no sexo dos protagonistas é certeira.

De um lado temos esse romance colegial, com todas as intrigas pelas quais muitos passamos nesse período. Desde ciúmes ao sentimento de que tudo vai acabar no terceiro ano, passando por vergonhas e desejos sexuais. Do outro temos um grande slice of life que mostra o amadurecimento de dois rapazes e a descoberta de algo novo e arrasador.

Novamente, tudo isso poderia ter sido passado por qualquer casal, mas a grande diferença fica com a mensagem de aceitação. Isso é tabu para a sociedade, infelizmente, ainda mais entre homens, e à medida que a obra evolui notamos cada vez mais essas nuances até chegar ao fim e mostrar que toda essa vergonha não deveria existir, que devemos ser quem somos, independente de opiniões, e isso é uma mensagem muito forte.

E não é uma mensagem somente para os gays, mas para nos aceitarmos e aceitarmos nossas decisões independente do que seja. Só que, ao ir por esse lado, o filme enfatiza um grupo que merece ser mais aceito. Por isso eu recomendo o filme para que vocês vejam que um romance entre gays é a mesma coisa que qualquer outro romance.

Eu já passei por essas coisas com garotas e foi muito fácil me identificar com os protagonistas, que, diga-se de passagem, são muito carismáticos. Não tem como ver esse filme e não torcer por eles e ficar encantado com um relacionamento tão belo. E completando tudo isso temos uma estética de cair o queixo e dubladores de primeira que trazem uma narração quase poética.

Os únicos pontos que me incomodam são a estrutura do filme e onde ele termina. Tudo ocorre com timeskips constantes e começa do nada e vai parecer a alguns que também chega ao nada. Existe a tal mensagem no final, pontuando muito bem, mas ainda fica aquela sensação de que faltou algo. Ou talvez seja só eu querendo acompanhar mais da vida desse lindo casal.

Dito tudo isso, recomendo fortemente que assistam o belo Doukyuusei. Façam um esforço, vai, confiem em mim nessa, pois a obra é de outro nível.

On the Screen: Kipo e os Animonstros – Um apocalipse diferente

Kipo e os animonstros (Kipo and the Age of Wonderbeasts) é mais uma série animada da Netflix, encomendada diretamente da Dreamworks. Mas o que me chamou atenção para ler foi o fato de que era baseada num quadrinho online chamado Kipo. E nesse ponto vou nem menti. So quis assistir para ver se gerava material para um “versus” entre a animação e o comic. Um jeito fácil de pegar algo mais atual e juntar com o foco central do blog.

O problema, ao menos para mim, e que o tal webcomic desapareceu da face da terra, salve algumas imagens usadas em matérias de review ou arquivadas em sites como o Pinterest. Logo o máximo que posso dizer em comparação é que alguns personagens tiveram uma leve mudança de design, as cores ficaram mais vivas e que tem certas páginas que parecem um story board para a série em si.

E talvez aí que esteja a resposta. O plano desde de o começo era transformar numa animação ou o conteúdo do quadrinho era tão similar que resolveram desativar o site de leitura. Não sei exatamente qual o passado de Rad Sechrist, criador de Kipo, mas ele trabalhando atualmente para a Dreamworks colabora com essa teoria.

Por um lado, isso pode ser considerado bom para evitar vazamento de roteiro. Mas para mim isso é um completo descaso com o original. Imagina se lançam uma adaptação de um quadrinho ou mangá maior e fazem o mesmo. “Ah, tem 120 capítulos? Não importa. Esconde isso ai.”. O quanto de gente que ia olhar torto e reclamar dessa ação não é brincadeira.

Logo eu realmente torço que isso tenha sido uma escolha do autor. Que ele tenha de fato sempre idealizado isso e preferiu seguir como roteirista e design da série. Pois se foi uma escolha da Netflix, Dreamworks ou estúdio coreano Mir, eu abomino essa decisão.

Não que eu diga isso tentando incentivar o boicote da série. Não.  Eu simplesmente não gosto de ver algo sumindo em prol da criação de outro algo, entende. Mesmo que a peça final seja muito melhor. Não consigo de fato afirmar isso em cima de Animonstros, mas ao menos posso falar que é um desenho bom pra caramba.

No início eu me incomodei. Nem sabia dessa história do comic, mas algo no cartoon tava off pra mim. O mundo era muito legal, com perigos disfarçados a todo canto. Como coelhos gigantes e abelhas beat box. Porem eu não curti os personagens e o enredo era bem besta, talvez simples até demais para mim. Mas o pior eram as músicas.

Não é aquele tipo de show focado em canções a lá Disney, mas constantemente eram colocadas músicas como fundo das cenas, principalmente ação, e puta que pariu… desculpem o jeito que falo, mas não podiam escolher algo pior? Essa era minha reação. A música quebrava completamente as cenas em algo que parecia mais uma playlist pessoal do estúdio que por algum motivo vazou no produto final. Não encaixava.

Fora que eu não gostava da Kipo e seu lado super mega otimista “vamos ser todos amigos”. O desenho logicamente não foi feito pensando na minha faixa etária. Meu deus, eu estou nos meus 30. Mas eu olhei esse começo pensando em como seria o meu eu do passado assistindo isso nas manhãs da TV aberta, e olha… eu ia me incomodar da mesma forma.

O lado bom disso tudo é que é uma primeira impressão. Um inicio fraco, que logo dá lugar a algo realmente bom, como eu já havia mencionado. As músicas começam a se encaixar melhor, ao ponto de ter alguns momentos que ficaram mais épicos por causa delas. E os personagens, não apenas a Kipo, melhoram cada vez mais a cada novo episódio, saindo da impressão inicial e mostrando mais faces de um mesmo personagem. E isso é ótimo.

Fora isso os combates vão ficando muito melhores, apesar deu achar que ainda falta um polimento nessa parte, e o enredo de cada um dos episódios se mostra melhor que o anterior, transformando o plot simples em uma grande jornada de aventura e descobrimento, que no fim puxa assuntos como preconceito, traição, traumas, perda, sexualidade, entre outros. E algo mostrado com uma visão mais leve, mas ainda assim é muito bom ver isso.

No fim Kipo se mostra um show super divertido, que eu agora sim consigo ver o meu eu do passado gostando ao ponto de não perder um episódio. Até porque eu gostei da obra e acabei adorando os personagens. Eu maratonei, e eu, o atual mesmo, quero ver mais temporadas.

Agora sem mais egocentrismo. Por mais que eu ache ruim o lance do quadrinho eu não tenho como não recomendar Kipo. Pode não ser o melhor desenho do mundo, mas me surpreendeu bastante e eu consigo ver um tremendo potencial na obra. Assista você, chame um amigo, apresente para seu filho ou sobrinho e vamos juntos passar o otimismo da Kipo à frente. Sim, no final até isso eu acabei gostando.

On the Screen: Dragon Quest – Your Story | A adaptação polêmica de Dragon Quest V

Sabe, eu nunca joguei Dragon Quest 5. O game no qual o filme Dragon Quest – Your Story se baseia. Mas eu joguei Dragon Quests, no plural, e tenho ótimas memorias desses jogos, principalmente do 8. Que era onde eu já estava mais ligado no enredo, sem aquela urge de pular os textos. Mas também não quer dizer que eu não tenha criado minhas próprias histórias e me divertido nos demais DQs, até mesmo nos que joguei inteiramente em japonês.

E isso me pareceu o suficiente para ir lá e assistir Your Story. Vi a abertura do filme, toda em pixel art, no estilo antigão mesmo, sem dubladores, apenas textos. Uma homenagem clara. Aí entra o 3D, alguns anos se passam, e o herói Luca parte em sua jornada. E sabe o que eu pensei nesse momento? “Mas que merda eu to assistindo?”

Não se trata de ter de conhecer a história do jogo antes de assistir, apesar que acho que isso ajudaria. É mais a forma como tudo foi orquestrado. Na parte da homenagem dentro de uma homenagem, por mais interessante que seja, eu achei difícil acompanhar os diálogos e cabia ao meu ver uma dublagem.

Já quando começa o 3D em si, eu devo admitir, o visual e de cair o queixo. Mas continua tudo muito confuso, muito rápido. O filme fica fazendo cortes abruptos, alguns quase sem contexto, e a legenda do Netflix não ajuda. São os pais de Luca rei e rainha? Eu ainda não entendi depois de ver o filme inteiro, e isso é péssimo.

O filme melhora mesmo quando começa a viagem de Luca até a cidade de… bem, não lembro. Não importa. A questão é que boa parte do início parece desconexo, até um tanto sem proposito, mas ainda assim o filme faz esses pedaços parecerem necessários.

Num resumo, Luca nasce, a mãe é sequestrada, ele treina com o pai, vai visitar um rei, o príncipe é raptado, o pai e derrotado, ele e o príncipe viram escravos, escapam e aí tem essa parte da jornada para a cidade. E esses pontos são tão rápidos e mal colocados que duram cerca de 17 minutos. Tudo isso, em fucking 17 minutos!

Eu entendo que em um RPG isso pode ser não 17 minutos, mas sim 17hs ou talvez ainda mais. São jogos extremamente longos, mas se tais momentos eram importantes, porque não trabalhar eles melhor? Dar um impacto extra, colocar mais minutos e deixar assim picotado so o fundamental. Pois acreditem, tem uma certa lógica em algumas cenas e o filme explica isso muito bem. Mas não precisava dar essa cara de baixo orçamento a todo o começo né, pelo amor de deus.

Quando a jornada a tal cidade começa ainda tem cortes assim abruptos, mas existe uma diferença tremenda. O herói está fazendo um trajeto longo, agora por partes que não importam tanto na trama geral. Toca o tema de Dragon Quest, quase que literalmente anunciando que so começou ali o filme, e o resto é o Luca derrotando diversos monstros em diversos cenários do game.

Nesse ponto faz sentido encurtar. Pois explorar as dungeons, matar os inimigos, procurar itens e enfrentar eventuais chefes demora pra caramba, e por mais que seja algo super legal e divertido num jogo, não tem vez na hora de adaptar para um filme. Logo eu acho que ai sim a escolha de cortes rápidos caiu como uma luva.

O restante do filme continua num ritmo bem acelerado, porem agora sim tratando de dar ênfase em momentos chaves para causar impacto. E começa na tal cidade. Existe um chefe de jogo ali, chamado Bjørn. E quem derrotar o monstro ganha como premiu a mão da bela Nera.

A luta contra Bjørn em si é muito boa, contando com a ajuda de novos e antigos aliados. Mas o destaque fica para a premiação. Casar. Não é todo filme de animação que toca num momento tão importante da vida adulta, e a maneira como Your Story faz é muito charmosa e comovente. Sendo um momento tão bom na trama que faz você torcer o nariz ainda mais para o início, desejando que ele fosse tão bom quanto.

O ponto ruim de toda essa parte são os encontros. “Nera, a quanto tempo!”, “Se não é minha amiga de infância, Bianca!”, “Que bom reencontra-lo, sr. Briscoletti!” E nessa você fica completamente perdido. “Então eu deveria realmente ter jogado o game?”. Esse é o pensamento. E ai vem um misto de ódio por terem cortado tanta coisa e jogado na tua cara sem menos e um certo que de foda-se.

Ai é onde acho que vai separar quem gostou ou não do filme. Eu me incomodei muito, mas na real nada disso atrapalha na interpretação da trama. Você entende a história e está num momento tão lindo e terno de romance e amadurecimento que ao menos para mim o resto parou de importar tanto. Porém, entendo que vai ser ai que muita gente vai droppar, se não antes.

O que sinceramente é uma pena, pois daí pra frente so melhora, ao ponto de que vou soltar um absurdo aqui. Se o filme tivesse um início melhor eu dava o oscar pra ele. Tão entendendo. Eu gostei tanto que dei foda-se para todos os erros e inconvenientes.

O ritmo rápido cai como uma luva pro restante da trama e os cortes escrotos diminuem em 99%. A ação fica cada vez mais presente. Os personagens crescem e você se importa com eles o mínimo necessário para gerar drama. Mas o melhor de tudo são as reviravoltas. Para quem jogou o 5 talvez não seja nada, mas para mim foi de cair o queixo.

Numa dessas inclusive alguns cortes lá do começo são justificados de maneira fantástica, pois eram elementos que so seriam relevantes naquele ponto. E sim, o filme completa as lacunas. E eu adoraria que ele tivesse feito isso com todo o resto de maneira tão natural, por mais que virasse um filme de 3 horas.

Porém o melhor de tudo é o final. Ele foi dito por muitos como polemico, e analisar ele em si aqui seria o maior spoiler de todos, tanto para quem jogou ou não o quinto jogo da franquia. E daqueles que ou você ama ou odeia. E naquele ponto o meu sangue de gamer e minha formação de designer se juntaram e eu so consegui enxergar algo maravilhoso.

Eu amei o final desse filme, ao ponto de ficar de queixo caído e bater palmas. Saiu até uma lagrima aqui. Pois ele subverte tanta coisa, não so expectativas, que ficou difícil segurar o hype de vir escrever esse texto nem 1 minutos depois deu ter terminado de ver o filme. É bom desse tanto, ao menos para mim.

No geral Dragon Quest – Your Story é um filme estranho. Acho que é a melhor maneira de colocar isso. Vai ter quem ame, quem odeie, e eu so estou aqui para falar que vale assistir e que se deve fazer uma força para ir contra esse começo mal trabalhado. Logo, uma recomendação. Por outro lado, esse filme adapta Dragon Quest 5, o que significa spoiler a rodo do game, e se você prefere aproveitar o original primeiro, o filme é um grande não. Vá atrás do jogo e depois busque ver o filme.

On the Nanquim: Supermam: As 4 Estações – O Slice of Life do homem de aço

Inicialmente eu não era fã do Superman. Um herói cheio de poderes, praticamente invencível. Parecia ser uma leitura sem proposito, com final fixo. Ele sempre vence. Por mais que esse seja o padrão de milhares de outras histórias, de outros personagens. O famoso clichê. Eu olhava aquilo e não acreditava no potencial. Igual a Lois Lane descreve seus primeiros encontros com o homem de aço em Superman: As Quatro Estações (For All Seassons).

E esse talvez seja o ponto mais legal da obra. Esse é um HQ do Superman, obvio, mais é muito mais sobre Clark Kent. O menino da fazenda de Smallville. Narrado por aqueles mais próximos do herói, assim demonstrando de forma fantástica o lado humano do homem mais poderoso da terra.

Tal qual o nome 4 estações, o quadrinho separa seus capítulos pelas mesmas. Tudo começa na primavera, com Jonathan Kent, o pai de Clark, narrando o enredo. Mostrando uma história onde o superman ainda não existe. É o começo de tudo, de maneira bem crível, sobre um jovem descobrindo seus poderes e decidindo seu destino. So que visto pelos olhos de um pai apreensivo, que enxerga o super somente como seu garoto que está em mais uma fase da vida.

Nos demais capítulos, ou estações se preferir, temos alguns saltos no tempo para mostrar momentos chaves da vida do herói, cada um com um propósito de mostrar o fantástico e trazer isso a terra, humanizar o personagem. Tanto que por mais que tenhamos o homem de aço fazendo atos incríveis, como parar um trem ou apagar incêndios, o quadrinho seque com um teor mais de slice of life com uma bela pitada de drama. E isso é super gostoso de ler.

Cada um desses capítulos também é narrado por outro personagem. Começamos com Jonathan, e vamos a Lois Lane escrevendo um artigo emotivo, e disso vai direto pra Lex Luthor e suas tramoias, terminando com Lana Lang, a amiga de infância, e eventualmente temos os pensamentos do próprio Clark, terminando com um monologo de um coadjuvante que não vou mentir, e de bater palmas. E tudo perfeito, muito bem encaixado, e por mais que cada capítulo, cada estação, funcione de forma individual como leitura, o correto e certamente apreciar essas ligações e enxergar cada vez mais o super como mundano.

O meu favorito pessoal é o Outono, o capítulo 3. Você não dá nada pro Lex Luthor quando e a narração da Lois, talvez por ela o enxergar assim. Mas quando e a vez dele narrar, ai nos aprofundamos mais do passado do personagem e entramos um pouco na sua mente. Tudo isso culminando num momento extremamente desumano. É dialogo atrás de diálogo de tirar o folego. Algo que, ao menos para mim, joga esse Lex lá no topo, como uma das versões mais bem escritas e assustadoras do personagem.

E é isso. Um texto curto, eu sei. Mas acredito que não precise dizer mais que isso sobre As 4 Estações. Os personagens são muito bem escritos, os diálogos arrasam e a arte cai como uma luva, elevando cada momento.

Eu amo como como o talento artístico de Tim Sale (Batman: O Longo Dia das Bruxas, Mulher-Gato. Cidade Eterna) e Bjarne Hansen (B.P.R.D., Starman) se combinam criando belos por-do-sol e riscos de velocidade. E elogios, como deu para se ver, não me faltam para o roteiro de Jeph Loeb (Batman: O Longo Dia das Bruxas, Smallville). Se você ainda não leu esse quadrinho, vá atrás. Pois é um deleite para qualquer fã do super e uma das obras mais fantásticas de heróis que eu pude ler.

On the Screen: Hakujaden – O primeiro filme de anime em cores

Sabe, eu adoro procurar animações novas para ver, principalmente filmes. Ao ponto de me considerar quase que um “historiador”. Ok, talvez menos. Aficionado, fã, otaku. Daqueles que vai atrás não apenas dos lançamentos, como de coisas super antigas e que marcaram a indústria. Não importa quem fez, críticas e notas, ou o que seja. Pareceu interessante eu vou lá e assisto com prazer.

Particularmente, eu acho uma atividade extremamente recompensadora, pois quebra um pouco aquela visão de que apenas o estilo atual presta. Que é o superior. Se não ficamos cegos achando que apenas o corriqueiro da indústria, que em sua maioria é um copy paste do estilo do momento, e a arte que devemos idolatrar. E isso não faz bem.

E o mesmo vale para direção, roteiro, efeitos, trilha sonora e até mesmo dublagem. Falta fazer aquela distinção entre o que realmente é bom e ruim levando em conta estilo e época. Além de que deveria ocorrer uma certa apreciação pelo que marcou a indústria, como bem falei no começo. Você achando o filme bom ou não.

Rotoscopia em O Senhor dos Aneis, de 1978.

Um exemplo que eu acho ótimo é o filme de animação de O Senhor dos Anéis, de 1978 de Ralph Bakshi, que influenciou a rotoscopia. Acho ele muito chato, não tem final, mas indiscutivelmente marcou, revolucionou e é um objeto de estudo. E por mais que eu não esteja fazendo um review deste, ou um texto sobre animações no geral, eu acho esses dados fundamentais para o restante da resenha e acredito que a essa altura nem preciso dizer o quão importante eu acredito ser as pessoas mudarem sua maneira de pensar a respeito dessas obras.

Mas enfim. O filme aqui analisado em questão é Hakujaden, também conhecido como The Tale of the White Serpent. Foi o primeiro longa-metragem japonês em cores, tendo estreado nos cinemas em 1958, posteriormente ganhando as telonas mundo a fora em 1961. Ao longo dos anos este foi conhecido por diversos nomes, como Panda and the Magic Serpent, Legend of the White Snake, The Great White Snake e The White Snake Enchantress.

Uma película de 62 anos de idade que impressiona em diversos aspectos, apesar de indiscutivelmente ter ficado datada. E logo no início o filme já mostra isso. “Uma história muito, muito antiga” é cantada num estilo oriental, tanto em ritmo e estilo, como em animação, quase que lembrando uma espécie de cutout com pinturas. Na letra falando sobre um jovem e sua paixão por uma serpente branca de estimação. “Uma história muito, muito antiga” que data da dinastia Song (China, 920-1279), e é intitulada exatamente The Tale of the White Serpent.

O restante do filme então passa a mostrar o jovem, Xu Xian, já adulto e apaixonado por Bai Niang, que seria o avatar humano da serpente branca, agora uma Yokai. Seguindo então em parte o conto folclórico chinês. Digo isso pois metade do filme se foca em “Panda”, como um dos títulos bem diz. Praticamente uma história paralela, meio desconexa em diversos momentos, que mostra as aventuras dos animais de estimação de Xian. Um panda sem nome e um panda Vermelho, chamado Mimi.

A jovem Xiaoqing, o avatar de um peixe Yokai, também se mostra desconexa em diversos momentos, transitando entre o folclore da serpente e as aventuras do panda. E eu diria que essa mistura e o ponto mais fraco de toda a obra. Quebra muito o ritmo e fica parecendo que quando o enredo chinês está mais morno entram os animais para tentar dar um boost na película e trazer ela mais para o estilo ocidental.

É indiscutível que a Toei, estúdio responsável pelo filme, estava buscando se tornar a Disney do oriente. Ao ver o filme logo se nota inspirações nos filmes da Disney, especialmente os dos anos 40 e os curtas de Silly Symphony, além de outros clássicos americanos, como o Popeye de Max Fleischer. Algo presente nas músicas, nas partes dos pandas e em diversos secundários ao longo do filme.

Em contrapartida o filme segue com os principais em um estilo chinês, característico de pinturas clássicas. Tanto isso, quanto a temática central do conto, foi algo escolhido a dedo pelo presidente da Toei, Hiroshi Ōkawa, que desejava por meio do filme amenizar a antiga rivalidade étnica entre Japão e China. Algo histórico que surgiu devido a guerras e que permanece em parte até hoje, sendo um grande ponto de preconceito étnico cultural no pais.

Acho louvável ver um filme tão antigo discutindo essas ideias, mas o ponto mais interessante, e importante, e o próprio conto da serpente. Pois é uma saga bela e trágica de romance envolta em questões de preconceito. Onde a yokai Niang entra com o papel de vítima, sendo constantemente dita como ruim. Primeiro por adultos na abertura do filme e depois, diversas vezes, pelo antagonista Fahai. Um poderoso monge que expurga espíritos desse mundo, e considera todos os entes sobrenaturais como malignos.

Além disso temos partes com teor similar, como quando Xian é exilado e a interação dos pandas com outros animais. Algo bem interessante, ainda mais se visto hoje em dia, devido a discussão constante que temos sobre o preconceito que nos rodeia. Da para associar, entende, por mais que a ideia inicial de tudo isso seja para abordar apenas a xenofobia.

E é isso. Como podem ver existem muitos detalhes legais de se observar em Hakujaden, por mais que seja um filme mal elaborado, confuso e datado, que foi criado para promover o ideal capitalista de se tornar a próxima Disney. Tem realmente muitos, trocentos pontos ruins, e ainda assim eu recomendo o filme. Como estudo, para ver esses detalhes de mensagens políticas e também para se divertir até um certo ponto.

Se você gosta de filmes Disney, contos folclóricos e animações como Popeye, dá para ignorar a literal mescla de dois filmes em um e se diverti um pouco. Não vai ser nada de outro mundo, mas dá para se apreciar sem olhar tantos detalhes a animação fluida, belas músicas e o conto da serpente branca em si.

Eu acho que dava pra ser mais Disney, no sentido de desvirtuar mais o conto em prol de algo épico, removendo a parte dos pandas, ou dividir 100% em dois filmes. Mas não tem como não ficar impressionado no fim, ainda mais se tratando de uma animação de 58.

E um último adendo, mais como curiosidade. O filme nos estados unidos foi um tremendo fracasso e ele se deu razoavelmente bem na Europa. Nos EUA ele foi picotado, renomeado (Panda and the Magic Serpent) e teve diversos pontos orientais “adaptados” para a cultura norte americana. Isso inclui chamar o panda vermelho de gato… Me pergunto o porquê o filme não foi bem aceito.

TOP 100 – Melhores quadrinhos e mangás!

Para quem perdeu, lá pela metade de 2019 eu lancei o TOP 50 – Melhores quadrinhos e mangás!”. Então se quiserem podem se ater aquela lista de forma individual, como se fossem os 50 quadrinhos definitivos de acordo com o Mangatom. Ou melhor, de acordo comigo.

Afinal essas listas são sempre algo pessoal, e enquanto eu poderia parar ali e deixar so nos 50 eu senti uma urge de ir atrás de fazer algo maior. Até como uma forma de me auto incentivar a ler mais mangás e HQs, principalmente HQs.

Uns 6 meses e tanto a mais e eu consegui listar mais 50 títulos, totalizando 100. Alguns que esqueci na primeira vez, outros que se mostraram novidades surpreendentes. Mas acima de tudo, uma leva de obras que me marcaram pra caramba no decorrer desses meus anos como leitor.

E eu poderia continuar esse texto, falando e falando cada vez mais o quanto me dá orgulho trazer essa seleção ampliada e explicando regras pessoais e afins. Mas vou acabar por aqui, até para não me repetir com o que falei no post do TOP 50.

Com vocês, o TOP 100 do Mangatom!

1 ao 50 – Click aqui para ver na resolução máxima

51 ao 100 – Click aqui para ver na resolução máxima

E é isso. Torço para que realmente tenham curtido esse top, sem colocação, no qual mostro alguns favoritos. Sei que nenhuma lista desse tipo é perfeita ou definitiva, mas eu apenas espero que com isso você encontre algo novo para ler. ^^

Resenha: Lore Olympus

Resenha com base nos capítulos de 1 a 98

Se você tem o aplicativo WebToon deve estar familiarizado com esse nome. Lore Olympus é um dos maiores sucessos desse app de quadrinhos online, ao ponto de ficar incontestável nos tops de romance e no próprio top de melhores do aplicativo. É literalmente o número 1, o mais popular com 99,999 likes em cada um dos capítulos, sem exceção.

E eu não queria ler. Sabe, eu não sou o maior fã de histórias de romance e segui lá no aplicativo procurando coisas mais de ação, indo em obras questionáveis como Elf & Warrior, até que fiquei de saco cheio. Pois nessa minha de ir atrás das coisas evitando gêneros e buscando por conta própria eu so achei 3 obras sequenciais boas.

Ai na falta do que ler fui em cada um dos tops e abri o primeiro capítulo de cada para dar uma espiada rápida. E o primeiro ponto que me conquistou em Lore foi a arte. Aquela mescla de cores cheias de simbolismo, cenas mais artísticas e belos personagens. Julguei pela capa sim, e nessa vez foi algo bom eu ter feito isso.

Talvez não caia no gosto de todos esse estilo, com os personagens fugindo muito do manhwa, que é o principal do app, e caindo mais para uma mescla de mangá com quadrinhos alternativos americanos, mas é justamente nessa diferença que eu vejo a beleza no traço.

Para completar isso, esse HQ traz uma mescla de mitologia grega com os tempos modernos, e ver esses personagens adaptados para esse traço e essas condições é algo fenomenal e um prato cheio para todos os amantes de história. Sendo esses dois fatores os primeiros que me cativaram na obra.

Era muito gostoso deitar na cama e pegar meu celular para ler cada vez um pouco mais antes de dormir. Eu queria ver o mundo adaptado expandir e apreciar a arte deslumbrante. As cores mesmo, como bem disse, entregam um certo simbolismo, e não para nelas. É tudo muito dedicado ao contexto de cada entidade do panteão grego.

E falando nelas, o terceiro ponto chave foi o carisma. Primeiro vem a fisgada mostrando coisas como deuses em balada ou uma Artemis meio punk, e então por meio desse chamariz conhecemos cada vez mais cada um dos personagens e não da outra. Nesse ponto já não tem volta, você vai quer ler tudo de Lore Olympus, principalmente se gostar de Hades e Persephone.

É uma história de romance, como eu falei no começo. Baseada no mito de Persephone. Você não precisa realmente conhecer toda a história, mas existe genialidade nessa escolha. No tal mito Hades sequestra Persephone, coisas ocorrem em desagrado ao ato, mas no fim ambos acabam se casando.

A parte do sequestro em si obviamente e removida, junto do fato de Hades ser Tio da deusa entre outros, mas a escolha se dá mais por conta de Hades so ter tido amante. Ou em outros termos, ele era o fiel em meio a um mar de deuses promíscuos. E eu particularmente gosto dessa escolha, pois novamente entra naquilo de adaptar as entidades, mas sem remover trejeitos mais marcantes.

E o lance entre Hades e Persephone se dá de maneira bem mais light, apesar de não tão delicada. Tudo começa numa balada, simplesmente por Hades dizer “Persephone é mais bela que Aphrodite”. E então Eros, filho de Aphrodite, leva Persephone a beber demais e a joga na traseira do carro de Hades. Logico que o intuito era causar um confronto entre ambos, porém Hades a conduz para o quarto de hospedes de sua casa, ela eventualmente acorda e em vez de briga, devido a maneira como o deus do submundo se porta, ambos passam a se conhecer numa tranquila conversa.

Voltando novamente ao mito de Persephone, dizem que Hades se apaixonou à primeira vista. E certamente foi o caso, tanto que poderia acabar ali. Porem nesse enredo Hades tem uma namorada Ninfa e vive ocupado com sua empresa, enquanto Persephone faz parte de um grupo de deusas do celibato. Ou seja, que se abstém de relações sexuais. E que caso caia em tentação vai perder a chance de permanecer no olimpo e na universidade.

Com isso o enredo de Lore Olimpus segue num estilo Slice of Life com pitadas de romance e aquele drama bem encaixado. E devo dizer, com diálogos sensacionais e tocando em assuntos bem polêmicos. Como sexo, traição, estupro, difamação e o próprio celibato, entre outros. E de quebra mete alguns mistérios, como o fato de Persephone antigamente se chamar Kore e a relação entre Aphrodite, Eros e uma mortal, em outra história de relacionamento.

E está aí uma palavra que se encaixa muito bem nessa trama. Relacionamento. Não apenas amoroso, mas entre amigos, familiares e colegas de trabalho. Novamente caindo no Slice of Life e abrindo brecha para explorar todos os personagens. E diria mais, não tem um deus que seja apresentado que é mal utilizado e toda a trama flui perfeitamente, como se tudo já tivesse sido bolado a décadas.

No fim Lore Olympus é um quadrinho extremamente agradável e digno de estar no topo de um site tão prestigiado. Uma obra sem igual, em todos os aspectos, com um romance que vai fazer até mesmo o mais enrrustido no gênero apreciar a obra e torcer pelo o casal, por mais que o destino deles esteja escrito em pedra.