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On the Nanquim: Supermam: As 4 Estações – O Slice of Life do homem de aço

Inicialmente eu não era fã do Superman. Um herói cheio de poderes, praticamente invencível. Parecia ser uma leitura sem proposito, com final fixo. Ele sempre vence. Por mais que esse seja o padrão de milhares de outras histórias, de outros personagens. O famoso clichê. Eu olhava aquilo e não acreditava no potencial. Igual a Lois Lane descreve seus primeiros encontros com o homem de aço em Superman: As Quatro Estações (For All Seassons).

E esse talvez seja o ponto mais legal da obra. Esse é um HQ do Superman, obvio, mais é muito mais sobre Clark Kent. O menino da fazenda de Smallville. Narrado por aqueles mais próximos do herói, assim demonstrando de forma fantástica o lado humano do homem mais poderoso da terra.

Tal qual o nome 4 estações, o quadrinho separa seus capítulos pelas mesmas. Tudo começa na primavera, com Jonathan Kent, o pai de Clark, narrando o enredo. Mostrando uma história onde o superman ainda não existe. É o começo de tudo, de maneira bem crível, sobre um jovem descobrindo seus poderes e decidindo seu destino. So que visto pelos olhos de um pai apreensivo, que enxerga o super somente como seu garoto que está em mais uma fase da vida.

Nos demais capítulos, ou estações se preferir, temos alguns saltos no tempo para mostrar momentos chaves da vida do herói, cada um com um propósito de mostrar o fantástico e trazer isso a terra, humanizar o personagem. Tanto que por mais que tenhamos o homem de aço fazendo atos incríveis, como parar um trem ou apagar incêndios, o quadrinho seque com um teor mais de slice of life com uma bela pitada de drama. E isso é super gostoso de ler.

Cada um desses capítulos também é narrado por outro personagem. Começamos com Jonathan, e vamos a Lois Lane escrevendo um artigo emotivo, e disso vai direto pra Lex Luthor e suas tramoias, terminando com Lana Lang, a amiga de infância, e eventualmente temos os pensamentos do próprio Clark, terminando com um monologo de um coadjuvante que não vou mentir, e de bater palmas. E tudo perfeito, muito bem encaixado, e por mais que cada capítulo, cada estação, funcione de forma individual como leitura, o correto e certamente apreciar essas ligações e enxergar cada vez mais o super como mundano.

O meu favorito pessoal é o Outono, o capítulo 3. Você não dá nada pro Lex Luthor quando e a narração da Lois, talvez por ela o enxergar assim. Mas quando e a vez dele narrar, ai nos aprofundamos mais do passado do personagem e entramos um pouco na sua mente. Tudo isso culminando num momento extremamente desumano. É dialogo atrás de diálogo de tirar o folego. Algo que, ao menos para mim, joga esse Lex lá no topo, como uma das versões mais bem escritas e assustadoras do personagem.

E é isso. Um texto curto, eu sei. Mas acredito que não precise dizer mais que isso sobre As 4 Estações. Os personagens são muito bem escritos, os diálogos arrasam e a arte cai como uma luva, elevando cada momento.

Eu amo como como o talento artístico de Tim Sale (Batman: O Longo Dia das Bruxas, Mulher-Gato. Cidade Eterna) e Bjarne Hansen (B.P.R.D., Starman) se combinam criando belos por-do-sol e riscos de velocidade. E elogios, como deu para se ver, não me faltam para o roteiro de Jeph Loeb (Batman: O Longo Dia das Bruxas, Smallville). Se você ainda não leu esse quadrinho, vá atrás. Pois é um deleite para qualquer fã do super e uma das obras mais fantásticas de heróis que eu pude ler.

On the Nanquim: DCeased – Os zumbis da DC

Sagas de zumbis podem ser um completo desastre. Começa já com você sabendo que todos vão morrer ou da alguma esperança, joga uns personagens legais na trama e depois se perde. Afinal, todo mundo deve morrer? Deve ser achada uma cura? E assim vai… parece que não existe uma resposta satisfatória, apenas a chance de contar uma boa história mediante ao fim. E ainda assim, continuamos atraídos por tais historias, como os próprios zumbis sedentos por sangue.

DCeased, um péssimo trocaralho entre DC e deceased, do inglês “falecido”, e um título da DC, ACREDITEM SE QUISER, que segue mais o menos esse rumo. Já tivemos a minissérie intitulada apenas Deceased, com 6 volumes e um final até que aceitável, estamos tendo o spin-off DCeased: A Good Day to Die e já foi anunciado para 2020 DCeased: UNKILLABLES. E por mais que os zumbis DC ainda tenham muito chão para correr, resolvi vir aqui hoje falar o porquê essa obra é tão boa, por mais que tenha no fim rolado um gostinho de decepção.

Acho que o primeiro ponto contra é ser justamente uma mini-serie. E não digo isso me posicionando contra a obra. É que como tal, com os 6 volumes já definidos de entrada, o tempo e limitado e por conta disso existem alguns saltos no tempo, ou cortes digamos, para aproveitar melhor o número limitado de capítulos. Fora o inevitável personagem X ou Y que so aparece de fundo ou é muito mal aproveitado.

E eu reclamo disso pois acho que se tivesse dado mais espaço, o autor Tom Taylor (Injustice: Gods Among Us / All-New Wolverine) teria sem dúvida alguma criado uma saga de arrepiar os cabelos. Não que não já tenha, ou que ainda vá fazer algo melhor nas sequencias e spin-offs, mas acho que dava para transformar o ótimo em memorável, por mais que isso soe como papo de maluco. Aqui atestando mais uma vez como eu gostei da minissérie e das ideias nela implementadas.

Para começo de conversa, não são zumbis. São algum tipo de criatura surgida devido a corrupção da equação da anti-vida. E no momento que eu disse essa frase um monte de gente que nunca leu DC saiu correndo. Mas na real? Não importa. Você não precisa saber o que é anti-vida, apenas que é um troço de um planeta aliem. E diria que não precisa nem conhecer muito dos heróis para gostar da obra, por mais que seja um prato cheio de fanservice.

Mas se quiser entender um mínimo, eu recomendo ver o filme Justice League: War. E a forma mais fácil e rápida, ao meu ver, de ser introduzido a origem do herói Cyborg e entender um pouco que seja sobre o vilão Darkside e o planeta Apokolips.

Mas voltando ao que eu ia dizendo. A equação da anti-vida estava incompleta, com metade dela no corpo de Darkside. Aí descobriu-se que o resto da equação estava no corpo do Cyborg. Rola umas conversas, nada muito relevante, e termina tudo com o Darkside enfiando uma mangueira na morte e introduzindo parte dela a equação. E olha, não precisa ser um gênio para saber que ia dar merda. E se deu merda viu.

Nisso o paciente zero, o hospedeiro do vírus criado nesse acidente cósmico, se torna o Cyborg. E para evitar a contaminação de Apokolips, o homem máquina e enviado de volta à terra e se conecta a internet. E eis a sacada genial da porra toda. Wi-fi, redes sociais e toda essa bagaça. Tu tá lendo isso e já pode ter sido infectado e nem percebeu.

Mas relaxa. Não tem vírus aqui, baixa a paranoia. Porém é exatamente assim que se deu o apocalipse zumbi da DC. O sangue ainda é um fator muito importante na contaminação, então o clássico não é completamente excluído, porem a grande ameaça e olhar informações da equação anti-vida em qualquer tipo de tela de aparelhos com acesso à internet. Sim, o vírus e digital e transfere para a mente das pessoas por meio de um simples olhar. E como a internet já está na casa de bilhões de pessoas, imaginem a velocidade de contagio.

À primeira vista essa ideia de usar a internet para contaminar é algo absurdo e bem idiota, e eu mesmo não quis ler o comic por um bom tempo por conta disso. Mas basta deixar de lado o ridículo, que aí sim dá para ver o quão assustador é esse meio de infecção. E digo mais. Lhe garanto que a cada nova página o autor vai justificar cada vez melhor o terror aqui apresentado, e essa é a magia do HQ. Ao menos no começo…

É meio obvio que fazer uma obra, mesmo que somente com 6 capítulos, inteiramente baseada no medo de telas não ia dar muito certo. Aí entra a fase de lutas de heróis. É obvio que alguém relevante seria infectado. E se no início nos apegamos a obra para saber mais sobre o vírus e quem morreu, no restante nos vemos presos pensando quem vai aparecer, quem vai morrer e como vão escapar. As lutas são muito boas, algumas com soluções bem boladas, mas são segundo plano perto do restante da trama. O foco é a tensão.

O problema mesmo é como tudo termina. O jeito de resolver a situação é muito fora de qualquer enredo de zumbis, o que é ótimo, mas é algo previsível dentro do mundo DC. E ao mesmo tempo que a obra termina, muito fica em aberto, e no fim nem mesmo o final realmente deixa aquele gosto de conclusão. Ou talvez seja eu querendo algo épico d+, tal qual eu deixei claro nos primeiros parágrafos.

É ótimo ver o caminho até esse fim e depois, por meio dos spin-offs, acompanhar outros sobreviventes. As sacadas, como já mencionei, são muito fodas. Desde o lance da internet a quem sobrevive e morre. Além de como coisas banalizadas pelo uso continuo em outras obras, como o sangue, podem vir a ser algo colossalmente desastroso apenas por se tratar do mundo da DC.

Ou seja, é inegável dizer que o HQ é muito bem escrito. Mas ainda me senti um tanto mal com a conclusão abrupta e o uso mínimo de certos personagens e tramas. É o típico caso de perspectiva quebrada. Eu desejava que tudo, sem ponta solta alguma, acaba-se ali. Fim. The End. Pois eu também tenho um certo medo de que com tantos spin-offs aquela conclusão ainda permaneça por um bom tempo, estagnada, ou pior, que nunca venha a surgir uma sequência.

Eu torço muito para que DCeased continue divertido nos spin-offs e vou aguardar com gosto uma continuação. Mas ao mesmo tempo torço para que não seja mais um mundo morto, que existe apenas para gerar mais historias gore de heróis morrendo. Ao menos não mais do que já é.

Vlog: Tenho um quote atrás de um quadrinho! Conheça Tê Rex.

Nesse vídeo você confere o quadrinho que eu tenho um quote atrás! Sim, uma frase minha de um texto de review saiu numa publicação brasileira. Não tenho nem palavras pra descrever!

Nesse vídeo você confere o quadrinho que eu tenho um quote atrás! Sim, uma frase minha de um texto de review saiu numa publicação brasileira. Não tenho nem palavras pra descrever tal emoção!

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On the Nanquim: O Canto das Ondas

O Canto das Ondas

No início de 2018 começamos a resenhar as obras da editora Shockdom. Mais precisamente os títulos que iniciam a linha Timed. Um universo de histórias cuja as temáticas giram em torno de poderes fantásticos que alteraram o mundo como conhecemos, assim gerando uma quase distopia, do subgênero de ficção cientifica de história alternativa. Algo que comentei ao analisar Rio 2031 em fevereiro. Um HQ que também explica muito bem os poderes “mutantes” e a redução do tempo de vida atribuído a esses “novos seres”. Leia o resto deste post

On the Nanquim – Batman: Elmer Fudd

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Esse review foi solicitado por um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! https://discord.gg/C23m628

Recentemente foi anunciado que a DC estaria trazendo novos crossovers com personagens icônicos do passado, porém não o clássico HQ vs HQ, e sim historias envolvendo personagens de desenhos matutinos. Dessa vez é o turno dos Looney Tunes, e muitos associaram o “trazendo novos crossovers com personagens icônicos” como uma referência aos HQs mais modernos e adultos envolvendo personagens da Hanna Barbera, como o indispensável Future Quest, mesmo estes não sendo crossovers e sim uma nova interpretação.

Digo, o já mencionado Future Quest e sim um crossover, mas acaba aí. É um HQ que junta personagens apenas da Hanna Barbera, e todo o resto, Flintstones, Scooby-Doo, Corrida Maluca, entre outros, se mantem num universo próprio. Enquanto esses novos crossovers misturam personagens da DC com os Looney Tunes.

Ainda assim, se o texto não referência Hanna Barbera e afins, o que seria esse antigo crossover? Algo mais do passado? Afinal já vimos o Superman contra Muhammad AliBatman teve aventuras com Hellboy e Starman e o Coringa em certo momento foi o possuidor da Máscara. O histórico da DC é cheio de crossovers, mas nesse caso se trata de algo bem recente. Batman: Elmer Fudd, de 2017.

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Mas o que ou quem seria Elmer Fudd? No Brasil conhecemos o personagem como Hortelino Troca-Letras. Um caçador careca que fala errado e adora perseguir coelhos, sendo o arqui-inimigo do próprio Pernalonga. E é seguindo exatamente a clássica premissa de Temporada de Caça que começa o enredo dessa sombria graphic novel.

Hortelino, ou Elmer Fudd se preferir, anda pelas ruas de Gotham refletindo sobre acontecimentos passados, sempre trocando seus Ls e Rs por Ws de forma a fazer até mesmo o Cebolinha confuso, e ao chegar o bar do Gaguinho, ou Porky, aos poucos entendemos melhor as nuances desse personagem modernizado, além de nos maravilharmos com diversos fanservices e entendermos melhor o porquê de tanta reflexão.

Elmer era casado, com ênfase no ERA. Apaixonado por Silver St. Cloud, antiga paixão de Bruce Wayne por meados dos anos 70, ainda em época de Detetive Comics. Uma personagem sexy, que por algum motivo não consigo deixar de associar a Lola Bunny. Mas voltando ao “ERA”, a temporada de caça ao coelho estava aberta. Silver foi assassinada, e tudo indica que Bugs Bunny, nosso querido Pernalonga, foi o culpado.

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Assim se inicia uma conversa de mesa de bar, com dois velhos rivais em tom depressivo conversando sobre o passado, presente e fim. Ninguém nega nada. Um assassinato ocorreu e outro viria a ocorrer. Um clima bem tenso, sombrio, moderno e maduro para algo que antes era galhofa. Mas ainda assim certas características se mantem. Mesmo humanizado o coelho ainda tem seus dentes, fome por cenouras e rotas erradas. Algumas dessas coisas se tornam piadas, mas algo se sobressai. Pernalonga sempre foi o astuto, e com seu jeito de malandro solta “quem me contratou foi Bruce Wayne”.

Tal qual no desenho basta palavras para mudar a mente de Elmer, e assim começa a temporada de caça ao morcego. Uma brilhante exploração de um personagem meio desaparecido em anos recentes, mas que ainda está no panteão de mais famosos Looney Toones. E um enredo dark sem dúvida, mas tem muito espaço para fazer os fãs sorrirem, seja com os já mencionados fanservices, o embate de 2 ícones ou o dialogo fantástico.

Sem dúvida um enredo com uma boa dose de suspense e reviravoltas, que surpreende bastante devido à natureza do crossover e se mostra até mesmo mais maduro e moderno que as já mencionadas HQs da Hanna Barbera. Ainda assim minha parte favorita e como o papel do Hortelino e do Pernalonga se invertem, fazendo você pensar quem realmente é o herói, se é que existe um. Tudo isso culminando num final excepcional que promete derrubar até o cavaleiro das trevas.

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Únicos pontos negativos para mim são a fala do Elmer, já que li a versão americana e é necessário um bom conhecimento em inglês e muita atenção para poder entender os diálogos e fazer tudo ser mais fluido, e a duração do enredo, pois tudo acaba num piscar de olhos e te deixa querendo mais. Elmer Fudd seria um ótimo personagem para uma serie, investigando e distorcendo o mundo dos Looney Toones, mas infelizmente esse é apenas um especial. Uma graphic novel de ocasião única que deixara muitos órfãos, tal como eu.

E destoando um bocado do clima que acabei de descrever, ao final da história principal temos uma pequena homenagem ao curta mais famoso do Hortelino, onde com humor impecável e ajuda da burrice do principal combinada com a astucia do Pernalonga e intrusão do Batman temos a mais hilária temporada de caça ao morcego que você possa imaginar. Não chega aos pés da parte central do HQ, mas ainda assim é uma boa adição.

Tudo isso escrito por nada mais do que Tom King, e ilustrado de forma realista e fluida pelo fenomenal Lee Weeks. Tom também escreve a parte mais cômica, porem o lápis passa para Byron Vaughns que traz algo mais cartoon para a mesa.

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Batman: Elmer Fudd recentemente foi republicado nos EUA na coletânea DC Meets Looney Tunes, junto dos crossovers Legion of Super-Heroes / Bugs Bunny, Martian Manhunter / Marvin the Martian, Lobo / Road Runner, Jonah Hex / Yosemite Sam e Wonder Woman/Tasmanian Devil. Histórias que envolvem respectivamente os Looney Tunes Pernalonga, Marvin: O Marciano, Papa-Léguas, Eufrazino e Taz: O Demônio da Tasmânia como principais.

Para agosto de 2018 a DC promete repetir o feito trazendo crossovers com Mulher-Gato, Harley Quinn, Coringa e Lex Luthor encontrando Piu-Piu e Frajola, Gossamer, Patolino e Gaguinho.

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On the Nanquim: Tê Rex

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Cara, tenho uma pergunta para você. Tu é nerd? Tem quadrinhos na sua vida desde que se viu por gente? Talvez tenha começado a ler a 10 anos atrás, talvez 20, quem sabe mais. Pode ter começado por influência dos amigos, ou por compartilhar da paixão com pais e avós, mães e tias, quem sabe primos. Recebeu de herança uma coleção, ou comprou o primeiro gibi com o troco da merenda. Se tornou o que é por acompanhar paródias na TV, por se ver intrigado pelo universo Marvel e DC nos cinemas, ou simplesmente por seguir a modinha? Na real, nada disso importa. So importa a resposta. Tu é nerd.

Se for mesmo o caso, e deve ser, caso contrário você não estaria aqui, eu lhe apresento Tê Rex. Uma série de tiras que aborda o lado nerd, otaku, geek da força. Use o termo que preferir. São tiras simplesmente fenomenais, com um lado cômico e crítico maravilhoso, abordando temas desde política, bullying e racismo a spoilers, decisões editoriais e conservação de quadrinhos.

Logo como pode ver Tê Rex é um pouco mais amplo do que fiz parecer, tendo tiras que podem sim ser apreciadas por pessoas fora do meio nerd ou que curtam cultura pop, como por exemplo Planeta dos Macacos. Porém você ser nerd lhe possibilita não apenas ler toda a obra, como também faz você entender mais detalhes que estão presentes em tiras mais cítricas, seja sobre política ou sobre spoiler.

Tê Rex 04 - te-rexhq.blogspot.com

Fora isso, a sacada mais genial em Tê Rex e sua protagonista, a própria Teresa, ou Tê Rex. Uma dinossaura que é meio que um alter ego da ilustradora e colorista Marcelli Ibaldo (Closed Window), de 10 anos. O que, não acredita? Numa pessoa nova e ainda por cima mulher desenhando um HQ de maneira tão espetacular? Amigo, a Marcelli e a Tê iam te dar um puxão de orelha de outro mundo se escutam uma dessas.

O que torna a protagonista tão interessante é a junção de todas essas características. Mulher, jovem, nerd e dinossaura. O fato dela ser um ser jurássico é utilizado para ilustrar desvantagens, como os pequenos braços de um Tê Rex, para mostrar força, afinal é uma criatura dita como feroz, e para brincar com o lance do rugido. Ah, e o mundo pré-histórico aqui presente acaba servindo de paralelo pro nosso de forma fenomenal.

O lado mulher também é bastante pertinente, tocando em questões feminista de maneira espetacular e fácil de digerir, enquanto ela ser criança traz um certo tom de ingenuidade, esperteza e nostalgia, tudo misturado, fazendo com que Tê lembre bastante um certo garotinho loiro. Um tal de Calvin. Pois é uma criança falando de maneira sagaz de diversos tópicos exatamente pertinentes e atemporais.

Tê Rex 34 - te-rexhq.blogspot.com

Sendo assim, não poderia dar outra. Eu recomendo a todos os nerds de plantão a leitura da série em tiras Tê Rex. Marcelli Ibaldo surpreende muito e domina a obra com suas cores aquareladas, traço firme e paixão por dinossauros, enquanto seu pai Marcel Ibaldo (The Hype, Múltipla Escolha) dá as graças no roteiro, assim adaptando momentos vividos por Marcelli e colocando no papel o conhecimento dos dois desse fantástico mundo nerd que tanto amamos. Uma dupla sem igual.

Mas espere, o texto não para por aqui. Sim, você pode acessar o blog da Tê Rex e ler todas as tiras de graça. É uma opção sua. Não se trata de algo ilegal como buscar scans, mas ainda assim peço um investimento de sua parte. Pois desde 15 de maio de 2017 pai e filha se esforçam para dar vida a Tê Rex. Você nota a paixão deles pelo projeto. E apesar de ser ótimo ver o reconhecimento, ainda resta um sonho a ser realizado. O financiamento do HQ.

Dia 26 de Março de 2018 foi aberto no Catarse uma campanha de financiamento para um livro coletando todas as 60 e poucas tiras que os 2 publicaram ao decorrer desse ano. E para atingir a meta eles precisam do seu apoio. Contribuindo com 25 reais você já garante o livro em PDF e impresso, com autográfo dos 2 autores, nome nos agradecimentos e frete incluso. Contribuindo cima disso você leva tudo isso mais extras, como marca textos, arte em aquarela ou até mesmo uma tira inédita da Marcelli feita exclusivamente para você.

Tê_Rex_59_-_te-rexhq.blogspot.com

E então, tá esperando o que? O projeto se encontra no Cartase até dia 25/05/2018, e você pode ver ele clicando aqui. Eu mesmo já contribui e reservei meu exemplar.

On The Nanquim: Vidas de Papel

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Para quem ainda não conhece o Vidas de Papel, esse é um HQ da editora italiana Shockdom, e o segundo da série Timed. A qual conta histórias de personagens superpoderosos, mas que possuem uma grande fraqueza, o tempo. Apesar de poderem mover montanhas eles estão fadados a morrer num tempo que é determinado no momento em que suas habilidades afloram. Podem ser anos, ou podem ser dias. Um conceito que acaba criando um mundo fantástico, o qual você pode conferir com mais detalhes no texto anterior, onde falamos de Rio 2023. Outra obra Timed fantástica.

Confira clicando aqui o review de Rio 2023.

Mas chega disso. Vamos falar de Vidas de Papel, como bem comentei no início. E é algo… complicado. Assim como Rio 2023 o enredo gira entorno da ideia de poderes dos Timed, porem se focando em apenas um indivíduo e caindo de cabeça no drama. Algo que eu desejei ocorrer desde a última leitura, porem que agora não sei se foi a melhor opção.

Digo, o potencial para o drama ainda existe, e o enredo passa isso de forma fenomenal. Não estou a desmerecer a obra. Porem a forma como tudo e contado é difícil de se assimilar. O primeiro empecilho que notamos e o visual, ilustrado pelo italiano Giulio Rincione. Pois apesar de se algo que cai como uma luva na obra, é extremamente alternativo.

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Falo de expressionismo e impressionismo misturado com um que de Dave McKean (Arkham Asylum, Mr. Punch). Não chega a ter o uso de materiais diversos e técnicas de fotografia, como e o caso de Dave, mas ainda assim a influência, ao menos no meio quadrinista, e óbvia. Talvez para uma melhor adaptação aos quadros.

Quando não é isso temos rabiscos. As vezes sozinhos, mas muitas vezes imersos no restante da obra, dando um tom de surrealismo, de coisas que não deveriam estar juntas. E tudo junto cria um clima de fantasia, de ilusão, de delírio. Assim trazendo o leitor para bem perto da mente de Carl, o protagonista, e fazendo com que as páginas sejam a visão deturpada do personagem.

Ou seja, apesar de underground, não se trata de uma escolha inusitada. Eu pessoalmente acho bem fácil de se acostumar com o traço, e até mesmo vejo a beleza dele em diversas cenas. Fora que fico estupefato quando este complementa perfeitamente a narrativa. Algo sem dúvida difícil para alguns, mas que eu pessoalmente considero mais acessível que as ilustrações do próprio McKean.

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Agora algo que me incomoda graficamente é o trabalho do letrista, Mirko Guidi. Novamente não é uma escolha ao acaso. As letras tortas complementam a sensação passada pelas ilustrações. Porem elas dificultam tremendamente a leitura, tornando algo que poderia ser prazeroso em uma jornada árdua.

Me vi quase que me arrastando e tive de terminar um conto curto, de poucas páginas, 65 para ser exato, em dois dias. Porem deixo aqui uma ressalva. A Shockdom me enviou uma versão de imprensa em PDF e com qualidade inferior a versão final impressa. Isso é algo bem comum, porem sinto que dessa vez a qualidade do arquivo me impossibilita de confirmar que o que falo a respeito da fonte é verídico. Logo é possível que você compre o físico e tenha uma experiência superior à minha nesse quesito.

Seguindo. Após contornar as dificuldades de ler e assimilar a arte, vem a questão de interpretar o texto. Marco Rincione fica a cargo do enredo, sendo este o ponto alto do Fumetti, mas ainda assim uma pequena complicação. Veja bem, a história aqui contada vagueia bastante, tentando propositalmente confundir, assim fazendo este acreditar no que está e não está a sua frente. Algo essencial na narrativa, e que no final nos leva ao questionamento.

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Em Vidas de Papel seguimos Carl, um Timed cujo poder e entrar na mente de outras pessoas e assimilar tudo que a. Numa descrição do próprio personagem, e como se ele enxergasse em segundos toda a vida do coadjuvante em primeira pessoa, como se a estivesse absorvendo-a para si, ao mesmo tempo que assiste os milhares de pensamentos conflitantes que existem na mente de um ser humano.

Ao mesmo tempo Carl tem um poder complementar. Sua habilidade primaria e tão poderosa que ele tem de se isolar das pessoas para não enlouquecer, e sua secundaria ajuda nessa solidão. Tudo que ele desenha no papel ganha vida, portanto o nome do HQ, Vidas de Papel. Porem eles são mais que construtos. São praticamente pessoas com sentimentos e inteligência própria, tal qual eu e você. Ou talvez seja isso que o autor queira. Seria essa percepção mais uma ilusão?

É basicamente isso que mais aflige Carl. Ele é um ser quase onisciente, com poder de criação. Características de um deus, porem em uma entidade perfeitamente humana, com suas falhas e desejos. Algo que sobrecarrega. Imagina ter algo assim em suas mãos? Seria caso de megalomania, narcisismo, loucura ou agorafobia. Talvez tudo junto, ou por etapas. Mas sem dúvida algo que a longo prazo abalaria qualquer indivíduo.

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Essa é a mágica de Vidas de Papel. O personagem se questiona, e a medida em que o leitor prossegue existem questões que parecem direcionadas a ele, e não ao Carl. E então chegamos a um clímax e um final alucinantes. Tudo na obra e muito lento, menos o pensamento. E este acelera junto do nosso, em uníssono, nas últimas páginas. Nos levando então a refletir sobre tempo, vida, morte, deus, realidade e continuidade. Assim culminando não em respostas, mas sim em reflexão.

Logo é uma pena, e ao mesmo tempo uma vantagem, que a obra não seja tão acessível. Gostaria mesmo que fosse uma leitura para todos. Porem essa inclusão tiraria parte da liberdade dos autores, e, portanto, no fim à conclusão que me vem é que insista. Olhe torto para a obra, mas continue, siga com a leitura caso algo que comentei aqui ou algum outro elemento da trama lhe faça querer mais. Tente enxergar além do traço alternativo, da sinopse bizarra, das letras estranhas e leia mais de uma vez se precisar. Pois é tudo isso junto que constitui uma obra, e não cada elemento separado.

Fico feliz de ter tido o prazer de ler esse Fumetti maravilhoso dos gêmeos Rincione, e estou ainda mais animado para o terceiro HQ dessa saga da Shockdom. O qual mais uma vez terá roteiro de Marco Rincione. Sendo este o belo O Canto das Ondas.

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Dito isso, agradeço por ter lido o texto até aqui. Espero que goste ainda mais da leitura de Vidas de Papel, o qual pode ser adquirido na loja da Shockdom. E peço apenas que comente aí embaixo o que achou, compartilhe com os amigos e deixe seu like. Pois, é… wordpress tem dessas também.

On the Nanquim: RIO 2031

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Recentemente fomos reapresentados a serie O Homem do Castelo Alto, um dos originais da Amazon Prime, o qual adapta o clássico livro de Philip K. Dick e que apresenta uma história alternativa onde os nazistas venceram segunda guerra mundial guerra. Os heróis brasileiros ganharam um pouco mais de destaque nacional, com obras como Alfa e Dias de Horror. E o ilustrador Gabriel Picolo fechou contrato com a DC comics para fazer uma serie dos Jovens Titãs. E apesar disso tudo, porque ninguém fala da Shockdom?

Sei que nada disso parece ter ligação, mas vou chegar lá. Primeiro deixe-me apresentar vocês a Shockdom. Uma editora italiana, que para a alegria dos brasileiros, chegou ao Brasil em 2017. E logo de cara já foi publicando obras nacionais, como a serie em tiras Razão e Emoção, além da inédita série de heróis Timed.

E é justamente de Timed que vamos falar aqui, começando com Rio 2031. Um ponto de partida para toda uma linha de histórias fantásticas, a qual vamos resenhar título por título aqui no Mangatom.

CAPA RIO

Mas o que tem de tão especial em Rio 2031. E a resposta está justamente no parágrafo inicial desse texto. Num futuro não muito distante o mundo vê um súbito surgimento de super seres, porém não naquela ideia de Marvel e DC onde poucos são dotados, e sim algo que se assemelha a My Hero Academia, fazendo assim com que super-humanos superem em número os sem poderes, porem com um twist.

Em My Hero Academia quando os primeiros poderosos surgiram existiu conflito, mas é algo pouco mencionado, pois não diz respeito ao enredo, o qual mostra um mundo de heróis muito depois do surgimento. Enquanto em Rio 2031 os heróis, aqui chamados Timed, surgiram a pouco tempo, e em números alarmantes, o que acabou encadeando na Guerra Fria. Pois no mundo de Timed esse evento nunca havia ocorrido, e quando surge vem de maneira similar ao ocorrido no já mencionado O Homem do Castelo Alto, assim criando uma linha de história alternativa.

A Guerra Fria de Timed é um conflito pela supremacia entre os Estados Unidos e a Rússia, com a visão de ser a guerra para acabar com todas as outras guerras. Porem ao invés de se focar em investimentos na tecnologia, se trata de uma corrida para ver quem tem os melhores super-humanos e que pode utilizar das forças deles para mudar cenários ao redor do mundo, e assim assimilar tais localidades como aliados.

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E na frente dessas duas superpotências temos duas megacorporações, a Newstate, nos estados unidos, e a Thenation na Rússia. Sendo assim não temos um embate entre capitalismo e comunismo, e sim entre duas formas distintas de capitalismo. Algo que infelizmente é mal explorado na trama, e acaba caindo mais como uma ferramenta para o autor discutir problemas sociais, assim fazendo de Rio 2031 mais uma ficção social do que cientifica, mesmo tendo mechas e carros voadores em segundo plano.

Uma perda imensa, mas que acaba destacando o ponto alto da trama. Apesar do HQ ser de heróis, eles não são lá essas coisas. As personalidades são legais, mas não temos tempo de nos sentirmos atraídos por eles, e os poderes são basicamente o seu típico time dos X-Men, com algumas mudanças interessantes que logo falo. Menciono eles, pois é justamente essa abordagem social que dá charme a trama e não os poderosos.

Para alguns isso vai soar como algo escroto, mas pense nos Timed como recursos narrativos para se passar não uma mensagem, mas um questionamento. Com dois grupos em conflito, mesmo tendo um lado vencedor e um perdedor, acabamos acompanhando por igual a visão de ambos, junto do ponto de vista de cada personagem, por mais ínfimo que seja, assim nos fazendo tomar um lado, mesmo que inconscientemente. Ou seja, temos uma rara história sem protagonistas, com um enredo bem trabalhado e uma boa construção de mundo, daqueles que faz você querer mais ao final da trama.

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E nesse momento acho que me precipitei, pois já deixei bem claro que gostei imensamente da proposta de Rio 2031 e da série Timed, porem a resenha não acabou, pois chegou a hora de tocar no porque esse é um HQ interessante sobre heróis, mesmo eu tendo posto eles meio que de escanteio. O que obviamente complementa boa parte do que falei.

Enfim, Timed. Porque Timed? Sim, existe um motivo por trás do nome. Conhecem o Homen-Hora ou anime Tiger & Bunny? Se não, deixa eu explicar. Em ambos os exemplos o herói possui um poder incrível que pode ser utilizado por apenas uma hora. Mas e se, após essa uma hora de ativação, o herói morrer? Esses são os Timed. Heróis que tiveram seus poderes despertados e que desde então sabem o tempo que tem nesse mundo. Porem nada de 1 hora, e sim espaços como 5 ou 7 anos de vida.

É muito? Sim e não. Esse é o tempo que nos é apresentado em Rio 2031. Porém é deixado claro que esse tempo vai variar de pessoa para pessoa, sem contar que você não precisa ser um gênio para saber que isso pode ser usado para afetar a psique de um personagem. Algo que não foi explorado em Rio #1, mas que pode causar um impacto fantástico em edições futuras ou em outras series da linha Timed. Sendo este, ao menos para mim, um chamariz imenso para ir atrás dos outros títulos da Shockdom.

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Voltando rapidamente aos heróis de Rio 2031, apesar deu ter comparado a X-Men, existe um outro detalhe, além do tempo de vida, que separa este da série da Marvel. E por incrível que pareça também tem ligação com os poderes. Pois aqui um personagem com super velocidade não tem apenas super velocidade. Ele possui um poder complementar de super resistência para aguentar o atrito durante a movimentação. E na mesma ótica uma heroína com intangibilidade também possui levitação, assim evitando que ela atravesse o chão indeterminadamente. Ainda são Mercúrio e Lince Negra, porem com uma lógica maior aplicada em cima dos poderes.

E eles ganham vida graças ao Brasileiro Gabriel Picolo, o qual mencionei no começo. Um ilustrador de mão cheia, super gente fina, que tem ideias incríveis, como desenhar os Titãs em roupa casual, o que lhe garantiu o trampo na DC, desenhar a famosa série 365 Days of Doodles e criar o “romance moderno” Ícaro e o Sol. Uma serie de ilustrações que coloca o mito clássico como dois jovens apaixonados. Um favorito pessoal meu. Mas que não menciono atoa. Pois a personagem Sol serve claramente de base para a heroína Magick. O que me leva a pergunta, onde ele enfiou o gato preto em Rio 2031? Vou deixar essa solta para os fãs do Picolo responderem.

E junto dele temos o italiano Giuseppe Andreozzi, o que torna essa uma obra Ítalo-brasileira. Você provavelmente ouviu pouco dele, pois é um cara focado mais em estudo, sendo fundador e professor de roteiro da Creativ Art School, e antes de ir para a Shockdom trabalhou apenas em um projeto, a série de zumbis Mors tua. Sua primeira obra na editora foi Black Screen, a qual ainda não tem previsão de sair no Brasil.

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Com isso temos juntos 2 quadrinista bem experientes, que vieram polindo suas habilidades ao longo dos anos, mesmo que não fazendo HQ em si. O que não é um demérito, pelo contrário. Falo de um ilustrador fantástico de longa data e um roteirista que ensina milhares sua arte. Um time extremamente competente que trouxe uma das HQs de heróis mais interessantes dos últimos anos.

É algo excepcional? Não. Mas é um quadrinho de herói muito bom! E isso que vale as vezes saca. Ignore os clichês de um gênero saturado e busque enxergar o diferencial. Eu tenho certeza que você verá isso em RIO 2031, e quem sabe nas outras series da Timed. Tá curioso? Pois bem, já dou uma canja. Pois nos dias seguintes eu vou resenhar aqui justamente os títulos que dão continuidade a ideia desse mundo, os quais são Vidas de Papel e O Canto das Ondas. Ainda não li essas, mas estou empolgadíssimo!

E você, o que achou de Rio 2031? Animou para ler? Achou uma ideia batida? O que acha que é necessário para um HQ de herói decolar? Comenta aí para a gente nos comentários. Ah, é não deixa de curtir! Tem dessas no WordPress também. =P

On The Nanquim: Beasts of Burden

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 Sei que muitos estão curiosos para saber do que se trata Beasts of Burden por ser um lançamento do Pipoca & Nanquim. Não apenas uma editora, mas fonte de muitos para se conhecer novas obras. Porém não foi isso que me fez ir atrás do título, e sim um fato talvez menor para vocês, mas grandioso para mim. Um simples elogio de Mike Mignola, autor de Hellboy.

Hoje sei que existe uma certa amizade entre os autores das obras, e inclusive um crossover que junta os personagens, logo a quem diga ser uma “venda casada”. Porém não acredito ser esse o caso. O HQ é sim de qualidade, seja esta atestada por Mignola ou pela façanha de levar o Prêmio Eisner em diversas categorias, em 2004, 2005, 2007, 2010 (em duas), 2011 e 2015, o que não é para qualquer um.

Beasts of Burden certamente é um fenômeno. E ah aqueles que não entendam o porquê. Em seu exterior vemos um livro sobre cachorros falantes em aventuras, o que logo remete a Disney e filmes infantis como Bud ou Beethoven. Quando na verdade seria preferível associar a obras como Martin Mystere, IT ou o recente Stranger Things.

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No enredo acompanhamos um grupo de cães, e ocasionais gatos, que vivem na pacata cidade de Burden Hill. Um local envolto em mistérios que tem tido um aumento alarmante no número de casos sobrenaturais. O que leva eventualmente o grupo a se tornar uma espécie de vigia contra o mal, assim reforçando os ranques da mítica Sociedade dos Cães Sábios.

Inicialmente a história é apresentada de forma episódica sem um objetivo central, por fim caminhando para coisas vagas como “defender a área” ou “encontrar a fonte do mal”, o que deixa muito em aberto, assim dando uma liberdade enorme ao autor. Algo que Evan Dorkin (Dork, Superman and Batman: World’s Funnest) utiliza com maestria.

E assim somos presenteados com histórias curtas com fantasmas, zumbis, entidades cósmicas, e todo o panteão de seres sobrenaturais, conhecidos ou não pela massa, e até mesmo alguns surgidos de acontecimentos reais, como o Rei Rato e a chuva de sapos. Se não algo com base em obras consagradas, nem que brevemente. Como ocorre no capítulo 4, onde vemos obvias referências a Um Lobisomem Americano em Londres e Em Busca de Watership Down.

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Montagem com diversas páginas para ilustrar as referencias a Um Lobisomem Americano em Londres e Watership Down.

Porém o que brilha no fim sãos os personagens, suas personalidades e como eles lidam com a situação, além da clara mescla entre comedia, terror e drama. Aqui cada um dos animais recebe uma característica ampliada. Ace é o líder, valente e decisivo. Rex e forte, valentão, porem medroso. Pugs e metido, sarcástico e ranzinza. Whitey é brincalhão, agitado e fala o que vem. Jack é calmo e centrado. E Orphan é esperto e safo.

São personalidades conflitantes e complementares ao mesmo tempo, que trabalham juntas para criar um clima de comedia ou tensão de forma incrível. Você se importa com eles, como grupo e como indivíduo. Algo posto à prova nas sequencias de drama e suspense. Você fica com o coração na mão. Ainda mais que secundários muitas vezes são descartados num piscar de olhos e de forma brutal. Afinal aqui não se poupa detalhes para o gore.

Tudo isso no belíssimo traço e cores de Jill Thompson (Sandman, Mulher-Maravilha). Sendo aqui aplicado um detalhamento que me deixa estupefato. Cada animal e monstro apresentado e desenhado de maneira estupenda, sendo fácil diferenciar os diversos tipos de pelagem, além da interação destes com elementos diversos, como água ou vento. Mas o que realmente impressiona e como ela consegue demonstrar expressões tanto faciais como corporais de maneira perfeita. Quase humana, talvez?

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Sendo assim é inegável afirmar que Beasts of Burden é um trabalho de extrema qualidade, perfeito para quem busca uma aventura mais dark e não enjoa fácil com gore. Uma obra adulta e profunda sem igual e que não pode faltar na coleção. Logo parabenizo o Pipoca & Nanquim pela escolha da publicação e espero ansioso pelo próximo álbum.

Vale ressalvar que Rituais Animais, o primeiro encadernado, conta com 8 historias, publicadas pela Dark Horse entre 2003 e 2009, mais extras, assim totalizando 188 páginas em capa dura com verniz e lombada em material que remete a couro.

 

Outras 6 historias foram publicadas pela Dark Horse, entre 2010 e 2016, incluindo o crossover com Hellboy, e devem no futuro compor outra edição.

Todas as 14 histórias conjuntas ainda não finalizam a obra, e, portanto, Beasts of Burden se encontra em publicação, com 4 historias previstas na série principal e uma minissérie paralela com Benjamin Dewey (The Autumnlands, I Was The Cat) que contará acontecimentos envolvendo a Sociedade dos Cães Sábios. Ambos dando continuidade de onde parou a série.

No momento a edição física se encontra indisponível na Amazon e deve haver uma reimpressão em Março. Ainda assim e possível adquirir a versão brasileira em formato digital, também por meio da Amazon. E caso isso não te satisfaça, não se alarme. Tenho certeza que garimpando um pouco você deve encontrar o HQ uma hora ou outra em sebos ou similares, sem contar que sempre existe a opção de pegar a versão da Dark Horse, a qual recentemente foi republicada.

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On the Nanquim: A Saga do Tio Patinhas

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Sei que é estranho fazer um review de A Saga do Tio Patinhas em pleno 2017. Afinal, todo mundo conhece o personagem. Dentre os nerds metade sabe que o quão importante é a história de Don Rosa e a prestigia. Já a outra metade também conhece a obra, porem a evita sobe aquele velho pretexto de que “Disney é infantil”, em certos casos chegando ao cumulo de afirmar que “Disney só tem merda”. Algo absurdo nos dias de hoje, mas que infelizmente existe. Leia o resto deste post