Arquivo da categoria: Resenha

Resenha: Gamma – E o porquê fanservice nem sempre é a escolha certa

gamma

Esse review foi solicitado por shoucobo, um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! LINK: https://discord.gg/pr2Uhu

No início Gamma me deixou com uma pulga atrás da orelha. Eu não sabia se lia, se não lia. Pois veja bem, por mais que seja indicação de alguém, e por mais que eu deva respeitar tal indicação por ter solicitado ela, o mangá tem um traço que não me agrada muito, além de gêneros que eu não tenho o costume de ler, e existe fanservice na obra, algo pelo qual eu tomei um certo desgosto com o passar dos anos. Fora ter poucos volumes e cara de cancelamento.

Mas vejam bem, eu não digo isso por frescura. Parte do motivo deu deixar essa minha impressão inicial bem clara e por eu achar que talvez isso me torne imparcial ao analisar esta obra, e no caso dos gêneros que leio pouco, como Yuri, eu os refiro aqui para deixar claro que tenho pouca experiência quando se trata de analisar esse tipo de conteúdo.

062

Voltando aqui rapidamente ao fanservice, eu queria deixar bem claro o porquê eu tomei um certo ódio das tão populares “exibições gratuitas”. Eu gosto de ver cenas eróticas, não me levem a mal. E eu também amo quando o autor faz referências, insere cenas exageradas e afins para agradar aos fãs. Literalmente a essência de fanservice.

Porem esses agrados, independente do que sejam, muitas vezes não agregam nada ao plot. São pontos mortos na trama, que se muito utilizados podem fazer ela parecer até mesmo fútil. Principalmente quando falamos do tal erotismo que mencionei. E se não atrapalha a obra como um todo por conta de quantidade, então fere diretamente o ritmo ou é apresentada em momentos onde o fanservice seria totalmente desnecessário.

Esses dois últimos pontos são exatamente as cenas mais quentes de Gamma. O mangá possui sim um plot, e episódico por sinal. O que é algo que acaba fazendo a obra ter um prejuízo menor devido a inserção de fanservice. Porém o enredo tem pedaços que passam a ser explorados continuamente, assim culminando em algo sequencial. O que por fim prejudica a obra, ao menos se levarmos em conta o erotismo.

038 (1).png

Gamma possui dois tipos de fanservice. Cenas com erotismo feminino e referências a cultura otaku / nerd. Eu poderia colocar também o exagero aqui, como bem mencionei no início, porem acho que remover isso 100% de algo focado em ação não faz muito sentido. Quando falo de exagero penso em cenas como um barco saltando numa rampa e atingindo um helicóptero, porem um pode muito bem argumentar que um golpe de espada seguido de explosão entraria na mesma categoria.

Enfim, voltando as garotas. Existe um relacionamento bem claro entre elas, mas as vezes parece ser forçado demais pelo autor. Como se ele próprio shipase x com y. E o siscon que ocorre durante quase todo o mangá realmente me incomoda. Diria que esse ponto da relação das irmãs protagonistas e o elo mais fraco entre o fanservice bom e o ruim. Pois ele é daqueles que serve para nada e parece fora de lugar, visto o rumo pelo qual a obra caminha, que seria mostrar os heróis daquele mundo em situações pouco convencionais, muitas vezes bem dark.

E aqui vale ressaltar um ponto, especialmente para quem já leu. As duas garotas serem irmãs bem próximas que se gostam muito tem sim seu proposito no enredo, porem “~Yuri-PIE!~<3” e todo aquele “lore” de como elas se pegam, NÃO.

Para que descrever por exemplo que uma das garotas fica sensível ao toque num horário super especifico da noite logo após um personagem morrer? Entende o que digo? Faltou o bom senso do autor em saber colocar o fanservice num momento mais adequado e talvez fazer algo mais natural. Eu preferia mil vezes ler algo com a tag yuri onde duas garotas tem uma relação amorosa de verdade do que ver 500 outras cenas de banho conjunto que servem so para o leitor ver parte do corpo nu de uma garota.

e5ad70c8511ee0cff63c6a2de2dd2b55

Tirando isso, as outras cenas não são ruins no ponto do fanservice, mas acredito que sejam péssimas se tratando de Yuri. Apenas 2 garotas realmente desenvolvem algo mais natural e afetivo. Falo de romance mesmo, e canônico. Porem demora a obra inteira para isso ocorrer, e so se concretiza no último volume, o qual eu posso resumir com “to dando o foda-se”.

So que essa não seria uma fala minha, mas sim do autor. Pois no volume final da obra ele claramente inseriu tudo que tinha vontade, visto que o mangá claramente foi cancelado naquele ponto. Existem personagens com mudanças de design, troca de equipe, que foram jogados de escanteio ou que ganharam um proposito muito maior no plot em poucas páginas. Você nota que existia uma ideia muito mais ampla de por onde o enredo caminharia. Por consequência ali também surgem vários buracos no plot e so os pontos mais óbvios são finalizados.

Algo que infelizmente eu previ antes mesmo de ler a obra. Por um lado, fiquei chateado pois o enredo tinha potencial. As lutas eram passáveis, tem todo o lance do fanservice, e alguns podem achar até as referências um tanto demais, visto que são mais claras que água em copo de vidro. Porem existia em Gamma um lance pouco explorado. Ver os heróis pelos olhos de alguém mais comum, mesmo que este não seja realmente um civil, e ao mesmo tempo mostrar a parte mais humana desses heróis apresentando a fraqueza deles e as diversas situações pelas quais eles passam na eterna luta contra o mal.

018

Fora que até mesmo o exagerado número de “coincidências” com a cultura pop atual foi justificado de uma maneira legal. Você via paixão do autor nisso. Cada novo herói mostrado era uma nova expectativa, e quando a parada ficava dark e dramática os melhores momentos vinham à tona. Nem mesmo clichês, pois tem alguns aqui, e o tal fanservice parecia conseguir estragar isso, ao menos 100%. Acho que já falei bastante como certas coisas ficavam beeeem fora de hora.

Mas voltado ao final do mangá, o famigerado último volume do “foda-se”. O ponto mais claro de que a obra chegou ao fundo do poço e que pouca coisa agora importava foi justamente o fanservice. Ele já era um tanto apelativo antes por ter certas marquinhas que delineavam os bicos e a vagina das mulheres, mesmo que sutilmente. Agora no fim da obra seios eram expostos sem censura a bel-prazer e os pantsu shots rolavam soltos a cada novo quadro, tirando em parte até o foco das lutas, uma vez que os ângulos pareciam ser mais para mostrar calcinha do qualquer outra coisa. Sem contar apertos indevidos e muita chupação. UI!

012 (1).png

Ou seja, Gamma na minha visão não foi algo excepcional, mas na maior parte da run eu achei um mangá aceitável e interessante. As ideias aqui referentes ao mundo e aos heróis são de fato boas, e existem alguns momentos genuinamente dramáticos e bem trabalhados, porem a obra falha quando todos os elementos se juntam. Nem o Yuri, nem o fanservice caem bem na obra, e diria mais. Talvez nem mesmo o exército e as protagonistas se encaixem aqui.

O exército mal é explorado, já quanto as irmãs o único ponto interessante nelas e que uma delas é uma ex-heroína consultante. E para mim esses papeis poderiam ter sido feitos por qualquer outro personagem, pois o autor se concentra tanto no siscon que esquece de dar mais personalidade a elas e deixa a evolução de lado. Eu me importei bem mais com heróis como Hornet e Discharge do que com elas, e isso quer dizer muito.

Sendo assim, no fim eu recomendaria deixar de lado a leitura de Gamma e partir para algo mais produtivo, como bater punheta para os outros trabalhos do Ogino Jun. E pior que não falo isso brincando. O autor de Gamma acabou se dedicando bastante aos hentais após o termino do mangá, apenas lançando um one-shot vez ou outra, tendo emplacado algo maior apenas em 2017 com Toumei Ningen no Hone.

Mas vamos ser sinceros, depois de todo esse desejo que ele passou pro papel, sabemos que o lance dele e putaria mermo. Então vai lá e bate bronha sem medo. Melhor gastar alguns minutos se masturbando que investir horas lendo um mangá interessante, com final ruim e muitos erros que pode vir a te deixar puto. Vai por mim, so relaxa e goza.

Ah, e de bônus, o cara tem um set erótico sem censura com as personagens femininas de Gamma. E ele realmente manda bem nele viu.

Por fim, peço desculpas ao shoucobo por ter feito um review negativo da obra. Eu quase gostei, mas não deu. ^^” E para quem acha minha visão de fanservice antiquada ou que tenha qualquer outro comentário pertinente referente a obra, lhes convido a comentar ai embaixo. Afinal, vai que alguém consegue mudar minha opinião, né não?

Anúncios

Resenha: Enen no Shouboutai – O novo Soul Eater?

Enen

Atenção: Texto com base nos capítulos de 01 a 89. Nada após isso foi levado em conta para a criação da resenha e assim que o mangá acabar, se necessário, faremos um novo review completo.

Enen no Shouboutai é um daqueles mangás que é impossível não dizer “fica legal depois do capitulo X”. Obvio, você gostar ou não do começo vai depender de seus gostos e experiências, mas não custa informar que é um início lento e repleto de clichês. Algo que não chega aos pés de Souls Eater, grande comparativo utilizado para justificar a qualidade do título, pois muitos o posicionam como obra prima de Atsushi Ohkubo.

Não digo que está errado comparar as duas obras, ainda mais sendo estas do mesmo gênero e do mesmo autor. Mas falar isso lendo cerca de 5 capítulos não é um pouco injusto? Não falo de dizer que é inferior, mas sim afirmar que se trata de algo extremamente ruim. O início de fato não ajuda, mas isso pôr o autor ainda não ter se decidido sobre o rumo do mangá.

008.png

Veja bem, Enen no Shouboutai começa como um shounen de luta genérico, e sobe ele o hype de um autor que acabara de finalizar um sucesso mundial, sem contar o tema diferente da obra. Bombeiros com poderes de fogo que lutam contra humanos que entram em combustão e nisso se tornam um ser monstruoso de fogo e cinzas.

Eu tive esse hype, eu me decepcionei. Não sou imune a isso. Aceito dizerem que o inicio é uma merda. Começa com esse pretexto de “purificarem” seres de fogo, explora muito pouco os poderes e as lutas são medianas. Diria que boa parte do início e um tempo excruciante de construção de personagens. E o típico torneiro “levanta defunto” surge no capítulo 5, dando a impressão de fracasso eminente.

O próprio torneio tem pouquíssimas lutas, servindo mais como pretexto para mostrar cenas de ecchi. Mas ali já começa a surgir ideias que vão ser bem utilizadas no futuro. Temos a apresentação de diversos capitães e comandantes, alguns outros membros de brigada e o enigmático personagem Joker. Também nesse ponto que aflora o interesse no passado de Shinra, o principal.

4.jpg

Porem aí vem o que considero o pior problema de Enen no Shoubotai, os interlúdios. Tanto antes como após o torneio existem capítulos de “pausa”, digamos. Um momento para aliviar o leitor da tensão. E esses são péssimos… Arthur e Shinra brigando, Maki ficando brava, Tamaki perdendo as roupas, Hinawa assustando os novatos, e assim vai. Isso combinado ao resto que falei do início e quase insuportável, não vou mentir.

Depois disso temos um arco chato de combate entre 2 brigadas, e perto do capítulo 20, final do arco, que finalmente recebemos um real feedback sobre o que se trata o mangá. Existe uma pessoa, ou grupo, criando combustão artificial. O evento que transforma humanos em feras de fogo. Além disso a brigada 8, a principal, tem a missão secreta de juntar informações das outras brigadas. Assim criando uma certa conspiração.

Ou seja, aquilo que afirmei no começo, “fica legal depois do capitulo X”, basicamente sou eu me referindo que do 20 em diante Enen no Shoubotai realmente mostra a que veio, se tornando no mínimo interessante, e desse ponto em diante só melhora. Logo podem ver o porquê eu acho injusto afirmar que se trata de um mangá ruim sendo que a pessoa argumentando nem deu chance.

20.png

Ainda assim o que falei anteriormente é verdade. O começo é maçante ao ponto de parecer que você leu muito mais do que realmente teria consumido, e infelizmente os interlúdios continuam. O que realmente muda e o foco do autor, que agora investe muito mais nessa conspiração e ao final do arco que se inicia no capítulo 21 temos finalmente vilões e lutas dignas.

Diria que nesse ponto Enen no Shouboutai começa a tirar proveito de elementos que fizeram Soul Eater um sucesso, o que deveria ter sido o caso desde o começo. Mas ainda assim a obra mantem sua identidade inicial, aflora seus conceitos únicos e entrega um personagem cativante atrás do outro. Sem contar que os chars iniciais se destacam cada vez mais.

Desenhos que extrapolam, ligação entre o bem, o mal e o sobrenatural, poderes criativos e personagens insanos são apenas alguns dos destaques dessa “reconstrução”. Mas diria que o ponto alto são os inimigos de branco, os demônios e o fucking uso de relatividade quântica, multiverso e viagem no tempo. E isso sem ficar confuso ou ferrar toda a timeline.

enen-no-shouboutai-ch-77-pic-10.png

Literalmente Enen no Shouboutai parte de um início genérico para algo que mistura sobrenatural e ficção cientifica, cria um mundo único, acrescenta personagens e poderes fantásticos e de quebra chega num nível de apelação que vai agradar muitos fãs de shounen de porrada. E é por conta disso que digo, não julgue so pelo começo. De uma chance e aproveite enquanto o mangá estiver nesse constante salto de qualidade.

 

Apoie o Mangatom! – Confira o projeto no Padrim

CLICK AQUI PARA APOIAR O MANGATOM! 

Então gente, a alguns dias atrás eu lancei no Twitter uma pesquisa perguntando o que os inscritos, tanto do canal como do site, achavam da ideia de criar uma página de financiamento coletivo para o Mangatom. Leia o resto deste post

Resenha: Nigeru Otoku (O Homem que Foge)

nigeru-otoko

Existem certas obras que você lê, curte algum detalhe, detesta outro, e por mais que lhe agrade se chegar alguém para lhe perguntar “E então, o que achou?” você trava. Não sabe exatamente o que comentar a respeito. E foi assim que terminei minha leitura de Nigeru Otoku, O Homem que Foge. Sem conseguir me expressar.

Leia o resto deste post

Resenha: Dragon Head

Dragon Head

Esse é um daqueles títulos em que fico realmente sem saber se recomendo ou não, mesmo tendo gostado. Pois a conclusão e as reviravoltas contidas na obra são daquelas que vão cair no gosto de uns e serem odiadas eternamente por outros, fora alguns fatores que simplesmente devem afastar leitores independentemente do entusiasmo. Leia o resto deste post

Resenha: Koe no Katachi (A Voz do Silêncio)

Koe no Katachi

Atenção: Esse texto tem como base a obra completa de 2013, assim se referindo ao ocorrido em 7 volumes.

Quando eu termino de ler algo já busco juntar ideias e ir direto escrever, mesmo que saia algo ruim, apenas para registrar o pensamento e depois reescrever contendo aquilo que achei interessante inicialmente. Mas em raras ocasiões a obra me afeta de alguma forma que me impede de realizar tal ato, seja por me fazer sentir triste, eufórico ou pensativo. E no meio disso temos Koe no Katachi, que me deixou… chateado. (?) Leia o resto deste post

Resenha: Black Paradox

black-paradox

Quando um quadrinho vem descrito como uma série de histórias de temática similar você não duvida que seja uma coletânea, mesmo que os personagens se repitam, ainda mais quando Junji Ito é o nome por trás da obra. Nada impede também que apenas a estética seja similar ou que o principal morra e reviva em cada conto. Leia o resto deste post

Resenha: Hideout – O Ápice da Loucura

hideout
No segundo dia de nosso especial de Halloween damos de cara com o maior de todos os monstros. Inteligente, cruel, vingativo, audaz e o maior vilão de The Walking Dead. Zumbis? Quem disse isso? Falo do ser humano. Leia o resto deste post

Resenha: Ghost in the Shell

ghostintheshell

Leia o resto deste post

Resenha: Haikyuu!

haikyuu Leia o resto deste post