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On the Screen: I Lost my Body – As desventuras de uma mão decepada

Existem momentos que eu quero apenas parar tudo e ver um filme. Não por entretenimento, mas para ter aquele momento so meu. Me isolar de tudo, entrar em outro mundo, ter a minha solidão controlada. Eu poderia colocar isso de várias maneiras. Mas sim, tem momentos que preciso desse escapismo.

Nisso eu resolvi assistir à animação francesa I Lost my Body. Não cheguei a ver trailers, mas bastou alguns gifs da Catsuka e a sinopse de uma mão andando por aí sem corpo para eu me ver fisgado. Sabia que seria um filme adulto, mas essa premissa me deixava esperançoso por uma aventura a lá Toy Story, naquele típico mundo diminuto, so que com um pedaço de corpo decepado.

 E olha, o filme entrega nessa parte. As cenas da mão, que por sinal tem desde o início, sequem um estilo bem de jornada do herói, apesar de não sabermos de fato como ela se soltou e porque tudo o que é mostrado… bem… é mostrado.

Alternando com a mão em apuros temos cenas de lembranças do membro, muito bem orquestradas, que parecem focar nos momentos mais importantes do uso das mãos do protagonista Naoufel. São momentos tênues, de nostalgia, que se repetem muito durante o filme, so que cada vez com mais detalhes adicionados. O ponto perfeito para partir do agradável ao dramático.

Com o tempo descobrimos que Naoufel é órfão devido a um acidente e ao invés focar apenas no passado distante o filme passa a mostrar um passado próximo, pouco antes de ocorrer a perda. Nesse ponto o enredo passa para drama, slice of life e romance. E eu devo dizer, isso foi algo muito bem-vindo

O diálogo que inicia tudo isso é simplesmente genial e o filme segue assim se segurando nesses diálogos e na urge do espectador de descobrir não apenas o mistério da mão e se Naoufel está vivo, como também descobrir mais sobre a vida e personalidade do protagonista. Além de entendermos melhor os secundários Gabrielle, Gigi e Raouf.

Você fica completamente imerso ao filme, talvez saindo dessa apenas quando ocorre queda de frames. Isso pois existem alguns momentos, especialmente na oficina de Gigi, que o filme parece dar umas engasgadas na animação. O que é bem estranho, visto que nenhuma das cenas rápidas tem esse problema. O filme engasga justo em diálogos, e isso não dá para aceitar. Por mais que seja um por menor que não estraga nada do filme.

Apenas quero dizer que o estúdio deveria ter tido mais cuidado com isso, por mais que esse filme tenha cara de ter tido uma animação demorada e custosa. Não tenho certeza do que vou falar aqui, pois não achei fontes. Porém o filme me parece ter sido feito em rotoscopia. Isso quer dizer que pessoas reais foram gravadas e então o artista fez cada frame em cima dos frames captados pela câmera. Algo que poderia justificar minha reclamação anterior e comprovar a teoria de que isso aconteceu por falta de tempo.

Eu baseio isso que digo por um único comentário que achei na Variety, onde o animador dizia que eles tiveram de gravar a mão em diversos ângulos. Assim dando a entender que uma mão, ainda presa a um braço, espero, haha, foi gravada fazendo os movimentos das cenas de ação. So não digo 100% que isso foi rotoscopia, pois gravar algo assim pode apenas ser um ponto de referência. Entender melhor ângulos de câmera e movimento dos dedos, por exemplo.

Porem sendo rotoscopia ou não, tendo falha nos frames ou não, o filme ainda é extremamente bem animado. Ele é bem fluido, orgânico, e com um estilo que me lembra quadrinhos. Foge de heróis? Logico. Mas eu falo mais de obras voltadas ao Slice of Life, como Local, que é bem a ideia do filme. Vermos o cotidiano do principal.

A mão é interessante e tem um propósito que gostaria de mencionar no final desse texto, mas o astro e sem dúvida Naoufel. O corpo, digamos. Pois é muito fácil você assistir e conseguir simpatizar com ele e os demais personagens e até mesmo se botar na situação dele, por mais que todas elas sejam bem absurdas, quase surreais para o mundo real, e ainda assim extremamente criveis.

O roteiro, da maneira que é apresentado, com a troca entre a mão e o garoto e todo o jogo de edição, dubladores excelentes e músicas muito bem selecionadas é foda. Não tem outra palavra para descrever. O filme é superinteressante, e é por isso que seu maior pecado é terminar. E não falo isso pois eu queria mais. Digo isso pois era necessário mostrar mais.

I Lost My Body é claramente algo experimental, e por isso eu meio que duvido de uma sequência. Não existe um grande plot twist no final ou o que seja. O filme chega num clímax, que eu até diria que é bom, e então acaba. So que o ruim é que ele não encerra absolutamente nada. Não tem final. O momento impactante vem, graças a deus descobrimos como ele perdeu a mão e os créditos rolam. E isso para mim, desculpa, é uma merda.

E eu já sei o que vai rolar. Eu usei a palavra M num review. Vão ignorar todo o resto que tenho para dizer e me xingar, pois a desgraça da falta de interpretação leva a acharem que eu odeie o filme, apesar de todos os elogios.

O filme é bom, vale a pena ver sim. Mas o final é frustrante e poderia ser muito melhor. So que o lance é o seguinte, eu não posso falar desse final sem dar spoilers. Eu eu genuinamente não quero entregar nada muito relevante do filme. Eu nem ao menos queria mencionar os pais do garoto, e olha que isso o filme entrega rápido.

Porém, eu gostaria de comentar um spoiler especifico, sobre a mão, que tem a ver com o final. Logo a partir desse ponto peço que pare de ler se não viu o filme. Assiste ele e então vem aqui, leia o resto do texto e depois bora conversar. Beleza?

Para ler o resto, click na página 2 abaixo.

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Algo que sem dúvida é atrativo, e que um dia tenho de me pôr a experimentar, mas passa longe do real tema deste texto. Existe sim um amplo local aberto, e se quiser pode levar comida e se aconchegar na grama, apesar de ser preferível conhecer os diversos food trucks do evento e com certeza você não terá paz e sossego para ler ao som da música que contagia o festival. Leia o resto deste post

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