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On The Nanquim: Beasts of Burden

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 Sei que muitos estão curiosos para saber do que se trata Beasts of Burden por ser um lançamento do Pipoca & Nanquim. Não apenas uma editora, mas fonte de muitos para se conhecer novas obras. Porém não foi isso que me fez ir atrás do título, e sim um fato talvez menor para vocês, mas grandioso para mim. Um simples elogio de Mike Mignola, autor de Hellboy.

Hoje sei que existe uma certa amizade entre os autores das obras, e inclusive um crossover que junta os personagens, logo a quem diga ser uma “venda casada”. Porém não acredito ser esse o caso. O HQ é sim de qualidade, seja esta atestada por Mignola ou pela façanha de levar o Prêmio Eisner em diversas categorias, em 2004, 2005, 2007, 2010 (em duas), 2011 e 2015, o que não é para qualquer um.

Beasts of Burden certamente é um fenômeno. E ah aqueles que não entendam o porquê. Em seu exterior vemos um livro sobre cachorros falantes em aventuras, o que logo remete a Disney e filmes infantis como Bud ou Beethoven. Quando na verdade seria preferível associar a obras como Martin Mystere, IT ou o recente Stranger Things.

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No enredo acompanhamos um grupo de cães, e ocasionais gatos, que vivem na pacata cidade de Burden Hill. Um local envolto em mistérios que tem tido um aumento alarmante no número de casos sobrenaturais. O que leva eventualmente o grupo a se tornar uma espécie de vigia contra o mal, assim reforçando os ranques da mítica Sociedade dos Cães Sábios.

Inicialmente a história é apresentada de forma episódica sem um objetivo central, por fim caminhando para coisas vagas como “defender a área” ou “encontrar a fonte do mal”, o que deixa muito em aberto, assim dando uma liberdade enorme ao autor. Algo que Evan Dorkin (Dork, Superman and Batman: World’s Funnest) utiliza com maestria.

E assim somos presenteados com histórias curtas com fantasmas, zumbis, entidades cósmicas, e todo o panteão de seres sobrenaturais, conhecidos ou não pela massa, e até mesmo alguns surgidos de acontecimentos reais, como o Rei Rato e a chuva de sapos. Se não algo com base em obras consagradas, nem que brevemente. Como ocorre no capítulo 4, onde vemos obvias referências a Um Lobisomem Americano em Londres e Em Busca de Watership Down.

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Montagem com diversas páginas para ilustrar as referencias a Um Lobisomem Americano em Londres e Watership Down.

Porém o que brilha no fim sãos os personagens, suas personalidades e como eles lidam com a situação, além da clara mescla entre comedia, terror e drama. Aqui cada um dos animais recebe uma característica ampliada. Ace é o líder, valente e decisivo. Rex e forte, valentão, porem medroso. Pugs e metido, sarcástico e ranzinza. Whitey é brincalhão, agitado e fala o que vem. Jack é calmo e centrado. E Orphan é esperto e safo.

São personalidades conflitantes e complementares ao mesmo tempo, que trabalham juntas para criar um clima de comedia ou tensão de forma incrível. Você se importa com eles, como grupo e como indivíduo. Algo posto à prova nas sequencias de drama e suspense. Você fica com o coração na mão. Ainda mais que secundários muitas vezes são descartados num piscar de olhos e de forma brutal. Afinal aqui não se poupa detalhes para o gore.

Tudo isso no belíssimo traço e cores de Jill Thompson (Sandman, Mulher-Maravilha). Sendo aqui aplicado um detalhamento que me deixa estupefato. Cada animal e monstro apresentado e desenhado de maneira estupenda, sendo fácil diferenciar os diversos tipos de pelagem, além da interação destes com elementos diversos, como água ou vento. Mas o que realmente impressiona e como ela consegue demonstrar expressões tanto faciais como corporais de maneira perfeita. Quase humana, talvez?

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Sendo assim é inegável afirmar que Beasts of Burden é um trabalho de extrema qualidade, perfeito para quem busca uma aventura mais dark e não enjoa fácil com gore. Uma obra adulta e profunda sem igual e que não pode faltar na coleção. Logo parabenizo o Pipoca & Nanquim pela escolha da publicação e espero ansioso pelo próximo álbum.

Vale ressalvar que Rituais Animais, o primeiro encadernado, conta com 8 historias, publicadas pela Dark Horse entre 2003 e 2009, mais extras, assim totalizando 188 páginas em capa dura com verniz e lombada em material que remete a couro.

 

Outras 6 historias foram publicadas pela Dark Horse, entre 2010 e 2016, incluindo o crossover com Hellboy, e devem no futuro compor outra edição.

Todas as 14 histórias conjuntas ainda não finalizam a obra, e, portanto, Beasts of Burden se encontra em publicação, com 4 historias previstas na série principal e uma minissérie paralela com Benjamin Dewey (The Autumnlands, I Was The Cat) que contará acontecimentos envolvendo a Sociedade dos Cães Sábios. Ambos dando continuidade de onde parou a série.

No momento a edição física se encontra indisponível na Amazon e deve haver uma reimpressão em Março. Ainda assim e possível adquirir a versão brasileira em formato digital, também por meio da Amazon. E caso isso não te satisfaça, não se alarme. Tenho certeza que garimpando um pouco você deve encontrar o HQ uma hora ou outra em sebos ou similares, sem contar que sempre existe a opção de pegar a versão da Dark Horse, a qual recentemente foi republicada.

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Atom 5: Jogos para fugir do Natal

Não curte o Natal ou está de saco cheio de reuniões de família? Então se prepare, pois está lista é para você! Uma fina seleção dos melhores games para poder passar o feriado trancado no quarto, so você e teu amado computador. Diz se esse não é o significado do Natal?

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Indie-A-tom: Figment – Uma aventura pela mente humana

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Existem certos momentos da vida em que você se depara com algo único, ou no mínimo diferente das experiências que teve até então. E videogames não é exceção. Sempre vai ter aquele jogo que marcou e que você não consegue encontrar nada igual no mercado, seja para o bem ou para o mal.

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Indie-A-tom: The Search – Uma busca pelo artista interior

The Search é uma daquelas ideias onde fico sem saber se realmente devo ou não considerar um jogo, pois apesar de possuir elementos que considero fundamentais para tal, como liberdade de movimento e obstáculos, pontos que em parte definem o que é gameplay, o apresentado e tão único que é impossível não entrar nesse dilema. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: The Frostrune – Uma Aventura Nórdica

Jogos que apresentam um contexto histórico e cultural corretos, sem apelar para distorções que os coloque mais favoráveis ao mercado alvo, como se mesclar com outras regiões e mitologias, e algo raro. Leia o resto deste post

Os Melhores Jogos Indie de 2016

E ae galera, Zigfrid na área, e dessa vez com o TOP INDIE 2016!

Para muitos o ano se resumiu a tretas políticas, terrorismo, desastres e ser xingado por não passar na escola, o que é muito pior que tudo isso. Brincadeiras à parte, eu sempre detestei essas retrospectivas, que parecem ditar que so acontece merda na vida.

Para mim o ano de 2016 se resumiu a fortalecer vínculo com editoras e autores, poder participar de alguns dos eventos mais legais do país e criar este canal, assim adentrando o mundo dos YouTuber, e mais do que isso, conhecendo títulos independentes fantásticos.

Pois bem, então vamos listar esses jogos, por que não? Leia o resto deste post

Resenha em Massa – Franquia Coraline

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De livro para quadrinho, de quadrinho para o cinema. Adaptação. Uma palavra que gera medo no coração de todos os nerds. Adorada por uns, odiada por outros, mas ainda assim temida, pois mesmo aqueles que tomam a notícia por algo bom sabem as chances que isso tem de dar errado. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: Oceanhorn – Clone de Wind Waker?

Neste vídeo falamos de Oceanhorn: Monster of Uncharted Seas, um action RPG nos moldes de Zelda que pode ser melhor descrito como o Wind Waker indie.

On the Nanquim: Bem Melhor Agora

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Então, no finzinho do mês passado resenhei “3 Histórias Curtas”, uma quase nova coluna que pretendo manter com certa periodicidade se der, e dentre as HQs escolhidas estava Terezinha, do autor Isaac Tiago. Ele gostou bastante de fazer parte do post e perguntou se eu não gostaria de escrever sobre sua primeira obra, “Bem melhor agora”, e porque não?

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Resenha em Massa: Múltipla Escolha + The Hype

hype Leia o resto deste post