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On the Screen: Infinity Train (Temporada 1) – Surpresas infinitas

Eu normalmente não falo de temporadas aqui e raramente escrevo sobre series em andamento, mas Infinity Train é uma exceção. Isso pois esse cartoon seque uma estrutura similar a series como True Dectetive onde cada temporada é um enredo, com a diferença de que a temporada 2 puxa elementos e personagens da primeira, até porque se passa no mesmo mundo. O tal trem infinito.

Mas como se deu isso numa serie do Cartoon Network? Bem, Infinity Train surgiu como um piloto de uma serie em meados de 2010, então em 2016 foi publicado como um curta no aplicativo VOD do Cartoon Network e no canal do YouTube, de maneira similar ao que faziam no Cartoon Cartoons, um antigo bloco de curtas que anteriormente eram pilotos. E que foi de onde surgiu clássicos do canal, como O Laboratório de Dexter, Meninas Super Poderosas, A Vaca e o Frango e Coragem, o Cão Covarde.

So que o Cartoon Cartoons já tinha o intuito de ver a popularidade e então dar sinal verde para a produção das series. Enquanto Infinity Train foi disponibilizado apenas para preencher vaga, se não porque ele ressurgiria 6 anos após a concepção? Era pra ser apenas mais uma opção dentre tantas outras para se assistir.

Porém, o curta de Infinity Train chegou a ultrapassar a marca de 1 milhão de visualizações em tempo recorde e logo surgiu uma petição para que o Cartoon fizesse o show. Isso tudo ainda em 2016. E parece que a empresa viu o recado e resolveu agradar os fãs, assim lançado Infinity Train em 2019.

Mas nem tudo é tão fácil. Provavelmente queriam uma serie longa, tal qual um Hora de Aventura. So que por mais que a Cartoon tenha sido boazinha, ainda é uma empresa. E nisso Infinity Train foi idealizado como uma minissérie de 10 episódios, cada 1 com 11 minutos. E por mais que isso pareça um problema, sinceramente eu acho que fez o desenho ser ainda melhor.

Sim, eu dei algumas voltas. Pois acho essa “história de origem” bem interessante e porque eu queria chegar nesse ponto da duração. Da forma como isso foi idealizado a primeira conclusão e de que seria um cartoon sem tempo suficiente para apresentar um enredo decente. Porem o que recebemos, graças ao time criativo por trás de Infinity Train, é algo sem furos e com episódios repletos de conteúdo.

Não parece que você está assistindo 11 minutos. Parece que você assiste longos seguimentos que mais parecem um filme Ghibli misturado com algo surreal como Twin Peaks. É um mundo único de fantasia e ficção jamais visto. Mas o melhor mesmo é o mistério interligado diretamente a cada um dos personagens e ao desenvolvimento da protagonista, Tulip.

O trem infinito realmente é um local bizarro, com mundos inteiros em cada vagão e seres ainda mais curiosos. Porem nada é mais intrigante do que a numeração na mão de tulip, que cresce e decresce sem um motivo aparente.  

E acima disso temos vozes misteriosas, monstros tenebrosos e o One-One. Um robozinho com dupla personalidade que busca sua mãe. E sim, até ele é mais um dos mistérios dessa jornada. Com um lado cheio de hype e outro depressivo, que lembra muito O Guia do Mochileiro das Galaxias.

Completando o trio de heróis, temos Atticus, o rei Corgi. Um corajoso e carismático cão que não apenas fala, mas se porta como nobre. E os 3 juntos são simplesmente incríveis, talvez sendo o grupo mais divertido e inusitado que vejo em anos, ao menos se tratando de desenhos. É ótimo ver eles se aventurando em reinos que variam desde montanhas de cristais a um vagão lotado de patos.

Porem a estrela ainda é Tulip e seu drama pessoal. Afinal não começamos no trem, e sim no mundo real com a protagonista fugindo de casa. E esse ponto faz toda a diferença. Um desejo negado, uma família problemática, infância dura, pais separados. Esses e outros detalhes vem a tona constantemente ao decorrer dos episódios, assim tocando em temas bem únicos para algo focado no público infantil.

Além de englobar fantasia, mistério, aventura e sci-fi, Infinity Train é também um coming of age. Uma história de amadurecimento, 100% focada no drama familiar. E eu não poderia enaltecer o quanto isso é importante e como tudo isso transforma a serie numa das melhores coisas que já assisti.

Eu falei acima que é algo para o publico infantil, mas so que de uma forma similar a como as revistas japonesas separam demografias. O foco do Cartoon Network sempre foi crianças, portanto esse é o publico alvo. Porem isso não quer dizer que a obra não possa ressoar com outras faixas etárias.

E eu acredito que Infinity Train é algo para qualquer idade. O roteiro é fenomenal, os personagens são cativantes, o mundo e encantador, e não me faltam elogios aqui. Eu recomendaria essa temporada a qualquer um de olhos fechados, até porque termina. Tudo tem um desfecho, e ai entra a questão de como foi idealizada a temporada 2.

Bem, se você ainda não viu o trailer, fique tranquilo. Eles optaram pela única saída cabível. Em vez de resetar o plot com algum motivo besta eles mantiveram o trem e introduziram um novo personagem, um novo passageiro. E por fim colocaram um secundário da temporada anterior como parte do novo trio central.

Minha única questão mesmo com a temporada 2 vai ser se vão utilizar e como vão utilizar os demais personagens que sobraram. No resto, pode ter certeza de que eu já estou no hype. XD Infinity Train é bom d+.

On the Screen: Neon Genesis Evangelion – Do mindfuck ao The End.

Anos atrás, quando eu comecei a entrar no mundo dos animes, Evangelion era uma das maiores febres da internet. Desde então sua relevância não caiu nem um pouco, sendo hoje considerado um dos maiores clássicos da animação japonesa.

E não é para menos. Toda a estética do anime, enredo e personagens chamam muita atenção, sendo possivelmente uma das obras mais memoráveis. Dita por alguns até como uma desconstrução dos mechas ou uma reação “noventista” a segunda guerra mundial e as bombas atômicas.

Da pra se tirar muito desse anime, seja analisando a superfície ou até mesmo pausando e lendo pequenos detalhes ao fundo, reparando em sombras, ou como já dito tentando entender como o contesto histórico influenciou na obra. Daria que até da para fazer paralelos com religião e com a psique do próprio diretor, bastando apenas pesquisar mais a fundo.

Porem isso muitas vezes não é algo que se nota numa primeira assistida. Como falei logo no começo, Eva foi um dos primeiros animes que eu assisti, e eu queria entrar um pouco no contesto dessa primeira vista antes de prosseguirmos.

ASSISTINDO PELA PRIMEIRA VEZ

Evangelion me foi introduzido por um amigo no Yahoo Respostas, e podem rir disso. Eu era novo na internet, finalzinho da era discada, e era noob total se tratando de animes. Eu conhecia no máximo Dragon Ball e Yu Yu Hakusho, sendo as coisas mais “underground” que eu consumi, Samurai Champloo, Kimba e aquele anime horrível de Ragnarok. Tudo na TV aberta.

Logo eu aceitava sugestões de qualquer lugar, e poxa, tem lá um site de perguntas né. E podem me julgar o quanto quiserem, mas o povo lá realmente tentava encaminhar pro “caminho otaku” da forma correta, ou em outros termos, não recomendavam apenas modinha.

Conheci muita gente legal lá, que me apresentaram o My Anime List e obras como Trigun, FMP e Ergo Proxy, que hoje são mais mainstream, mas que na época era algo mais abaixo. Não diria que se tratava de algo “true underground” com pouca fanbase, mas era certamente longe do topo.

No meio dessas indicações me falaram de Evangelion, mas da seguinte forma. “Já que você gosta de ação, tem um anime de robôs muito foda, com história legal, que vai ficando confuso, mo mindblow, e que não tem final. Os dois últimos epis não valem. Ah, mas vc pode pular esses e ver o filme que é final verdadeiro. ”

Me pergunto quantas pessoas já ouviram uma descrição assim. Parece até aquele meme do Twitter de “descreva seu anime favorito da pior forma possível”. Dizer que tem ação e algumas partes confusas é ok, mas aqui se trata mais da forma como é dita. Pelo que ele descreveu eu interpretei que seria um anime bom de ação que vai ficando cada vez mais difícil de se entender e que termina de uma forma muito ruim. Para que eu iria ver isso?

Ignorei completamente a indicação. Vi lá meus Samurai 7 e meus Hellsings. Consumi do mais falado ao quase rejeitado, ao menos se tratando do que entrava no conhecimento desses meus amigos, e no fim, na falta do que ver, resolvi pegar Evangelion. Eu já era menos birrento quanto a plot, digamos, e me achava o conhecedor da arte nipônica. Logo, porque não?

Bem, eu não diria que eu era otakinho na época, mas eu assistia animes por um único proposito nesse período. Lutas fodas. Eu gostava de enredos mais complexos, mas se não tivesse aquela luta fantástica de cair o queixo quem caia mesmo era minha vontade de continuar.

Vi o início de Evangelion e segui até aparecer a Asuka. Eu gostei das lutas, mas todo o restante me incomodava. Me dava uma sensação ruim de ver as ações do Shinji e eu sentia um pequeno indicio de depressão vendo a obra. Já o enredo, ignorei, dei o fodesse.

Assisti mais um pouco, não me recordo até qual momento, mas acredito ter sido até o episódio 11, pois ao rever o anime foi até esse ponto que eu tinha algum tipo de lembrança. Mas eu vi tudo, não me entenda errado. Eu parei nesse pedaço e depois fui vendo espaçadamente, empurrando cada vez mais, ao ponto de que assisti algo extremamente picotado e cada vez sem nexo. Eu não conseguia mais juntar o que aconteceu em cada episódio, nem mesmo se tratando dos pontos mais básicos.

Nisso veio os 3 últimos episódios. O episódio 24 é algo que eu me recordo, ao contrário dos outros 15 episódios após o 11º, mas não como algo bom. Eu lembrava desse como sendo algo muito ruim que me incomodou bastante e me deixou mega confuso. E na sequencia temos os episódios 25 e 26, ditos como o mindfuck supremo que deve ser pulado. Imaginem minha reação naquela época a esses 2 episódios. Eu passei a odiar Evangelion, apesar de não o fazer abertamente. Isso pois eu me sentia inferior aos outros por ter entendido absolutamente nada da obra. Ergo Proxy era um passeio comparado a isso.

Anos se passaram, e minha opinião sobre Eva mudou. Eu lembrava desses episódios iniciais como algo muito bom e literalmente apaguei da memória todo o resto, exceto aquela sensação de que era algo confuso e maçante. Mas então 12 anos se passaram, estamos em 2019, e minha mentalidade mudou muito, então porque não assistir para valer e analisar a abra? Foi o que pensei. E olha, acertei em cheio.

REVENDO EVANGELION

Parece piada o que vou falar agora, ainda mais depois de toda essa história, mas ao assistir Eva novamente eu passei a gostar imensamente do anime, ao ponto de que agora eu afirmo com certeza de que essa é uma das melhores obras de animação japonesa que eu assisti. E isso vindo do cara que tinha tanto ódio de Evangelion que isso virou meio que um repelente de todo e qualquer anime do gênero Mecha.

E vamos começar por isso, os mechas. O ponto no qual afirmam que esse anime é uma desconstrução do gênero. Isso pois os robôs Eva não são uma construção inteiramente mecânica, sendo em boa parte algo biológico, como um organismo aliem. E eu acho isso fantástico, pois os próprios robôs existirem e serem os únicos capazes de destruir os ditos anjos é algo extremamente relevante ao plot.

Essas maquinas gigantes não estão ali apenas para serem a “armadura de combate” dos protagonistas. Não são apenas uma casca de metal sem vida para garantir sobrevivência num meio inóspito. Esses mechas evoluem junto dos protagonistas. Não num viés de super robô escrachado como em TTGL, mas como se os próprios Evas fossem personagens com histórias e segredos a serem descobertos ao decorrer da trama.

E o mesmo pode ser dito da organização NERV, a qual comanda as operações realizadas pelos Evas. E eu sei que falar que uma organização evolui é bem mais crível do que apontar esses detalhes num robô, mas ao mesmo tempo é ainda mais bizarro dizer que a organização é um personagem. Afinal, não seria melhor afirmar que são os personagens dentro da organização que a refletem?

Até certo ponto sim. De Ikari, o comandante da NERV, para baixo, a organização e definida por esses personagens e suas ações em cada uma das áreas que eles exercem, tendo conflitos diversos e sim, evolução. So que existe um outro grupo de pessoas acima de Ikari, chamado de SEELE.

Com exceção do inicio do anime e algumas cenas do diretor Keel Lorentz, todos os membros da SEELE são representados por monólitos, e são eles que ditam por cima tudo que deve ocorrer na organização. Não estão literalmente ligados a parte de combate e pesquisa dos Evas, mas são eles que dão o veredito final a diversas questões, inclusive no âmbito internacional e envolvendo outras centrais.


Nesse ponto devo admitir que não entendi bem se eles, SEELE, são realmente os superiores da NERV ou alguma organização internacional, similar a ONU. Isso so ficou claro ao ver o filme The End of Evangelion. Portanto, peço que leiam até a parte do The End desse texto.

E é esse grupo de pessoas que eu considero definitivamente um personagem, incluindo Lorentz. Eles têm vozes e opiniões diferentes, mas sempre são vistos discutindo o mesmo assunto, de forma que fica difícil de não os associar a uma única entidade, mesmo que não seja algo factual. Isso somado a representação deles, faz até parecer ser uma única pessoa com múltiplas personalidades, ainda mais se levar em conta que eles nunca desviam muito do raciocino e sempre chegam ao mesmo resultado.

Mas voltando a NERV.  Essa organização tem uma cadeia de comando bem distinta com comandante, vice comandante, chefe de operações, inspetor, e assim vai até chegar nos child (criança), representados por Rei (First Child), Asuka (Second Child) e Shinji (Third Child). Ou em outros termos, os pilotos dos mechas. Sendo a própria nomenclatura deles mais um mistério da trama.

E assim segue Evangelion com diversos mistérios em cima dessas questões de organização, Evas, Childs, Anjos, entre outras, que vão cada vez se aprofundando mais ao decorrer do enredo. Mas sendo os principais e mais interessantes mistérios, ao menos para nos telespectadores, aqueles que envolvem a psique dos personagens.

Não temos aqui um anime com tropes claros de cada arquétipo de personagem. Cada um dos integrantes da NERV, e não incluo apenas as crianças nisso, tem segredos ou apenas detalhes que são escondidos de quem assiste até o momento H, para assim causar um maior impacto. E é através desses pontos, mais os conflitos subsequentes que ocorrem no presente, que vemos a fantástica evolução desses seres que não são nem heróis nem vilões.

E sei que pode parecer estranho tocar nisso so agora, mas vamos ao plot em si. Eva começa com o chamado Segundo Impacto sendo algo bem recente. Um evento quase apocalíptico que destruiu uma área considerável do mundo, e que na sequencia fez com que os Anjos, inimigos da humanidade, voltassem a aterrorizar o planeta. Agora cabe a NERV e aos pilotos do projeto EVA acabar com essa ameaça.

Por tudo que eu falei até então esse parece ser um plot bem raso. Ele é centrado numa ideia bíblica envolvendo coisas como Adão e Eva, lança de Longino e Manuscritos do Mar Morto, até a óbvia reinterpretação do Juízo Final. Porem para aqueles que não estão tão ligados a religião, fica de fato algo de difícil interpretação, e para mim ao menos os acontecimentos que se deram por sequência são apenas referências e no mais o clichê de monstro da semana.

Sei que deve ter algo mais profundo quanto a vinda de 13 anjos e a tentativa de proteção do mundo. Mas para mim foi exatamente o que eu falei. Monstro da Semana. Não consigo pegar a fundo essas partes bíblicas, mas ao menos posso notar a influência de Tokusatsus, Gundam e até mesmo Ideon.

Para saber mais sobre as influências de Evangelion recomendo ler esse Thread e depois ir atrás das obras. https://twitter.com/Nintakun/status/1067398232702107650

E é nesse mundo de monstro da semana que a gente conhece melhor cada personagem, so que de uma forma meio distorcida, digamos. Shinji é aquele principal medroso. Algo visto em obras B como Deadman Wonderland e Mirai Nikki. Mas não apenas por ser um cagão sem poderes que vai ficar no plot quase que como observador. Não. Ele é o mais forte, mais capais, porém mais indeciso e traumatizado. Tem um motivo para ele agir assim, e é por isso que eu não entro no grupo seleto de pessoas que detestam o Shinji.

Ao menos colocando aqui meu ponto de vista sobre o personagem no anime, e excluindo o filme por agora.

Shinji para quem não sabe é um dos protagonistas mais odiados pelos otakus, por conta dessa atitude de bunda mole. O cara que não quer fazer as coisas. So que ele está num contexto muito bem explicado, crível quanto ao afastamento dele e que disponibiliza meios dele se defender, sendo, portanto, um personagem mais incluso em seu próprio mundo, digamos. Ao invés de um chorão que sobrevive por ter amigos fortes.

Fora que a mentalidade dele vai evoluindo de uma forma fantástica ao decorrer da série, segurando bem a tocha de protagonista. Tendo alguns episódios bem marcantes com apenas ele sozinho, em momentos de depressão.


Uma das minhas partes favoritas do anime, sem dar spoilers, e uma que começa com o Shinji falando “Isso é cheiro de sangue?” E o resto do episódio segue sem se desvencilhar dessa única frase, terminando com o shinji aproximando seu braço da face e falando “O cheiro de sangue não sai”.

Já a Asuka é outra história. Muitas pessoas também detestam ela, e no decorrer do anime eu consegui muito bem entender o porquê. No início eu achava ela apenas uma garota metida, que escondia seus sentimentos e que estava sempre feliz.

So que Asuka evolui tanto quanto o Shinji ao decorrer da série, mostrando sua completa arrogância, traumas e todo o resto. Ela vive uma vida falsa, e se sente frágil o tempo tonto. Existe de fato um porque muito bom de ela tentar sempre ser a melhor e buscar superar o Shinji. Mas eu não consegui não ter raiva e sentir uma certa pena dela, principalmente próximo dos últimos episódios.

Meu momento favorito da Asuka é algo que vai na contramão de todo o resto do anime. Tem um episódio que ela e o Shinji tem de treinar juntos para amplificar a sincronização com os mechas, e eles fazem isso praticando dança sincronizada. O episódio acaba com eles dois lutando em sincronia num bale orquestrado de forma brilhante.

Então temos a Rei. E eu sinceramente não tenho uma opinião sobre ela, sendo está a favorita do público. Talvez por ela ser usada mais como uma ferramenta de narrativa do que como um personagem em si, o que me fez enxergar ela como algo mais próximo aos EVAs desde o começo do anime.

Rei certamente evolui, mas o lance de ter sentimentos reprimidos faz com que essa evolução seja inconstante, e eu particularmente acho que personagens secundários como Ikari e Ritsuko trazem mais a mesa quanto ao lance de sentimentos e drama, mesmo ambos também sendo bem fechados e tendo um papel mais focado em como comandam suas respectivas áreas.

O ponto de maior impacto se tratando de Rei e um pequeno momento em que ela aperta os óculos de Ikari e caem algumas lagrimas. Algo extremamente rápido, mas com uma mensagem bem importante quanto a personagem, e que reflete bem como a sua evolução é mais fechada.

Sei que muitos não consideram, mas eu acho a Misato uma personagem com grau de protagonismo bem maior que a Rei. A chefe de operações da NERV e tutora de Shinji e Asuka passa por algumas das evoluções mais impactantes de todo o anime e é a responsável pela maioria das interações com o restante da NERV.

Fora isso temos o triangulo amoroso entre ela, Ritsuko e Kaji, com direto a intervenção de Asuka e Shinji em alguns momentos mais inocentes. Gosto muito desses períodos mais slice of life que o anime proporciona vez ou outra. E eu adoro como que o Kaji é quase que parte integrante da personagem da Misato.

Para mim o mais impactante em Misato não é um momento, mas a construção para um momento. É ela guardar muitos segredos, ao mesmo tempo que desconhece tantos outros e busca a verdade. Isso leva a uma das cenas de maior drama da obra.

Ou seja, todos os personagens da trama são imperfeitos, com fortes sintomas de depressão, traumas e meio que sem um objetivo de vida. Nenhum deles está na NERV para salvar a humanidade, mas sim para realizar objetivos egoístas, assim nos fazendo refletir sobre a essência do ser humano.

Não existe um vilão claro. Todos os personagens demonstram poder ser capazes tanto do bem como do mal, mas não de forma escrachada, e sim humana. É algo extremamente crível e relacionável. E é por conta disso que Evangelion consegue ser tão impactante.

No máximo daria para dizer que Ikari é o vilão, pois algumas de suas ações gerou sofrimento a boa parte dessas pessoas. Ainda assim ele é mais um ser frustrado, traumatizado, e que demonstra fortes sentimentos quando se trata de Rei, enquanto esconde muitos quanto ao Shinji. E isso sem contar que ele aparenta ser o mais focado na questão de salvar o mundo, não importando que sacrifícios terão de ser feitos.

E em meio a todo esse drama, as lutas meio que ficam em segundo plano. Certamente é legal ver aquelas coreografias fodas e ideias surreais para os anjos, mas é bem mais interessante acompanhar as mudanças causadas ao mundo, os conflitos internos e a evolução no psicológico das pessoas. A ponto de poder se dizer que os Anjos invadindo é meio que o plano de fundo para vermos interações humanas em cenários hostis. Num viés similar o que dizem atualmente sobre os zumbis de The Walking Dead.

E tudo isso junto, ao menos para mim, já é motivo de recomendação. E olha que eu não mencionei a trilha sonora impecável de Shiro Sagisu (Nadia, Bleach, SSSS.GRIDMAN) que usa de música clássica em diversos momentos, mas que surpreende mesmo ao incorporar barulhos que contribuem a tensão ou simplesmente cortar toda a música deixando apenas som ambiente ou em muitas vezes o completo silencio. E sim, esse silencio impacta de forma estupenda.

No tema principal temos Yoko Takahashi (Shakugan no Shana, Pumpkin Scissors, This Ugly Yet Beautiful World), cuja a música mais famosa é justamente A Cruel Angel’s Thesis. Uma das músicas mais marcantes de qualquer anime. E mal tenho espaço aqui para falar da animação. Eles trocam muito de animador, mas fica algo quase imperceptível. O mais chamativo na animação, além da fluidez das lutas, certamente e o já mencionado uso de mensagens subliminares nos fundos, os belos cenários e o corte completo de cenários mais o uso de imagens estáticas. Algo que parece besta, e que certamente teve de ser usado por corte de gastos, mas que claramente foi bem utilizado ao máximo. Graças também à direção impecável de Hideaki Anno (Gunbuster, Nadia, Valis).

Ou seja, até o episódio 24 Neon Genesis Evangelion é altamente recomendado. Mas é se levarmos em conta os dois últimos?

FINAL (EPISÓDIOS 25 E 26)

Essa é a parte mais polemica da obra, pois consiste em 2 episódios, quase que inteiros, com textos passando rapidamente, imagens piscando e dando a sensação de se mesclarem, além de muitas coisas se repetindo e outras deixadas claramente em aberto para interpretação do espectador.

Acreditasse que o motivo disso ter ocorrido seja a falta de verba para o show, ainda mais que aquilo que falei de imagens estáticas e outros efeitos, como aquilo de se piscar imagens que acabei de falar, aparece mais predominante a medida que se aproxima do final da série. Sendo os 2 últimos episódios construídos com o mínimo de dinheiro possível, repetindo inclusive linhas de diálogos e frames antigos de animação.

Porem isso explica apenas a parte da animação. Apesar de ter essa repetição de diálogos, muito do texto desses dois episódios ainda é original. Talvez algo escrito as presas, formulado para substituir o original pois não iria bater com a animação.

Ainda assim existem outras teorias mais predominantes, ao menos quanto ao enredo desses dois últimos episódios. Tem aquilo de que Anno deu realmente o foda-se pro anime e resolveu tacar ali o seu ponto de vista sobre a indústria. Algo que não descarto, pois tem um seguimento inteiramente animado do jeito clássico que parodia o início de um anime escolar, sendo talvez a parte mais digerível desse mindfuck.

Porem essa hipótese eu deixaria exclusiva para esse seguimento, e ao mesmo tempo descartaria. Pois veja, o restante desses dois episódios não encaixa na ideia de mostrar a revolta quanto a indústria. Pois realmente é passado algo dentro de contexto se prestar atenção mais a fundo.

A repetição é sim extrema, talvez para gerar a ideia de estarmos vendo um conflito interno muito grande. Tudo realmente gira entorno disso. Conflitos internos dos personagens Shinji, Asuka, Rei e Misato. São dois episódios inteiros sobre depressão, drama, trauma, e outros temas levantados ao decorrer da série, mas excluindo a ação e demais pontos relevantes apenas a NERV.

Nisso entra a teoria de que eu mais gostei, e que eu fortemente aceito, ao menos nesse momento. Que seria a de que o anime acabou de fato no episódio 24 e que tudo isso mostrado na sequência e apenas um complemento, um prologo. Algo mostrando alguns acontecimentos extras, mas que como já falei se foca demais nessa ideia da mente das pessoas, desejos, objetivos, etc.

Ao mesmo tempo outra boa teoria, que quase que complementa essa, e a de que esses trechos mais vagos e complexos foram montados dessa forma para que cada espectador encontrasse ali o seu próprio entendimento do que ocorreu no anime.

Acho isso interessante pois a parte de complemento ao enredo e notas do psicológico entra melhor no episódio 25, enquanto a parte de interpretação e o descontento com a indústria, porque não, encaixa melhor no 26.

So que isso também gera outro problema. O do 26 ser o real mindfuck da porra toda. Ele é o episódio onde tem mais disso de interpretação de cada espectador e teorias para lá e para cá. E acho que boa parte disso se deve a menção de instrumentalidade e a questionável cena de “Parabéns Shinji!”

Instrumentalidade é uma teoria surgida da teologia. E eu mesmo entendi o conceito bem por cima, por isso deixo aqui um link para melhor entendimento. (Em inglês) https://en.wikipedia.org/wiki/Instrumentality_(theology)

Pelo que entendi sobre instrumentalidade, isso entraria no contexto da obra sobre a ideia de deus e o homem terem interpretações diferentes sobre o texto sagrado, assim justificando a visão de Anno sobre o apocalipse e demais eventos, ou o entendimento de personagens como Ikari daquilo profetizado no decorrer do anime. O que por vez faria de Shinji nesse último episódio apenas um avatar do espectador, já que tanto ele quanto quem assiste está sendo teoricamente ensinado sobre a instrumentalidade.

E esse ensinamento da instrumentalidade é mais uma das teorias que tentam justificar o final. E ainda assim é mais uma que não consigo enxergar sozinha, pois como já falei é algo quase que exclusivamente pertinente ao episódio 26.

Quanto a cena do “Parabéns Shinji!”, essa eu acredito ser a parte mais sem nexo do anime. Não entendo se é uma mensagem do diretor para com os espectadores, para com a indústria ou até mesmo algo mais pessoal ou religioso, visto a linha “meus filhos”. Eu não consigo deixar de pensar que é um momento desnecessário e surreal.

A melhor interpretação que consigo dar para aquilo seria uma parabenizarão por entender sua psique, a instrumentalização, e outras coisas faladas no final e ao decorrer da série, incluindo a conclusão da parte dos Anjos. E ainda fica o questionamento se tem mesmo tudo isso interligado, ou nada, ou somente um elemento que faz sentido dentre tantas teorias.

Talvez por isso que tantos aceitem a teoria de que o final é uma grande merda, e não to brincando aqui. Falo de que o anime ficou sem verba, Anno não teve como fazer o final que queria e então tacou um monte de coisa sem contexto na tela, com uma, muitas ou talvez até nenhuma informação. Mas que se foda, pois este não seria o verdadeiro final.

Como falei antes, eu no momento inclino mais para a falta de verba e a parte sobre fechar buracos, mais o prologo sobre o psicológico de cada personagem. Isso no episódio 25 e 26. Já pensando no 26 e naquilo que apenas ele traz a mesa, ai eu realmente não sei o que pensar. A parte da instrumentalidade, se eu tiver entendido, e interessante, mas desnecessária. E acho que esse é quase que o sentimento unanime quanto ao final do anime. Acho o 25 é passável, mas quando são 2 episódios assim acho que até o mais assíduo dos fãs se questiona se não era melhor ter tido so um “mindfuck” ou ter acabado no 24.

Sei que existe ainda a questão contratual, e uma vez contratados para fazer 26 episódios não seria viável, mesmo sem verba, parar antes do 26. Mas ainda assim eu gostaria que o anime não tivesse ido tão longe nessas loucuras todas, e olha que eu genuinamente gostei dos 2 últimos episódios nessa segunda assistida.

Logo, apesar de todos os porem, eu acredito que valha sim assistir Neon Genesis Evangelion até o 26, sem pular do 24 para o filme. Principalmente por esse anime ter sido um marco histórico da animação japonesa e que vale ser assistido tanto para entender o que presam nele como para ver aquilo que consideram tão polêmico.

Quanto aquela teoria do final falso. Ela dita que o final verdadeiro seria o filme The End of Evangelion, enquanto tem uma última teoria que diz que os episódios 25 e 26 se passam na mente do Shinji, e que o filme seria os acontecimentos em tempo real. E vamos tirar a limpo se é isso ou não agora, assistindo The End of Evangelion.

THE END OF EVANGELION

E caso eu não tenha deixado claro no parágrafo anterior, eu estou escrevendo essa parte do texto após ver The End of Evangelion. Ou em outros termos, eu escrevi um monte sem realmente assistir ao final verdadeiro da série.

Sim, esse é o final, e aquilo de final falso para o episódio 25 e 26 ainda não faz o menor sentido. E sabe o que também não tem nexo? O final da série ser os pensamentos de Shinji e o filme ser as ações do rapaz.

Colocando um pouco mais em contexto. Em boa parte de The End o Shinji fica estático. Parado mesmo, e temos cenas similares com Asuka, mais algumas outras um tanto quanto surreais com Rei, e isso sem entrar em spoilers. Falando primeiramente de pontos que poderiam ter os tais pensamentos, os quais por vez seriam os episódios finais do anime.

So que o primeiro contra-argumento aí seria exatamente esse da Asuka e da Rei. Ambas claramente têm seus arcos de pensamento nos episódios 25 e 26, não apenas o Shinji. E a Misato também tem um arco de reflexão, e no END ela não para um segundo para dar tempo de alguma reflexão mais complexa. Um trejeito bem natural da personagem.

Quanto aquilo de ser o final verdadeiro. Eu diria que ambos são o verdadeiro, so que THE END e o final melhor elaborado e com algumas mudanças. Da para notar isso em parte dos diálogos e por conta de cenas praticamente iguais, so que agora colocadas num melhor contexto, sendo elas aquelas que fechavam pontas no enredo ou que trabalham o já mencionado psicológico do Shinji. O que talvez tenha causado essa confusão quanto a ser um sonho ou pensamento do protagonista.

Isso por vez dita que os episódios finais da série têm revelações relevantes quanto ao filme, e que, portanto, não seria de todo mal pular os episódios 25 e 26 para evitar o spoiler ou simplesmente “fugir” do mindfuck. Ainda assim, eu que vos escrevo, permaneço com a ideia de que se deve assistir o final da série por se tratar de algo que marcou a história dos animes, e para notar o quanto conseguiram fazer com tão pouco. Sem contar que é divertido ver e bolar teorias e os tais spoilers não atrapalham nem um pouco.

Outro ponto a favor disso de ver os finais E o filme, mesmo o filme sendo literalmente duas partes intituladas episódio 25 e episódio 26, e que o longa também é bem confuso. Parece que Hideki Anno planejava sim desde o começo explodir cabeças, e boa parte das pessoas, independente do que assistir, ainda vai ficar bem confusa.

So que o filme também tem os seus pros. Enquanto o final da série mostra um incrível malabarismo de orçamento e apresenta pontos diversos a serem pensados, alguns que nem ao menos são mencionados no filme, a película completa o enredo com um visual deslumbrante, mais digestível, e com muito mais informações pertinentes.

É apenas em The End of Evangelion que vemos e entendemos o final de cada um dos personagens, excluindo completamente o “Parabéns Shinji!” que agora mais do que nunca acredito ter sido uma mensagem pessoal disfarçada. Porém o filme também remove a conversa sobre instrumentalismo e a cena em que Anno dá um esporro na indústria. Dois pontos desnecessários, principalmente no viés de entretenimento, mas que se mostraram no mínimo interessantes.

Voltando ao filme, ele completa o arco de todos os personagens, deixando mais clara a relação que cada um tem com o próximo, sendo as maiores evoluções referentes a Shinji, Asuka, Rei, Misato e Ikari.

Esse último chega a ser algo surpreendente. Pois sabemos de seus sentimentos para com Rei, mas nunca foi de fato mostrado o porque ele fez tudo aquilo, e o filme entrega numa cena perfeita tudo que Ikari foi ao decorrer do anime, o tornando um humano ainda mais falho, e o removendo daquela visão de que ele era o grande vilão.

Na verdade, quem se volta mais para o papel do vilão é a organização SEELE, que erroneamente eu achei ser parte da NERV. A relação das duas fica bem mais clara no filme, apesar de que aquele papo de serem personagens ainda se encaixa perfeitamente. Sendo que o enredo do filme gira exatamente entre o conflito interno de ambas. E devo ressaltar, feito de forma brilhante, ao mostrar que o humano sempre é seu próprio inimigo, seja por atos bélicos, seja por traição, seja por conta de sua própria mente.

Também entendemos melhor por conta do filme o ocorrido no episódio 24, e as implicações do passageiro personagem Kaworu, e temos como bônus um novo prologo. Tudo isso junto resultando num filme fenomenal, com ação, mindfuck, depressão, e todo resto que fez da série tão popular.

E quanto aos principais… SHINJI E UM DOS MAIORES FILHOS DA PUTA DOS ANIMES! Sério, eu tinha de tirar isso do peito. Voltei a gostar um tanto mais da Asuka, e a Rei finalmente parece ser mais relevante do que uma boneca de porcelana que abre a boca vez ou outra. Mas dentre todas as mudanças apresentadas no filme, a maior obviamente foi a do protagonista. Eu achava o Shinji um personagem ok no anime e agora penso seriamente que ele deveria ter morrido uma morte horrível.

Isso que falei acima é extremamente pessoal, e eu não garanto que você vai ter a mesma reação. Eu apenas não gostei do personagem no filme, e acho que boa parte disso é por ele ter tido meio que uma recaída quanto a sua evolução. Sei que é algo que faz sentido mediante o que acontece no episódio 24 e que encaixa perfeitamente no plot, mas EU não consigo gostar. Ele vira mais um instrumento de movimentação do enredo, mais do que a própria Rei, e já sabem minha opinião quanto a isso.

Tem outros detalhes mais cruciais a trama que eu não gostei, mas não vale ressaltar por revelar muito sobre o plot. O que vale dizer aqui é que o filme é bom. Entretém e faz você pensar, seguindo à risca a qualidade da série e demonstrando com primor todas as ideias depressivas e existencialistas de Anno. E, portanto, eu também recomendo o filme, ou melhor, o considero crucial.

No fim eu acabo enxergando Neon Genesis Evangelion com outros olhos. Uma visão mais madura e um tanto quanto focada na análise. Aquele tipo de olhar que busca um algo a mais, e que nesse caso a serie realmente entrega. Eu acho esse um anime quase que perfeito, centrando meu porem quase que exclusivamente nos últimos episódios e no filme, tirando algumas questões menores, como o que aconteceu com os amigos do Shinji. Logo recomendo Evangelion na integra a todos, como um grande fã de animes. Mas ressalto que você deve esperar um plot depressivo, confuso e surrealista, com cenas de gore e relações abusivas. No restante, vejam.

Por fim, so para esclarecer uma pequena polemica quanto ao início do filme vou dar aqui um pequeno spoiler. O review já acabou nesse ponto e você não precisa ler.

The End começa com o Shinji tentando acordar uma Asuka em coma, e em certo momento ele vira o corpo inerte da garota com raiva, assim deixando a mostra os seios e a calcinha da garota. O filme corta, em certo momento mostra a porta trancada, e quando volta Shinji está com as mãos sujas de goza.

Algumas pessoas interpretaram a cena como um estupro, mas não acho que seja esse o caso, pois o corpo de Asuka não foi movido. Shinji deve ter se masturbado com aquela visão, e logo após solta um “i’m so fucked up.”

Não estou aqui justificando a ação. Essa cena é um dos motivos pelo qual eu não gosto do personagem. Todo o tratamento que ele dá para a Asuka no decorrer do filme é de abuso, claramente. E sei que existe o lance da atração de um pelo outro, e que também existe a raiva predominante em ambos. São cenas que fazem sentido no plot, e termino aí.

Se você se sente incomodado (a) por esse tipo de situação, evite o filme. Eu particularmente não achei pesado, e acredito que a mensagem proposta pela cena seja exatamente a da frase “i’m so fucked up.” Mostrando mais uma vez o lado sujo da humanidade e o quanto esse protagonista e o tremendo de um merda.

Como escrever um review?

Como escrever um review? Pode parecer uma pergunta besta, onda a maioria das pessoas nem ao menos pensaria nisso e iria direto pôr a mão na massa. Afinal, “é so um texto”. E um review ainda por cima. “É minha opinião”, “estou fazendo para mim mesmo” e “é um hobby”. “Para que eu deveria fazer uma resenha seguindo regras?” E assim vai. Eu poderia passar a tarde listando diversas frases que eu escutei a respeito disso ao longo dos anos, incluindo algumas mais “delicadas”. Mas não é bem assim.

Saber escrever um bom review importa, e muito.

Logico que eu não digo isso me achando e falando que eu tenho “o metodo” dos reviews. Longe disso. O que quero com esse texto é pegar e destrinchar como eu escrevo minhas resenhas, pois eu acredito que eu possa ajudar você a melhorar. Sem verdades aqui. Apenas dicas que eu acredito valerem de algo. Se não com certeza escrever por 6 anos sem parar não me valeu de nada.

Muita gente de fato me pergunta “Como escrever um review?”. E a primeira coisa que você tem de saber é como fazer um texto como qualquer outro, seguindo aquelas regras que aprendeu na escola e que reviu, ou vai rever, na faculdade. E eu não falo aqui da ABNT, pelo amor de deus. Eu falo de início, meio e fim.

Colocando de uma forma mais fácil de explicar, o seu texto deve conter uma introdução, a parte central e a conclusão. Super moleza entender isso. Mas para alguns eu ainda vejo dificuldade de aplicar essa estrutura de uma forma que puxe a atenção do leitor e que faça valer a leitura.

Comecemos pela introdução. Os 3 / 4 primeiros parágrafos desse texto são minha introdução para “Como escrever um review”. Eu apresento a ideia central, a qual vai ser destrinchada melhor no meio da resenha, que seria o ponto onde estamos no momento, e explico um pouco do que me levou a escrever essas linhas.

O problema nessa parte é o que algumas pessoas entendem por introdução. Colocando no viés de um review, muitos iniciam seus textos com uma sinopse, resumo, ou ladainha mesmo. Ninguém quer saber o porquê você se apaixonou por One Piece antes de você explicar ao leitor que vai falar sobre One Piece.

Nesse caso eu digo que seria errado algo como:

Mano, eu to lendo um mangá muito foda de piratas e caramba. Eu to apaixonado por esse troço. Os personagens são d+. Amo a arte. E caralho, o Luffy, o Zoro, O Sanji, que homens! So luta foda.

Ladainha. Eu estou usando One Piece de exemplo por ser um mangá bem conhecido, mas peço que imaginem alguém falando isso de um título que você nunca ouviu falar ou que escutou muito pouco a respeito. Você leria esse texto? A resposta provavelmente é não, a não ser que seja um amigo seu que tenha escrito. Talvez nem assim.

Uma introdução de review, ao meu ver, deve conter a ideia central do texto, o porque você vai falar disso ou como chegou nessa ideia, que são coisas que já mencionei. E além disso informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico. Ainda assim, sem exagerar. Ainda é apenas a introdução.

Um exemplo que dou aqui seria de como eu escreveria a introdução para Devilman Crybaby. Vejamos:

Sempre que eu olho para animes e mangás antigos eu penso “que coisa horrível”. Sim, eu acho o traço feio e datado, e esse certamente é o meu maior empecilho na hora de ler obras clássicas. E acredito que seja assim com a maioria das pessoas.

Os anos 70 mesmo tinham um visual muito único de seu tempo, o qual era copiado quase que a risca por diversos autores. O traço que marcou uma era. Gen Pés Descalços, Ayako, Mars. São todos diferentes quando comparados lado a lado, mas ainda assim muito similares. Não falo do estilo do artista como um todo, mas sim de certos elementos que se repetiam aqui e ali.

E eram esses trejeitos que me mantinham afastado, por mais besta que isso soe. Demorou um tempo para eu remover esse preconceito da minha mente, e um dos mangás que me ajudaram nisso foi Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma, e até o momento uma das melhores obras que li na vida.

Pulando para 2018, a Netflix anuncia mais um projeto de animação original. Dessa vez Devilman Crybaby. Um anime baseado justamente nesse manga que eu gosto tanto e que significa tanto para mim como pessoa. So que dando uma modernizada para cair no gosto da geração atual. Um ponto que me gera um certo medo, mas que ainda assim recebo de braços abertos e me perguntando. Se o anime for bom mesmo, qual seria a melhor porta de entrada para Devilman? Anime ou Mangá? Assistir um anularia a necessidade de ler o outro?

A introdução que você leu é parte de um “protótipo” de texto, que talvez eu ainda venha a publicar, por isso não se atenha muito as informações. Mas é nesse ponto mesmo que ele mostra o que eu disse anteriormente. “Informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico”.

E fundamental fazer pesquisas. Para colocar algo em contexto na introdução, e que vai ser puxado mais à frente. Para falar de assuntos interessantes no meio. Para concluir dando informações pertinentes. Para deixar o texto mais rico por inteiro. Ou ao menos eu crio minhas resenhas dessa forma.

De acordo com o canal Errant Signal, o espectro de um texto focado em jogos fica num gráfico de pirâmide que possui Jornalismo / Review ao lado de Critico Cultural / Literário, que por fez fica ao lado de Design / Formalismo. Mas o que exatamente isso quer dizer?

O apresentador do canal por meio desse gráfico tentou dizer que basicamente existem 3 formas de se falar de um jogo. Jornalismo / Review seria criar um texto com foco no consumidor, como se tentasse vender um produto ou convencer a pessoa de uma ideia. E anotem isso, pois estamos falando de review aqui, e review certamente é isso. O ato de convencer.

Na parte de Critico Cultural / Literário ele fala sobre como o texto pode conter informações relacionadas a cultura. Não é difícil entender esse. Voltando a mangás rapidamente, isso seria o meu paragrafo onde escrevo “…Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma…”. Eu estou informando o leitor, mas não de um nível muito técnico e profundo.

Isso seria a parte do Design / Formalismo. Falar de algo de forma mais técnica. Como quando eu faço um review de um game falando “Esse jogo apresenta elementos de Rogue Like, como leveis de geração procedural.” Nisso eu estou sendo mais técnico. Num quadrinho, so para exemplificar melhor, essa parte seria o escritor falar sobre quadros, tipografia ou técnicas de desenho.

E por fim o Errant Signal coloca que não existe uma pessoa que se utilize de todos esses espectros. Sempre vai existir uma inclinação maior para uma das pontas ou uma combinação de dois desses “estilos”. E vai caber a você descobrir qual destes se encaixa melhor na forma como você escreve.

So que já sabemos que se for um review, a gente sempre vai inclinar exatamente para… review. É meio obvio. Então acaba que nesse seguimento, ao menos pela visão do Errant, so poderíamos ser mais culturais ou técnicos. Se não manter apenas no review. E aí eu já discordo um pouco.

Acho que vender um produto, no caso fazer um review, é apenas um estilo de texto. Assim como existe ensaio, cobertura, etc. Mas não descarto ter aquele ponto mais cultural, tirando a parte de critico que ele coloca e anexando junto algo histórico. E também não removo a ideia de algo mais técnico, deixando a parte formal de lado.

Pile of Various newspapers over white background

Formalidade eu vejo como algo necessário apenas para a plataforma a qual você escreve. Um jornal vai exigir uma linguagem mais formal que um blog, por assim dizer. Eu mesmo no meu trabalho IRL faço um roteiro mais casual para o YouTube e outro mais formal para treinamento. Ainda assim ambos os textos são do espectro técnico.

Mas o que colocar no lugar da parte do review? Eu pessoalmente colocaria ali a emoção. Ai já pensando de forma mais “publicitaria”, sabe. Você já deve ter visto que existem propagandas que pegam muito no emocional de quem assiste. Então porque não usar de emocional no seu texto, já que você tecnicamente está vendendo um produto?

A diferença aqui é que você não está fazendo uma propaganda, e sim um review. Logo o emocional que me refiro, e que pode vir a afetar o leitor, seria o emocional vindo de você. Ou em outros termos, falar como se sentiu após consumir a obra é algo totalmente valido.

Então temos aqui Emocional, Cultural / Histórico e Técnico. Não sei se necessariamente nessa ordem, para criar aquela pirâmide perfeita que diz em quais pontas você se encontra como reviewer, pois eu não saberia como equilibrar isso, nem se realmente teria como. Apenas acho que todos esses são fatores relevantes num texto de review, e que certamente você vai se inclinar para algum destes.

Me auto analisando, eu diria que meus textos sobre mangás pegam cultural e emocional, enquanto meus textos sobre games vão mais para o lado cultural e técnico. Isso pois eu entendo mais da parte técnica de jogos enquanto não manjo tanto dos pormenores de um mangá. E se formos para animação, eu entraria nos 3 espectros, porem me utilizando menos da parte cultural.

Isso apenas quer dizer que suas experiências, obviamente, também influenciam na maneira como você escreve. Tanto que acho valido o argumento que alguns reviewers usam. O famoso “consuma tudo”. No caso, leia obras ruins, jogue games chatos, assista filmes vencedores do oscar, corra atrás dos clássicos. Saiba de tudo um pouco, inclusive da parte bosta.

Assim você adquire um conhecimento mais amplo. Eu mesmo joguei diversos jogos de plataforma, e por isso consigo dizer com maior facilidade qual level design é bom e qual é ruim, enquanto um novato do gênero pode achar que o level design de Super Meat Boy é ruim apenas por conta da dificuldade do jogo.

Colocando isso agora na área dos mangás. Eu leio poucas obras de romance, então se surgir algo de romance que me agrade, eu provavelmente vou idolatrar o título, mesmo que seja medíocre. Pois minha falta de experiência com o gênero me faz enxergar aquele enredo simplório como algo de outro mundo. Tá ai o porquê tanta gente ama o Adam Slanders, ou ao menos gosto de pensar que é por conta de algo assim.

E com isso terminamos a introdução e o meio. E ai você se me diz “Mas como assim, falou nada sobre o meio do texto”. E na boa, nessa parte você pode escrever o que bem entender. Você vai ter de analisar a obra, observando os pontos mais importantes, e então escrever sobre o enredo, personagens, mundo, mecânicas, visual, musica, efeitos especiais, abertura, etc. Vai depender do que estiver sendo criticado e não tem problema algum excluir a menção de um elemento ou outro se achar necessário. Por exemplo, se o som ambiente é quase imperceptível, o que você vai falar em cima disso?

Por fim, a conclusão. Ou quase fim. No caso desse texto, pois ainda tenho mais coisas a falar depois disso. Em fim, falemos do fim. Seja claro. Não enrole. A introdução pode ser um pouco maior do que você imaginou, mas a conclusão continua sendo curta e direta ao ponto. Agora sim algo mais voltado a um resumo do texto.

No geral Hataraku Saibou é um anime com ótimas ideias e ótimos personagens, mas que não soube se utilizar bem de seus próprios recursos, o que por fim resultou numa experiência extremamente maçante ao se ver maratonando. É aquele caso de serie a qual é melhor ver um episódio por semana e aproveitar ao máximo aqueles que se sobressaem.

É bem isso, não tem segredo. No máximo coloque junto informações de onde encontrar a obra, ou caso você esteja fazendo um texto antes do lançamento, quando vai sair, quem é o autor, editora, etc. Lembrando de nesse caso fazer o texto de acordo com o especificado no trato, caso concordado por ambas as partes. E por favor, não se venda como reviewer.

Falando ainda disso, respeite o embargo. Não publique antes do combinado nem vaze informações sem ter permissão. Fazer algo para um grupo e não cumprir te fere muito e pode acabar com o seu projeto.

Por fim, preste atenção no seu público. Não tenha medo de fazer perguntas, ler comentários e principalmente de olhar analytics. Eu por exemplo sei que meu público gosta de obras mais adultas e voltadas para o sobrenatural / terror, além dos insuperáveis shounens de porrada padrão. Ah, e tente manter seu texto em 2 páginas, no máximo 3. Não faça um textão igual esse aqui, e por favor se for colocar algo técnico e cultural, deixe mastigado para que quem não tem conhecimento da matéria consiga entender.

E pelo amor de deus, não seja pessoal demais colocando EU toda hora e falando so da SUA experiência a cada linha. Não existe de fato algo 100% imparcial, mas tente apresentar o texto de forma que não entregue tanto que se trata da sua opinião, por mais que realmente seja sua opinião. Sim, coisa de doido, mas funciona. Faça o leitor querer o produto já pensando que queria ele antes de ler, por mais vago que isso soe.

E não faça parágrafos gigantes com tudo junto e embaralhado. E assim vai. Eu poderia passar horas escrevendo mais e mais aqui. Falando como você deve evitar repetir palavras num mesmo parágrafo, e sim optar por sinônimos. Mas ia ficar chato entende. No final, não existe realmente uma regra absoluta de como fazer um bom review. Falei um pouco do meu processo e dei dicas, que podem vir ou não a lhe ajudar. Crie o seu próprio processo. Veja outros sites e tente entender a maneira como os reviews deles foram construídos. Pode até copiar se achar necessário, mas mescle com outros estilos, evolua, crie o seu próprio. Seja um reviewer.

3 Tiras – Blue Chair, Lunarbaboon, Safely Endangered

Hoje em dia eu leio muita coisa por meio do celular, mas já foi um tempo em que existia um certo preconceito de minha parte, ou até ignorância eu diria, que me impedia de ir atrás de obras longas, sequenciais, feitas para a leitura especificamente no app. Como é o caso de Gosu, Tower of God, Elf & Warrior e tantas outras obras.

Ainda assim por algum motivo eu não via da mesma forma a leitura das chamadas tirinhas. Não pensava que cansaria a vista, ou que seria difícil de enxergar, ou que tomaria muito de meu tempo. E olha que meu celular não tem uma tela muito ampla. E lá fui eu baixar o app Webtoon.

Meu objetivo inicial era simplesmente passar o tempo do metrô lendo o famoso Blue Chair, mas logo expandi esse “universo” com os títulos Lunarbaboon e Safely Endangered, pois queria um pouco mais de variedade ao passar túnel após túnel dentro de uma lata de sardinha. E é sobre esses três títulos que gostaria de falar brevemente nesse texto. Então vamos lá.

Blue Chair

Se você gosta de tiras e bem capais de já ter se deparado com o garoto de cabelo alaranjado, blusa amarela e calça azul chamado Shen. Ou Shenanigansen, se preferir. O @ que ele vem utilizando a anos no Twitter. Rede social onde me deparei pela primeira vez com o que viria a ser o estilo de Blue Chair.

Voltando ao Webtoon, inicialmente as tiras tinham a proposta de apresentar uma ideia que deveria ser comum, mas que possui uma interpretação maluca, assim gerando o twist que leva a risada. É aquele lance da comedia do imprevisível. Algo tão absurdo que você não tem para onde ir se não rir. E é daí também que surge o título, a cadeira azul. Pois tudo se inicia meio que como uma conversa no divã onde o próprio protagonista se analisa e se auto responde, levando a toda essa doideira que me agrada tanto.

Com o tempo a cadeira passou a ser personagem, outros personagens foram criados, o próprio shen virou diversas entidades, e no fim a cadeira meio que sumiu, e para o melhor. Foi meio que removida a limitação causada pelo objeto e pela ideia de pensamento e questionamento, assim dando a liberdade necessária para extravasar ainda mais e romper limites, até mesmo transitando entre gêneros.

Comedia, ação, terror, drama. Um pouco de cada, mas na dose certa para causar alguma reação. Eu fiquei empolgado, tive medo e me emocionei fortemente. Blue Chair e algo realmente a parte, e faz jus ao próprio sucesso. Sendo minha parte favorita o conto do pequeno bombeiro. Quando chegar lá você vai entender.

Lunarbaboon

Eu ter ido ler Lunarbaboon se deve graças a um amigo meu. Eu via ele compartilhando momentos desse HQ e fui atrás na primeira oportunidade. Aqui a comedia continua tendo um foco muito grande, mas o clima é definitivamente outro se comparado a Blue Chair.

Lunarbaboon é um nome estranho, não é? Parece algo criado por uma criança. E talvez seja. Pois essa tira tem como foco conversar com o leitor sobre o cotidiano de um adulto, casado, pai de 2 crianças. Não é para todos, eu sei. Mas talvez devesse ser, meio que como uma receita de remédio.

Eu gosto bastante desse diferencial de ver o lado positivo de ser adulto e criar um filho, por mais que isso se afaste da minha realidade. Mas acho que a parte que mais me anima nessa tira e ela sempre ser positiva e trazer o melhor de mim à tona. Novamente, é algo que me anima d+. Que parece trazer uma energia extra que eu guardava lá no fundo.

Mas Lunar brilha mesmo é quando toca em assuntos mais abrangentes, e um tema recorrente aqui é a depressão, que parece crescer junto com a gente, como um monstro prestes a tomar nossa vida. Sim, é algo sombrio so de pensar. Mas pensar nisso e ver uma luz ao final do túnel, por mais que em algo desenhado, e possivelmente fictício, faz uma boa diferença. Ainda mais quando se nota que os sentimentos do autor realmente estão ali, em cada traço, em cada dialogo.

Safely Endangered

Esse é o mais maluco dos três. Se Blue Chair extrapola naquilo da comedia do imprevisível, então Safely Endangered vai a níveis cósmicos e transcende ao infinito. Lembra daquele episódio de Os Simpsons em que Homer estica a mão para uma borboleta e o inseto se fecha todo e entra na pele dele? É bem nesse nível. Você realmente não tem como prever o desfecho, e isso que faz dessa tira tão boa.

Ainda assim, ao menos para mim, o ponto alto da obra foi quando o narrador do título, o que “grita” Safely Endangered ao início de cada tira, tomou consciência e quebrou a quarta barreira, tendo seu próprio arco em meio as já malucas tiras semanais.

E eu sinto falta disso, dessa criação de um universo próprio. Algo bem utilizado em Blue Chair. Mas ainda assim não me arrependo de continuar acompanhado essa besteirada magnifica que o cara cria a cada novo capitulo. Eu rio alto lendo esse, e as vezes é bem esse momento, de você cair na gargalhada, que faz o seu dia.

E é isso gente, essas foram as 3 tiras que me fizeram entrar com gosto no mundo dos webtoons, e as primeiras dessa nova serie intitulada “3 tiras”. Falar de tirinhas assim num texto grande, tendo apenas uma como o ponto central e difícil. A não ser que seja algo como Calvin e Haroldo ou Valente, que tem aquele conteúdo a mais para refletir ou que realmente possui um enredo.

So que isso é raro, e eu mesmo não tenho esse entusiasmo todo para pegar e fazer 2 ou 3 páginas sobre uma tirinha, a não ser que o material me surpreenda tanto quanto Tê Rex, a qual eu resenhei solo aqui no blog. E mesmo falar de Tê foi difícil, acreditem. Não por ser ruim, longe disso, é ótimo. É mais uma limitação que vejo em mim mesmo quando se trata de obras nesse estilo e que pretendo quebrar, nem que parcialmente, com essa ideia de falar de 3 tiras simultaneamente.

Eu acho que vai dar bom, ou assim espero. E você, curtiu a ideia? Tem sugestão de alguma tira para a gente olhar? Vai fundo e comenta ae!

Indie-A-tom: Fluffy Horde – RTS com coelhos assassinos!

Nesse vídeo você confere o review de Fluffy Horde, um jogo de estratégia em tempo real onde você deve defender moinhos, princesas e vacas de uma horda de coelhos assassinos que se multiplicam mais rápido que zumbis! Vai encarar esse desafio?

Retro Bits: Bomb Jack (GB)

Nesse vídeo apresentamos o game Bomb Jack de GB, de 1992. Um port de um clássico dos árcades de 84, onde você guia um herói que deve coletar bombas enquanto desvia de dinossauros, aliens e criaturas marinhas. Uma espécie de mistura entre Pac-Man e Qix.

Indie-A-tom: Flywrench – Minimalista e Frenético!

Nesse vídeo você confere o review de Flywrench, um jogo de plataforma de precisão com foco na gravidade que simula um objeto com habilidade de voar, o qual deve atravessar cenários minimalistas feitos de traços de forma rápida e frenética!

Retro Bits #02 – The Ninja Warriors (SNES)

Nesse vídeo apresentamos o game The Ninja Warriors do SNES, de 1984. Um beat ‘em up com ninjas, robôs, soldados e tudo mais que uma criança dos anos 80 desejaria. Destaque para os golpes diversos, principalmente agarrões.

Review: Made in Abyss – Uma aventura para adultos!

Chegou a vez de analisar Made in Abyss, um dos animes mais marcantes de 2017! E o melhor, sem spoilers. Então senta ai e confira o nosso mais novo review. Não vai se arrepender!

On the Nanquim – Batman: Elmer Fudd

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Esse review foi solicitado por um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! https://discord.gg/C23m628

Recentemente foi anunciado que a DC estaria trazendo novos crossovers com personagens icônicos do passado, porém não o clássico HQ vs HQ, e sim historias envolvendo personagens de desenhos matutinos. Dessa vez é o turno dos Looney Tunes, e muitos associaram o “trazendo novos crossovers com personagens icônicos” como uma referência aos HQs mais modernos e adultos envolvendo personagens da Hanna Barbera, como o indispensável Future Quest, mesmo estes não sendo crossovers e sim uma nova interpretação.

Digo, o já mencionado Future Quest e sim um crossover, mas acaba aí. É um HQ que junta personagens apenas da Hanna Barbera, e todo o resto, Flintstones, Scooby-Doo, Corrida Maluca, entre outros, se mantem num universo próprio. Enquanto esses novos crossovers misturam personagens da DC com os Looney Tunes.

Ainda assim, se o texto não referência Hanna Barbera e afins, o que seria esse antigo crossover? Algo mais do passado? Afinal já vimos o Superman contra Muhammad AliBatman teve aventuras com Hellboy e Starman e o Coringa em certo momento foi o possuidor da Máscara. O histórico da DC é cheio de crossovers, mas nesse caso se trata de algo bem recente. Batman: Elmer Fudd, de 2017.

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Mas o que ou quem seria Elmer Fudd? No Brasil conhecemos o personagem como Hortelino Troca-Letras. Um caçador careca que fala errado e adora perseguir coelhos, sendo o arqui-inimigo do próprio Pernalonga. E é seguindo exatamente a clássica premissa de Temporada de Caça que começa o enredo dessa sombria graphic novel.

Hortelino, ou Elmer Fudd se preferir, anda pelas ruas de Gotham refletindo sobre acontecimentos passados, sempre trocando seus Ls e Rs por Ws de forma a fazer até mesmo o Cebolinha confuso, e ao chegar o bar do Gaguinho, ou Porky, aos poucos entendemos melhor as nuances desse personagem modernizado, além de nos maravilharmos com diversos fanservices e entendermos melhor o porquê de tanta reflexão.

Elmer era casado, com ênfase no ERA. Apaixonado por Silver St. Cloud, antiga paixão de Bruce Wayne por meados dos anos 70, ainda em época de Detetive Comics. Uma personagem sexy, que por algum motivo não consigo deixar de associar a Lola Bunny. Mas voltando ao “ERA”, a temporada de caça ao coelho estava aberta. Silver foi assassinada, e tudo indica que Bugs Bunny, nosso querido Pernalonga, foi o culpado.

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Assim se inicia uma conversa de mesa de bar, com dois velhos rivais em tom depressivo conversando sobre o passado, presente e fim. Ninguém nega nada. Um assassinato ocorreu e outro viria a ocorrer. Um clima bem tenso, sombrio, moderno e maduro para algo que antes era galhofa. Mas ainda assim certas características se mantem. Mesmo humanizado o coelho ainda tem seus dentes, fome por cenouras e rotas erradas. Algumas dessas coisas se tornam piadas, mas algo se sobressai. Pernalonga sempre foi o astuto, e com seu jeito de malandro solta “quem me contratou foi Bruce Wayne”.

Tal qual no desenho basta palavras para mudar a mente de Elmer, e assim começa a temporada de caça ao morcego. Uma brilhante exploração de um personagem meio desaparecido em anos recentes, mas que ainda está no panteão de mais famosos Looney Toones. E um enredo dark sem dúvida, mas tem muito espaço para fazer os fãs sorrirem, seja com os já mencionados fanservices, o embate de 2 ícones ou o dialogo fantástico.

Sem dúvida um enredo com uma boa dose de suspense e reviravoltas, que surpreende bastante devido à natureza do crossover e se mostra até mesmo mais maduro e moderno que as já mencionadas HQs da Hanna Barbera. Ainda assim minha parte favorita e como o papel do Hortelino e do Pernalonga se invertem, fazendo você pensar quem realmente é o herói, se é que existe um. Tudo isso culminando num final excepcional que promete derrubar até o cavaleiro das trevas.

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Únicos pontos negativos para mim são a fala do Elmer, já que li a versão americana e é necessário um bom conhecimento em inglês e muita atenção para poder entender os diálogos e fazer tudo ser mais fluido, e a duração do enredo, pois tudo acaba num piscar de olhos e te deixa querendo mais. Elmer Fudd seria um ótimo personagem para uma serie, investigando e distorcendo o mundo dos Looney Toones, mas infelizmente esse é apenas um especial. Uma graphic novel de ocasião única que deixara muitos órfãos, tal como eu.

E destoando um bocado do clima que acabei de descrever, ao final da história principal temos uma pequena homenagem ao curta mais famoso do Hortelino, onde com humor impecável e ajuda da burrice do principal combinada com a astucia do Pernalonga e intrusão do Batman temos a mais hilária temporada de caça ao morcego que você possa imaginar. Não chega aos pés da parte central do HQ, mas ainda assim é uma boa adição.

Tudo isso escrito por nada mais do que Tom King, e ilustrado de forma realista e fluida pelo fenomenal Lee Weeks. Tom também escreve a parte mais cômica, porem o lápis passa para Byron Vaughns que traz algo mais cartoon para a mesa.

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Batman: Elmer Fudd recentemente foi republicado nos EUA na coletânea DC Meets Looney Tunes, junto dos crossovers Legion of Super-Heroes / Bugs Bunny, Martian Manhunter / Marvin the Martian, Lobo / Road Runner, Jonah Hex / Yosemite Sam e Wonder Woman/Tasmanian Devil. Histórias que envolvem respectivamente os Looney Tunes Pernalonga, Marvin: O Marciano, Papa-Léguas, Eufrazino e Taz: O Demônio da Tasmânia como principais.

Para agosto de 2018 a DC promete repetir o feito trazendo crossovers com Mulher-Gato, Harley Quinn, Coringa e Lex Luthor encontrando Piu-Piu e Frajola, Gossamer, Patolino e Gaguinho.

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