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On the Nanquim: Tê Rex

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Cara, tenho uma pergunta para você. Tu é nerd? Tem quadrinhos na sua vida desde que se viu por gente? Talvez tenha começado a ler a 10 anos atrás, talvez 20, quem sabe mais. Pode ter começado por influência dos amigos, ou por compartilhar da paixão com pais e avós, mães e tias, quem sabe primos. Recebeu de herança uma coleção, ou comprou o primeiro gibi com o troco da merenda. Se tornou o que é por acompanhar paródias na TV, por se ver intrigado pelo universo Marvel e DC nos cinemas, ou simplesmente por seguir a modinha? Na real, nada disso importa. So importa a resposta. Tu é nerd.

Se for mesmo o caso, e deve ser, caso contrário você não estaria aqui, eu lhe apresento Tê Rex. Uma série de tiras que aborda o lado nerd, otaku, geek da força. Use o termo que preferir. São tiras simplesmente fenomenais, com um lado cômico e crítico maravilhoso, abordando temas desde política, bullying e racismo a spoilers, decisões editoriais e conservação de quadrinhos.

Logo como pode ver Tê Rex é um pouco mais amplo do que fiz parecer, tendo tiras que podem sim ser apreciadas por pessoas fora do meio nerd ou que curtam cultura pop, como por exemplo Planeta dos Macacos. Porém você ser nerd lhe possibilita não apenas ler toda a obra, como também faz você entender mais detalhes que estão presentes em tiras mais cítricas, seja sobre política ou sobre spoiler.

Tê Rex 04 - te-rexhq.blogspot.com

Fora isso, a sacada mais genial em Tê Rex e sua protagonista, a própria Teresa, ou Tê Rex. Uma dinossaura que é meio que um alter ego da ilustradora e colorista Marcelli Ibaldo (Closed Window), de 10 anos. O que, não acredita? Numa pessoa nova e ainda por cima mulher desenhando um HQ de maneira tão espetacular? Amigo, a Marcelli e a Tê iam te dar um puxão de orelha de outro mundo se escutam uma dessas.

O que torna a protagonista tão interessante é a junção de todas essas características. Mulher, jovem, nerd e dinossaura. O fato dela ser um ser jurássico é utilizado para ilustrar desvantagens, como os pequenos braços de um Tê Rex, para mostrar força, afinal é uma criatura dita como feroz, e para brincar com o lance do rugido. Ah, e o mundo pré-histórico aqui presente acaba servindo de paralelo pro nosso de forma fenomenal.

O lado mulher também é bastante pertinente, tocando em questões feminista de maneira espetacular e fácil de digerir, enquanto ela ser criança traz um certo tom de ingenuidade, esperteza e nostalgia, tudo misturado, fazendo com que Tê lembre bastante um certo garotinho loiro. Um tal de Calvin. Pois é uma criança falando de maneira sagaz de diversos tópicos exatamente pertinentes e atemporais.

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Sendo assim, não poderia dar outra. Eu recomendo a todos os nerds de plantão a leitura da série em tiras Tê Rex. Marcelli Ibaldo surpreende muito e domina a obra com suas cores aquareladas, traço firme e paixão por dinossauros, enquanto seu pai Marcel Ibaldo (The Hype, Múltipla Escolha) dá as graças no roteiro, assim adaptando momentos vividos por Marcelli e colocando no papel o conhecimento dos dois desse fantástico mundo nerd que tanto amamos. Uma dupla sem igual.

Mas espere, o texto não para por aqui. Sim, você pode acessar o blog da Tê Rex e ler todas as tiras de graça. É uma opção sua. Não se trata de algo ilegal como buscar scans, mas ainda assim peço um investimento de sua parte. Pois desde 15 de maio de 2017 pai e filha se esforçam para dar vida a Tê Rex. Você nota a paixão deles pelo projeto. E apesar de ser ótimo ver o reconhecimento, ainda resta um sonho a ser realizado. O financiamento do HQ.

Dia 26 de Março de 2018 foi aberto no Catarse uma campanha de financiamento para um livro coletando todas as 60 e poucas tiras que os 2 publicaram ao decorrer desse ano. E para atingir a meta eles precisam do seu apoio. Contribuindo com 25 reais você já garante o livro em PDF e impresso, com autográfo dos 2 autores, nome nos agradecimentos e frete incluso. Contribuindo cima disso você leva tudo isso mais extras, como marca textos, arte em aquarela ou até mesmo uma tira inédita da Marcelli feita exclusivamente para você.

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E então, tá esperando o que? O projeto se encontra no Cartase até dia 25/05/2018, e você pode ver ele clicando aqui. Eu mesmo já contribui e reservei meu exemplar.

On The Nanquim: Beasts of Burden

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 Sei que muitos estão curiosos para saber do que se trata Beasts of Burden por ser um lançamento do Pipoca & Nanquim. Não apenas uma editora, mas fonte de muitos para se conhecer novas obras. Porém não foi isso que me fez ir atrás do título, e sim um fato talvez menor para vocês, mas grandioso para mim. Um simples elogio de Mike Mignola, autor de Hellboy.

Hoje sei que existe uma certa amizade entre os autores das obras, e inclusive um crossover que junta os personagens, logo a quem diga ser uma “venda casada”. Porém não acredito ser esse o caso. O HQ é sim de qualidade, seja esta atestada por Mignola ou pela façanha de levar o Prêmio Eisner em diversas categorias, em 2004, 2005, 2007, 2010 (em duas), 2011 e 2015, o que não é para qualquer um.

Beasts of Burden certamente é um fenômeno. E ah aqueles que não entendam o porquê. Em seu exterior vemos um livro sobre cachorros falantes em aventuras, o que logo remete a Disney e filmes infantis como Bud ou Beethoven. Quando na verdade seria preferível associar a obras como Martin Mystere, IT ou o recente Stranger Things.

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No enredo acompanhamos um grupo de cães, e ocasionais gatos, que vivem na pacata cidade de Burden Hill. Um local envolto em mistérios que tem tido um aumento alarmante no número de casos sobrenaturais. O que leva eventualmente o grupo a se tornar uma espécie de vigia contra o mal, assim reforçando os ranques da mítica Sociedade dos Cães Sábios.

Inicialmente a história é apresentada de forma episódica sem um objetivo central, por fim caminhando para coisas vagas como “defender a área” ou “encontrar a fonte do mal”, o que deixa muito em aberto, assim dando uma liberdade enorme ao autor. Algo que Evan Dorkin (Dork, Superman and Batman: World’s Funnest) utiliza com maestria.

E assim somos presenteados com histórias curtas com fantasmas, zumbis, entidades cósmicas, e todo o panteão de seres sobrenaturais, conhecidos ou não pela massa, e até mesmo alguns surgidos de acontecimentos reais, como o Rei Rato e a chuva de sapos. Se não algo com base em obras consagradas, nem que brevemente. Como ocorre no capítulo 4, onde vemos obvias referências a Um Lobisomem Americano em Londres e Em Busca de Watership Down.

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Montagem com diversas páginas para ilustrar as referencias a Um Lobisomem Americano em Londres e Watership Down.

Porém o que brilha no fim sãos os personagens, suas personalidades e como eles lidam com a situação, além da clara mescla entre comedia, terror e drama. Aqui cada um dos animais recebe uma característica ampliada. Ace é o líder, valente e decisivo. Rex e forte, valentão, porem medroso. Pugs e metido, sarcástico e ranzinza. Whitey é brincalhão, agitado e fala o que vem. Jack é calmo e centrado. E Orphan é esperto e safo.

São personalidades conflitantes e complementares ao mesmo tempo, que trabalham juntas para criar um clima de comedia ou tensão de forma incrível. Você se importa com eles, como grupo e como indivíduo. Algo posto à prova nas sequencias de drama e suspense. Você fica com o coração na mão. Ainda mais que secundários muitas vezes são descartados num piscar de olhos e de forma brutal. Afinal aqui não se poupa detalhes para o gore.

Tudo isso no belíssimo traço e cores de Jill Thompson (Sandman, Mulher-Maravilha). Sendo aqui aplicado um detalhamento que me deixa estupefato. Cada animal e monstro apresentado e desenhado de maneira estupenda, sendo fácil diferenciar os diversos tipos de pelagem, além da interação destes com elementos diversos, como água ou vento. Mas o que realmente impressiona e como ela consegue demonstrar expressões tanto faciais como corporais de maneira perfeita. Quase humana, talvez?

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Sendo assim é inegável afirmar que Beasts of Burden é um trabalho de extrema qualidade, perfeito para quem busca uma aventura mais dark e não enjoa fácil com gore. Uma obra adulta e profunda sem igual e que não pode faltar na coleção. Logo parabenizo o Pipoca & Nanquim pela escolha da publicação e espero ansioso pelo próximo álbum.

Vale ressalvar que Rituais Animais, o primeiro encadernado, conta com 8 historias, publicadas pela Dark Horse entre 2003 e 2009, mais extras, assim totalizando 188 páginas em capa dura com verniz e lombada em material que remete a couro.

 

Outras 6 historias foram publicadas pela Dark Horse, entre 2010 e 2016, incluindo o crossover com Hellboy, e devem no futuro compor outra edição.

Todas as 14 histórias conjuntas ainda não finalizam a obra, e, portanto, Beasts of Burden se encontra em publicação, com 4 historias previstas na série principal e uma minissérie paralela com Benjamin Dewey (The Autumnlands, I Was The Cat) que contará acontecimentos envolvendo a Sociedade dos Cães Sábios. Ambos dando continuidade de onde parou a série.

No momento a edição física se encontra indisponível na Amazon e deve haver uma reimpressão em Março. Ainda assim e possível adquirir a versão brasileira em formato digital, também por meio da Amazon. E caso isso não te satisfaça, não se alarme. Tenho certeza que garimpando um pouco você deve encontrar o HQ uma hora ou outra em sebos ou similares, sem contar que sempre existe a opção de pegar a versão da Dark Horse, a qual recentemente foi republicada.

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Postagem informativa sobre a Editora Hanabi

Boa noite, alguns de vocês devem estar achando estranho este título e pensando que eu aderi ao “movimento” de blogs que postam notícias, mas não é bem isso. Apesar de ser uma novidade, estou aqui para apresentar a vocês um projeto pessoal. Sim, eu abri uma editora, como podem ver.

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