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On the Screen: O Cristal Encantado – A Era da Resistência (Temporada 1)

Também conhecido como The Dark Crystal: Age of Resistance nos EUA, O Cristal Encantado é uma serie norte americana de Tokusatsu, no mais puro significado da palavra. É aquele tipo de show extremamente focado em efeitos especiais, so que mais de que Kamen Rider, Ultraman ou até mesmo Godzilla. Isso por se tratar de algo sem um humano sequer presente. E talvez esse seja o grande chamariz da série.

Isso se dá, pois, os efeitos são em sua maioria feito por meio de marionetes, e o resultado final é sensacional. Isso graças a coprodutora The Jim Henson Company, outrora conhecida como Muppets Inc. E eu sei, e difícil imaginar que uma produtora de filmes e series infantis faria algo tão vale da estranheza, mas na verdade isso não é novidade. Pois Age of Resistence é uma prequel.

Em 1982 a Jim Henson Company criou um filme intitulado The Dark Cristal, também chamado de O Cristal Encantado no Brasil, e dirigido pelo próprio Jim Henson (Família Dinossauros) e Frank Oz (A Pequena Loja dos Horrores). Juntos eles dirigiram o clássico Labirinto – A Magia do Tempo, além de participarem de diversos projetos dos Muppets. Logo podem ver que não é um projeto qualquer.

Visual do filme de 82, O Cristal Encantado.

Sei que a prequel não tem esses 2 talentos, infelizmente, porem muitos membros da antiga Henson retornaram para esse novo projeto. Isso inclui as filhas de Jim, Brian Froud, o artista conceitual original e o restante da família Froud, designers de maquetes e afins. Além de muitos mestres em marionete, sem contar outras incríveis adições.

Quem mais me surpreendeu nisso foi o diretor, Louis Leterrier (Carga Explosiva 1 e 2, Cão de Briga, O Incrível Hulk [2008], Fúria de Titãs [2010] e Truque de Mestre). O nome dele certamente traria ação para o filme, e realmente não faz feio nessa questão. Mas fico estupefato como ele ajudou no roteiro, edição e até mesmo assumiu papel de câmera, mostrando total dedicação ao projeto e se equiparando nesse sentido diria que a todo o cast, do pintor de cenários a quem faz os movimentos dos terríveis Skeksis.

O visual, a fluidez e o mundo recriado de Thra, com a mais perfeita fidelidade é algo de cair o queixo. Isso tudo também graças a notas dos já mencionados Jim e Frank, sobre detalhes mil esse mundo de um imaginário sinistro.

Louis Leterrier e o general Skeksis.

Eu não vi o primeiro filme, algo que desejo fortemente reparar, mas pelas imagens, vídeos e o documentário de produção do Netflix e inegável as similaridades entre os projetos e a paixão de todos os envolvidos. Por ser uma chance única, por ser algo que marcou a infância, por ter sido do crew original. E isso transparece na qualidade do show.

Jamais imaginei ver marionetes tão bem construídas e interpretação tão convincentes saindo delas. Você fica imerso, por mais que exista aquela sensação inicial que mencionei de vale da estranheza. Pois é tudo muito orgânico, por mais que sejam bonecos em tela verde e cenários de isopor.

E falando em tela verde. Existe grande uso de técnicas modernas, de animatrônica a CGI. Em alguns momentos infelizmente isso quebra a imersão, principalmente em cenas de movimentos mistas entre marionetes e modelos 3D e quando os bonecos são completamente removidos em prol de algo mais rápido, por limitações nas articulações e movimento dos próprios ventríloquos.

2 cenas para comparação, do que se vê em tela e de como a serie foi produzida.

Por outro lado, a serie apresenta aumentos no realismo vindos do 3D, como certas movimentações de rosto dos Gelflings, animais e cenários que não destoam nem um pouco, e que só dá para notar vendo o documentário já mencionado. O que me deixa ainda mais boquiaberto.

Fora que muito desse mundo me lembra produções dos anos 80, com um que de H. R. Giger e Abe’s Oddysee. Fascinação, medo e muita nostalgia. E o roteiro não fica atrás. Parece um épico de alta fantasia a lá Senhor dos Anéis, e já foi dito publicamente que o show foi muito inspirado em Avatar: A lenda de Aang e Game of Thrones. Até mesmo na contagem de corpos e elementos políticos.

 O Cristal Encantado: A Era da Resistência é um show tenebroso, que não tem medo de exaltar questões adultas em algo de classificação baixa. A todo momento achei que alguém iria morrer, principal ou não, o que gera tensão. E os momentos trágicos por morte, traição ou o que seja não são poucos. É um mundo muito mágico, distante, mas ainda assim crível nos momentos certos.

Os terríveis Skeksis.

E se eu não falei nada do enredo até agora é porque ele é basicamente isso. A descoberta de um mundo fantástico para o espectador e a urge de ver o que vai mudar na solene canção de Thra. Um mundo está caindo, coberto pela escuridão e clãs da mesma espécie se veem separados sobre o domínio dos malévolos e imortais skeksis. O resto e o resto, pois tem certos caminhos que so você pode ver, como diria a carismática Aughra.

Sei que estou jogando nomes difíceis a torto e a direto, como Thra ou Gelflings. Mas isso é porque a lore da série é tão fantástica que decorei o nome das raças e o nome de cada personagem. Algo que ao menos comigo não acontecia a um bom tempo.

Elogios para a série não me faltam, como podem ver. Mas por mais que isso tudo seja surpreendentemente fantástico, o destaque pra mim fica com os antagonistas Skeksis. Cada um deles animado por um mestre e dublados por nomes como Benedict Wong, Jason Isaacs, Simon Pegg, Awkwafina e Mark Hamill.

Poderia ficar horas sem fim falando de Dark Crystal, mas vou encerrar aqui com um sonoro ASSISTAM. Não é todo dia que falo de series aqui no blog, logo podem ver o quanto gostei dessa bagaça.

On The Nanquim: Beasts of Burden

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 Sei que muitos estão curiosos para saber do que se trata Beasts of Burden por ser um lançamento do Pipoca & Nanquim. Não apenas uma editora, mas fonte de muitos para se conhecer novas obras. Porém não foi isso que me fez ir atrás do título, e sim um fato talvez menor para vocês, mas grandioso para mim. Um simples elogio de Mike Mignola, autor de Hellboy.

Hoje sei que existe uma certa amizade entre os autores das obras, e inclusive um crossover que junta os personagens, logo a quem diga ser uma “venda casada”. Porém não acredito ser esse o caso. O HQ é sim de qualidade, seja esta atestada por Mignola ou pela façanha de levar o Prêmio Eisner em diversas categorias, em 2004, 2005, 2007, 2010 (em duas), 2011 e 2015, o que não é para qualquer um.

Beasts of Burden certamente é um fenômeno. E ah aqueles que não entendam o porquê. Em seu exterior vemos um livro sobre cachorros falantes em aventuras, o que logo remete a Disney e filmes infantis como Bud ou Beethoven. Quando na verdade seria preferível associar a obras como Martin Mystere, IT ou o recente Stranger Things.

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No enredo acompanhamos um grupo de cães, e ocasionais gatos, que vivem na pacata cidade de Burden Hill. Um local envolto em mistérios que tem tido um aumento alarmante no número de casos sobrenaturais. O que leva eventualmente o grupo a se tornar uma espécie de vigia contra o mal, assim reforçando os ranques da mítica Sociedade dos Cães Sábios.

Inicialmente a história é apresentada de forma episódica sem um objetivo central, por fim caminhando para coisas vagas como “defender a área” ou “encontrar a fonte do mal”, o que deixa muito em aberto, assim dando uma liberdade enorme ao autor. Algo que Evan Dorkin (Dork, Superman and Batman: World’s Funnest) utiliza com maestria.

E assim somos presenteados com histórias curtas com fantasmas, zumbis, entidades cósmicas, e todo o panteão de seres sobrenaturais, conhecidos ou não pela massa, e até mesmo alguns surgidos de acontecimentos reais, como o Rei Rato e a chuva de sapos. Se não algo com base em obras consagradas, nem que brevemente. Como ocorre no capítulo 4, onde vemos obvias referências a Um Lobisomem Americano em Londres e Em Busca de Watership Down.

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Montagem com diversas páginas para ilustrar as referencias a Um Lobisomem Americano em Londres e Watership Down.

Porém o que brilha no fim sãos os personagens, suas personalidades e como eles lidam com a situação, além da clara mescla entre comedia, terror e drama. Aqui cada um dos animais recebe uma característica ampliada. Ace é o líder, valente e decisivo. Rex e forte, valentão, porem medroso. Pugs e metido, sarcástico e ranzinza. Whitey é brincalhão, agitado e fala o que vem. Jack é calmo e centrado. E Orphan é esperto e safo.

São personalidades conflitantes e complementares ao mesmo tempo, que trabalham juntas para criar um clima de comedia ou tensão de forma incrível. Você se importa com eles, como grupo e como indivíduo. Algo posto à prova nas sequencias de drama e suspense. Você fica com o coração na mão. Ainda mais que secundários muitas vezes são descartados num piscar de olhos e de forma brutal. Afinal aqui não se poupa detalhes para o gore.

Tudo isso no belíssimo traço e cores de Jill Thompson (Sandman, Mulher-Maravilha). Sendo aqui aplicado um detalhamento que me deixa estupefato. Cada animal e monstro apresentado e desenhado de maneira estupenda, sendo fácil diferenciar os diversos tipos de pelagem, além da interação destes com elementos diversos, como água ou vento. Mas o que realmente impressiona e como ela consegue demonstrar expressões tanto faciais como corporais de maneira perfeita. Quase humana, talvez?

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Sendo assim é inegável afirmar que Beasts of Burden é um trabalho de extrema qualidade, perfeito para quem busca uma aventura mais dark e não enjoa fácil com gore. Uma obra adulta e profunda sem igual e que não pode faltar na coleção. Logo parabenizo o Pipoca & Nanquim pela escolha da publicação e espero ansioso pelo próximo álbum.

Vale ressalvar que Rituais Animais, o primeiro encadernado, conta com 8 historias, publicadas pela Dark Horse entre 2003 e 2009, mais extras, assim totalizando 188 páginas em capa dura com verniz e lombada em material que remete a couro.

 

Outras 6 historias foram publicadas pela Dark Horse, entre 2010 e 2016, incluindo o crossover com Hellboy, e devem no futuro compor outra edição.

Todas as 14 histórias conjuntas ainda não finalizam a obra, e, portanto, Beasts of Burden se encontra em publicação, com 4 historias previstas na série principal e uma minissérie paralela com Benjamin Dewey (The Autumnlands, I Was The Cat) que contará acontecimentos envolvendo a Sociedade dos Cães Sábios. Ambos dando continuidade de onde parou a série.

No momento a edição física se encontra indisponível na Amazon e deve haver uma reimpressão em Março. Ainda assim e possível adquirir a versão brasileira em formato digital, também por meio da Amazon. E caso isso não te satisfaça, não se alarme. Tenho certeza que garimpando um pouco você deve encontrar o HQ uma hora ou outra em sebos ou similares, sem contar que sempre existe a opção de pegar a versão da Dark Horse, a qual recentemente foi republicada.

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