Arquivos do Blog

On the Screen: Hakujaden – O primeiro filme de anime em cores

Sabe, eu adoro procurar animações novas para ver, principalmente filmes. Ao ponto de me considerar quase que um “historiador”. Ok, talvez menos. Aficionado, fã, otaku. Daqueles que vai atrás não apenas dos lançamentos, como de coisas super antigas e que marcaram a indústria. Não importa quem fez, críticas e notas, ou o que seja. Pareceu interessante eu vou lá e assisto com prazer.

Particularmente, eu acho uma atividade extremamente recompensadora, pois quebra um pouco aquela visão de que apenas o estilo atual presta. Que é o superior. Se não ficamos cegos achando que apenas o corriqueiro da indústria, que em sua maioria é um copy paste do estilo do momento, e a arte que devemos idolatrar. E isso não faz bem.

E o mesmo vale para direção, roteiro, efeitos, trilha sonora e até mesmo dublagem. Falta fazer aquela distinção entre o que realmente é bom e ruim levando em conta estilo e época. Além de que deveria ocorrer uma certa apreciação pelo que marcou a indústria, como bem falei no começo. Você achando o filme bom ou não.

Rotoscopia em O Senhor dos Aneis, de 1978.

Um exemplo que eu acho ótimo é o filme de animação de O Senhor dos Anéis, de 1978 de Ralph Bakshi, que influenciou a rotoscopia. Acho ele muito chato, não tem final, mas indiscutivelmente marcou, revolucionou e é um objeto de estudo. E por mais que eu não esteja fazendo um review deste, ou um texto sobre animações no geral, eu acho esses dados fundamentais para o restante da resenha e acredito que a essa altura nem preciso dizer o quão importante eu acredito ser as pessoas mudarem sua maneira de pensar a respeito dessas obras.

Mas enfim. O filme aqui analisado em questão é Hakujaden, também conhecido como The Tale of the White Serpent. Foi o primeiro longa-metragem japonês em cores, tendo estreado nos cinemas em 1958, posteriormente ganhando as telonas mundo a fora em 1961. Ao longo dos anos este foi conhecido por diversos nomes, como Panda and the Magic Serpent, Legend of the White Snake, The Great White Snake e The White Snake Enchantress.

Uma película de 62 anos de idade que impressiona em diversos aspectos, apesar de indiscutivelmente ter ficado datada. E logo no início o filme já mostra isso. “Uma história muito, muito antiga” é cantada num estilo oriental, tanto em ritmo e estilo, como em animação, quase que lembrando uma espécie de cutout com pinturas. Na letra falando sobre um jovem e sua paixão por uma serpente branca de estimação. “Uma história muito, muito antiga” que data da dinastia Song (China, 920-1279), e é intitulada exatamente The Tale of the White Serpent.

O restante do filme então passa a mostrar o jovem, Xu Xian, já adulto e apaixonado por Bai Niang, que seria o avatar humano da serpente branca, agora uma Yokai. Seguindo então em parte o conto folclórico chinês. Digo isso pois metade do filme se foca em “Panda”, como um dos títulos bem diz. Praticamente uma história paralela, meio desconexa em diversos momentos, que mostra as aventuras dos animais de estimação de Xian. Um panda sem nome e um panda Vermelho, chamado Mimi.

A jovem Xiaoqing, o avatar de um peixe Yokai, também se mostra desconexa em diversos momentos, transitando entre o folclore da serpente e as aventuras do panda. E eu diria que essa mistura e o ponto mais fraco de toda a obra. Quebra muito o ritmo e fica parecendo que quando o enredo chinês está mais morno entram os animais para tentar dar um boost na película e trazer ela mais para o estilo ocidental.

É indiscutível que a Toei, estúdio responsável pelo filme, estava buscando se tornar a Disney do oriente. Ao ver o filme logo se nota inspirações nos filmes da Disney, especialmente os dos anos 40 e os curtas de Silly Symphony, além de outros clássicos americanos, como o Popeye de Max Fleischer. Algo presente nas músicas, nas partes dos pandas e em diversos secundários ao longo do filme.

Em contrapartida o filme segue com os principais em um estilo chinês, característico de pinturas clássicas. Tanto isso, quanto a temática central do conto, foi algo escolhido a dedo pelo presidente da Toei, Hiroshi Ōkawa, que desejava por meio do filme amenizar a antiga rivalidade étnica entre Japão e China. Algo histórico que surgiu devido a guerras e que permanece em parte até hoje, sendo um grande ponto de preconceito étnico cultural no pais.

Acho louvável ver um filme tão antigo discutindo essas ideias, mas o ponto mais interessante, e importante, e o próprio conto da serpente. Pois é uma saga bela e trágica de romance envolta em questões de preconceito. Onde a yokai Niang entra com o papel de vítima, sendo constantemente dita como ruim. Primeiro por adultos na abertura do filme e depois, diversas vezes, pelo antagonista Fahai. Um poderoso monge que expurga espíritos desse mundo, e considera todos os entes sobrenaturais como malignos.

Além disso temos partes com teor similar, como quando Xian é exilado e a interação dos pandas com outros animais. Algo bem interessante, ainda mais se visto hoje em dia, devido a discussão constante que temos sobre o preconceito que nos rodeia. Da para associar, entende, por mais que a ideia inicial de tudo isso seja para abordar apenas a xenofobia.

E é isso. Como podem ver existem muitos detalhes legais de se observar em Hakujaden, por mais que seja um filme mal elaborado, confuso e datado, que foi criado para promover o ideal capitalista de se tornar a próxima Disney. Tem realmente muitos, trocentos pontos ruins, e ainda assim eu recomendo o filme. Como estudo, para ver esses detalhes de mensagens políticas e também para se divertir até um certo ponto.

Se você gosta de filmes Disney, contos folclóricos e animações como Popeye, dá para ignorar a literal mescla de dois filmes em um e se diverti um pouco. Não vai ser nada de outro mundo, mas dá para se apreciar sem olhar tantos detalhes a animação fluida, belas músicas e o conto da serpente branca em si.

Eu acho que dava pra ser mais Disney, no sentido de desvirtuar mais o conto em prol de algo épico, removendo a parte dos pandas, ou dividir 100% em dois filmes. Mas não tem como não ficar impressionado no fim, ainda mais se tratando de uma animação de 58.

E um último adendo, mais como curiosidade. O filme nos estados unidos foi um tremendo fracasso e ele se deu razoavelmente bem na Europa. Nos EUA ele foi picotado, renomeado (Panda and the Magic Serpent) e teve diversos pontos orientais “adaptados” para a cultura norte americana. Isso inclui chamar o panda vermelho de gato… Me pergunto o porquê o filme não foi bem aceito.

On the Screen: O Cristal Encantado – A Era da Resistência (Temporada 1)

Também conhecido como The Dark Crystal: Age of Resistance nos EUA, O Cristal Encantado é uma serie norte americana de Tokusatsu, no mais puro significado da palavra. É aquele tipo de show extremamente focado em efeitos especiais, so que mais de que Kamen Rider, Ultraman ou até mesmo Godzilla. Isso por se tratar de algo sem um humano sequer presente. E talvez esse seja o grande chamariz da série.

Isso se dá, pois, os efeitos são em sua maioria feito por meio de marionetes, e o resultado final é sensacional. Isso graças a coprodutora The Jim Henson Company, outrora conhecida como Muppets Inc. E eu sei, e difícil imaginar que uma produtora de filmes e series infantis faria algo tão vale da estranheza, mas na verdade isso não é novidade. Pois Age of Resistence é uma prequel.

Em 1982 a Jim Henson Company criou um filme intitulado The Dark Cristal, também chamado de O Cristal Encantado no Brasil, e dirigido pelo próprio Jim Henson (Família Dinossauros) e Frank Oz (A Pequena Loja dos Horrores). Juntos eles dirigiram o clássico Labirinto – A Magia do Tempo, além de participarem de diversos projetos dos Muppets. Logo podem ver que não é um projeto qualquer.

Visual do filme de 82, O Cristal Encantado.

Sei que a prequel não tem esses 2 talentos, infelizmente, porem muitos membros da antiga Henson retornaram para esse novo projeto. Isso inclui as filhas de Jim, Brian Froud, o artista conceitual original e o restante da família Froud, designers de maquetes e afins. Além de muitos mestres em marionete, sem contar outras incríveis adições.

Quem mais me surpreendeu nisso foi o diretor, Louis Leterrier (Carga Explosiva 1 e 2, Cão de Briga, O Incrível Hulk [2008], Fúria de Titãs [2010] e Truque de Mestre). O nome dele certamente traria ação para o filme, e realmente não faz feio nessa questão. Mas fico estupefato como ele ajudou no roteiro, edição e até mesmo assumiu papel de câmera, mostrando total dedicação ao projeto e se equiparando nesse sentido diria que a todo o cast, do pintor de cenários a quem faz os movimentos dos terríveis Skeksis.

O visual, a fluidez e o mundo recriado de Thra, com a mais perfeita fidelidade é algo de cair o queixo. Isso tudo também graças a notas dos já mencionados Jim e Frank, sobre detalhes mil esse mundo de um imaginário sinistro.

Louis Leterrier e o general Skeksis.

Eu não vi o primeiro filme, algo que desejo fortemente reparar, mas pelas imagens, vídeos e o documentário de produção do Netflix e inegável as similaridades entre os projetos e a paixão de todos os envolvidos. Por ser uma chance única, por ser algo que marcou a infância, por ter sido do crew original. E isso transparece na qualidade do show.

Jamais imaginei ver marionetes tão bem construídas e interpretação tão convincentes saindo delas. Você fica imerso, por mais que exista aquela sensação inicial que mencionei de vale da estranheza. Pois é tudo muito orgânico, por mais que sejam bonecos em tela verde e cenários de isopor.

E falando em tela verde. Existe grande uso de técnicas modernas, de animatrônica a CGI. Em alguns momentos infelizmente isso quebra a imersão, principalmente em cenas de movimentos mistas entre marionetes e modelos 3D e quando os bonecos são completamente removidos em prol de algo mais rápido, por limitações nas articulações e movimento dos próprios ventríloquos.

2 cenas para comparação, do que se vê em tela e de como a serie foi produzida.

Por outro lado, a serie apresenta aumentos no realismo vindos do 3D, como certas movimentações de rosto dos Gelflings, animais e cenários que não destoam nem um pouco, e que só dá para notar vendo o documentário já mencionado. O que me deixa ainda mais boquiaberto.

Fora que muito desse mundo me lembra produções dos anos 80, com um que de H. R. Giger e Abe’s Oddysee. Fascinação, medo e muita nostalgia. E o roteiro não fica atrás. Parece um épico de alta fantasia a lá Senhor dos Anéis, e já foi dito publicamente que o show foi muito inspirado em Avatar: A lenda de Aang e Game of Thrones. Até mesmo na contagem de corpos e elementos políticos.

 O Cristal Encantado: A Era da Resistência é um show tenebroso, que não tem medo de exaltar questões adultas em algo de classificação baixa. A todo momento achei que alguém iria morrer, principal ou não, o que gera tensão. E os momentos trágicos por morte, traição ou o que seja não são poucos. É um mundo muito mágico, distante, mas ainda assim crível nos momentos certos.

Os terríveis Skeksis.

E se eu não falei nada do enredo até agora é porque ele é basicamente isso. A descoberta de um mundo fantástico para o espectador e a urge de ver o que vai mudar na solene canção de Thra. Um mundo está caindo, coberto pela escuridão e clãs da mesma espécie se veem separados sobre o domínio dos malévolos e imortais skeksis. O resto e o resto, pois tem certos caminhos que so você pode ver, como diria a carismática Aughra.

Sei que estou jogando nomes difíceis a torto e a direto, como Thra ou Gelflings. Mas isso é porque a lore da série é tão fantástica que decorei o nome das raças e o nome de cada personagem. Algo que ao menos comigo não acontecia a um bom tempo.

Elogios para a série não me faltam, como podem ver. Mas por mais que isso tudo seja surpreendentemente fantástico, o destaque pra mim fica com os antagonistas Skeksis. Cada um deles animado por um mestre e dublados por nomes como Benedict Wong, Jason Isaacs, Simon Pegg, Awkwafina e Mark Hamill.

Poderia ficar horas sem fim falando de Dark Crystal, mas vou encerrar aqui com um sonoro ASSISTAM. Não é todo dia que falo de series aqui no blog, logo podem ver o quanto gostei dessa bagaça.

On the Screen: Infinity Train (Temporada 1) – Surpresas infinitas

Eu normalmente não falo de temporadas aqui e raramente escrevo sobre series em andamento, mas Infinity Train é uma exceção. Isso pois esse cartoon seque uma estrutura similar a series como True Dectetive onde cada temporada é um enredo, com a diferença de que a temporada 2 puxa elementos e personagens da primeira, até porque se passa no mesmo mundo. O tal trem infinito.

Mas como se deu isso numa serie do Cartoon Network? Bem, Infinity Train surgiu como um piloto de uma serie em meados de 2010, então em 2016 foi publicado como um curta no aplicativo VOD do Cartoon Network e no canal do YouTube, de maneira similar ao que faziam no Cartoon Cartoons, um antigo bloco de curtas que anteriormente eram pilotos. E que foi de onde surgiu clássicos do canal, como O Laboratório de Dexter, Meninas Super Poderosas, A Vaca e o Frango e Coragem, o Cão Covarde.

So que o Cartoon Cartoons já tinha o intuito de ver a popularidade e então dar sinal verde para a produção das series. Enquanto Infinity Train foi disponibilizado apenas para preencher vaga, se não porque ele ressurgiria 6 anos após a concepção? Era pra ser apenas mais uma opção dentre tantas outras para se assistir.

Porém, o curta de Infinity Train chegou a ultrapassar a marca de 1 milhão de visualizações em tempo recorde e logo surgiu uma petição para que o Cartoon fizesse o show. Isso tudo ainda em 2016. E parece que a empresa viu o recado e resolveu agradar os fãs, assim lançado Infinity Train em 2019.

Mas nem tudo é tão fácil. Provavelmente queriam uma serie longa, tal qual um Hora de Aventura. So que por mais que a Cartoon tenha sido boazinha, ainda é uma empresa. E nisso Infinity Train foi idealizado como uma minissérie de 10 episódios, cada 1 com 11 minutos. E por mais que isso pareça um problema, sinceramente eu acho que fez o desenho ser ainda melhor.

Sim, eu dei algumas voltas. Pois acho essa “história de origem” bem interessante e porque eu queria chegar nesse ponto da duração. Da forma como isso foi idealizado a primeira conclusão e de que seria um cartoon sem tempo suficiente para apresentar um enredo decente. Porem o que recebemos, graças ao time criativo por trás de Infinity Train, é algo sem furos e com episódios repletos de conteúdo.

Não parece que você está assistindo 11 minutos. Parece que você assiste longos seguimentos que mais parecem um filme Ghibli misturado com algo surreal como Twin Peaks. É um mundo único de fantasia e ficção jamais visto. Mas o melhor mesmo é o mistério interligado diretamente a cada um dos personagens e ao desenvolvimento da protagonista, Tulip.

O trem infinito realmente é um local bizarro, com mundos inteiros em cada vagão e seres ainda mais curiosos. Porem nada é mais intrigante do que a numeração na mão de tulip, que cresce e decresce sem um motivo aparente.  

E acima disso temos vozes misteriosas, monstros tenebrosos e o One-One. Um robozinho com dupla personalidade que busca sua mãe. E sim, até ele é mais um dos mistérios dessa jornada. Com um lado cheio de hype e outro depressivo, que lembra muito O Guia do Mochileiro das Galaxias.

Completando o trio de heróis, temos Atticus, o rei Corgi. Um corajoso e carismático cão que não apenas fala, mas se porta como nobre. E os 3 juntos são simplesmente incríveis, talvez sendo o grupo mais divertido e inusitado que vejo em anos, ao menos se tratando de desenhos. É ótimo ver eles se aventurando em reinos que variam desde montanhas de cristais a um vagão lotado de patos.

Porem a estrela ainda é Tulip e seu drama pessoal. Afinal não começamos no trem, e sim no mundo real com a protagonista fugindo de casa. E esse ponto faz toda a diferença. Um desejo negado, uma família problemática, infância dura, pais separados. Esses e outros detalhes vem a tona constantemente ao decorrer dos episódios, assim tocando em temas bem únicos para algo focado no público infantil.

Além de englobar fantasia, mistério, aventura e sci-fi, Infinity Train é também um coming of age. Uma história de amadurecimento, 100% focada no drama familiar. E eu não poderia enaltecer o quanto isso é importante e como tudo isso transforma a serie numa das melhores coisas que já assisti.

Eu falei acima que é algo para o publico infantil, mas so que de uma forma similar a como as revistas japonesas separam demografias. O foco do Cartoon Network sempre foi crianças, portanto esse é o publico alvo. Porem isso não quer dizer que a obra não possa ressoar com outras faixas etárias.

E eu acredito que Infinity Train é algo para qualquer idade. O roteiro é fenomenal, os personagens são cativantes, o mundo e encantador, e não me faltam elogios aqui. Eu recomendaria essa temporada a qualquer um de olhos fechados, até porque termina. Tudo tem um desfecho, e ai entra a questão de como foi idealizada a temporada 2.

Bem, se você ainda não viu o trailer, fique tranquilo. Eles optaram pela única saída cabível. Em vez de resetar o plot com algum motivo besta eles mantiveram o trem e introduziram um novo personagem, um novo passageiro. E por fim colocaram um secundário da temporada anterior como parte do novo trio central.

Minha única questão mesmo com a temporada 2 vai ser se vão utilizar e como vão utilizar os demais personagens que sobraram. No resto, pode ter certeza de que eu já estou no hype. XD Infinity Train é bom d+.

Primeiras Impressões: The Paladin’s Tale

Tem dias que nos sentimos derrotados. Seja porque algo de ruim aconteceu, ou por termos nos frustrados, ficado agoniados, ou no meu caso, ao menos hoje, por estar cansado. Ter de repor horas num emprego que já me toma um tempo excessivo. Uma mudança de rotina brusca, mesmo que previsível. Afinal só ocorreu por eu não ter cumprido com minhas obrigações.

Nessas horas o melhor remédio e buscar diversão rápida. Algo que já lhe deixa com um sorriso instantâneo no rosto. E isso para mim sempre foi ir atrás de uma séria longínqua que acompanho a um bom tempo e que sei que vai me divertir ou então buscar dar aquela risada. Algo raro, que hoje em dia acho que só Gintama me tira, mas enfim. Ainda existe uma terceira opção, meio arriscada, que é buscar algo novo dentro das atividades que eu gosto, sendo a mais certeira aboa e velha leitura.

Nisso, lembrando de um pedido que me veio pelo Facebook eu abri o leitor online Tapas e lá fui eu ler o teaser de The Paladin’s Tale. Um mangá medieval com atualmente 12 páginas, que me foi descrito por seu autor, Raphael Carvalho, como algo épico que surgiu em meio a uma mesa de Tormenta, logo após eu comentar que a arte da ilustradora Karolyne Rocha me lembrava muito aquilo que se via nas páginas da antiga Dragão Brasil. Que, diga-se de passagem, voltou nesses últimos tempos.

E a primeira coisa que se nota nesse capítulo 0, ou teaser como se chama na gringa, é a fenomenal capa com dois combatentes. Logo ali o hype já é setado. O velho, forte, corajoso e persistente leão contra a víbora peçonhenta, sagaz, determinada, mortal. Adjetivos que cabem como uma luva aos dois cavaleiros e os descrevem perfeitamente, como logo se vê nas páginas seguintes.

E aqui vale uma pausa, para colocar em contexto o que direi em seguida. Eu li o teaser duas vezes, primeiramente no celular via app, por ser onde a maioria dos usuários acessam o Tapas, e então depois acessei o site por meio do navegador. Parece irrelevante mencionar isso, mas a minha experiência inicial tem muito a ver com a tela do celular.

Não sei exatamente qual a resolução do meu aparelho, mas é claro que The Paladin’s Tale não foi feito pensando num aplicativo de leitura em celulares, como seria o caso de Tower of God por exemplo. E isso fez com que eu tivesse uma experiência negativa a princípio achando a luta confusa em quadros menores e por ter tido de ampliar a página para ler balões, assim estourando a imagem e perdendo parte da imersão.

Ainda assim o restante da leitura foi super agradável, e a segunda vez foi ainda melhor (ui) visto que eu pude ler num local mais propício. No caso o já mencionado navegador. Não que o mangá tenha sido pensado 100% para o digital em monitor, não. Eu diria que é bem claro que a ideia aqui e posteriormente tentar uma publicação física. E pessoalmente, acharia isto algo fantástico.

Falo assim pois o mangá de fato me conquistou. O que se dá realmente nas páginas seguintes e uma luta épica, que sozinha já faria muito marmanjo ficar apaixonado pela construção de ritmo, movimento e suspense criados pelo traço e enquadramento de Karolyne. Mas Paladin’s não estaria completo sem a narração primorosa de Raphael, que entrega algo tão afiado quanto a espada de Ingroh.

O texto de The Paladin’s Tale é tão épico quanto seu conceito. Poético até, eu diria. E sem medo de usar de termos menos coloquiais, assim presando por algo mais voltado ao medieval. Quase literário. E que cai como uma luva numa situação de batalha. Sem descrever d+. Apenas ilustrando pensamentos e dando o contexto necessário para tal introdução.

No final da leitura eu me senti empolgado e com aquele gostinho de quero mais. Me lembra RPG, Tormenta, Berserk, e tantas outras coisas que gosto tanto. Mas o que realmente me prendeu foi essa correlação com o meu dia. O sentimento de derrota, e cansaço, que superei para escrever essa resenha.

Eu vejo assim Ingroh, o personagem principal. Um cara que se vê derrotado, pelas circunstâncias de seu mundo, e cansado devido as incontáveis batalhas. Mas que ainda assim não desistiu e busca seguir em frente mesmo que contra todas as probabilidades. Um espirito de herói nato. Ou ao menos espero que se de dessa forma a construção do personagem.

Quanto ao futuro da série, eu espero que se mantenha o visto nesse começo. Ação e narrativa. Mas também espero mais diálogos, enredo, desenvolvimento de personagem e lore. Quero ver um mundo que atraia leitores, personagens carismáticos e aquele enredo de guerra ou fantasia bem fodas mesmo, sem deixar cair para o lado infantil. E nisso novamente me vem aquela lembrança de Berserk. Afinal, quem não desejaria um Guts BR?

Eu acho que tanto o Raphael Carvalho e a Karolyne Rocha estão de pé para esse trabalho, e eu so espero coisas boas vindo dessa dupla que tanto me surpreendeu. Que venha logo 2019, e com ele o real capitulo 1 da série e o começo dessa incrível jornada.

Você pode ler o teaser nesse link, bastando se registrar no Tapas e clicar em Show Me para ver a obra na integra. A mensagem que aparece no caso é referente a ter conteúdo maduro, focado em adultos. Porem esse começo não tem nada de pesado, e acredito que qualquer um consiga ler sem problemas. Ah, e caso você prefira ler em inglês, no mesmo link tem a versão americana traduzida por João Mazzei.

On The Nanquim: Hitomi

hitomi

Quando pegamos um HQ com traço ou temática oriental logo tachamos de mangá, o que não chega a ser errado, porem que atrapalha um pouco devido ao preconceito que muitos nutrem. De um lado nerds  que detestam mangás, do outro otakus que pensam o mesmo quanto aos quadrinhos, sendo que no fim ambos estão apenas generalizando e deixando de lado diversas histórias. Perdendo um pouco de cultura por ideais que não deveriam existir. Leia o resto deste post

Primeiras Impressões: The Promised Neverland (Yakusoku no Neverland)

neverland

Texto com base nos capítulos 01 ao 20

Se você manjá um pouco de inglês sabe do que se trata Neverland. Terra do Nunca. Um reino mitológico que abriga piratas, sereias e o próprio Peter Pan. E ainda assim, porque um mangá com esse título evoca tão pouco da ideia original de J. M. Barrie?

Leia o resto deste post

Resenha em Massa – Franquia Coraline

coraline

De livro para quadrinho, de quadrinho para o cinema. Adaptação. Uma palavra que gera medo no coração de todos os nerds. Adorada por uns, odiada por outros, mas ainda assim temida, pois mesmo aqueles que tomam a notícia por algo bom sabem as chances que isso tem de dar errado. Leia o resto deste post

Indie-a-Tom: Cubixx HD

Neste vídeo falamos de Cubixx HD, um action puzzle onde o jogador deve acumular pontos cortando um cubo 3D.

Leia o resto deste post

Poste Especial: Melhores de 2015!

melhores de 2015

Mais um ano que se vai, repleto de pontos altos e baixos. Não quero ser pessimista, mas isso é simplesmente a vida. O que nos faz sair da bad e seguir em frente e a maneira como encaramos os acontecimentos passados, seja guardando lembranças positivas dos momentos que tivemos com nossos familiares, desabafando no ombro de um amigo ou, se for do meu time, relembrar as obras que marcaram 2015.

Convido vocês caros leitores a curtirem um texto especial, marcando a chegada de 2016. Sim, o Melhores do Ano, um dos posts mais visitados da história do blog está de volta. Aqui eu e meus colegas nos reunimos, como bons amigos que somos, para indicar a vocês não apenas os melhores lançamentos mas também os títulos que marcaram o ano para nos.

Sem mais delongas, eis nossas escolhas para os melhores de 2015. Leia o resto deste post

On the Nanquim: Eu Mato Gigantes (I Kill Giants)

I Kill Giants Leia o resto deste post