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On the Screen: Kipo e os Animonstros – Um apocalipse diferente

Kipo e os animonstros (Kipo and the Age of Wonderbeasts) é mais uma série animada da Netflix, encomendada diretamente da Dreamworks. Mas o que me chamou atenção para ler foi o fato de que era baseada num quadrinho online chamado Kipo. E nesse ponto vou nem menti. So quis assistir para ver se gerava material para um “versus” entre a animação e o comic. Um jeito fácil de pegar algo mais atual e juntar com o foco central do blog.

O problema, ao menos para mim, e que o tal webcomic desapareceu da face da terra, salve algumas imagens usadas em matérias de review ou arquivadas em sites como o Pinterest. Logo o máximo que posso dizer em comparação é que alguns personagens tiveram uma leve mudança de design, as cores ficaram mais vivas e que tem certas páginas que parecem um story board para a série em si.

E talvez aí que esteja a resposta. O plano desde de o começo era transformar numa animação ou o conteúdo do quadrinho era tão similar que resolveram desativar o site de leitura. Não sei exatamente qual o passado de Rad Sechrist, criador de Kipo, mas ele trabalhando atualmente para a Dreamworks colabora com essa teoria.

Por um lado, isso pode ser considerado bom para evitar vazamento de roteiro. Mas para mim isso é um completo descaso com o original. Imagina se lançam uma adaptação de um quadrinho ou mangá maior e fazem o mesmo. “Ah, tem 120 capítulos? Não importa. Esconde isso ai.”. O quanto de gente que ia olhar torto e reclamar dessa ação não é brincadeira.

Logo eu realmente torço que isso tenha sido uma escolha do autor. Que ele tenha de fato sempre idealizado isso e preferiu seguir como roteirista e design da série. Pois se foi uma escolha da Netflix, Dreamworks ou estúdio coreano Mir, eu abomino essa decisão.

Não que eu diga isso tentando incentivar o boicote da série. Não.  Eu simplesmente não gosto de ver algo sumindo em prol da criação de outro algo, entende. Mesmo que a peça final seja muito melhor. Não consigo de fato afirmar isso em cima de Animonstros, mas ao menos posso falar que é um desenho bom pra caramba.

No início eu me incomodei. Nem sabia dessa história do comic, mas algo no cartoon tava off pra mim. O mundo era muito legal, com perigos disfarçados a todo canto. Como coelhos gigantes e abelhas beat box. Porem eu não curti os personagens e o enredo era bem besta, talvez simples até demais para mim. Mas o pior eram as músicas.

Não é aquele tipo de show focado em canções a lá Disney, mas constantemente eram colocadas músicas como fundo das cenas, principalmente ação, e puta que pariu… desculpem o jeito que falo, mas não podiam escolher algo pior? Essa era minha reação. A música quebrava completamente as cenas em algo que parecia mais uma playlist pessoal do estúdio que por algum motivo vazou no produto final. Não encaixava.

Fora que eu não gostava da Kipo e seu lado super mega otimista “vamos ser todos amigos”. O desenho logicamente não foi feito pensando na minha faixa etária. Meu deus, eu estou nos meus 30. Mas eu olhei esse começo pensando em como seria o meu eu do passado assistindo isso nas manhãs da TV aberta, e olha… eu ia me incomodar da mesma forma.

O lado bom disso tudo é que é uma primeira impressão. Um inicio fraco, que logo dá lugar a algo realmente bom, como eu já havia mencionado. As músicas começam a se encaixar melhor, ao ponto de ter alguns momentos que ficaram mais épicos por causa delas. E os personagens, não apenas a Kipo, melhoram cada vez mais a cada novo episódio, saindo da impressão inicial e mostrando mais faces de um mesmo personagem. E isso é ótimo.

Fora isso os combates vão ficando muito melhores, apesar deu achar que ainda falta um polimento nessa parte, e o enredo de cada um dos episódios se mostra melhor que o anterior, transformando o plot simples em uma grande jornada de aventura e descobrimento, que no fim puxa assuntos como preconceito, traição, traumas, perda, sexualidade, entre outros. E algo mostrado com uma visão mais leve, mas ainda assim é muito bom ver isso.

No fim Kipo se mostra um show super divertido, que eu agora sim consigo ver o meu eu do passado gostando ao ponto de não perder um episódio. Até porque eu gostei da obra e acabei adorando os personagens. Eu maratonei, e eu, o atual mesmo, quero ver mais temporadas.

Agora sem mais egocentrismo. Por mais que eu ache ruim o lance do quadrinho eu não tenho como não recomendar Kipo. Pode não ser o melhor desenho do mundo, mas me surpreendeu bastante e eu consigo ver um tremendo potencial na obra. Assista você, chame um amigo, apresente para seu filho ou sobrinho e vamos juntos passar o otimismo da Kipo à frente. Sim, no final até isso eu acabei gostando.

On the Nanquim: DCeased – Os zumbis da DC

Sagas de zumbis podem ser um completo desastre. Começa já com você sabendo que todos vão morrer ou da alguma esperança, joga uns personagens legais na trama e depois se perde. Afinal, todo mundo deve morrer? Deve ser achada uma cura? E assim vai… parece que não existe uma resposta satisfatória, apenas a chance de contar uma boa história mediante ao fim. E ainda assim, continuamos atraídos por tais historias, como os próprios zumbis sedentos por sangue.

DCeased, um péssimo trocaralho entre DC e deceased, do inglês “falecido”, e um título da DC, ACREDITEM SE QUISER, que segue mais o menos esse rumo. Já tivemos a minissérie intitulada apenas Deceased, com 6 volumes e um final até que aceitável, estamos tendo o spin-off DCeased: A Good Day to Die e já foi anunciado para 2020 DCeased: UNKILLABLES. E por mais que os zumbis DC ainda tenham muito chão para correr, resolvi vir aqui hoje falar o porquê essa obra é tão boa, por mais que tenha no fim rolado um gostinho de decepção.

Acho que o primeiro ponto contra é ser justamente uma mini-serie. E não digo isso me posicionando contra a obra. É que como tal, com os 6 volumes já definidos de entrada, o tempo e limitado e por conta disso existem alguns saltos no tempo, ou cortes digamos, para aproveitar melhor o número limitado de capítulos. Fora o inevitável personagem X ou Y que so aparece de fundo ou é muito mal aproveitado.

E eu reclamo disso pois acho que se tivesse dado mais espaço, o autor Tom Taylor (Injustice: Gods Among Us / All-New Wolverine) teria sem dúvida alguma criado uma saga de arrepiar os cabelos. Não que não já tenha, ou que ainda vá fazer algo melhor nas sequencias e spin-offs, mas acho que dava para transformar o ótimo em memorável, por mais que isso soe como papo de maluco. Aqui atestando mais uma vez como eu gostei da minissérie e das ideias nela implementadas.

Para começo de conversa, não são zumbis. São algum tipo de criatura surgida devido a corrupção da equação da anti-vida. E no momento que eu disse essa frase um monte de gente que nunca leu DC saiu correndo. Mas na real? Não importa. Você não precisa saber o que é anti-vida, apenas que é um troço de um planeta aliem. E diria que não precisa nem conhecer muito dos heróis para gostar da obra, por mais que seja um prato cheio de fanservice.

Mas se quiser entender um mínimo, eu recomendo ver o filme Justice League: War. E a forma mais fácil e rápida, ao meu ver, de ser introduzido a origem do herói Cyborg e entender um pouco que seja sobre o vilão Darkside e o planeta Apokolips.

Mas voltando ao que eu ia dizendo. A equação da anti-vida estava incompleta, com metade dela no corpo de Darkside. Aí descobriu-se que o resto da equação estava no corpo do Cyborg. Rola umas conversas, nada muito relevante, e termina tudo com o Darkside enfiando uma mangueira na morte e introduzindo parte dela a equação. E olha, não precisa ser um gênio para saber que ia dar merda. E se deu merda viu.

Nisso o paciente zero, o hospedeiro do vírus criado nesse acidente cósmico, se torna o Cyborg. E para evitar a contaminação de Apokolips, o homem máquina e enviado de volta à terra e se conecta a internet. E eis a sacada genial da porra toda. Wi-fi, redes sociais e toda essa bagaça. Tu tá lendo isso e já pode ter sido infectado e nem percebeu.

Mas relaxa. Não tem vírus aqui, baixa a paranoia. Porém é exatamente assim que se deu o apocalipse zumbi da DC. O sangue ainda é um fator muito importante na contaminação, então o clássico não é completamente excluído, porem a grande ameaça e olhar informações da equação anti-vida em qualquer tipo de tela de aparelhos com acesso à internet. Sim, o vírus e digital e transfere para a mente das pessoas por meio de um simples olhar. E como a internet já está na casa de bilhões de pessoas, imaginem a velocidade de contagio.

À primeira vista essa ideia de usar a internet para contaminar é algo absurdo e bem idiota, e eu mesmo não quis ler o comic por um bom tempo por conta disso. Mas basta deixar de lado o ridículo, que aí sim dá para ver o quão assustador é esse meio de infecção. E digo mais. Lhe garanto que a cada nova página o autor vai justificar cada vez melhor o terror aqui apresentado, e essa é a magia do HQ. Ao menos no começo…

É meio obvio que fazer uma obra, mesmo que somente com 6 capítulos, inteiramente baseada no medo de telas não ia dar muito certo. Aí entra a fase de lutas de heróis. É obvio que alguém relevante seria infectado. E se no início nos apegamos a obra para saber mais sobre o vírus e quem morreu, no restante nos vemos presos pensando quem vai aparecer, quem vai morrer e como vão escapar. As lutas são muito boas, algumas com soluções bem boladas, mas são segundo plano perto do restante da trama. O foco é a tensão.

O problema mesmo é como tudo termina. O jeito de resolver a situação é muito fora de qualquer enredo de zumbis, o que é ótimo, mas é algo previsível dentro do mundo DC. E ao mesmo tempo que a obra termina, muito fica em aberto, e no fim nem mesmo o final realmente deixa aquele gosto de conclusão. Ou talvez seja eu querendo algo épico d+, tal qual eu deixei claro nos primeiros parágrafos.

É ótimo ver o caminho até esse fim e depois, por meio dos spin-offs, acompanhar outros sobreviventes. As sacadas, como já mencionei, são muito fodas. Desde o lance da internet a quem sobrevive e morre. Além de como coisas banalizadas pelo uso continuo em outras obras, como o sangue, podem vir a ser algo colossalmente desastroso apenas por se tratar do mundo da DC.

Ou seja, é inegável dizer que o HQ é muito bem escrito. Mas ainda me senti um tanto mal com a conclusão abrupta e o uso mínimo de certos personagens e tramas. É o típico caso de perspectiva quebrada. Eu desejava que tudo, sem ponta solta alguma, acaba-se ali. Fim. The End. Pois eu também tenho um certo medo de que com tantos spin-offs aquela conclusão ainda permaneça por um bom tempo, estagnada, ou pior, que nunca venha a surgir uma sequência.

Eu torço muito para que DCeased continue divertido nos spin-offs e vou aguardar com gosto uma continuação. Mas ao mesmo tempo torço para que não seja mais um mundo morto, que existe apenas para gerar mais historias gore de heróis morrendo. Ao menos não mais do que já é.

On the Screen: Infinity Train (Temporada 1) – Surpresas infinitas

Eu normalmente não falo de temporadas aqui e raramente escrevo sobre series em andamento, mas Infinity Train é uma exceção. Isso pois esse cartoon seque uma estrutura similar a series como True Dectetive onde cada temporada é um enredo, com a diferença de que a temporada 2 puxa elementos e personagens da primeira, até porque se passa no mesmo mundo. O tal trem infinito.

Mas como se deu isso numa serie do Cartoon Network? Bem, Infinity Train surgiu como um piloto de uma serie em meados de 2010, então em 2016 foi publicado como um curta no aplicativo VOD do Cartoon Network e no canal do YouTube, de maneira similar ao que faziam no Cartoon Cartoons, um antigo bloco de curtas que anteriormente eram pilotos. E que foi de onde surgiu clássicos do canal, como O Laboratório de Dexter, Meninas Super Poderosas, A Vaca e o Frango e Coragem, o Cão Covarde.

So que o Cartoon Cartoons já tinha o intuito de ver a popularidade e então dar sinal verde para a produção das series. Enquanto Infinity Train foi disponibilizado apenas para preencher vaga, se não porque ele ressurgiria 6 anos após a concepção? Era pra ser apenas mais uma opção dentre tantas outras para se assistir.

Porém, o curta de Infinity Train chegou a ultrapassar a marca de 1 milhão de visualizações em tempo recorde e logo surgiu uma petição para que o Cartoon fizesse o show. Isso tudo ainda em 2016. E parece que a empresa viu o recado e resolveu agradar os fãs, assim lançado Infinity Train em 2019.

Mas nem tudo é tão fácil. Provavelmente queriam uma serie longa, tal qual um Hora de Aventura. So que por mais que a Cartoon tenha sido boazinha, ainda é uma empresa. E nisso Infinity Train foi idealizado como uma minissérie de 10 episódios, cada 1 com 11 minutos. E por mais que isso pareça um problema, sinceramente eu acho que fez o desenho ser ainda melhor.

Sim, eu dei algumas voltas. Pois acho essa “história de origem” bem interessante e porque eu queria chegar nesse ponto da duração. Da forma como isso foi idealizado a primeira conclusão e de que seria um cartoon sem tempo suficiente para apresentar um enredo decente. Porem o que recebemos, graças ao time criativo por trás de Infinity Train, é algo sem furos e com episódios repletos de conteúdo.

Não parece que você está assistindo 11 minutos. Parece que você assiste longos seguimentos que mais parecem um filme Ghibli misturado com algo surreal como Twin Peaks. É um mundo único de fantasia e ficção jamais visto. Mas o melhor mesmo é o mistério interligado diretamente a cada um dos personagens e ao desenvolvimento da protagonista, Tulip.

O trem infinito realmente é um local bizarro, com mundos inteiros em cada vagão e seres ainda mais curiosos. Porem nada é mais intrigante do que a numeração na mão de tulip, que cresce e decresce sem um motivo aparente.  

E acima disso temos vozes misteriosas, monstros tenebrosos e o One-One. Um robozinho com dupla personalidade que busca sua mãe. E sim, até ele é mais um dos mistérios dessa jornada. Com um lado cheio de hype e outro depressivo, que lembra muito O Guia do Mochileiro das Galaxias.

Completando o trio de heróis, temos Atticus, o rei Corgi. Um corajoso e carismático cão que não apenas fala, mas se porta como nobre. E os 3 juntos são simplesmente incríveis, talvez sendo o grupo mais divertido e inusitado que vejo em anos, ao menos se tratando de desenhos. É ótimo ver eles se aventurando em reinos que variam desde montanhas de cristais a um vagão lotado de patos.

Porem a estrela ainda é Tulip e seu drama pessoal. Afinal não começamos no trem, e sim no mundo real com a protagonista fugindo de casa. E esse ponto faz toda a diferença. Um desejo negado, uma família problemática, infância dura, pais separados. Esses e outros detalhes vem a tona constantemente ao decorrer dos episódios, assim tocando em temas bem únicos para algo focado no público infantil.

Além de englobar fantasia, mistério, aventura e sci-fi, Infinity Train é também um coming of age. Uma história de amadurecimento, 100% focada no drama familiar. E eu não poderia enaltecer o quanto isso é importante e como tudo isso transforma a serie numa das melhores coisas que já assisti.

Eu falei acima que é algo para o publico infantil, mas so que de uma forma similar a como as revistas japonesas separam demografias. O foco do Cartoon Network sempre foi crianças, portanto esse é o publico alvo. Porem isso não quer dizer que a obra não possa ressoar com outras faixas etárias.

E eu acredito que Infinity Train é algo para qualquer idade. O roteiro é fenomenal, os personagens são cativantes, o mundo e encantador, e não me faltam elogios aqui. Eu recomendaria essa temporada a qualquer um de olhos fechados, até porque termina. Tudo tem um desfecho, e ai entra a questão de como foi idealizada a temporada 2.

Bem, se você ainda não viu o trailer, fique tranquilo. Eles optaram pela única saída cabível. Em vez de resetar o plot com algum motivo besta eles mantiveram o trem e introduziram um novo personagem, um novo passageiro. E por fim colocaram um secundário da temporada anterior como parte do novo trio central.

Minha única questão mesmo com a temporada 2 vai ser se vão utilizar e como vão utilizar os demais personagens que sobraram. No resto, pode ter certeza de que eu já estou no hype. XD Infinity Train é bom d+.

On the Nanquim: RIO 2031

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Recentemente fomos reapresentados a serie O Homem do Castelo Alto, um dos originais da Amazon Prime, o qual adapta o clássico livro de Philip K. Dick e que apresenta uma história alternativa onde os nazistas venceram segunda guerra mundial guerra. Os heróis brasileiros ganharam um pouco mais de destaque nacional, com obras como Alfa e Dias de Horror. E o ilustrador Gabriel Picolo fechou contrato com a DC comics para fazer uma serie dos Jovens Titãs. E apesar disso tudo, porque ninguém fala da Shockdom?

Sei que nada disso parece ter ligação, mas vou chegar lá. Primeiro deixe-me apresentar vocês a Shockdom. Uma editora italiana, que para a alegria dos brasileiros, chegou ao Brasil em 2017. E logo de cara já foi publicando obras nacionais, como a serie em tiras Razão e Emoção, além da inédita série de heróis Timed.

E é justamente de Timed que vamos falar aqui, começando com Rio 2031. Um ponto de partida para toda uma linha de histórias fantásticas, a qual vamos resenhar título por título aqui no Mangatom.

CAPA RIO

Mas o que tem de tão especial em Rio 2031. E a resposta está justamente no parágrafo inicial desse texto. Num futuro não muito distante o mundo vê um súbito surgimento de super seres, porém não naquela ideia de Marvel e DC onde poucos são dotados, e sim algo que se assemelha a My Hero Academia, fazendo assim com que super-humanos superem em número os sem poderes, porem com um twist.

Em My Hero Academia quando os primeiros poderosos surgiram existiu conflito, mas é algo pouco mencionado, pois não diz respeito ao enredo, o qual mostra um mundo de heróis muito depois do surgimento. Enquanto em Rio 2031 os heróis, aqui chamados Timed, surgiram a pouco tempo, e em números alarmantes, o que acabou encadeando na Guerra Fria. Pois no mundo de Timed esse evento nunca havia ocorrido, e quando surge vem de maneira similar ao ocorrido no já mencionado O Homem do Castelo Alto, assim criando uma linha de história alternativa.

A Guerra Fria de Timed é um conflito pela supremacia entre os Estados Unidos e a Rússia, com a visão de ser a guerra para acabar com todas as outras guerras. Porem ao invés de se focar em investimentos na tecnologia, se trata de uma corrida para ver quem tem os melhores super-humanos e que pode utilizar das forças deles para mudar cenários ao redor do mundo, e assim assimilar tais localidades como aliados.

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E na frente dessas duas superpotências temos duas megacorporações, a Newstate, nos estados unidos, e a Thenation na Rússia. Sendo assim não temos um embate entre capitalismo e comunismo, e sim entre duas formas distintas de capitalismo. Algo que infelizmente é mal explorado na trama, e acaba caindo mais como uma ferramenta para o autor discutir problemas sociais, assim fazendo de Rio 2031 mais uma ficção social do que cientifica, mesmo tendo mechas e carros voadores em segundo plano.

Uma perda imensa, mas que acaba destacando o ponto alto da trama. Apesar do HQ ser de heróis, eles não são lá essas coisas. As personalidades são legais, mas não temos tempo de nos sentirmos atraídos por eles, e os poderes são basicamente o seu típico time dos X-Men, com algumas mudanças interessantes que logo falo. Menciono eles, pois é justamente essa abordagem social que dá charme a trama e não os poderosos.

Para alguns isso vai soar como algo escroto, mas pense nos Timed como recursos narrativos para se passar não uma mensagem, mas um questionamento. Com dois grupos em conflito, mesmo tendo um lado vencedor e um perdedor, acabamos acompanhando por igual a visão de ambos, junto do ponto de vista de cada personagem, por mais ínfimo que seja, assim nos fazendo tomar um lado, mesmo que inconscientemente. Ou seja, temos uma rara história sem protagonistas, com um enredo bem trabalhado e uma boa construção de mundo, daqueles que faz você querer mais ao final da trama.

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E nesse momento acho que me precipitei, pois já deixei bem claro que gostei imensamente da proposta de Rio 2031 e da série Timed, porem a resenha não acabou, pois chegou a hora de tocar no porque esse é um HQ interessante sobre heróis, mesmo eu tendo posto eles meio que de escanteio. O que obviamente complementa boa parte do que falei.

Enfim, Timed. Porque Timed? Sim, existe um motivo por trás do nome. Conhecem o Homen-Hora ou anime Tiger & Bunny? Se não, deixa eu explicar. Em ambos os exemplos o herói possui um poder incrível que pode ser utilizado por apenas uma hora. Mas e se, após essa uma hora de ativação, o herói morrer? Esses são os Timed. Heróis que tiveram seus poderes despertados e que desde então sabem o tempo que tem nesse mundo. Porem nada de 1 hora, e sim espaços como 5 ou 7 anos de vida.

É muito? Sim e não. Esse é o tempo que nos é apresentado em Rio 2031. Porém é deixado claro que esse tempo vai variar de pessoa para pessoa, sem contar que você não precisa ser um gênio para saber que isso pode ser usado para afetar a psique de um personagem. Algo que não foi explorado em Rio #1, mas que pode causar um impacto fantástico em edições futuras ou em outras series da linha Timed. Sendo este, ao menos para mim, um chamariz imenso para ir atrás dos outros títulos da Shockdom.

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Voltando rapidamente aos heróis de Rio 2031, apesar deu ter comparado a X-Men, existe um outro detalhe, além do tempo de vida, que separa este da série da Marvel. E por incrível que pareça também tem ligação com os poderes. Pois aqui um personagem com super velocidade não tem apenas super velocidade. Ele possui um poder complementar de super resistência para aguentar o atrito durante a movimentação. E na mesma ótica uma heroína com intangibilidade também possui levitação, assim evitando que ela atravesse o chão indeterminadamente. Ainda são Mercúrio e Lince Negra, porem com uma lógica maior aplicada em cima dos poderes.

E eles ganham vida graças ao Brasileiro Gabriel Picolo, o qual mencionei no começo. Um ilustrador de mão cheia, super gente fina, que tem ideias incríveis, como desenhar os Titãs em roupa casual, o que lhe garantiu o trampo na DC, desenhar a famosa série 365 Days of Doodles e criar o “romance moderno” Ícaro e o Sol. Uma serie de ilustrações que coloca o mito clássico como dois jovens apaixonados. Um favorito pessoal meu. Mas que não menciono atoa. Pois a personagem Sol serve claramente de base para a heroína Magick. O que me leva a pergunta, onde ele enfiou o gato preto em Rio 2031? Vou deixar essa solta para os fãs do Picolo responderem.

E junto dele temos o italiano Giuseppe Andreozzi, o que torna essa uma obra Ítalo-brasileira. Você provavelmente ouviu pouco dele, pois é um cara focado mais em estudo, sendo fundador e professor de roteiro da Creativ Art School, e antes de ir para a Shockdom trabalhou apenas em um projeto, a série de zumbis Mors tua. Sua primeira obra na editora foi Black Screen, a qual ainda não tem previsão de sair no Brasil.

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Com isso temos juntos 2 quadrinista bem experientes, que vieram polindo suas habilidades ao longo dos anos, mesmo que não fazendo HQ em si. O que não é um demérito, pelo contrário. Falo de um ilustrador fantástico de longa data e um roteirista que ensina milhares sua arte. Um time extremamente competente que trouxe uma das HQs de heróis mais interessantes dos últimos anos.

É algo excepcional? Não. Mas é um quadrinho de herói muito bom! E isso que vale as vezes saca. Ignore os clichês de um gênero saturado e busque enxergar o diferencial. Eu tenho certeza que você verá isso em RIO 2031, e quem sabe nas outras series da Timed. Tá curioso? Pois bem, já dou uma canja. Pois nos dias seguintes eu vou resenhar aqui justamente os títulos que dão continuidade a ideia desse mundo, os quais são Vidas de Papel e O Canto das Ondas. Ainda não li essas, mas estou empolgadíssimo!

E você, o que achou de Rio 2031? Animou para ler? Achou uma ideia batida? O que acha que é necessário para um HQ de herói decolar? Comenta aí para a gente nos comentários. Ah, é não deixa de curtir! Tem dessas no WordPress também. =P

Primeiras Impressões: Calexit

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Antes de iniciarmos o review propriamente dito vale entrar em mais detalhes sobre o título da obra, Calexit, e explicar um pouco do contexto sobe o qual essa ficção especulativa foi construída. Lembrando que como crítico e não cidadão estadunidense eu faço esse texto com o intuito de julgar apenas a obra e não me posiciono de forma política. Por isso peço que evitem discussões fervorosas sobre o tema nos comentários.

Calexit é um dos muitos nomes populares dados a Yes California Independence Campaign, ou “SIM. Campanha por uma Califórnia Independente. ” Uma campanha que visa a secessão, ou separação se preferir, do estado da Califórnia do restante da região estadunidense. O nome original “Yes” vem do movimento “Yes Scotland” que visa a separação da Escócia do Reino Unido, enquanto o popular “Calexit” é derivado do mais conhecido “Brexit”, o qual separou o Reino Unido da União Europeia. Leia o resto deste post

Vitrine: Seedtown – Conheça o Diesel Punk BR

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Falar de projetos ainda não publicados é um tanto quanto difícil. Você precisa realmente ter bastante informação sobre o autor, a obra e as vezes até fazer um certo estudo para entender melhor a proposta. Tanto que por isso eu evito falar de notícias aqui no blog, pois acho meio tedioso ler um texto apenas com “autor x lança obra y no local z, feita com materiais A, B e C.”

E ainda assim aqui estou divulgando um projeto do Catarse, pois acredito ter um futuro em cima do pouco que me foi mostrado, e gostaria de dissertar em cima disso. O mangá em questão é Seedtown, de Felipe Fox, um mineiro ainda novato no ramo de HQs, mas que demonstra um talento incrível e tem um background para se apoiar, como podemos ver na afirmação “produção que envolve técnicas tradicionais de desenho, como arte-final com pena e nanquim, e construção de imagens utilizando modelagem 3D”. Leia o resto deste post

Resenha: Black Paradox

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Quando um quadrinho vem descrito como uma série de histórias de temática similar você não duvida que seja uma coletânea, mesmo que os personagens se repitam, ainda mais quando Junji Ito é o nome por trás da obra. Nada impede também que apenas a estética seja similar ou que o principal morra e reviva em cada conto. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: DreamBreak

Neste vídeo falamos de DreamBreak, um adventure game nos moldes do clássico Another World.

On the Nanquim: Pinóquio (Pinocchio)

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