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On the Nanquim – Batman: Elmer Fudd

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Esse review foi solicitado por um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! https://discord.gg/C23m628

Recentemente foi anunciado que a DC estaria trazendo novos crossovers com personagens icônicos do passado, porém não o clássico HQ vs HQ, e sim historias envolvendo personagens de desenhos matutinos. Dessa vez é o turno dos Looney Tunes, e muitos associaram o “trazendo novos crossovers com personagens icônicos” como uma referência aos HQs mais modernos e adultos envolvendo personagens da Hanna Barbera, como o indispensável Future Quest, mesmo estes não sendo crossovers e sim uma nova interpretação.

Digo, o já mencionado Future Quest e sim um crossover, mas acaba aí. É um HQ que junta personagens apenas da Hanna Barbera, e todo o resto, Flintstones, Scooby-Doo, Corrida Maluca, entre outros, se mantem num universo próprio. Enquanto esses novos crossovers misturam personagens da DC com os Looney Tunes.

Ainda assim, se o texto não referência Hanna Barbera e afins, o que seria esse antigo crossover? Algo mais do passado? Afinal já vimos o Superman contra Muhammad AliBatman teve aventuras com Hellboy e Starman e o Coringa em certo momento foi o possuidor da Máscara. O histórico da DC é cheio de crossovers, mas nesse caso se trata de algo bem recente. Batman: Elmer Fudd, de 2017.

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Mas o que ou quem seria Elmer Fudd? No Brasil conhecemos o personagem como Hortelino Troca-Letras. Um caçador careca que fala errado e adora perseguir coelhos, sendo o arqui-inimigo do próprio Pernalonga. E é seguindo exatamente a clássica premissa de Temporada de Caça que começa o enredo dessa sombria graphic novel.

Hortelino, ou Elmer Fudd se preferir, anda pelas ruas de Gotham refletindo sobre acontecimentos passados, sempre trocando seus Ls e Rs por Ws de forma a fazer até mesmo o Cebolinha confuso, e ao chegar o bar do Gaguinho, ou Porky, aos poucos entendemos melhor as nuances desse personagem modernizado, além de nos maravilharmos com diversos fanservices e entendermos melhor o porquê de tanta reflexão.

Elmer era casado, com ênfase no ERA. Apaixonado por Silver St. Cloud, antiga paixão de Bruce Wayne por meados dos anos 70, ainda em época de Detetive Comics. Uma personagem sexy, que por algum motivo não consigo deixar de associar a Lola Bunny. Mas voltando ao “ERA”, a temporada de caça ao coelho estava aberta. Silver foi assassinada, e tudo indica que Bugs Bunny, nosso querido Pernalonga, foi o culpado.

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Assim se inicia uma conversa de mesa de bar, com dois velhos rivais em tom depressivo conversando sobre o passado, presente e fim. Ninguém nega nada. Um assassinato ocorreu e outro viria a ocorrer. Um clima bem tenso, sombrio, moderno e maduro para algo que antes era galhofa. Mas ainda assim certas características se mantem. Mesmo humanizado o coelho ainda tem seus dentes, fome por cenouras e rotas erradas. Algumas dessas coisas se tornam piadas, mas algo se sobressai. Pernalonga sempre foi o astuto, e com seu jeito de malandro solta “quem me contratou foi Bruce Wayne”.

Tal qual no desenho basta palavras para mudar a mente de Elmer, e assim começa a temporada de caça ao morcego. Uma brilhante exploração de um personagem meio desaparecido em anos recentes, mas que ainda está no panteão de mais famosos Looney Toones. E um enredo dark sem dúvida, mas tem muito espaço para fazer os fãs sorrirem, seja com os já mencionados fanservices, o embate de 2 ícones ou o dialogo fantástico.

Sem dúvida um enredo com uma boa dose de suspense e reviravoltas, que surpreende bastante devido à natureza do crossover e se mostra até mesmo mais maduro e moderno que as já mencionadas HQs da Hanna Barbera. Ainda assim minha parte favorita e como o papel do Hortelino e do Pernalonga se invertem, fazendo você pensar quem realmente é o herói, se é que existe um. Tudo isso culminando num final excepcional que promete derrubar até o cavaleiro das trevas.

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Únicos pontos negativos para mim são a fala do Elmer, já que li a versão americana e é necessário um bom conhecimento em inglês e muita atenção para poder entender os diálogos e fazer tudo ser mais fluido, e a duração do enredo, pois tudo acaba num piscar de olhos e te deixa querendo mais. Elmer Fudd seria um ótimo personagem para uma serie, investigando e distorcendo o mundo dos Looney Toones, mas infelizmente esse é apenas um especial. Uma graphic novel de ocasião única que deixara muitos órfãos, tal como eu.

E destoando um bocado do clima que acabei de descrever, ao final da história principal temos uma pequena homenagem ao curta mais famoso do Hortelino, onde com humor impecável e ajuda da burrice do principal combinada com a astucia do Pernalonga e intrusão do Batman temos a mais hilária temporada de caça ao morcego que você possa imaginar. Não chega aos pés da parte central do HQ, mas ainda assim é uma boa adição.

Tudo isso escrito por nada mais do que Tom King, e ilustrado de forma realista e fluida pelo fenomenal Lee Weeks. Tom também escreve a parte mais cômica, porem o lápis passa para Byron Vaughns que traz algo mais cartoon para a mesa.

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Batman: Elmer Fudd recentemente foi republicado nos EUA na coletânea DC Meets Looney Tunes, junto dos crossovers Legion of Super-Heroes / Bugs Bunny, Martian Manhunter / Marvin the Martian, Lobo / Road Runner, Jonah Hex / Yosemite Sam e Wonder Woman/Tasmanian Devil. Histórias que envolvem respectivamente os Looney Tunes Pernalonga, Marvin: O Marciano, Papa-Léguas, Eufrazino e Taz: O Demônio da Tasmânia como principais.

Para agosto de 2018 a DC promete repetir o feito trazendo crossovers com Mulher-Gato, Harley Quinn, Coringa e Lex Luthor encontrando Piu-Piu e Frajola, Gossamer, Patolino e Gaguinho.

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Resenha: Nigeru Otoku (O Homem que Foge)

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Existem certas obras que você lê, curte algum detalhe, detesta outro, e por mais que lhe agrade se chegar alguém para lhe perguntar “E então, o que achou?” você trava. Não sabe exatamente o que comentar a respeito. E foi assim que terminei minha leitura de Nigeru Otoku, O Homem que Foge. Sem conseguir me expressar.

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Indie-A-tom: Darkarta – O Melhor IHOG já feito!

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Você já ouviu falar de Hidden Object Game? Existem chances de você já ter dado de cara com um ou outro jogo deste gênero, mas conhece-lo a fundo é para poucos, pois é algo voltado a um nicho bem casual. Leia o resto deste post

Primeiras Impressões: The Dregs – A Sarjeta de Vancouver

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Eu pretendia começar esse texto brincando com o que as pessoas poderiam entender pelo título da obra, citando RuPaul’s Drag Race e perguntando se alguém conhece uma HQ que aborde drag queens de um ângulo mais dramático, talvez com uma pegada meio Hourou Musuko. Leia o resto deste post

Primeiras Impressões: Kangoku Jikken (Prision Lab)

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OBS: Texto com base nos 2 primeiros volumes. (12 capítulos)

Você curte o protagonista de Re: Zero ou Deadman Wonderland? Se não, você possivelmente faz parte da maioria. Afinal, eles são apenas observadores. Personagens que parecem existir apenas para apresentar ao leitor os acontecimentos do mundo, sem realmente agir. Não existe carisma, diriam muitos, apenas o propósito de seguir em frente. Leia o resto deste post

Primeiras Impressões: The Promised Neverland (Yakusoku no Neverland)

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Texto com base nos capítulos 01 ao 20

Se você manjá um pouco de inglês sabe do que se trata Neverland. Terra do Nunca. Um reino mitológico que abriga piratas, sereias e o próprio Peter Pan. E ainda assim, porque um mangá com esse título evoca tão pouco da ideia original de J. M. Barrie?

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Primeiras Impressões: The Forevers

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Um grupo de pessoas se reúne a noite e ateiam fogo numa vasta planície, a qual ganha um serpenteado de cor purpura incandescente e fosforo branco. Sete pessoas, um começo, um mistério.

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Uma boa companhia

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No entardecer daquele dia minha mãe e eu fomos para a casa de uma irmã dela. Antes de embarcarmos quase pegamos um ônibus que pifou; sorte que depois passou outro de igual itinerário e nele seguimos. Se não me engano, isto deve ter uns três ou quatro anos.

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Poste Especial: Melhores de 2015!

melhores de 2015

Mais um ano que se vai, repleto de pontos altos e baixos. Não quero ser pessimista, mas isso é simplesmente a vida. O que nos faz sair da bad e seguir em frente e a maneira como encaramos os acontecimentos passados, seja guardando lembranças positivas dos momentos que tivemos com nossos familiares, desabafando no ombro de um amigo ou, se for do meu time, relembrar as obras que marcaram 2015.

Convido vocês caros leitores a curtirem um texto especial, marcando a chegada de 2016. Sim, o Melhores do Ano, um dos posts mais visitados da história do blog está de volta. Aqui eu e meus colegas nos reunimos, como bons amigos que somos, para indicar a vocês não apenas os melhores lançamentos mas também os títulos que marcaram o ano para nos.

Sem mais delongas, eis nossas escolhas para os melhores de 2015. Leia o resto deste post

Motio-boy

moto

Certa vez me dirigia ao ponto de ônibus, a fim de voltar para casa. Fizera compras e estava cheio de sacolas nas mãos. Distante de mim, atrás, na esquina da rua, estava um rapaz encostado com o ombro no poste, às vezes me olhava e às vezes olhava para o outro lado. Ele vestia um colete preto com detalhes verdes por cima das vestes comuns, tênis ou sapatos escuro, confesso que não sei distinguir; também havia uma moto próxima dele, não muito bonita. Era um motoboy.

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