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Como escrever um review?

Como escrever um review? Pode parecer uma pergunta besta, onda a maioria das pessoas nem ao menos pensaria nisso e iria direto pôr a mão na massa. Afinal, “é so um texto”. E um review ainda por cima. “É minha opinião”, “estou fazendo para mim mesmo” e “é um hobby”. “Para que eu deveria fazer uma resenha seguindo regras?” E assim vai. Eu poderia passar a tarde listando diversas frases que eu escutei a respeito disso ao longo dos anos, incluindo algumas mais “delicadas”. Mas não é bem assim.

Saber escrever um bom review importa, e muito.

Logico que eu não digo isso me achando e falando que eu tenho “o metodo” dos reviews. Longe disso. O que quero com esse texto é pegar e destrinchar como eu escrevo minhas resenhas, pois eu acredito que eu possa ajudar você a melhorar. Sem verdades aqui. Apenas dicas que eu acredito valerem de algo. Se não com certeza escrever por 6 anos sem parar não me valeu de nada.

Muita gente de fato me pergunta “Como escrever um review?”. E a primeira coisa que você tem de saber é como fazer um texto como qualquer outro, seguindo aquelas regras que aprendeu na escola e que reviu, ou vai rever, na faculdade. E eu não falo aqui da ABNT, pelo amor de deus. Eu falo de início, meio e fim.

Colocando de uma forma mais fácil de explicar, o seu texto deve conter uma introdução, a parte central e a conclusão. Super moleza entender isso. Mas para alguns eu ainda vejo dificuldade de aplicar essa estrutura de uma forma que puxe a atenção do leitor e que faça valer a leitura.

Comecemos pela introdução. Os 3 / 4 primeiros parágrafos desse texto são minha introdução para “Como escrever um review”. Eu apresento a ideia central, a qual vai ser destrinchada melhor no meio da resenha, que seria o ponto onde estamos no momento, e explico um pouco do que me levou a escrever essas linhas.

O problema nessa parte é o que algumas pessoas entendem por introdução. Colocando no viés de um review, muitos iniciam seus textos com uma sinopse, resumo, ou ladainha mesmo. Ninguém quer saber o porquê você se apaixonou por One Piece antes de você explicar ao leitor que vai falar sobre One Piece.

Nesse caso eu digo que seria errado algo como:

Mano, eu to lendo um mangá muito foda de piratas e caramba. Eu to apaixonado por esse troço. Os personagens são d+. Amo a arte. E caralho, o Luffy, o Zoro, O Sanji, que homens! So luta foda.

Ladainha. Eu estou usando One Piece de exemplo por ser um mangá bem conhecido, mas peço que imaginem alguém falando isso de um título que você nunca ouviu falar ou que escutou muito pouco a respeito. Você leria esse texto? A resposta provavelmente é não, a não ser que seja um amigo seu que tenha escrito. Talvez nem assim.

Uma introdução de review, ao meu ver, deve conter a ideia central do texto, o porque você vai falar disso ou como chegou nessa ideia, que são coisas que já mencionei. E além disso informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico. Ainda assim, sem exagerar. Ainda é apenas a introdução.

Um exemplo que dou aqui seria de como eu escreveria a introdução para Devilman Crybaby. Vejamos:

Sempre que eu olho para animes e mangás antigos eu penso “que coisa horrível”. Sim, eu acho o traço feio e datado, e esse certamente é o meu maior empecilho na hora de ler obras clássicas. E acredito que seja assim com a maioria das pessoas.

Os anos 70 mesmo tinham um visual muito único de seu tempo, o qual era copiado quase que a risca por diversos autores. O traço que marcou uma era. Gen Pés Descalços, Ayako, Mars. São todos diferentes quando comparados lado a lado, mas ainda assim muito similares. Não falo do estilo do artista como um todo, mas sim de certos elementos que se repetiam aqui e ali.

E eram esses trejeitos que me mantinham afastado, por mais besta que isso soe. Demorou um tempo para eu remover esse preconceito da minha mente, e um dos mangás que me ajudaram nisso foi Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma, e até o momento uma das melhores obras que li na vida.

Pulando para 2018, a Netflix anuncia mais um projeto de animação original. Dessa vez Devilman Crybaby. Um anime baseado justamente nesse manga que eu gosto tanto e que significa tanto para mim como pessoa. So que dando uma modernizada para cair no gosto da geração atual. Um ponto que me gera um certo medo, mas que ainda assim recebo de braços abertos e me perguntando. Se o anime for bom mesmo, qual seria a melhor porta de entrada para Devilman? Anime ou Mangá? Assistir um anularia a necessidade de ler o outro?

A introdução que você leu é parte de um “protótipo” de texto, que talvez eu ainda venha a publicar, por isso não se atenha muito as informações. Mas é nesse ponto mesmo que ele mostra o que eu disse anteriormente. “Informações que façam sentido dentro do contexto e que possam vir a deixar o seu texto mais rico”.

E fundamental fazer pesquisas. Para colocar algo em contexto na introdução, e que vai ser puxado mais à frente. Para falar de assuntos interessantes no meio. Para concluir dando informações pertinentes. Para deixar o texto mais rico por inteiro. Ou ao menos eu crio minhas resenhas dessa forma.

De acordo com o canal Errant Signal, o espectro de um texto focado em jogos fica num gráfico de pirâmide que possui Jornalismo / Review ao lado de Critico Cultural / Literário, que por fez fica ao lado de Design / Formalismo. Mas o que exatamente isso quer dizer?

O apresentador do canal por meio desse gráfico tentou dizer que basicamente existem 3 formas de se falar de um jogo. Jornalismo / Review seria criar um texto com foco no consumidor, como se tentasse vender um produto ou convencer a pessoa de uma ideia. E anotem isso, pois estamos falando de review aqui, e review certamente é isso. O ato de convencer.

Na parte de Critico Cultural / Literário ele fala sobre como o texto pode conter informações relacionadas a cultura. Não é difícil entender esse. Voltando a mangás rapidamente, isso seria o meu paragrafo onde escrevo “…Devilman, do mestre Go Nagai. Anos 70 em sua melhor forma…”. Eu estou informando o leitor, mas não de um nível muito técnico e profundo.

Isso seria a parte do Design / Formalismo. Falar de algo de forma mais técnica. Como quando eu faço um review de um game falando “Esse jogo apresenta elementos de Rogue Like, como leveis de geração procedural.” Nisso eu estou sendo mais técnico. Num quadrinho, so para exemplificar melhor, essa parte seria o escritor falar sobre quadros, tipografia ou técnicas de desenho.

E por fim o Errant Signal coloca que não existe uma pessoa que se utilize de todos esses espectros. Sempre vai existir uma inclinação maior para uma das pontas ou uma combinação de dois desses “estilos”. E vai caber a você descobrir qual destes se encaixa melhor na forma como você escreve.

So que já sabemos que se for um review, a gente sempre vai inclinar exatamente para… review. É meio obvio. Então acaba que nesse seguimento, ao menos pela visão do Errant, so poderíamos ser mais culturais ou técnicos. Se não manter apenas no review. E aí eu já discordo um pouco.

Acho que vender um produto, no caso fazer um review, é apenas um estilo de texto. Assim como existe ensaio, cobertura, etc. Mas não descarto ter aquele ponto mais cultural, tirando a parte de critico que ele coloca e anexando junto algo histórico. E também não removo a ideia de algo mais técnico, deixando a parte formal de lado.

Pile of Various newspapers over white background

Formalidade eu vejo como algo necessário apenas para a plataforma a qual você escreve. Um jornal vai exigir uma linguagem mais formal que um blog, por assim dizer. Eu mesmo no meu trabalho IRL faço um roteiro mais casual para o YouTube e outro mais formal para treinamento. Ainda assim ambos os textos são do espectro técnico.

Mas o que colocar no lugar da parte do review? Eu pessoalmente colocaria ali a emoção. Ai já pensando de forma mais “publicitaria”, sabe. Você já deve ter visto que existem propagandas que pegam muito no emocional de quem assiste. Então porque não usar de emocional no seu texto, já que você tecnicamente está vendendo um produto?

A diferença aqui é que você não está fazendo uma propaganda, e sim um review. Logo o emocional que me refiro, e que pode vir a afetar o leitor, seria o emocional vindo de você. Ou em outros termos, falar como se sentiu após consumir a obra é algo totalmente valido.

Então temos aqui Emocional, Cultural / Histórico e Técnico. Não sei se necessariamente nessa ordem, para criar aquela pirâmide perfeita que diz em quais pontas você se encontra como reviewer, pois eu não saberia como equilibrar isso, nem se realmente teria como. Apenas acho que todos esses são fatores relevantes num texto de review, e que certamente você vai se inclinar para algum destes.

Me auto analisando, eu diria que meus textos sobre mangás pegam cultural e emocional, enquanto meus textos sobre games vão mais para o lado cultural e técnico. Isso pois eu entendo mais da parte técnica de jogos enquanto não manjo tanto dos pormenores de um mangá. E se formos para animação, eu entraria nos 3 espectros, porem me utilizando menos da parte cultural.

Isso apenas quer dizer que suas experiências, obviamente, também influenciam na maneira como você escreve. Tanto que acho valido o argumento que alguns reviewers usam. O famoso “consuma tudo”. No caso, leia obras ruins, jogue games chatos, assista filmes vencedores do oscar, corra atrás dos clássicos. Saiba de tudo um pouco, inclusive da parte bosta.

Assim você adquire um conhecimento mais amplo. Eu mesmo joguei diversos jogos de plataforma, e por isso consigo dizer com maior facilidade qual level design é bom e qual é ruim, enquanto um novato do gênero pode achar que o level design de Super Meat Boy é ruim apenas por conta da dificuldade do jogo.

Colocando isso agora na área dos mangás. Eu leio poucas obras de romance, então se surgir algo de romance que me agrade, eu provavelmente vou idolatrar o título, mesmo que seja medíocre. Pois minha falta de experiência com o gênero me faz enxergar aquele enredo simplório como algo de outro mundo. Tá ai o porquê tanta gente ama o Adam Slanders, ou ao menos gosto de pensar que é por conta de algo assim.

E com isso terminamos a introdução e o meio. E ai você se me diz “Mas como assim, falou nada sobre o meio do texto”. E na boa, nessa parte você pode escrever o que bem entender. Você vai ter de analisar a obra, observando os pontos mais importantes, e então escrever sobre o enredo, personagens, mundo, mecânicas, visual, musica, efeitos especiais, abertura, etc. Vai depender do que estiver sendo criticado e não tem problema algum excluir a menção de um elemento ou outro se achar necessário. Por exemplo, se o som ambiente é quase imperceptível, o que você vai falar em cima disso?

Por fim, a conclusão. Ou quase fim. No caso desse texto, pois ainda tenho mais coisas a falar depois disso. Em fim, falemos do fim. Seja claro. Não enrole. A introdução pode ser um pouco maior do que você imaginou, mas a conclusão continua sendo curta e direta ao ponto. Agora sim algo mais voltado a um resumo do texto.

No geral Hataraku Saibou é um anime com ótimas ideias e ótimos personagens, mas que não soube se utilizar bem de seus próprios recursos, o que por fim resultou numa experiência extremamente maçante ao se ver maratonando. É aquele caso de serie a qual é melhor ver um episódio por semana e aproveitar ao máximo aqueles que se sobressaem.

É bem isso, não tem segredo. No máximo coloque junto informações de onde encontrar a obra, ou caso você esteja fazendo um texto antes do lançamento, quando vai sair, quem é o autor, editora, etc. Lembrando de nesse caso fazer o texto de acordo com o especificado no trato, caso concordado por ambas as partes. E por favor, não se venda como reviewer.

Falando ainda disso, respeite o embargo. Não publique antes do combinado nem vaze informações sem ter permissão. Fazer algo para um grupo e não cumprir te fere muito e pode acabar com o seu projeto.

Por fim, preste atenção no seu público. Não tenha medo de fazer perguntas, ler comentários e principalmente de olhar analytics. Eu por exemplo sei que meu público gosta de obras mais adultas e voltadas para o sobrenatural / terror, além dos insuperáveis shounens de porrada padrão. Ah, e tente manter seu texto em 2 páginas, no máximo 3. Não faça um textão igual esse aqui, e por favor se for colocar algo técnico e cultural, deixe mastigado para que quem não tem conhecimento da matéria consiga entender.

E pelo amor de deus, não seja pessoal demais colocando EU toda hora e falando so da SUA experiência a cada linha. Não existe de fato algo 100% imparcial, mas tente apresentar o texto de forma que não entregue tanto que se trata da sua opinião, por mais que realmente seja sua opinião. Sim, coisa de doido, mas funciona. Faça o leitor querer o produto já pensando que queria ele antes de ler, por mais vago que isso soe.

E não faça parágrafos gigantes com tudo junto e embaralhado. E assim vai. Eu poderia passar horas escrevendo mais e mais aqui. Falando como você deve evitar repetir palavras num mesmo parágrafo, e sim optar por sinônimos. Mas ia ficar chato entende. No final, não existe realmente uma regra absoluta de como fazer um bom review. Falei um pouco do meu processo e dei dicas, que podem vir ou não a lhe ajudar. Crie o seu próprio processo. Veja outros sites e tente entender a maneira como os reviews deles foram construídos. Pode até copiar se achar necessário, mas mescle com outros estilos, evolua, crie o seu próprio. Seja um reviewer.

3 Tiras – Blue Chair, Lunarbaboon, Safely Endangered

Hoje em dia eu leio muita coisa por meio do celular, mas já foi um tempo em que existia um certo preconceito de minha parte, ou até ignorância eu diria, que me impedia de ir atrás de obras longas, sequenciais, feitas para a leitura especificamente no app. Como é o caso de Gosu, Tower of God, Elf & Warrior e tantas outras obras.

Ainda assim por algum motivo eu não via da mesma forma a leitura das chamadas tirinhas. Não pensava que cansaria a vista, ou que seria difícil de enxergar, ou que tomaria muito de meu tempo. E olha que meu celular não tem uma tela muito ampla. E lá fui eu baixar o app Webtoon.

Meu objetivo inicial era simplesmente passar o tempo do metrô lendo o famoso Blue Chair, mas logo expandi esse “universo” com os títulos Lunarbaboon e Safely Endangered, pois queria um pouco mais de variedade ao passar túnel após túnel dentro de uma lata de sardinha. E é sobre esses três títulos que gostaria de falar brevemente nesse texto. Então vamos lá.

Blue Chair

Se você gosta de tiras e bem capais de já ter se deparado com o garoto de cabelo alaranjado, blusa amarela e calça azul chamado Shen. Ou Shenanigansen, se preferir. O @ que ele vem utilizando a anos no Twitter. Rede social onde me deparei pela primeira vez com o que viria a ser o estilo de Blue Chair.

Voltando ao Webtoon, inicialmente as tiras tinham a proposta de apresentar uma ideia que deveria ser comum, mas que possui uma interpretação maluca, assim gerando o twist que leva a risada. É aquele lance da comedia do imprevisível. Algo tão absurdo que você não tem para onde ir se não rir. E é daí também que surge o título, a cadeira azul. Pois tudo se inicia meio que como uma conversa no divã onde o próprio protagonista se analisa e se auto responde, levando a toda essa doideira que me agrada tanto.

Com o tempo a cadeira passou a ser personagem, outros personagens foram criados, o próprio shen virou diversas entidades, e no fim a cadeira meio que sumiu, e para o melhor. Foi meio que removida a limitação causada pelo objeto e pela ideia de pensamento e questionamento, assim dando a liberdade necessária para extravasar ainda mais e romper limites, até mesmo transitando entre gêneros.

Comedia, ação, terror, drama. Um pouco de cada, mas na dose certa para causar alguma reação. Eu fiquei empolgado, tive medo e me emocionei fortemente. Blue Chair e algo realmente a parte, e faz jus ao próprio sucesso. Sendo minha parte favorita o conto do pequeno bombeiro. Quando chegar lá você vai entender.

Lunarbaboon

Eu ter ido ler Lunarbaboon se deve graças a um amigo meu. Eu via ele compartilhando momentos desse HQ e fui atrás na primeira oportunidade. Aqui a comedia continua tendo um foco muito grande, mas o clima é definitivamente outro se comparado a Blue Chair.

Lunarbaboon é um nome estranho, não é? Parece algo criado por uma criança. E talvez seja. Pois essa tira tem como foco conversar com o leitor sobre o cotidiano de um adulto, casado, pai de 2 crianças. Não é para todos, eu sei. Mas talvez devesse ser, meio que como uma receita de remédio.

Eu gosto bastante desse diferencial de ver o lado positivo de ser adulto e criar um filho, por mais que isso se afaste da minha realidade. Mas acho que a parte que mais me anima nessa tira e ela sempre ser positiva e trazer o melhor de mim à tona. Novamente, é algo que me anima d+. Que parece trazer uma energia extra que eu guardava lá no fundo.

Mas Lunar brilha mesmo é quando toca em assuntos mais abrangentes, e um tema recorrente aqui é a depressão, que parece crescer junto com a gente, como um monstro prestes a tomar nossa vida. Sim, é algo sombrio so de pensar. Mas pensar nisso e ver uma luz ao final do túnel, por mais que em algo desenhado, e possivelmente fictício, faz uma boa diferença. Ainda mais quando se nota que os sentimentos do autor realmente estão ali, em cada traço, em cada dialogo.

Safely Endangered

Esse é o mais maluco dos três. Se Blue Chair extrapola naquilo da comedia do imprevisível, então Safely Endangered vai a níveis cósmicos e transcende ao infinito. Lembra daquele episódio de Os Simpsons em que Homer estica a mão para uma borboleta e o inseto se fecha todo e entra na pele dele? É bem nesse nível. Você realmente não tem como prever o desfecho, e isso que faz dessa tira tão boa.

Ainda assim, ao menos para mim, o ponto alto da obra foi quando o narrador do título, o que “grita” Safely Endangered ao início de cada tira, tomou consciência e quebrou a quarta barreira, tendo seu próprio arco em meio as já malucas tiras semanais.

E eu sinto falta disso, dessa criação de um universo próprio. Algo bem utilizado em Blue Chair. Mas ainda assim não me arrependo de continuar acompanhado essa besteirada magnifica que o cara cria a cada novo capitulo. Eu rio alto lendo esse, e as vezes é bem esse momento, de você cair na gargalhada, que faz o seu dia.

E é isso gente, essas foram as 3 tiras que me fizeram entrar com gosto no mundo dos webtoons, e as primeiras dessa nova serie intitulada “3 tiras”. Falar de tirinhas assim num texto grande, tendo apenas uma como o ponto central e difícil. A não ser que seja algo como Calvin e Haroldo ou Valente, que tem aquele conteúdo a mais para refletir ou que realmente possui um enredo.

So que isso é raro, e eu mesmo não tenho esse entusiasmo todo para pegar e fazer 2 ou 3 páginas sobre uma tirinha, a não ser que o material me surpreenda tanto quanto Tê Rex, a qual eu resenhei solo aqui no blog. E mesmo falar de Tê foi difícil, acreditem. Não por ser ruim, longe disso, é ótimo. É mais uma limitação que vejo em mim mesmo quando se trata de obras nesse estilo e que pretendo quebrar, nem que parcialmente, com essa ideia de falar de 3 tiras simultaneamente.

Eu acho que vai dar bom, ou assim espero. E você, curtiu a ideia? Tem sugestão de alguma tira para a gente olhar? Vai fundo e comenta ae!

On the Nanquim – Batman: Elmer Fudd

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Esse review foi solicitado por um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! https://discord.gg/C23m628

Recentemente foi anunciado que a DC estaria trazendo novos crossovers com personagens icônicos do passado, porém não o clássico HQ vs HQ, e sim historias envolvendo personagens de desenhos matutinos. Dessa vez é o turno dos Looney Tunes, e muitos associaram o “trazendo novos crossovers com personagens icônicos” como uma referência aos HQs mais modernos e adultos envolvendo personagens da Hanna Barbera, como o indispensável Future Quest, mesmo estes não sendo crossovers e sim uma nova interpretação.

Digo, o já mencionado Future Quest e sim um crossover, mas acaba aí. É um HQ que junta personagens apenas da Hanna Barbera, e todo o resto, Flintstones, Scooby-Doo, Corrida Maluca, entre outros, se mantem num universo próprio. Enquanto esses novos crossovers misturam personagens da DC com os Looney Tunes.

Ainda assim, se o texto não referência Hanna Barbera e afins, o que seria esse antigo crossover? Algo mais do passado? Afinal já vimos o Superman contra Muhammad AliBatman teve aventuras com Hellboy e Starman e o Coringa em certo momento foi o possuidor da Máscara. O histórico da DC é cheio de crossovers, mas nesse caso se trata de algo bem recente. Batman: Elmer Fudd, de 2017.

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Mas o que ou quem seria Elmer Fudd? No Brasil conhecemos o personagem como Hortelino Troca-Letras. Um caçador careca que fala errado e adora perseguir coelhos, sendo o arqui-inimigo do próprio Pernalonga. E é seguindo exatamente a clássica premissa de Temporada de Caça que começa o enredo dessa sombria graphic novel.

Hortelino, ou Elmer Fudd se preferir, anda pelas ruas de Gotham refletindo sobre acontecimentos passados, sempre trocando seus Ls e Rs por Ws de forma a fazer até mesmo o Cebolinha confuso, e ao chegar o bar do Gaguinho, ou Porky, aos poucos entendemos melhor as nuances desse personagem modernizado, além de nos maravilharmos com diversos fanservices e entendermos melhor o porquê de tanta reflexão.

Elmer era casado, com ênfase no ERA. Apaixonado por Silver St. Cloud, antiga paixão de Bruce Wayne por meados dos anos 70, ainda em época de Detetive Comics. Uma personagem sexy, que por algum motivo não consigo deixar de associar a Lola Bunny. Mas voltando ao “ERA”, a temporada de caça ao coelho estava aberta. Silver foi assassinada, e tudo indica que Bugs Bunny, nosso querido Pernalonga, foi o culpado.

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Assim se inicia uma conversa de mesa de bar, com dois velhos rivais em tom depressivo conversando sobre o passado, presente e fim. Ninguém nega nada. Um assassinato ocorreu e outro viria a ocorrer. Um clima bem tenso, sombrio, moderno e maduro para algo que antes era galhofa. Mas ainda assim certas características se mantem. Mesmo humanizado o coelho ainda tem seus dentes, fome por cenouras e rotas erradas. Algumas dessas coisas se tornam piadas, mas algo se sobressai. Pernalonga sempre foi o astuto, e com seu jeito de malandro solta “quem me contratou foi Bruce Wayne”.

Tal qual no desenho basta palavras para mudar a mente de Elmer, e assim começa a temporada de caça ao morcego. Uma brilhante exploração de um personagem meio desaparecido em anos recentes, mas que ainda está no panteão de mais famosos Looney Toones. E um enredo dark sem dúvida, mas tem muito espaço para fazer os fãs sorrirem, seja com os já mencionados fanservices, o embate de 2 ícones ou o dialogo fantástico.

Sem dúvida um enredo com uma boa dose de suspense e reviravoltas, que surpreende bastante devido à natureza do crossover e se mostra até mesmo mais maduro e moderno que as já mencionadas HQs da Hanna Barbera. Ainda assim minha parte favorita e como o papel do Hortelino e do Pernalonga se invertem, fazendo você pensar quem realmente é o herói, se é que existe um. Tudo isso culminando num final excepcional que promete derrubar até o cavaleiro das trevas.

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Únicos pontos negativos para mim são a fala do Elmer, já que li a versão americana e é necessário um bom conhecimento em inglês e muita atenção para poder entender os diálogos e fazer tudo ser mais fluido, e a duração do enredo, pois tudo acaba num piscar de olhos e te deixa querendo mais. Elmer Fudd seria um ótimo personagem para uma serie, investigando e distorcendo o mundo dos Looney Toones, mas infelizmente esse é apenas um especial. Uma graphic novel de ocasião única que deixara muitos órfãos, tal como eu.

E destoando um bocado do clima que acabei de descrever, ao final da história principal temos uma pequena homenagem ao curta mais famoso do Hortelino, onde com humor impecável e ajuda da burrice do principal combinada com a astucia do Pernalonga e intrusão do Batman temos a mais hilária temporada de caça ao morcego que você possa imaginar. Não chega aos pés da parte central do HQ, mas ainda assim é uma boa adição.

Tudo isso escrito por nada mais do que Tom King, e ilustrado de forma realista e fluida pelo fenomenal Lee Weeks. Tom também escreve a parte mais cômica, porem o lápis passa para Byron Vaughns que traz algo mais cartoon para a mesa.

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Batman: Elmer Fudd recentemente foi republicado nos EUA na coletânea DC Meets Looney Tunes, junto dos crossovers Legion of Super-Heroes / Bugs Bunny, Martian Manhunter / Marvin the Martian, Lobo / Road Runner, Jonah Hex / Yosemite Sam e Wonder Woman/Tasmanian Devil. Histórias que envolvem respectivamente os Looney Tunes Pernalonga, Marvin: O Marciano, Papa-Léguas, Eufrazino e Taz: O Demônio da Tasmânia como principais.

Para agosto de 2018 a DC promete repetir o feito trazendo crossovers com Mulher-Gato, Harley Quinn, Coringa e Lex Luthor encontrando Piu-Piu e Frajola, Gossamer, Patolino e Gaguinho.

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On the Nanquim: RIO 2031

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Recentemente fomos reapresentados a serie O Homem do Castelo Alto, um dos originais da Amazon Prime, o qual adapta o clássico livro de Philip K. Dick e que apresenta uma história alternativa onde os nazistas venceram segunda guerra mundial guerra. Os heróis brasileiros ganharam um pouco mais de destaque nacional, com obras como Alfa e Dias de Horror. E o ilustrador Gabriel Picolo fechou contrato com a DC comics para fazer uma serie dos Jovens Titãs. E apesar disso tudo, porque ninguém fala da Shockdom?

Sei que nada disso parece ter ligação, mas vou chegar lá. Primeiro deixe-me apresentar vocês a Shockdom. Uma editora italiana, que para a alegria dos brasileiros, chegou ao Brasil em 2017. E logo de cara já foi publicando obras nacionais, como a serie em tiras Razão e Emoção, além da inédita série de heróis Timed.

E é justamente de Timed que vamos falar aqui, começando com Rio 2031. Um ponto de partida para toda uma linha de histórias fantásticas, a qual vamos resenhar título por título aqui no Mangatom.

CAPA RIO

Mas o que tem de tão especial em Rio 2031. E a resposta está justamente no parágrafo inicial desse texto. Num futuro não muito distante o mundo vê um súbito surgimento de super seres, porém não naquela ideia de Marvel e DC onde poucos são dotados, e sim algo que se assemelha a My Hero Academia, fazendo assim com que super-humanos superem em número os sem poderes, porem com um twist.

Em My Hero Academia quando os primeiros poderosos surgiram existiu conflito, mas é algo pouco mencionado, pois não diz respeito ao enredo, o qual mostra um mundo de heróis muito depois do surgimento. Enquanto em Rio 2031 os heróis, aqui chamados Timed, surgiram a pouco tempo, e em números alarmantes, o que acabou encadeando na Guerra Fria. Pois no mundo de Timed esse evento nunca havia ocorrido, e quando surge vem de maneira similar ao ocorrido no já mencionado O Homem do Castelo Alto, assim criando uma linha de história alternativa.

A Guerra Fria de Timed é um conflito pela supremacia entre os Estados Unidos e a Rússia, com a visão de ser a guerra para acabar com todas as outras guerras. Porem ao invés de se focar em investimentos na tecnologia, se trata de uma corrida para ver quem tem os melhores super-humanos e que pode utilizar das forças deles para mudar cenários ao redor do mundo, e assim assimilar tais localidades como aliados.

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E na frente dessas duas superpotências temos duas megacorporações, a Newstate, nos estados unidos, e a Thenation na Rússia. Sendo assim não temos um embate entre capitalismo e comunismo, e sim entre duas formas distintas de capitalismo. Algo que infelizmente é mal explorado na trama, e acaba caindo mais como uma ferramenta para o autor discutir problemas sociais, assim fazendo de Rio 2031 mais uma ficção social do que cientifica, mesmo tendo mechas e carros voadores em segundo plano.

Uma perda imensa, mas que acaba destacando o ponto alto da trama. Apesar do HQ ser de heróis, eles não são lá essas coisas. As personalidades são legais, mas não temos tempo de nos sentirmos atraídos por eles, e os poderes são basicamente o seu típico time dos X-Men, com algumas mudanças interessantes que logo falo. Menciono eles, pois é justamente essa abordagem social que dá charme a trama e não os poderosos.

Para alguns isso vai soar como algo escroto, mas pense nos Timed como recursos narrativos para se passar não uma mensagem, mas um questionamento. Com dois grupos em conflito, mesmo tendo um lado vencedor e um perdedor, acabamos acompanhando por igual a visão de ambos, junto do ponto de vista de cada personagem, por mais ínfimo que seja, assim nos fazendo tomar um lado, mesmo que inconscientemente. Ou seja, temos uma rara história sem protagonistas, com um enredo bem trabalhado e uma boa construção de mundo, daqueles que faz você querer mais ao final da trama.

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E nesse momento acho que me precipitei, pois já deixei bem claro que gostei imensamente da proposta de Rio 2031 e da série Timed, porem a resenha não acabou, pois chegou a hora de tocar no porque esse é um HQ interessante sobre heróis, mesmo eu tendo posto eles meio que de escanteio. O que obviamente complementa boa parte do que falei.

Enfim, Timed. Porque Timed? Sim, existe um motivo por trás do nome. Conhecem o Homen-Hora ou anime Tiger & Bunny? Se não, deixa eu explicar. Em ambos os exemplos o herói possui um poder incrível que pode ser utilizado por apenas uma hora. Mas e se, após essa uma hora de ativação, o herói morrer? Esses são os Timed. Heróis que tiveram seus poderes despertados e que desde então sabem o tempo que tem nesse mundo. Porem nada de 1 hora, e sim espaços como 5 ou 7 anos de vida.

É muito? Sim e não. Esse é o tempo que nos é apresentado em Rio 2031. Porém é deixado claro que esse tempo vai variar de pessoa para pessoa, sem contar que você não precisa ser um gênio para saber que isso pode ser usado para afetar a psique de um personagem. Algo que não foi explorado em Rio #1, mas que pode causar um impacto fantástico em edições futuras ou em outras series da linha Timed. Sendo este, ao menos para mim, um chamariz imenso para ir atrás dos outros títulos da Shockdom.

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Voltando rapidamente aos heróis de Rio 2031, apesar deu ter comparado a X-Men, existe um outro detalhe, além do tempo de vida, que separa este da série da Marvel. E por incrível que pareça também tem ligação com os poderes. Pois aqui um personagem com super velocidade não tem apenas super velocidade. Ele possui um poder complementar de super resistência para aguentar o atrito durante a movimentação. E na mesma ótica uma heroína com intangibilidade também possui levitação, assim evitando que ela atravesse o chão indeterminadamente. Ainda são Mercúrio e Lince Negra, porem com uma lógica maior aplicada em cima dos poderes.

E eles ganham vida graças ao Brasileiro Gabriel Picolo, o qual mencionei no começo. Um ilustrador de mão cheia, super gente fina, que tem ideias incríveis, como desenhar os Titãs em roupa casual, o que lhe garantiu o trampo na DC, desenhar a famosa série 365 Days of Doodles e criar o “romance moderno” Ícaro e o Sol. Uma serie de ilustrações que coloca o mito clássico como dois jovens apaixonados. Um favorito pessoal meu. Mas que não menciono atoa. Pois a personagem Sol serve claramente de base para a heroína Magick. O que me leva a pergunta, onde ele enfiou o gato preto em Rio 2031? Vou deixar essa solta para os fãs do Picolo responderem.

E junto dele temos o italiano Giuseppe Andreozzi, o que torna essa uma obra Ítalo-brasileira. Você provavelmente ouviu pouco dele, pois é um cara focado mais em estudo, sendo fundador e professor de roteiro da Creativ Art School, e antes de ir para a Shockdom trabalhou apenas em um projeto, a série de zumbis Mors tua. Sua primeira obra na editora foi Black Screen, a qual ainda não tem previsão de sair no Brasil.

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Com isso temos juntos 2 quadrinista bem experientes, que vieram polindo suas habilidades ao longo dos anos, mesmo que não fazendo HQ em si. O que não é um demérito, pelo contrário. Falo de um ilustrador fantástico de longa data e um roteirista que ensina milhares sua arte. Um time extremamente competente que trouxe uma das HQs de heróis mais interessantes dos últimos anos.

É algo excepcional? Não. Mas é um quadrinho de herói muito bom! E isso que vale as vezes saca. Ignore os clichês de um gênero saturado e busque enxergar o diferencial. Eu tenho certeza que você verá isso em RIO 2031, e quem sabe nas outras series da Timed. Tá curioso? Pois bem, já dou uma canja. Pois nos dias seguintes eu vou resenhar aqui justamente os títulos que dão continuidade a ideia desse mundo, os quais são Vidas de Papel e O Canto das Ondas. Ainda não li essas, mas estou empolgadíssimo!

E você, o que achou de Rio 2031? Animou para ler? Achou uma ideia batida? O que acha que é necessário para um HQ de herói decolar? Comenta aí para a gente nos comentários. Ah, é não deixa de curtir! Tem dessas no WordPress também. =P

Indie-A-tom: Downfall – Hotel dos Horrores (+ Sorteio de The Cat Lady)

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Último review do ano! Porém não o ultimo vídeo. Algo que vou entrar em mais detalhes no final do Review de Downfall. Mas antes de prosseguirmos, tenho de parar e falar um pouco a respeito de The Cat Lady, último jogo resenhado. Afinal um é meio que sequência do outro.

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Indie-A-tom: A Bloody Night – Gore pixelado!

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Jogos violentos. Quem não gosta, não é? Tem quem curta atropelar pedestres em GTA, dar uma de psicopata em Postal ou simplesmente ver aquele gore maroto em Dead Island. Mas seria isso o suficiente para se vender um jogo? Leia o resto deste post

Resenha: Fragmentos do Horror

Fragmentos do Horror

Atenção: As imagens do post não refletem a qualidade Darkside. Vou troca-las posteriormente. Apenas tive um problema com minha câmera na hora das fotos.

Antes de começarmos, gostaria de agradecer a DarkSide Books por ter nos enviado o Fragmentos do Horror, uma coletânea de one-shots do mestre do terror Junji Ito. Sem dúvida um dos meus autores prediletos dentro do gênero, possuidor de um estilo único, tanto de narrativa como ilustração.

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Indie-A-tom: Orbox C

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

Eu não consigo virar para alguém e dizer que sou particularmente bom ou ruim num jogo de quebra-cabeça, pois apesar deste ser um gênero que engloba jogos focados em raciocínio lógico, é muito difícil você encontrar um jogo similar ao outro, a não ser que seja uma cópia descarada.

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Indie-A-tom: An Octonaut Odyssey

Atenção: O texto presente aqui é um roteiro de gravação, então, apesar de ser perfeitamente possível ver minha opinião através deste, sugiro assistir ao vídeo pois ele possui leves alterações.

A primeira vista An Octonaut Odyssey parece um jogo relaxante e psicodélico, nos moldes de algo como Dreaming Sara, onde o jogador se move por cenários interligados tentando descobrir um mistério, ou no mínimo um enredo, através do desbravamento e solução de puzzles. Leia o resto deste post

Passamos de 100 inscritos!

É, eu sei. 100 inscritos… poxa, o que é isso num YouTube da vida? Bem, para mim é muito. Jamais achei que fosse chegar a ter inscritos, quanto mais 100. Não 5, ou 10, 100. Eu já fui em eventos com menos pessoas, acreditem.
 
O ritmo ainda pode estar lento, os vídeos agradam uns, irritam outros, normalmente a mim mesmo. XD Mas ao menos eu estou tentando, estou crescendo, aprendendo, criando vínculos, e eventualmente espero transformar esse pequeno número. Um, dois, não, três zeros! 100.000!
 
Não custa sonhar. =P
 
 vlw