Arquivos do Blog

3 Tiras – Blue Chair, Lunarbaboon, Safely Endangered

Hoje em dia eu leio muita coisa por meio do celular, mas já foi um tempo em que existia um certo preconceito de minha parte, ou até ignorância eu diria, que me impedia de ir atrás de obras longas, sequenciais, feitas para a leitura especificamente no app. Como é o caso de Gosu, Tower of God, Elf & Warrior e tantas outras obras.

Ainda assim por algum motivo eu não via da mesma forma a leitura das chamadas tirinhas. Não pensava que cansaria a vista, ou que seria difícil de enxergar, ou que tomaria muito de meu tempo. E olha que meu celular não tem uma tela muito ampla. E lá fui eu baixar o app Webtoon.

Meu objetivo inicial era simplesmente passar o tempo do metrô lendo o famoso Blue Chair, mas logo expandi esse “universo” com os títulos Lunarbaboon e Safely Endangered, pois queria um pouco mais de variedade ao passar túnel após túnel dentro de uma lata de sardinha. E é sobre esses três títulos que gostaria de falar brevemente nesse texto. Então vamos lá.

Blue Chair

Se você gosta de tiras e bem capais de já ter se deparado com o garoto de cabelo alaranjado, blusa amarela e calça azul chamado Shen. Ou Shenanigansen, se preferir. O @ que ele vem utilizando a anos no Twitter. Rede social onde me deparei pela primeira vez com o que viria a ser o estilo de Blue Chair.

Voltando ao Webtoon, inicialmente as tiras tinham a proposta de apresentar uma ideia que deveria ser comum, mas que possui uma interpretação maluca, assim gerando o twist que leva a risada. É aquele lance da comedia do imprevisível. Algo tão absurdo que você não tem para onde ir se não rir. E é daí também que surge o título, a cadeira azul. Pois tudo se inicia meio que como uma conversa no divã onde o próprio protagonista se analisa e se auto responde, levando a toda essa doideira que me agrada tanto.

Com o tempo a cadeira passou a ser personagem, outros personagens foram criados, o próprio shen virou diversas entidades, e no fim a cadeira meio que sumiu, e para o melhor. Foi meio que removida a limitação causada pelo objeto e pela ideia de pensamento e questionamento, assim dando a liberdade necessária para extravasar ainda mais e romper limites, até mesmo transitando entre gêneros.

Comedia, ação, terror, drama. Um pouco de cada, mas na dose certa para causar alguma reação. Eu fiquei empolgado, tive medo e me emocionei fortemente. Blue Chair e algo realmente a parte, e faz jus ao próprio sucesso. Sendo minha parte favorita o conto do pequeno bombeiro. Quando chegar lá você vai entender.

Lunarbaboon

Eu ter ido ler Lunarbaboon se deve graças a um amigo meu. Eu via ele compartilhando momentos desse HQ e fui atrás na primeira oportunidade. Aqui a comedia continua tendo um foco muito grande, mas o clima é definitivamente outro se comparado a Blue Chair.

Lunarbaboon é um nome estranho, não é? Parece algo criado por uma criança. E talvez seja. Pois essa tira tem como foco conversar com o leitor sobre o cotidiano de um adulto, casado, pai de 2 crianças. Não é para todos, eu sei. Mas talvez devesse ser, meio que como uma receita de remédio.

Eu gosto bastante desse diferencial de ver o lado positivo de ser adulto e criar um filho, por mais que isso se afaste da minha realidade. Mas acho que a parte que mais me anima nessa tira e ela sempre ser positiva e trazer o melhor de mim à tona. Novamente, é algo que me anima d+. Que parece trazer uma energia extra que eu guardava lá no fundo.

Mas Lunar brilha mesmo é quando toca em assuntos mais abrangentes, e um tema recorrente aqui é a depressão, que parece crescer junto com a gente, como um monstro prestes a tomar nossa vida. Sim, é algo sombrio so de pensar. Mas pensar nisso e ver uma luz ao final do túnel, por mais que em algo desenhado, e possivelmente fictício, faz uma boa diferença. Ainda mais quando se nota que os sentimentos do autor realmente estão ali, em cada traço, em cada dialogo.

Safely Endangered

Esse é o mais maluco dos três. Se Blue Chair extrapola naquilo da comedia do imprevisível, então Safely Endangered vai a níveis cósmicos e transcende ao infinito. Lembra daquele episódio de Os Simpsons em que Homer estica a mão para uma borboleta e o inseto se fecha todo e entra na pele dele? É bem nesse nível. Você realmente não tem como prever o desfecho, e isso que faz dessa tira tão boa.

Ainda assim, ao menos para mim, o ponto alto da obra foi quando o narrador do título, o que “grita” Safely Endangered ao início de cada tira, tomou consciência e quebrou a quarta barreira, tendo seu próprio arco em meio as já malucas tiras semanais.

E eu sinto falta disso, dessa criação de um universo próprio. Algo bem utilizado em Blue Chair. Mas ainda assim não me arrependo de continuar acompanhado essa besteirada magnifica que o cara cria a cada novo capitulo. Eu rio alto lendo esse, e as vezes é bem esse momento, de você cair na gargalhada, que faz o seu dia.

E é isso gente, essas foram as 3 tiras que me fizeram entrar com gosto no mundo dos webtoons, e as primeiras dessa nova serie intitulada “3 tiras”. Falar de tirinhas assim num texto grande, tendo apenas uma como o ponto central e difícil. A não ser que seja algo como Calvin e Haroldo ou Valente, que tem aquele conteúdo a mais para refletir ou que realmente possui um enredo.

So que isso é raro, e eu mesmo não tenho esse entusiasmo todo para pegar e fazer 2 ou 3 páginas sobre uma tirinha, a não ser que o material me surpreenda tanto quanto Tê Rex, a qual eu resenhei solo aqui no blog. E mesmo falar de Tê foi difícil, acreditem. Não por ser ruim, longe disso, é ótimo. É mais uma limitação que vejo em mim mesmo quando se trata de obras nesse estilo e que pretendo quebrar, nem que parcialmente, com essa ideia de falar de 3 tiras simultaneamente.

Eu acho que vai dar bom, ou assim espero. E você, curtiu a ideia? Tem sugestão de alguma tira para a gente olhar? Vai fundo e comenta ae!

Anúncios

Primeiras Impressões: The Paladin’s Tale

Tem dias que nos sentimos derrotados. Seja porque algo de ruim aconteceu, ou por termos nos frustrados, ficado agoniados, ou no meu caso, ao menos hoje, por estar cansado. Ter de repor horas num emprego que já me toma um tempo excessivo. Uma mudança de rotina brusca, mesmo que previsível. Afinal só ocorreu por eu não ter cumprido com minhas obrigações.

Nessas horas o melhor remédio e buscar diversão rápida. Algo que já lhe deixa com um sorriso instantâneo no rosto. E isso para mim sempre foi ir atrás de uma séria longínqua que acompanho a um bom tempo e que sei que vai me divertir ou então buscar dar aquela risada. Algo raro, que hoje em dia acho que só Gintama me tira, mas enfim. Ainda existe uma terceira opção, meio arriscada, que é buscar algo novo dentro das atividades que eu gosto, sendo a mais certeira aboa e velha leitura.

Nisso, lembrando de um pedido que me veio pelo Facebook eu abri o leitor online Tapas e lá fui eu ler o teaser de The Paladin’s Tale. Um mangá medieval com atualmente 12 páginas, que me foi descrito por seu autor, Raphael Carvalho, como algo épico que surgiu em meio a uma mesa de Tormenta, logo após eu comentar que a arte da ilustradora Karolyne Rocha me lembrava muito aquilo que se via nas páginas da antiga Dragão Brasil. Que, diga-se de passagem, voltou nesses últimos tempos.

E a primeira coisa que se nota nesse capítulo 0, ou teaser como se chama na gringa, é a fenomenal capa com dois combatentes. Logo ali o hype já é setado. O velho, forte, corajoso e persistente leão contra a víbora peçonhenta, sagaz, determinada, mortal. Adjetivos que cabem como uma luva aos dois cavaleiros e os descrevem perfeitamente, como logo se vê nas páginas seguintes.

E aqui vale uma pausa, para colocar em contexto o que direi em seguida. Eu li o teaser duas vezes, primeiramente no celular via app, por ser onde a maioria dos usuários acessam o Tapas, e então depois acessei o site por meio do navegador. Parece irrelevante mencionar isso, mas a minha experiência inicial tem muito a ver com a tela do celular.

Não sei exatamente qual a resolução do meu aparelho, mas é claro que The Paladin’s Tale não foi feito pensando num aplicativo de leitura em celulares, como seria o caso de Tower of God por exemplo. E isso fez com que eu tivesse uma experiência negativa a princípio achando a luta confusa em quadros menores e por ter tido de ampliar a página para ler balões, assim estourando a imagem e perdendo parte da imersão.

Ainda assim o restante da leitura foi super agradável, e a segunda vez foi ainda melhor (ui) visto que eu pude ler num local mais propício. No caso o já mencionado navegador. Não que o mangá tenha sido pensado 100% para o digital em monitor, não. Eu diria que é bem claro que a ideia aqui e posteriormente tentar uma publicação física. E pessoalmente, acharia isto algo fantástico.

Falo assim pois o mangá de fato me conquistou. O que se dá realmente nas páginas seguintes e uma luta épica, que sozinha já faria muito marmanjo ficar apaixonado pela construção de ritmo, movimento e suspense criados pelo traço e enquadramento de Karolyne. Mas Paladin’s não estaria completo sem a narração primorosa de Raphael, que entrega algo tão afiado quanto a espada de Ingroh.

O texto de The Paladin’s Tale é tão épico quanto seu conceito. Poético até, eu diria. E sem medo de usar de termos menos coloquiais, assim presando por algo mais voltado ao medieval. Quase literário. E que cai como uma luva numa situação de batalha. Sem descrever d+. Apenas ilustrando pensamentos e dando o contexto necessário para tal introdução.

No final da leitura eu me senti empolgado e com aquele gostinho de quero mais. Me lembra RPG, Tormenta, Berserk, e tantas outras coisas que gosto tanto. Mas o que realmente me prendeu foi essa correlação com o meu dia. O sentimento de derrota, e cansaço, que superei para escrever essa resenha.

Eu vejo assim Ingroh, o personagem principal. Um cara que se vê derrotado, pelas circunstâncias de seu mundo, e cansado devido as incontáveis batalhas. Mas que ainda assim não desistiu e busca seguir em frente mesmo que contra todas as probabilidades. Um espirito de herói nato. Ou ao menos espero que se de dessa forma a construção do personagem.

Quanto ao futuro da série, eu espero que se mantenha o visto nesse começo. Ação e narrativa. Mas também espero mais diálogos, enredo, desenvolvimento de personagem e lore. Quero ver um mundo que atraia leitores, personagens carismáticos e aquele enredo de guerra ou fantasia bem fodas mesmo, sem deixar cair para o lado infantil. E nisso novamente me vem aquela lembrança de Berserk. Afinal, quem não desejaria um Guts BR?

Eu acho que tanto o Raphael Carvalho e a Karolyne Rocha estão de pé para esse trabalho, e eu so espero coisas boas vindo dessa dupla que tanto me surpreendeu. Que venha logo 2019, e com ele o real capitulo 1 da série e o começo dessa incrível jornada.

Você pode ler o teaser nesse link, bastando se registrar no Tapas e clicar em Show Me para ver a obra na integra. A mensagem que aparece no caso é referente a ter conteúdo maduro, focado em adultos. Porem esse começo não tem nada de pesado, e acredito que qualquer um consiga ler sem problemas. Ah, e caso você prefira ler em inglês, no mesmo link tem a versão americana traduzida por João Mazzei.

Primeiras Impressões: Gosu

gosu

Atenção: Texto com base nos capítulos de 01 a 29. (Lançamento americano) Nada após isso foi levado em conta para a criação da resenha e assim que o Manhwa acabar, se necessário, faremos um review completo.

Com esse nome já deve estar vindo as piadas… “Esse mangá deve ser tão gozado!”. E na real, realmente é. A primeira impressão que temos e de se tratar de um épico de kung fu, mas que na verdade se encaixa bem melhor como uma comedia cheia de momentos inusitados.

Untitled-2.jpg

Gosu conta em seu prologo como um jovem adquiriu todas as técnicas do mestre do Clã Pacheon, o maior e mais poderoso de toda região, assim ele próprio ganhando o status de mestre e partindo para realizar um desejo de vingança contra 4 traidores… que no fim já estão mortos.

Espera, então tem sobrenatural no meio? Pior que tem. Mas quando falo deles caídos e justamente a piada inicial que dita todo um ritmo de comedia que está por vir. Se existe um inimigo ou acontecimento foda, no fim e um entregador de bolinhos que resolve tudo.

pimg091.jpg

Olhe esse rosto? Você espera dele um mestre do Kung Fu? Não, logico que não. Mas Gang Yong é possivelmente o ser mais forte do planeta. Não em algo escrachado como Neko Majin Z, mas sim num enredo bem polido, que vai se expandindo aos poucos e criando um universo tanto de personagens como contos fantásticos, e logico, com muitas, mas muitas piadas de timing perfeito.

E lá pela metade desses quase 30 capítulos lidos uma surpresa agradável para quem realmente queria ver Kung Fu de qualidade. Nesse ponto somos introduzidos a So Hong, um espadachim assassino que aparenta ser do mesmo nível de Gang Yong, assim se tornando o rival do principal e iniciando uma conspiração a qual envolve diversos clãs. O que por vez atiça a curiosidade de Gang sobre outros guerreiros formidáveis e faz com que ele volte a cogitar recriar o clã Pacheon.

3

Se não bastasse essa evolução no enredo, tudo indica que Yuru, uma cozinheira que pode ver espíritos, e Ubok, um vendedor e assassino aposentado que atendia por “ceifador”, vão meio que entrar para o grupo de Gang eventualmente. E talvez o mesmo ocorra com certos personagens que apareceram anteriormente.

Logo tudo indica que a comedia veio para ficar, mas que você ter entendido que se trata de um épico de kung fu não estava tão longe da verdade. O futuro de Gosu é brilhante, gozado, porque não, e fenomenal. Aquele típico webtoon que dá vontade de ler uma página atrás da outra.

Untitled-4

E se curtiu mesmo, aqui vai uma canja. Esse e vários outros HQs estão disponíveis de graça no site Webtoon (Oficial), o qual possui aplicativo para se ler em aparelhos moveis e muito mais. Certamente um deleite para os fãs da literatura oriental. (Em inglês)

WEB-TOON

Quanto a você quadrinista, ilustrador, designer, ou outro profissional do ramo que possa vir a estar lendo esse texto, fica a pergunta, gostou? Quer promover o seu produto ou serviço da mesma forma? Então entre em contato pelo e-mail blogmangatom@gmail.com para agendar o serviço.

Resenha em Massa: 3 Histórias Curtas

3curtas

No mundo dos quadrinhos existem aos montes títulos grandes, colossais, diria que alguns até infinitos, e isso sem contar aqueles que se renovam mudando o time e mantendo a franquia.

Porem com a correria e stress do dia-a-dia nem sempre estamos dispostos a mergulhar fundo em histórias tão densas, logo nada melhor do que aproveitar uns one-shots.

Abaixo você confere 3 rápidas “analises” de obras curtas para passar aquele tempo entre um cafezinho e outro.

Leia o resto deste post