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O mundo está acabando e tem duas crianças chorando. Eles estão na sua frente, uma menina e um menino. O menino chora como uma menininha, isto é, “chora” no sentido eufêmico de escândalo. A menina chora só do olho esquerdo, e você, bem, você, meu camarada, você olha a cena e a vive com tanto pesar — o choro fere a tua alma, e você quer matar o menino por isso — como se a culpa do mal na Terra fosse sua. Mas tem um detalhe, detalhe ínfimo, fatídico: você tem um lenço na mão.

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Resenha: Black Paradox

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Quando um quadrinho vem descrito como uma série de histórias de temática similar você não duvida que seja uma coletânea, mesmo que os personagens se repitam, ainda mais quando Junji Ito é o nome por trás da obra. Nada impede também que apenas a estética seja similar ou que o principal morra e reviva em cada conto.

Então, imaginem minha surpresa ao descobrir que Black Paradox é sequencial? Ok, ignorem essa pergunta. Não tem como você se surpreender da mesma maneira que eu sem realmente ler, pois inicialmente acredito que nem o autor sabia que rumo o mangá iria tomar.

O primeiro capítulo é curto, fechado e tem personagens, tema e construção similar ao segundo, ao menos até certo ponto. Quatro pessoas se reúnem para cometer suicídio por meio de um misterioso site, o qual poderia ser o ponto de ligação entre contos, mas ocorre algo sobrenatural que impede a tentativa e leva para uma segunda, o capítulo seguinte, a qual novamente se interrompe por um motivo inusitado.

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A diferença do segundo para o primeiro é a morte de um personagem e descobrimento de um mineral. O primeiro poderia significar que os personagens restantes morreriam, mas não por suicídio, e sim por meios grotescos ao tentarem se livrar da própria vida. Enquanto a pedra serviria apenas como um objeto estranho e fonte de medo.

Porem os capítulos restantes recebem uma maior atenção e o número de páginas engrossa, tornando a obra extremamente não linear e dando a impressão de que tudo foi construído a medida em que o autor progredia. Por fim culminando num enredo que gira em torno do mineral, assim enquadrando os dois primeiros capítulos como introdutórios aos personagens, mundo e motivo.

Sendo assim, Black Paradox se transforma subitamente de uma coletânea de contos sobre suicídio para um suspense com pitadas de horror e sci-fi, focando no desconhecido, e explorando a insanidade, ganancia, o narcisismo e o pós-morte, sem jamais perder o ritmo.

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Apesar da trama parecer levar a lugar algum você segue devido a curiosidade, querendo descobrir que estranhezas estarão por vir e qual vai ser o final de cada um dos membros do grupo, além de querer entender melhor o papel do mineral e ver se no fim as pontas se juntam.

Basicamente, você se torna teimoso. Tudo indica um desfecho ruim, pois temos um começo estranho, número inusitado de páginas, poucos capítulos e um avanço até certo ponto rápido. E mesmo assim a leitura não para. Talvez devido a brilhante narrativa do autor, ou quem sabe por conta de um raciocínio falho que enquadra a obra como um passatempo rápido, indolor. Afinal, que mal faz ler algo vez ou outra apenas para dizer que leu?

Sei que é estranho afirmar isso numa resenha, mas tem um motivo. Acredite quando digo que você passara por isso, ou passaria se lesse as cegas, e que isso faz parte da experiência. Pois repito, tudo indica algo falho, e ainda assim Black Paradox termina de maneira perfeita, aqui não sugerindo algo nota 10, mas sim um título que fecha sem problemas.

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Ao invés de dar corda e buscar uma publicação longa, algo que talvez nem fosse possível mas que insinuamos que daria, o mangá termina sem realmente acabar, dando uma previsão dos acontecimentos futuros, mas sem realmente parecer algo forçado, pelo contrário. Uma decisão sabia que leva o leitor a pensar e filosofar junto do apresentado.

Black Paradox do início ao fim é um conto de suicídio, pois o ato de tirar a própria vida é pensar em si próprio e ceder aos próprios desejos, ignorando a tudo e a todos no processo, e ao decorrer da obra vemos diversas situações que descrevem perfeitamente isso, mesmo que a morte não seja claramente ligada a ela. Um ciclo sem fim de enredo ampliado que nos leva a questões importantes, sem deixar de lado o clima característico do autor.

No fim esse é um quadrinho difícil de recomendar e ainda mais de se explicar, como puderam ver. Porem uma coisa é certa. Ele fisga o leitor, entretém, e apesar de possuir cenas grotescas elas são bem espaçadas e o enredo não gira em torno apenas do “monstro da vez”. Um bom início para qualquer um que queira encarar o mestre Junji Ito.

On the Nanquim: Supercrooks – o Assalto

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Uma inusitada mistura de X-Men com Onze Homens e um Segredo! Esse é Supercrooks. Na obra conhecemos supervilões veteranos, que enfrentam constantemente hordas de super-heróis nos Estados Unidos, e que buscam um país na Europa, onde não existem super-heróis para impedi-los. Sendo dos mesmos criadores de Superior, a parceria de Mark Millar e Leinil Yu se mostra mais uma vez positiva. Então se preparem para um bombástico assalto superpoderoso. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: Shantae Half-Genie Hero + Franquia

Você já ouviu falar de Shantae? Se não, vamos a um breve passeio pela história dos games.

Em 2001 surgia o tão aguardado Game Boy Advance, o grande sucessor do Color. E apesar do ideal ser criar jogos para a nova plataforma ou portar os antigos a Capcom resolveu seguir um caminho inverso, assim lançando um game inédito para GBC em pleno 2002. Leia o resto deste post

On The Nanquim: Hitomi

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Quando pegamos um HQ com traço ou temática oriental logo tachamos de mangá, o que não chega a ser errado, porem que atrapalha um pouco devido ao preconceito que muitos nutrem. De um lado nerds  que detestam mangás, do outro otakus que pensam o mesmo quanto aos quadrinhos, sendo que no fim ambos estão apenas generalizando e deixando de lado diversas histórias. Perdendo um pouco de cultura por ideais que não deveriam existir. Leia o resto deste post

On the Nanquim: The Wicked + The Divine

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Já pensou se deuses de distintas mitologias estivessem entre nós? E melhor ainda, como ícones do pop? The Wicked + The Divine, o premiado quadrinho escrito por Kieron Gillen e Jamie McKelvie, nós leva a essa criativa história com seres divinos recheados de carisma, que atrai o fascínio de humanos desde os tempos mais remotos. Muito outros autores exploraram essa convivência de Deuses com o mundo moderno, e isso é muito bem apresentado por Neil Gaiman com Deuses Americanos, e principalmente em alguns arcos de Sandman. Porém, Gillen nos leva a uma inédita ideia ao  trabalhar com o tema. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: THE VIDEOKID – Paperboy voltou?

THE VIDEOKID foi fornecido ao canal Mangatom pela PixelTrip Studios, uma desenvolvedora britânica que se afirma especialista em indies retro, é não é pra menos. Afinal, o jogo aqui apresentado é uma clara remodelagem do clássico Paperboy, porém não fica apenas nisso. Leia o resto deste post

On the Nanquim: Choques Futuristas

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Em 2016, a Mythos Editora lançou um encadernado de capa dura de uma coletânea de histórias escritas por Alan Moore para a 2000 AD. Uma das mais importantes revistas de quadrinhos da Inglaterra, onde muitos dos mais importantes quadrinistas britânicos passaram, como Neil Gaiman, Grant Morrison e Brian Bolland. Foi nesta revista que o consagrado Alan Moore começou sua carreira com os seus choques futuristas, lançando mensalmente pequenas histórias com uma média de 5 a 6 páginas com enredo de ficção científica, com uma rotatividade de excelentes artistas, onde podemos encontrar variados temas como viagem no tempo, relação entre humano e robô, viagens espaciais, etc. Leia o resto deste post

Indie-A-tom: Alwa’s Awakening – Puzzle Metroidvania

Alwa’s Awekning foi fornecido ao canal Mangatom pela Eden Pixels, uma empresa novata que em seu primeiro jogo tenta trazer um metroidvania com elementos clássicos do Nintendinho, porém sem deixar de lada a era em que nos encontremos. Logo espere um jogo de mecânicas simples, porém bem fluidas e com um mundo fantástico, o qual falaremos nesse instante. Leia o resto deste post

Primeiras Impressões: The Dregs – A Sarjeta de Vancouver

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Eu pretendia começar esse texto brincando com o que as pessoas poderiam entender pelo título da obra, citando RuPaul’s Drag Race e perguntando se alguém conhece uma HQ que aborde drag queens de um ângulo mais dramático, talvez com uma pegada meio Hourou Musuko. Leia o resto deste post