Hoje sou YouTuber

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Quem diria. Eu fiquei sem tempo para fazer um texto e por isso resolvi fazer um texto sobre eu estar sem tempo para fazer um texto. Isso que chamo de ironia, ou quase. Talvez ironia seja eu dizer que meu trabalho e YouTuber, mesmo o meu canal tendo apenas 158 inscritos e o outro estando começando a engatinhar.

Porem… não é ironia. Eu sou um YouTuber que trabalha como YouTuber, porem que não ganha com o canal do YouTube que abriu. Ficou confuso? Pois bem, essa segunda eu comecei a trabalhar como YouTuber pela primeira vez, mesmo apesar deu ter um canal no YouTube que está prestes a completar 2 anos.

É.… é, eu sei. Parece que fiquei maluco. Mas sabe, e um troço estranho mesmo. Eu quando pequeno queria ser presidente, não YouTuber. Então eu fui estudar ciências da computação e me formei em Design Gráfico. Dropei da faculdade de Publicidade e Propaganda, comecei a traduzir coisas ilegalmente, abri uma editora legalmente, deu meu merda e resolvi jogar minha voz na internet. Voz, pois minhas palavras vêm sendo publicadas aqui no Mangatom a 7 anos.

mangatom

O que quero dizer com tudo isso e que a vida dá voltas. Eu tive muitos sonhos, e muito hobbies, mas nunca trabalhei com o que eu gostaria. Eu já fui garçom, técnico de impressoras, escravo de gráfica. (Risos forçados) E talvez o único momento que eu me vi fazendo o que desejava foi no tempo ínfimo que a Hanabi, outrora minha editora, estava aberta.

Eu detestava a parte administrativa e lidar com pessoas nunca foi o meu forte, mas ao menos eu podia traduzir os HQs. Algo que eu tive de fazer por conta própria, tirando do bolso pois cheguei num ponto que pensei… foda-se, se der errado qual o problema? Eu já fracassei em tudo mesmo. Isso se tratando dos estudos e trabalhos.

Aquilo que era hobby eu deixava de lado na importância, mas ainda assim me empenhava naquilo. Com o tempo o hobby acabou se tornando mais e mais importante, até que eu passei a receber material para resenhar de editoras nacionais e internacionais. Posteriormente jogos, assim nascendo o Indie-A-tom. E a alguns meses atrás me foi solicitado por um autor de usar parte de um texto meu na sua publicação.

Tê Rex 34 - te-rexhq.blogspot.com

Eu passei a ser reconhecido, por não desistir, por sempre seguir em frente e aprimorar minhas habilidades, mesmo que inconscientemente e se tratando apenas de um hobby. Algo que deveria ser casual, mas que para mim se tornou uma maneira de seguir em frente com a própria vida. Um último refúgio de um lugar em que eu me sentia bem por agradar a mim mesmo com a qualidade que eu gostaria de ver em outros lugares.

E não falo isso para parecer metido, e sim tentando passar como que eu tentava melhorar em certos aspectos. Pode não parecer algo relevante, ou crível, para você, mas é a forma como eu tentava enxergar aquelas minhas longas horas de pensamento em busca da frase perfeita para um texto que talvez eu fosse apagar no dia seguinte.

Passei essa minha insistência para o YouTube, a plataforma do futuro. Em parte, por medo da relevância que o texto escrito teria para o consumidor de hoje. Pois sempre me vi como uma espécie de auxílio na hora de encontrar algo que pudesse vir a agradar. Algo para ser consumido, portanto o uso aqui de consumidor. E querendo ou não o YouTube se tornou um ponto fundamental para esse tipo de busca, ao menos se tratando do meu público alvo.

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Mas levar as resenhas de quadrinhos para o YouTube? Transforma-las em vídeos? Isso sempre me pareceu uma tarefa árdua, tediosa e que pelo jeito ninguém conseguiu fazer com exatidão. Digo isso pois não considero vlogs com um quadrinho em mãos de fato como uma resenha, um review, e sim mais como uma opinião espontânea gravada em vídeo. Nada errado com isso, tem canais que se saem muito bem com essa formula, mas nunca foi para mim. Escrever sempre me pareceu mais divertido.

O lance então era minha outra paixão. Animes? Nah. Acabou acontecendo com o Nanquim Animado, mas a prioridade foram os jogos, e indies ainda por cima! Nicho do nicho. Pode me chamar de Zé Underground se quiser. Mas eu adoro pegar e falar de material menos conhecido, não importa a mídia.

E foi nutrindo esse amor por quase 1 ano que eu me vi na bosta agora em 2018. Achou que ia ser uma frase alegre? Enfim, alguns acontecimentos, como o meu e-mail ter sido hackeado, e certos indivíduos que não me entendem e preferem partir para a ignorância me fizeram quase desistir, e infelizmente ainda tentam. Mas assim de supetão ocorreu algo inimaginável.

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Mês passado, Julho, eu vi uma vaga curiosa no jornal. YouTuber. Tenho de admitir nesse momento que ganhar dinheiro como YouTuber foi algo que nunca passou pela minha cabeça, pois me parece raro os casos em que alguém se dá bem na plataforma. Ainda assim, a vaga estava ali na minha frente, então porque não?

Fui lá, mostrei de onde eu vim e tudo que adquiri com todas essas experiências que eu falei aqui para vocês. E não pense que não tiveram concorrentes. Certamente canais maiores que o meu se apresentaram. Mas no fim foi, acredito eu, minha confiança no que faço e a demonstração dessas habilidades que me puseram a frente.

Assim, essa semana, segunda, dia 13/08/2018, eu assinei o contrato de YouTuber. Pode não ser o que vocês esperam, afinal eu só faço tutoriais para um grupo que desenvolve softwares financeiros. Mas para mim isso é algo grande.

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Primeiro que eu estou feliz por receber um salário e trabalhar com algo que gosto. Quem não gostaria? Mas é muito mais que isso. Eu me sinto uma pessoa útil e capaz. Um sentimento que não me vinha talvez a anos. Uma demonstração de que o que eu estou fazendo aqui na internet não é à toa e de que devemos abraçar todas as nossas experiências e aprender com elas por mais que tenham gerado lembranças ruins. Eu odeio a época da Hanabi, e posso dizer isso alto e claro, pois aquele momento me serviu no futuro.

E é por estar trabalhando agora com isso que fiquei sem tempo para ler algo e resenhar essa semana, haha. Por isso o textão. E so para vocês não pensarem que isso e um aglomerado de palavras centradas em mim por ser um tremendo narcisista, apenas para e reflita. Quais experiências te moldaram? O que você pode aproveitar no futuro? O seu hobby e tão inútil assim? Sempre siga em frente, nunca desista. Viva a vida, por mais amarga e ruim que ela possa parecer agora. Um dia você pode dar a volta por cima.

Ah, é o quão foda e ter uma vaga de YouTuber no jornal? Porra, esse é o futuro! Dava um texto so sobre isso. LOL Mas acho que eu sou um pouquinho narcisista mesmo, haha.

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Super BSBros: Alien VS Predator (Arcade) – Parte 1

Alien e Predador são famosos no cinema, mas você conhecia esse clássico dos arcades? Confiram nesse episódio Zigfrid (Raphael Gama) e Golden Silver (Francisco Ramos) relembrando de um jogo que marcou a infância de ambos! F*UK! It’s time to hunt!

Especial: Fazer o review de um jogo metroidvania é complicado

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Normalmente quando eu encaro a ideia de analisar um jogo eu gravo entre os 30 minutos iniciais a 2 horas de gameplay. Pois normalmente o que eu pretendo falar em vídeo está presente nessa fração de tempo, uma vez que reviews de 3 a 10 minutos nem se comparam em tamanho.

Isso pois os jogos modernos têm a tendência de mostrar todas as suas mecânicas logo de início. Peguemos Cuphead por exemplo. No primeiro mundo você recebe um tutorial sobre salto, tiro, dash e parry, já sabe que existem fases de chefes e leveis run ‘n gun, além de chefes estilo shoot ‘em up. Adquire moedas, compra itens, descobre que existe um menu, e nele você troca entre passivos, tiros e especiais. Sendo este último obtido nas fases extras que se focam em parry.

Novamente, tudo isso no primeiro mundo. Logo eu so teria de gravar algo mais a frente se eu quisesse mostrar um chefe, fase ou poder especifico. Algo totalmente possível em Cuphead, pois você pode transitar livremente entre os 4 mundos presentes em jogo e refazer o que quiser e em qualquer ordem. Nesse jogo até mesmo os segredos são fáceis de gravar e exemplificar.

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Primeiro mundo de Cuphead, com seus chefes, fases e mausoléu.

Então peguemos Super Metroid, o game que basicamente criou as primeiras regras que definiriam o que é o gênero metroidvania.  Você não recebe um tutorial, algo típico da época, mas que se manteve em muitos títulos futuros. É necessário então testar cada botão. Até mesmo coisas como o esquema de ângulo de tiro, o qual é pouco intuitivo.

Quanto ao mundo de Super Metroid, existe uma certa separação entre áreas, mas você não é obrigado a explorar cada fresta. É possível seguir por um determinado caminho que acabe por fazer você deixar de obter um certo upgrade. Alguns como a morph ball são obrigatórios e servem para mostrar tanto a possibilidade de obtenção, como a não linearidade do mapa, uma vez que é preciso seguir para a direção oposta a qual o jogador se encontra.

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Múltiplos caminhos, chefes e upgrades passáveis e segredos em Super Metroid.

Alguns jogos mais modernos como Bunny Must Die até mesmo brincam com esse fato, fazendo o seu personagem ter apenas o “poder” de andar de costas no início do game. Isso pois no design de um Metroidvania pode quase tudo. E um estilo de jogo famoso por quebrar certas regras outrora definidas por games de plataforma e seus leveis de linearidade absurda.

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Um dos chefes de Bunny Must Die.

No início de Super Metroid é possível se perder, passando pelo primeiro chefe e alguns upgrades, e se vendo preso em Norfair, uma área que so deveria ser acessada muito a frente. Assim demonstrando o quanto o jogo da liberdade ao jogador. Mesmo que essa rota pareça uma falha de design.

Como escapar do reino de lava e fogo de Norfair? Achando um segredo. O qual so pode ser gravado se for feito esse caminho errado e que so pode ser liberado colocando uma bomba numa sala que até então era transitória e aparentemente inquebrável. Algo que ocorre não uma, mas duas vezes em jogo. Sendo a segunda requisito para conseguir terminar de explorar Maridia, a qual por vez e requisito para finalizar o jogo.

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Norfair e Maridia respectivamente.

Isso mostra que os segredos em Metroid são importantes, mas também acrescenta um certo nível de frustração. Algo que vejo como um elemento fundamental a ser mostrado num review. Porem um destes pontos pode ser pulado e o outro demora muito mais que míseras duas horas de gameplay para aparecer em tela.

Da mesma forma chefes demoram a aparecer e certas mecânicas importantes que talvez valham uma menção so vão estar disponíveis muito à frente no jogo. Logo para se fazer o review de um Metroidvania, ou qualquer outro jogo longo que tenha um esquema similar, vide RPGs, é necessário gravar horas de gameplay, se não o jogo inteiro.

Algo que eu fiz para poder analisar Ghost 1.0 e Alwa’s Awakening, e até mesmo jogos de outros gêneros, como Firewatch ou Yooka-Layle. Seja por conta de ter muitas mecânicas, mundos e colecionáveis diversos, bugs específicos ou simplesmente mudanças de enredo muito grandes.

So que os metroidvania aí mencionados são pequenos. Alwa’s demorou 20 horas para ser finalizado 100%. Yooka-Layle, apesar de ser outro gênero, demorou 49 horas para chegar aos 100%. Já Hollow Knight, um jogo que eu estou devendo review a um bom tempo, demorou 80 horas para ser finalizado.

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O coliseu de Hollow Knight. Um dos desafios mais difíceis do jogo.

E o que esse tempo tem a ver com ser difícil fazer um review? Primeiro, o tamanho dos arquivos. Yooka-Layle com suas 49 horas gravadas lotou o meu HD a ponto deu ter de sair limpando ele para fazer o review e eu não poderia fazer mais nada no PC até terminar de editar e renderizar.

Um vídeo de 1 hora tem cerca de 2,30 GB (Gigas). Logo um vídeo de 80 horas teria 184 GB. Num HD de 1 TB (Tera), sendo que 1 TB são 1000 GB, esse número pode parecer insignificante, ainda mais que 20 horas de gravação, o que daria 46 GB, costuma ser um tempo alto para se finalizar um jogo. Logo 80 horas pode ser visto como um tempo absurdo. Isso se tratando de jogos em geral. Mas pegando coisas como Metroidvanias, RPGs ou jogos mais hardcore, afinal dificuldade influencia, esse pode ser um tempo bem próximo de um padrão.

Agora imagine ter de fazer o review de 5 metroidvanias de 80 horas. Isso dá 920 GB. 5 jogos e seu HD está quase lotado e sem uso. Mas isso é que estamos fazendo a conta ignorando todo o resto que estaria no seu HD. O sistema operacional, diversos programas, o jogo a ser gravado e possivelmente os vídeos anteriores que fez para o canal e que quis arquivar.

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Mas esse não é o único problema. Olhar horas e horas de vídeo para achar o momento que exemplifica melhor o roteiro pode ser bem hard, ainda mais se for algo que ocorre poucas vezes em jogo, como o já mencionado caso de Norfair e Maridia em Super Metroid. Momentos estes ainda que possivelmente não seriam mostrados caso não houvesse a gravação do jogo inteiro.

Pior ainda quando certos extras necessitam de múltiplas runs ou realizar certos eventos para poderem ser liberados. Exemplos disso são o enredo da Grimm Troupe em Hollow Knight e o castelo invertido em Castlevania: Symphony of the Night. Ambos conteúdos que inclusive so podem ser acessados ao final do jogo.

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Grimm Troupe e o castelo invertido.

Portanto, como podem ver, fazer um review de um metroidvania é realmente complicado e trabalhoso. E isso que ainda tem de se levar em conta o tanto de informação que deve ser resumida em um vídeo curto e de fácil entendimento para o espectador.

Mais complicado so tentar fazer algo num HD com apenas 7GB. XD Acho que salvar gameplay de várias coisas para editar depois não foi lá uma boa ideia. =P

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On the Nanquim: O Canto das Ondas

O Canto das Ondas

No início de 2018 começamos a resenhar as obras da editora Shockdom. Mais precisamente os títulos que iniciam a linha Timed. Um universo de histórias cuja as temáticas giram em torno de poderes fantásticos que alteraram o mundo como conhecemos, assim gerando uma quase distopia, do subgênero de ficção cientifica de história alternativa. Algo que comentei ao analisar Rio 2031 em fevereiro. Um HQ que também explica muito bem os poderes “mutantes” e a redução do tempo de vida atribuído a esses “novos seres”.

LEIA NOSSA RESENHA DE RIO 2031:
https://mangatom.wordpress.com/2018/02/21/on-the-nanquim-rio-2031/

Já em abril foi a vez de analisar Vidas de Papel. Um quadrinho que leva o tema para um rumo completamente diferente, mostrando o quão grandioso e terrível pode ser o destino de um Timed. Assim saindo de ação e ficção para algo quase sobrenatural, envolto em muito drama e complementado por uma arte alternativa de cair o queixo.

LEIA NOSSA RESENHA DE VIDAS DE PAPEL:
https://mangatom.wordpress.com/2018/04/10/vidas-de-papel/

Agora no começo de agosto, marcando o retorno das atividades no blog, lhes apresento a análise da última obra dessa “trilogia” de abertura da linha Timed no Brasil, com a resenha de O Canto das Ondas. Título escrito por Marco Rincioni, também responsável pelo enredo do já mencionado Vidas de Papel. E é exatamente pela história que vamos começar.

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Num viés meio de sinopse eu posso lhe dizer que tudo gira em torno de Cláudia, uma jovem que serve tanto como protagonista como ponto de observação para o narrador. Ou seja, mesmo que os quadros não a mostrem, no fim aquilo so foi apresentado por ter uma ligação com a garota.

E ai você me diz “Mas isso não é sinopse!”, e eu retruco afirmando que talvez algo mais fundo no enredo seja spoiler. A trama apresenta algumas reviravoltas muito bem trabalhadas, mas não é bem isso que classifico aqui como revelação de enredo. Na verdade, entrar em muitos detalhes pode estragar um pouco o ritmo, sendo essa uma obra melhor consumida às cegas, por mais que isso seja um argumento insatisfatório para muitos.

Pensando nisso aqui está o básico, e acredite, isso vai lhe servir. Cláudia escuta vozes e não sabe se por conta disso ela é uma Timed, ou seja, possui poderes e um tempo de vida limitado. Assim fazendo o leitor questionar se o que ela tem é a doença do século, ser uma mutante, ou se não passa de algo mais palpável, como uma doença mental. Algo já explorado por Rincioni em Vidas de Papel com um teor mais pesado, porem que aqui vai sendo apresentado e construído aos poucos, com um ritmo bem leve e diferente, mas que por algum motivo agrava essa nossa dúvida e dá uma aparência de doença ainda maior aos problemas de Cláudia.

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Ao mesmo tempo somos apresentados a uma cidade italiana chamada Trieste por meio de interações com terceiros ou conversas de fundo. Um cenário muito importante, pois, trabalha a visão das pessoas em cima dessa mudança distopica que vem ocorrendo. Mas aqui o autor não se contém, apresentando um contexto muito mais grave e pesado em cima do enredo até então leve e prazeroso.

Mas se existem tantos problemas em cima de Cláudia, da cidade e de seus diversos habitantes, como que a história se mantem com tamanha leveza? Isso se dá por conta das vozes e pôr a protagonista sempre parecer desconexa daquele ambiente. Cláudia é apaixonada por Asburgo, uma das vozes, e por conta disso tudo parece um conto de fadas de certa forma. Um amor proibido em um ambiente parcialmente hostil e cenas de romance aqui e ali.

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O narrador onisciente, que parece ser uma das vozes do oceano, também ajuda a entregar este clima. Ele fala que os acontecimentos que vão decorrer, de maneira a se mostrar estar contando algo no futuro, terão um final trágico, mas se coloca a contar a história de uma maneira bem agradável, a ponto de suavizar os próprios dizeres e entregar a visão de que mesmo que acabe de forma ruim, este “ruim” seria nada demais. Possivelmente um termino ou alguma outra mudança de enredo bem tradicional de algo que se apresenta como romance.

E aí vem um twist bem interessante e um dos pontos altos do HQ para mim. Em determinado momento aquilo que falei no início e meio que contradito. Cláudia some parcialmente do enredo, pois um canto está sendo contado. A história de uma paixão lésbica, com um certo teor sexual, mas cujo foco e apresentar outro casal que pretendia fugir para o oceano. E ao fim desse conto temos o seguinte diálogo.

“É uma história real?”

“Que diferença faz?”

“Uma história é menos real se ela não tiver acontecido?”

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Algo que fortalece a ideia de que talvez a história de Cláudia também seja um conto. Porem essa ideia não se mostra predominante em todos os quadros, aumentando de forma monstruosa os nossos questionamentos e prendendo o leitor de forma sublime, pois existe uma urge de saber que fim a jovem levara. Como esse enredo vai terminar. Qual será o clímax. Um sentimento que permanece vivo do início ao fim da trama e cuja as últimas páginas ainda te fazem duvidar e questionar tudo, mesmo após o termino.

Isso sem contar todos os outros questionamentos que são levantados ao decorrer da obra, como radicalismo e homossexualidade, e que ficam em nossa mente muito tempo depois do fim da leitura. Mostrando assim que O Canto das Ondas parece simples e inofensivo, mas que no fundo é uma obra bem moderna e pertinente. Algo que eu resumiria como um enredo belo, mas ao mesmo tempo ríspido nas pontas.

Tudo isso é completado pelo traço de Loputyn (‎ Jessica Cioffi). Uma ilustradora italiana que se especializa em desenhos que remetem aos antigos contos de fada, sem jamais deixar de apresentar seu estilo como único. Algo que obviamente contribui ao clima da obra e que não deixa a desejar nos momentos mais sérios, mostrando o quanto ela é uma artista diversificada. Ainda assim a peça do HQ que mais me impressionou foi a detalhada capa.

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Eu diria que o único ponto que me incomodou em O Canto das Ondas foi a tradução em trechos isolados que ao meu ver não teve uma adaptação muito boa para o jeito casual de se comunicar dos brasileiros. Mas nada muito grave. É totalmente passável e não vai atrapalhar na imersão. So espere algo mais formal em certos momentos.

E é isso. Esse foi o último HQ que a Shockdom enviou para o Mangatom. E visto que as obras so aumentaram em qualidade à medida em que fui lendo eu so tenho de agradecer a vinda do grupo ao Brasil e a confiança que tiveram em mim por enviar os PDFs.

Já obtive meu exemplar de Vidas de Papel e pretendo adicionar tanto O Canto das Ondas como Rio 2031 a minha estante em breve. E você? Curtiu os HQs da Shockdon? Se sim deixa o seu like, comente e não esqueça de conferir o link abaixo caso queira obter os quadrinhos!

Comprando pelo nosso link da Amazon você ajuda o Mangatom a crescer!

o canto das ondas

Super BSBros: Lethal League + Brawlhalla

De uns tempos para cá ando meio longe do Mangatom, mas não é por isso que deixei de produzir. Tanto que tirei 1 mês inteiro para organizar as coisas e deixar conteúdo pronto em prol de evitar atrasos.

Ao mesmo tempo eu venho postando durante todo mês de Julho no canal de games, agora renomeado Indie-A-tom, um novo quadro de gameplay chamado Super BSBros. Porem com tanta coisa junta acabei esquecendo de avisar esses detalhes aqui no blog, o que deveria ter sido prioridade desde o começo.

Sendo assim para evitar flood, abaixo você pode conferir os três primeiros episódios do Super BSBros. Aproveite e comente o que achou, deixe o seu like, compartilhe e todo o resto que vocês tão cansados de ouvir.

Review: Made in Abyss – Uma aventura para adultos!

Chegou a vez de analisar Made in Abyss, um dos animes mais marcantes de 2017! E o melhor, sem spoilers. Então senta ai e confira o nosso mais novo review. Não vai se arrepender!

Primeiras Impressões: Shape of the World – Apenas relaxe!

Primeiras Impressões de Shape of The World. Um walking simulator que visa relaxar o jogador e trás bastante interatividade para a mesa. Explore um mundo em constante evolução nesse belo game!

On the Nanquim – Batman: Elmer Fudd

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Esse review foi solicitado por um dos membros do nosso grupo no Discord. Segue a gente lá também! https://discord.gg/C23m628

Recentemente foi anunciado que a DC estaria trazendo novos crossovers com personagens icônicos do passado, porém não o clássico HQ vs HQ, e sim historias envolvendo personagens de desenhos matutinos. Dessa vez é o turno dos Looney Tunes, e muitos associaram o “trazendo novos crossovers com personagens icônicos” como uma referência aos HQs mais modernos e adultos envolvendo personagens da Hanna Barbera, como o indispensável Future Quest, mesmo estes não sendo crossovers e sim uma nova interpretação.

Digo, o já mencionado Future Quest e sim um crossover, mas acaba aí. É um HQ que junta personagens apenas da Hanna Barbera, e todo o resto, Flintstones, Scooby-Doo, Corrida Maluca, entre outros, se mantem num universo próprio. Enquanto esses novos crossovers misturam personagens da DC com os Looney Tunes.

Ainda assim, se o texto não referência Hanna Barbera e afins, o que seria esse antigo crossover? Algo mais do passado? Afinal já vimos o Superman contra Muhammad AliBatman teve aventuras com Hellboy e Starman e o Coringa em certo momento foi o possuidor da Máscara. O histórico da DC é cheio de crossovers, mas nesse caso se trata de algo bem recente. Batman: Elmer Fudd, de 2017.

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Mas o que ou quem seria Elmer Fudd? No Brasil conhecemos o personagem como Hortelino Troca-Letras. Um caçador careca que fala errado e adora perseguir coelhos, sendo o arqui-inimigo do próprio Pernalonga. E é seguindo exatamente a clássica premissa de Temporada de Caça que começa o enredo dessa sombria graphic novel.

Hortelino, ou Elmer Fudd se preferir, anda pelas ruas de Gotham refletindo sobre acontecimentos passados, sempre trocando seus Ls e Rs por Ws de forma a fazer até mesmo o Cebolinha confuso, e ao chegar o bar do Gaguinho, ou Porky, aos poucos entendemos melhor as nuances desse personagem modernizado, além de nos maravilharmos com diversos fanservices e entendermos melhor o porquê de tanta reflexão.

Elmer era casado, com ênfase no ERA. Apaixonado por Silver St. Cloud, antiga paixão de Bruce Wayne por meados dos anos 70, ainda em época de Detetive Comics. Uma personagem sexy, que por algum motivo não consigo deixar de associar a Lola Bunny. Mas voltando ao “ERA”, a temporada de caça ao coelho estava aberta. Silver foi assassinada, e tudo indica que Bugs Bunny, nosso querido Pernalonga, foi o culpado.

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Assim se inicia uma conversa de mesa de bar, com dois velhos rivais em tom depressivo conversando sobre o passado, presente e fim. Ninguém nega nada. Um assassinato ocorreu e outro viria a ocorrer. Um clima bem tenso, sombrio, moderno e maduro para algo que antes era galhofa. Mas ainda assim certas características se mantem. Mesmo humanizado o coelho ainda tem seus dentes, fome por cenouras e rotas erradas. Algumas dessas coisas se tornam piadas, mas algo se sobressai. Pernalonga sempre foi o astuto, e com seu jeito de malandro solta “quem me contratou foi Bruce Wayne”.

Tal qual no desenho basta palavras para mudar a mente de Elmer, e assim começa a temporada de caça ao morcego. Uma brilhante exploração de um personagem meio desaparecido em anos recentes, mas que ainda está no panteão de mais famosos Looney Toones. E um enredo dark sem dúvida, mas tem muito espaço para fazer os fãs sorrirem, seja com os já mencionados fanservices, o embate de 2 ícones ou o dialogo fantástico.

Sem dúvida um enredo com uma boa dose de suspense e reviravoltas, que surpreende bastante devido à natureza do crossover e se mostra até mesmo mais maduro e moderno que as já mencionadas HQs da Hanna Barbera. Ainda assim minha parte favorita e como o papel do Hortelino e do Pernalonga se invertem, fazendo você pensar quem realmente é o herói, se é que existe um. Tudo isso culminando num final excepcional que promete derrubar até o cavaleiro das trevas.

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Únicos pontos negativos para mim são a fala do Elmer, já que li a versão americana e é necessário um bom conhecimento em inglês e muita atenção para poder entender os diálogos e fazer tudo ser mais fluido, e a duração do enredo, pois tudo acaba num piscar de olhos e te deixa querendo mais. Elmer Fudd seria um ótimo personagem para uma serie, investigando e distorcendo o mundo dos Looney Toones, mas infelizmente esse é apenas um especial. Uma graphic novel de ocasião única que deixara muitos órfãos, tal como eu.

E destoando um bocado do clima que acabei de descrever, ao final da história principal temos uma pequena homenagem ao curta mais famoso do Hortelino, onde com humor impecável e ajuda da burrice do principal combinada com a astucia do Pernalonga e intrusão do Batman temos a mais hilária temporada de caça ao morcego que você possa imaginar. Não chega aos pés da parte central do HQ, mas ainda assim é uma boa adição.

Tudo isso escrito por nada mais do que Tom King, e ilustrado de forma realista e fluida pelo fenomenal Lee Weeks. Tom também escreve a parte mais cômica, porem o lápis passa para Byron Vaughns que traz algo mais cartoon para a mesa.

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Batman: Elmer Fudd recentemente foi republicado nos EUA na coletânea DC Meets Looney Tunes, junto dos crossovers Legion of Super-Heroes / Bugs Bunny, Martian Manhunter / Marvin the Martian, Lobo / Road Runner, Jonah Hex / Yosemite Sam e Wonder Woman/Tasmanian Devil. Histórias que envolvem respectivamente os Looney Tunes Pernalonga, Marvin: O Marciano, Papa-Léguas, Eufrazino e Taz: O Demônio da Tasmânia como principais.

Para agosto de 2018 a DC promete repetir o feito trazendo crossovers com Mulher-Gato, Harley Quinn, Coringa e Lex Luthor encontrando Piu-Piu e Frajola, Gossamer, Patolino e Gaguinho.

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Review: Hakata Tonkotsu Ramens – O novo Durarara!?

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Melhores Encerramentos (Inverno 2018) – Even my words were lost